

Você se sente preparado para escolher os próximos governantes?
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No sítio da pelada, um desportista mais velho – de final de semana – encontra com o companheiro e vai logo falando:
– Os paraenses não dão mesmo sorte com a seleção brasileira de futebol.
– Por quê?
– Olha só o que aconteceu com o Ganso. Sofreu uma contusão muito séria e vai ficar 6 meses sem poder jogar. Ele é um jogador excepcional e seria uma pena se isso lhe prejudicasse na seleção.
– Não deves ser tão pessimista.
– O problema é que eu sou mais velho... Me lembro muito bem do Quarentinha – não o meio-de-campo e sim um centro-avante que jogou no Botafogo do Garrincha... Ia ser o titular da Copa de 62. Mas se contundiu em uma partida pela seleção brasileira, no joelho, e nunca mias foi o mesmo. Parece uma sina.
– É chata a coincidência, mas, pelo amor de Deus, isso foi em 1962, estamos em 2010! A medicina evoluiu muito e o Ganso será o capitão do time de 2014!
COADJUVANTE
Em mesa formada na Assembleia, o clube, ouvinte escuta um participante fazer a seguinte observação aos demais:
– Vocês notaram a ascensão do Anastásia, candidato do Aécio
– atual Governador de Minas Gerais–, nas eleições mineiras!? Passou de mero traço nas pesquisas para um empate técnico e já é favorito ao governo.
– Realmente, aparteia outro participante da roda. – Segundo especialistas, ele irá ganhar com uma vantagem de 15 a 20% sobre o candidato do PMDB Hélio Costa. É a Dilma do Aécio! Já era previsível, mas essa tendência nunca é publicada pelos institutos de pesquisa.
– Isso prova duas coisas, interveio outro: – A primeira é que a transferência de votos do Lula só ocorre no plano federal. E a segunda é que as pesquisas eleitorais não alteram o voto de quem quer que seja, como os marqueteiros políticos querem nos fazer crer.
– Produz outro fato também, retoma o primeiro.
– Qual?
– Tornou o Serra de protagonista a coadjuvante. Ele mesmo confessou que a sua campanha se resumirá a ir onde o Anastásia e o Aécio forem. Eu digo mais: ele também correrá atrás do seu cordial desafeto Geraldo Alckmin. Aquele mesmo que ele alijou, nas últimas eleições, da prefeitura paulistana.
– Até aí – diz um participante que se mantinha calado mas a tudo escutava – não há problema. Faz parte da política. O que eu vejo como grave é o fato de – diante da derrota iminente – o candidato Serra estar apelando para uma solução não institucional, querendo impedir a eleição da Dilma através de recursos ao Tribunal Superior Eleitoral, numa evidente armação para atribuir à candidata do Lula uma suposta quebra de sigilo fiscal de sua filha Verônica...
– Pode parar, diz o primeiro. – O Serra seria incapaz de uma coisa dessas! Eu não aceito que se culpe a vítima... Como a discussão parecia que ia sair da linha civilizada, o ouvinte e informante da coluna resolveu se retirar da mesa.
SUBSÍDIO
Empresário madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, desabafa com amigo:
– Eu queria ser que nem esse Marcos Palmeira. Ele está em tudo que é boquinha.
– Quem?
– Aquele artista global, que também interpretou o personagem “Mandrake” de uma série brasileira da HBO.
– É mesmo. Quem ele está pegando? Pergunta o amigo.
– Não é nada disso. Estou falando de negócio. Enquanto a gente dá um duro danado para tocar as coisas por aqui, o governo concede subsídios para algumas coisas que beneficiam estrangeiros.
– Explica melhor...
– Eu descobri que algumas produções brasileiras de filmes, como “Filhos do Carnaval” e “Mandrake” da HBO, “9MM” da Fox, o infantil “Peixonauta” da Discovery Kid, recebem dinheiro público. Funciona da seguinte maneira: com o incentivo fiscal, o canal estrangeiro contrata uma produtora independente brasileira para fazer o filme. Depois compra o filme por preços simbólicos de até um real. Quer dizer, dinheiro público serve para empresários estrangeiros faturarem, enquanto a gente...
– Tudo bem, mas onde entra o Marcos Palmeira?
– Ora... Ele, além de contracenar com a Camila Pitanga, ainda está metido em todas essas boquinhas de subsídios. Vai ter sorte assim lá em casa.
SENSIBILIDADE/b>
Em festa de aniversário, um dos convidados, que acabara de retornar de férias no Rio de Janeiro, conversava com o anfitrião:
– Eu não consigo, muitas vezes, entender o poder público. A Prefeitura do Rio anunciou que irá gastar R$ 15 milhões para fazer uma praça, um campo de futebol e amparar a encosta do morro do Bumba...
– Morro do Bumba?
– É aquele que foi notícia nacional por ter havido um deslizamento com mais de 200 pessoas soterradas. Uma tristeza.
– E qual o mal de se fazer essa obra?
– É que milhares de pessoas encontram-se, desde aquela época, sem moradia, por não poderem retornar ao local devido ao perigo de novos deslizamentos. E as obras vão ser no local onde antes estavam as casas. Se houvesse um pouco de sensibilidade, com esse dinheiro se construiria casas para os desabrigados.
– Concordo contigo, mas os governantes do Rio de Janeiro gostam mesmo é de exportar o problema deles para os outros.
– Como assim?
– Não houve aquela invasão por mais de 10 marginais de um hotel luxuoso em São Conrado, zona sul da cidade? Qual foi a solução carioca?
– Não me lembro.
– Enviar todos os marginais para Roraima. Exportam o problema deles para outros estados. Isso não é administração pública, é degredo. Uma total falta de sensibilidade. Isso sim deveria ser impedido de entrar na Amazônia.
SACOLINHA
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de conseguir angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite conversa com a amiga:
– Querida, eu continuo só querendo saber de modas, maquiagens, balangandãs. Mas vou voltar ao meu tema recorrente: as eleições. Confesso que estava decepcionada com os rumos delas aqui no Pará. Estava tudo muito chocho. Aquele debate então na RBA, pareceu uma reunião de velhas amigas para angariar recursos para obras filantrópicas. Chatérrimo!
– E o que mudou, querida?
– A primeira pesquisa divulgada sobre as eleições daqui.
– Mas estão impugnando os dados...
– Isso sempre acontece, mas eu não faria isso. Acho pura perda de tempo.
– Por quê?
– A razão prática é que sempre a Justiça libera. Mas o importante é que, independentemente do que consta na pesquisa, o eleitor vota da maneira que bem entende. Não prejudica ninguém, nem serve para nada.
– Explica melhor.
– Tu te lembras desse mesmo instituto de pesquisa nas eleições passadas para a Prefeitura de Belém? Ela dizia, a essa altura do campeonato, que a Valéria do DEM venceria no 1º turno! Na hora da onça beber água, Valéria não chegou nem ao 2º turno. Na eleição anterior para o Estado, também afirmava que o Almir seria vencedor no 1º turno... Mas quem ganhou mesmo foi a Ana Júlia. Isso prova que a pesquisa não prejudica ninguém.
– Concordo com a tua argumentação, mas creio que a pesquisa serve para alguma coisa.
– Para quê?
– Para correr a sacolinha... É bem mais fácil arrumar dinheiro com uma pesquisa favorável.
BOMBA
Morador de uma cabana de sapé e de galhos, construída pelas próprias mãos, às margens do Amazonas, Cordeirius – um neo-anacoreta adepto da cientologia – passa suas horas mantendo abstinência e doutrinando sobre a nova religião. Resolveu sair de sua reclusão para aconselhar seus adeptos que acudiram até sua morada:
– Finalmente vejo um pouco de bom senso nesse mar de insensatez que rege a política energética brasileira. Pretendem construir mais usinas atômicas no Brasil e entregá-las à gestão da iniciativa privada. Assim os efeitos perversos das hidroelétricas serão revertidos e Amazônia deixada em paz.
– Mas, mestre – levanta-se uma voz no meio de seus crentes–, como vamos conseguir pagar a conta de luz, uma vez que a energia gerada será duas vezes mais cara do que a produzida pelos rios e, pior, o que faremos com o lixo atômico que não pode ser descartado nem acaba nunca a radiação? Infelizmente Cordeirius já se retirara e não pôde responder às ingênuas e estúpidas perguntas de seu seguidor.
KUIKURO
Diante da eficaz atuação das instituições brasileiras que, a partir de um manancial de leis feitas em pleno regime militar, conseguiu fazer o que a ditadura não conseguiu: acabar com a participação popular nas eleições, traduzida nessa participação esplendorosa do humorista Tiririca que debocha da democracia, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Será que as autoridades do Judiciário Brasileiro e do Ministério Público só irão perceber que não podem tutelar o pensamento do povo quando for tarde demais!?
LULÃO
Passageiro da linha de Icoaraci, enquanto aguardava, desolado, passar o engarrafamento no Entroncamento, lembra ao amigo:
– Bem que tu falaste há meses que o Lula ia dar um estádio para o Corinthians.
– Estava na cara. Só mesmo o Serra e o Kassab para não perceber que o Ricardo Teixeira embromava o São Paulo, para ajudar o Corinthians. Eles morderam a isca e deram todo o motivo do mundo para o Lula aparecer como salvador da pátria e, docemente constrangido, não ter outra solução a não ser mandar construir um estádio para São Paulo abrir a Copa do Mundo de 2014. O cara é um apaixonado, diretor do clube, não ia deixar passar em branco a possibilidade de resolver a mais antiga aspiração do corintiano.
– Eu soube que eles chamarão o estádio de Itaquerão por estar situado no bairro de Itaquera, região leste da cidade de São Paulo.
– Eu não sei qual será o nome oficial do estádio, mas tenho certeza que o povo vai chamar de Lulão.
PENA
Jornalista encontra com antigo colega na João Alfredo e lamenta:
– Conseguiram acabar com o Jornal do Brasil depois de 119 anos. Ele foi fundado no tempo que Brasil se escrevia “Brazil” com z.
– Por quê? Diz o amigo. – Não se escreve mais com “z”?
– Vamos falar sério. Foi um jornal que fez história. Além de jornalistas maravilhosos e da revolução gráfica no final do anos 50, teve a colaboração de gente como o Joaquim Nabuco, o Rui Barbosa, o Carlos Drummond de Andrade, a Clarice Lispector...
– Tudo bem. Mas o dono atual, o Nelson Tanure, ninguém aguenta. Primeiro tentou imprimir a “Forbes” no Brasil. Fechou... Passou para a Gazeta Mercantil. Levou à falência... Com o Jornal do Brasil, não seria diferente. O cara é bom mesmo.
SOLIDARIEDADE
Um cientista político dizia para um observador político estar estupefato diante das últimas votações na Assembleia Legislativa:
– Não consigo entender como, em plena campanha para governador, a Ana Júlia não consegue ter a simpatia da maioria dos deputados da Casa. Perdeu novamente uma discussão tão crucial como os vetos na lei que permitiu o empréstimo do BNDES ao Estado. 24 deputados derrubaram os vetos da governadora.
– Pois, para mim, parece – diz o observador político – uma posição cada vez mais comum no atual cenário.
– Como assim?
– Desde que prefeitos e governadores passaram a perder o mandato por qualquer bobagem, o apoio do Executivo às emendas e aos pedidos dos membros do Legislativo recebem um filtro muito rigoroso e isso se reflete na votação das Casas.
– O que queres dizer?
– O que disse. É muito fácil de constatar. A mesma resistência que a Ana Júlia enfrenta na Assembleia Legislativa, o Duciomar passa na Câmara de Vereadores. O problema é que todo mundo se acha dono do mandato. Os deputados do PTB do Duciomar não acompanham a orientação do partido nas votações na Assembleia, assim como os vereadores do PT não acompanham as posições da Ana Júlia. Parece que os dois chefes são solidários entre si, mas a solidariedade acaba por aí.
P. S.
Fiquei sabendo que o Ministro da Pesca passou por Belém para anunciar a construção de um Terminal Pesqueiro Público. Como convém às modernidades, já tem sua sigla: TPP. A obra terá um investimento de R$ 34,5 milhões e a previsão para conclusão é de 12 meses.
Para quem não se lembra, quando eu fui prefeito, mandei construir um Terminal Pesqueiro igualzinho ao que agora parece que vai ser feito. Era um entreposto de receptação e comercialização, que propiciaria aos pescadores artesanais o beneficiamento do peixe, além de um frigorífico para armazenamento do excedente.
Houve uma única diferença. A mesma preocupação que o presidente da Associação dos Balanceiros do Ver-O-Peso possui agora, eu tive à época: não se pode ignorar 60 anos de trabalho na pedra do Ver-O-Peso. Ali se criou um fundo de comércio e isso deveria ser levado em consideração – como levei nos tempos de outrora – para o êxito do empreendimento.
Tenho um pouco de desapontamento por saber que perdemos tanto tempo para resolver o problema e que o terminal será construído longe do Ver-O-Peso. O prefeito que me substituiu achava que a obra era um elefante branco e jamais o deixou funcionar. Uma pena. Torço, agora, para que tudo dê certo e os pescadores artesanais deixem de ficar nas mãos dos atravessadores.
Passageiro da linha de Icoaraci, enquanto aguardava desolado passar o engarrafamento no Entroncamento, puxa conversa com o amigo:
– Eu gostei de ver. Foi só o Jatene fazer uma viagem a São Paulo e já tivemos o resultado.
– Qual foi? Pergunta intrigado o amigo.
– O programa de rádio do PSDB nacional, para atacar a Dilma, criticou abertamente o governo da Ana Júlia, dizendo que o Lula avalizou nossa governadora e se deu mal.
– E a bufunfa?
– Bufunfa?
– É. A grana? O dinheiro? Ou, como diz publicamente, mas no eufemismo, o candidato à reeleição Flexa Ribeiro: o “material” para a campanha?
– Ah! Dinheiro? Creio que não virá. A cúpula nacional do PSDB parece ter jogado a toalha. Só isso pode explicar a decisão, tornada pública, de que irá se concentrar apenas nas eleições para governador em 4 estados: São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás.
– E o Pará.
– O Pará é solenemente ignorado, apesar dos buchichos de que o Jatene está empatado ou na frente da Ana Júlia.
– É por isso, então, que a campanha por aqui não pegou fogo. Só vejo carreatas e caminhadas nos bairros de Belém. Parece até eleição para prefeito.
– É uma explicação... Quem sabe?
PÁTRIA
Na próxima quinta-feira, dia 2 de setembro, a Academia Paraense de Letras realizará em sua sede sessão especial pela manhã, às 10 horas, para abordar o tema “Pátria, Civismo e Cultura”, comemoração alusiva à Semana da Pátria.
O orador será o acadêmico Zeno Veloso.
O presidente Alonso Rocha – nosso “Príncipe dos Poetas” – e a abnegada secretária da APL, escritora Edy-Lamar de Oliveira, ultimam as providências para que o auditório à Rua João Diogo 235 fique repleto de estudantes da rede pública.
ABSURDOS
Dois torcedores, um remista outro bicolor, encontram-se na feira do Ver-O-Peso. O azulino vai logo dizendo:
– Tu e tua turma escaparam... Aquilo não ia ficar por isso mesmo. Ia ter troco.
– Do que tu estás falando?
– Da destruição do emblema do Clube do Remo lá do Baenão. Pensei que fosse obra dos malucos dos torcedores do Paysandu. Mas descobri que, pior do que vocês, é o nosso presidente, que não tem um pingo de amor pelo Remo. Não há justificativa no mundo que explique a destruição de nosso maior símbolo. É simplesmente frustração por não ter conseguido vender o maior e mais valioso patrimônio do clube. Nenhum bicolor jamais nos tratou assim. Nem a atitude do Albertinho, que vestiu o Leão do Baenão com a camisa do time de vocês, pode ser comparada com isso. Um absurdo!
– Não sei o que dizer sobre o ocorrido, – fala o bicolor – apenas lamento. – Mas o Paysandu, também, tem os seus absurdozinhos. Olha o caso desse menino Ademilton. Ele era capitão do time de juniores. Subiu para o profissional. Ninguém o quis, nem o treinador, nem a imprensa que era só elogios para seu parceiro de zaga, o Bernardo. O menino consegue, sabe Deus como, ir para o Bonsucesso do Rio de Janeiro e de lá para a Bélgica.
– E daí?
– E daí que, quando era profissional, o Paysandu não pagou os salários, o FGTS, o INSS... E agora quer atrapalhar a ida dele para a Bélgica, sob o pretexto de que foi o clube formador. Formador de quê? A única coisa que o Paysandu fez foi atrapalhar a vida do rapaz.
– Tens razão. É um absurdo... zinho... Nada que se comparece ao que o presidente do Clube do Remo fez conosco. Estou – diz o inconsolável remista – de luto.
INSENSATEZ
Bobloga, aquela loura sarada, que odeia óculos por achar que lhe dão um ar intelectual mas os usa por não se adaptar às lentes de contato, traz na mão um santinho. Uma colega, na academia de ginástica onde se encontram, indaga:
– O que é isso?
– Não estás vendo? Um santinho.
– Já definiste em quem vais votar para Presidente?
– Mais ou menos. Na realidade é um santinho do Wyclef Jean...
– Quem?
– Um astro de hip hop haitiano que faz muito sucesso nos Estados Unidos. Ele, compadecido com o terremoto no Haiti, arrecadou milhões de dólares para ajudar na reconstrução do seu país. Agora tomou gosto pela coisa e está se candidatando ao cargo de Presidente.
– Mas tu não podes votar no Haiti.
– Não tem problema. O Wyclef Jean não pode, também, ser candidato
– Como?
– Ele teve rejeitado pelo Conselho Eleitoral Provisório do Haiti – uma espécie de Justiça Eleitoral deles – sua candidatura por não conseguir comprovar que morou no país nos últimos 5 anos. É parecido com que anda acontecendo por aqui. Meia dúzia de gatos pingados escolhe em quem o povo pode ou não votar. Parece que é um novo conceito de democracia ou simplesmente uma insensatez que está se espalhando por países ainda não desenvolvidos.
TUDO
Um madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, conversa com o amigo:
– Tens acompanhado as decisões da Justiça Eleitoral nas eleições presidenciais?
– Confesso que não.
– Eu tenho e, em alguns casos, fico um pouco espantado.
– Por quê?
– Vou te contar as duas últimas decisões que tomei conhecimento. Primeiramente o Tribunal Eleitoral determinou a retirada de um painel localizado no comitê central da Dilma em Brasília por, segundo alegações, ultrapassar o tamanho permitido em lei. Posteriormente decidiu que a campanha do José Serra pode utilizar a imagem do Lula em seu programa de televisão.
– Eu não vejo em que um painel possa afetar a democracia...
– Esse é o ponto – interrompe o espantado eleitor. – Não há nada demais no painel, entretanto é óbvio que colocar a imagem do Lula no programa do Serra é uma tentativa de enganar o eleitor mais humilde.
– Como assim?
– A campanha tucana acha – e tem razão – que o Lula abafa nas classes mais humildes. Mas se engana quando pensa que essas classes não conseguem discernir quem é o candidato do Lula. Por isso associam a imagem do Presidente da República do PT à do Serra e escondem o governo do Fernando Henrique Cardoso. Uma pena.
– Achas que eles queriam praticar uma fraude?
– Não sei se a palavra fraude é a exata, mas queriam, com certeza, confundir a cabeça do eleitorado mais humilde. Eu teria vergonha de tentar me eleger através desse artifício, mas, o que menos se deve esperar nos dias atuais, é ética. Vale tudo!
CAOS
Em roda formada no átrio do Fórum Cível de Belém, um advogado demonstra-se estarrecido com a decisão administrativa tomada pelo Conselho Nacional de Justiça:
– Eu não acredito que uma decisão administrativa do CNJ possa cancelar mais de 5.000 registros de terras no Pará. São registros antigos, a partir de 1934, que correspondem a 89% do território paraense.
– O CNJ – diz outro advogado – sabe muito bem que essas terras não só servem para a criação de gado, plantações, como garantia de crédito para viabilizar o negócio. Como é possível um despacho de mero expediente acabar com tudo isso?
– Eu compartilho da preocupação dos amigos, – diz um terceiro – mas quero lembrar que foi o próprio Estado do Pará que requereu essa media.
– Pode até ser – rebate o primeiro – mas, se é lícita, então por que essa medida não vale para todo território brasileiro? A questão fundiária é um problema em todo país, por que querer instaurar o caos fundiário só aqui no Pará?
KURO
Diante da contratação da pop star Mariah Carey que, pela imensa silhueta – e bota enorme nisso – apresentada, podia muito bem fazer uma dupla sertaneja com o jogador Ronaldo Fenômeno do Corinthians, para fazer um show na Festa do Peão de Barretos, São Paulo, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Será que a Festa do Peão em Barretos está tão prestigiada assim ou a Mariah Carey, igual ao nosso Fenômeno, está prestes a encerrar a carreira?
SALÁRIOS
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de conseguir angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite diz à amiga:
– Querida, você sabe que eu continuo só querendo saber de modas, maquiagens, balangandãs. Mas hoje quero falar de futebol... Primeiramente queria saber se você pode me explicar por que a seleção brasileira só com jogadores europeus foi convocada para ficar treinando?
– Essa é fácil. Algum dirigente queria passar férias em Barcelona, provavelmente com a família. Para não dá o que falar, resolveram levar uns rapazes, que jamais integrarão nossa seleção, salvo honrosas exceções. Ridículo.
– Querida, estás ácida. Mas o que achei interessante não foi isso.
– O que foi?
– Foi a divulgação dos salários do Fred, atacante do Fluminense, e do Neymar, atacante do Santos.
– Não entendi.
– Eu ouvi dizer que o patrocinador do Fred, que desfalca por contusão o time do Fluminense o tempo todo, concedeu um aumento de salário. Passou de uma mixaria de R$ 450 mil para R$ 650 mil. O Neymar, cujo fico no Santos foi festejado como obra do outro mundo, teve seus rendimentos fixados em R$ 160 mil e, se ele ganhar tudo que tem pela frente e conseguir mais patrocínio, poderá chegar a R$ 500 mil.
– E o que te intriga?
– O que me intriga é que o Neymar teve uma proposta do Chelsea, um dos clubes mais ricos do mundo, e com R$ 160 mil na mão, ficou no Brasil. Já o Fred, que ninguém quer nem joga, passou a receber R$ 650 mil...
– Vai ver que o Vampeta estava certo. O primeiro recebe o segundo finge que recebe.
CALAMIDADE
Em uma roda formada no campus da Universidade, um estudante, aproveitando a presença do professor de engenharia sanitária, pergunta:
– O que o senhor achou da pesquisa sobre saneamento básico feita pelo IBGE?
– Eu verifiquei que nossa rede coletora de esgoto atende a 4,3% da população do Estado. Estamos na frente de Rondônia, Piauí e Maranhão. Se falarmos em termos de municípios, só 1,7% possui rede de esgoto. Aí ficamos na frente somente de Rondônia.
– E o tratamento do esgoto?
– Nesse caso o Pará possui 4,2% dos municípios com tratamento. Estamos melhores que o Maranhão e o Piauí. Mas o chocante é que com tanta água, o Pará é o campeão de racionamento de água no país. Minto, fica atrás de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte
– que não possuem água – e do Amazonas.
– Mas, afinal, qual foi sua avaliação sobre a pesquisa?
– O Estado do Pará, em termos de saneamento básico, é uma calamidade.
APOIO
Em mesa formada na Assembleia, o clube, um dos participantes o assunto era o relacionamento entre a Ana Júlia e o Duciomar:
– Depois da indicação do Oséas Silva para a Cohab, que era parte do acordo entre o PT e o PTB, não ter sido aceita pela governadora em virtude dos fortes laços do indicado com o Jatene, vocês acham que as coisas vão caminhar em paz entre eles? – Eu acredito que sim, – diz outro participante da roda – pelo menos por parte do prefeito.
– Por quê?
– Foi que depois do episódio ele chamou para uma reunião todos os secretários e graúdos do primeiro escalão e foi bem claro dizendo que apoia a Governadora e não vai aceitar dissensões. Ouviram calados. O problema é saber se vão cumprir as ordens do prefeito.
MEDO
O prefeito caminhava, na companhia da governadora, para inaugurar uma rua asfaltada num dos bairros de Belém. Diante da aglomeração, Duciomar se distanciou um pouco das pessoas. Percebendo o erro, resolveu atravessar uma passagem para chegar mais rápido ao local da inauguração. Uma moradora lhe avisou da janela de sua casa:
– Prefeito, não vá por essa passagem. Não é seguro.
O prefeito mal agradeceu e retornou mais do que depressa para junto da comitiva.
– A violência está mesmo de lascar – deve ter pensado nosso prefeito – não dá para arriscar.
P. S.
Há momentos difíceis de suportar. A dor que senti e sinto esta semana destrói um pouco mais a chama de vida que tenho. É uma dor tão doída que deixo o silêncio me abraçar e peço a Deus, na sua infinita misericórdia, para me ajudar e me consolar, pois, sem sua compaixão, juro que morreria de tristeza. Que melodia triste e insondável ouço nas profundezas de minha alma.
Dói, dói, dói. Não sei descrever tamanha dor. Talvez seja tal qual uma lâmina enterrada nas entranhas, num vai e vem sôfrego de um compasso desesperador a dilacerar minhas vísceras. Talvez não seja nada disso. Só sei que dói, dói, dói.
Primeiro foi a Mãe, um pouco depois, o Pai. Aí veio um anjo brincalhão ou invejoso que – não tendo nada para fazer – resolveu arrebatar, muito cedo, um sujeito puro, bacana, chamado Wesley, que, carinhosamente, apelidávamos de Zelinho.
Alguém lá do alto mandou parar: – Vamos deixar esses aí um pouco mais de tempo lá por aquelas bandas. Retornaram. Outro dia levaram Zoênio e Ênio. Eram gêmeos, tinham de continuar unidos. Acho que o Zelinho andava com saudades do companheiro de Ron Bacardi, limão e açúcar, pois agora vieram buscar o Heber.
Me lembro que da última vez que conversei com o Heber, ele já me advertia: “Quando esse negócio piorar, para mim é pira paz, não quero mais”. Como uma brincadeira de criança, a vida da gente passa. É tão fugaz. Eu não sei se não quero mais, mas sei que cada um que se vai é como se um pedaço de mim fosse amputado. Pareço perder minhas referências.
Agradeço a Deus por toda essa nossa breve vida junta e posso dizer como Jó: “Deus me deu, e Deus tomou, bendito seja o nome do Senhor.”
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de conseguir angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite, perplexa, diz à amiga:
– Querida, você sabe que eu continuo só querendo saber de modas, maquiagens, balangandãs. Mas eu não posso deixar de dar meu piteco nessas eleições presidenciais. Está claro que, como diria o Cazuza, tudo se resume a um museu de grandes novidades.
– Não entendi.
– Todo candidato é igual. Minto, só um não segue a mesma cartilha. Quem não fica no mesmo lenga-lenga? Quem apresenta alguma dissensão às ideias políticas, econômicas e sociais?
– A Dilma, o Serra e a Marina, por certo, não são. O discurso é quase o mesmo, técnico, sem emoção. Talvez o candidato do PSTU?
– Esse não prima muito pelas ideias e sim pelo radicalismo puro e truculento. Refiro-me ao Plínio de Arruda Sampaio, o candidato do PSOL, que, como todos sabemos, possui larga militância socialista. Esse jovem senhor de 80 anos defende uma economia, não obstante a falência do regime comunista, planificada e restrição à propriedade privada; luta pela liberação da maconha que considera, como o álcool, uma droga cultural; é favorável ao aborto apesar de católico praticante; enfim é o único candidato que se destaca nessa mesmice que esta por aí.
– Mas ele é um paradoxo em si mesmo. Enquanto suas posições políticas e econômicas são anacrônicas, as ideias sociais são super avançadas. Não acho que isso seja o melhor para o Brasil.
– É isso aí. De qualquer maneira, a única definição que encontro para essas eleições é que se trata de um museu de grandes novidades.
PODER
Em uma roda formada no átrio do Fórum Cível de Belém, um advogado joga a seguinte pergunta aos colegas que o cercam:
– Vocês acham que ainda há no Brasil uma supremacia do Poder Executivo sobre o Legislativo e o Judiciário?
– Claro, – diz um jovem advogado – basta ver que o nosso presidente ignora solenemente a justiça eleitoral. Continua utilizando-se do cargo para fazer a campanha da Dilma.
– Eu discordo, diz outro. – Na verdade há uma tentativa de amordaçar o presidente Lula que, como todo cidadão brasileiro, tem o direito de fazer política e defender sua candidata. As pessoas não se conformam com sua alta popularidade.
– A única coisa que eu tenho certeza – diz um terceiro – é que o Poder Legislativo não manda em nada. É saco de pancadas toda hora. Na maioria das vezes, merecidamente.
– Pois eu acho – diz o primeiro – que quem manda mesmo é o Poder da Mídia.
– Por quê?
– Bastou uma reportagem de um grande jornal paulista para o Ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, que vive de licença médica, apesar das reiteradas e inúteis reclamações da Ordem dos Advogados, participar da sessão de julgamento da 2ª turma. Ainda não retornou definitivamente, mas já deu o ar de sua graça naquela Casa. Manda quem pode e obedece quem tem juízo.
CENSURA
Em uma reunião de amigos para botar o papo em dia, um político, já aposentado da militância partidária, constatava:
– É engraçado, quando eu era mais jovem precisa ler a revista norte-americana “Times” para saber o que acontecia no Brasil. Hoje me vejo na mesma situação.
– Estás maluco, – protesta um amigo – a censura não existe mais no Brasil.
– A oficial, realmente não. Mas nunca se sabe o que acontece com as grandes empresas nesse país. Olha só o caso TAM. Foi noticiado que houve uma fusão da companhia aérea brasileira com a LAN do Chile e um estranho movimento de alta de 30% nos valores das ações da TAM na Bovespa. Mais tarde, a notícia de que aquela companhia havia dado um prejuízo de U$120 mi no primeiro semestre. Parou por aí. Achei a coisa mais esquisita do mundo.
– E o que fizeste?
– Comprei a revista “Business Week”. Lá descobri que a LAN, de propriedade de uma família riquíssima do Chile, pagou U$3,7 bi para ficar com 70% da TAM. Toda confusão ocorre porque a legislação brasileira não permite que o estrangeiro possua mais de 20% do capital. Daí o nome de fusão... E o mutismo.
– Queres dizer que quando se trata de grandes negócios a lei, no Brasil, não é respeitada e há um silêncio sobre o ocorrido?
– Eu não disse isso. Apenas constatei que ainda preciso me informar de certos fatos que acontecem no país nas revistas estrangeiras...
KUIKURO
Diante da notícia de que Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, diretor da Dersa, empresa responsável pela construção do Rodoanel de São Paulo, apresentará queixa crime contra os tucanos Eduardo Jorge, José Aníbal e Evandro Losacco, que o acusaram de receber R$4 mi de empresas para a campanha do Serra, sem origem declarada, não tendo os recursos angariados chegado ao comitê do candidato, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Como podem os tucanos, que sempre se disseram defensores da ética e dos bons costumes, não só confessarem que possuem Caixa 2, como também abrirem no berreiro exigindo providências contra o seu “desonesto” Delúbio? E, a propósito, a quem interessa o não financiamento público de campanha?
PREFERÊNCIA
Cientista social, em roda formada no campus da Universidade, adverte aos alunos que devemos ter em mente que, no mundo moderno, há sempre uma linha que norteia a notícia:
– Vejam, por exemplo, esta reportagem sobre a propaganda eleitoral aqui no Pará. Aparentemente ela é isenta, mas, a pretexto de falar dos cavaletes, expõe a fotografia do candidato que apoia ao governo como a utilização correta. Já a do adversário, – diz a notícia
– não só se encontra em local proibido, como o Ministério Público está de olho na infração eleitoral.
– Mas isso pode? Pergunta um estudante.
– É muito subjetivo para se fazer alguma coisa. Melhor seria se fosse permitido, como nos Estados Unidos, a empresa jornalística declarar abertamente a quem apoia. Ficaria mais transparente e não precisaríamos aguentar lição de moral de quem não se conforma com uma derrota iminente.
– Como assim, professor?
– Mudei, agora, para o plano nacional. Diante da cada vez mais sólida candidatura da Dilma, aqueles que são defensores do candidato tucano fazem análises de que só no Brasil há a possibilidade de um candidato à presidência ser fruto de uma ou meia dúzia de pessoas, em decisões autocráticas ou decorrentes de acertos de cúpulas. Em resumo, o Lula não tem direito de escolher a Dilma. Não é democrático.
– Mas está certo uma pessoa escolher quem vai nos governar?
– Não sei. O que eu sei é que quando o Itamar escolheu o Fernando Henrique Cardoso para ser seu candidato, esses analistas não reclamaram. Criou-se assim, do ponto de vista sociológico – desculpem a acidez–, uma liderança artificial, desprovida de votos, sem carisma ou capacidade administrativa, mas que deixou muitas viúvas. Vá entender...
CAÔ
Um empresário madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, pergunta ao amigo:
– Soubeste da notícia que a OGX descobriu, no Maranhão, um campo de gás que poderá produzir 15 milhões de m3, metade do que o país importa da Bolívia.
– Estou torcendo para ser verdade... Quem sabe assim nossos irmãos maranhenses deixam de ficar de olho em Carajás.
– Como assim? Torcendo? Ninguém ia inventar uma história dessas.
– Tens certeza? A Petrobras já se desdisse várias vezes. Além do mais, a OGX pertence ao Eike Batista que agora anda querendo se chegar ao Lula – gastou R$5 mi em um leilão da Dona Letícia lá em São Paulo – mas sempre foi chegado mesmo a um caô...
– Caô?
– Caô é uma gíria lá do sul para quando a pessoa não fala a verdade. O último grande negócio do Eike foi a venda de uma empresa de extração de minério de ferro, situada no Amapá, para uma multinacional. Acontece que a empresa só seria lucrativa se o embarque do produto fosse feito em um porto flutuante nas águas do Oceano Atlântico. Evidentemente esse tipo de embarque não funciona, mas a multinacional embarcou na história...
– Bem, vamos torcer.
MEDO
Passageiro da linha de Icoaraci, enquanto aguardava, desolado, passar o engarrafamento no Entroncamento, puxa conversa com o amigo:
– Eu acho que as autoridades concursadas brasileiras acreditam na máxima do Pelé.
– Que máxima?
– O brasileiro não sabe votar.
– Por quê?
– Só isso pode explicar a perseguição explícita que fazem a certos políticos. Todo o dia eu abro o jornal e vejo que tentam barrar a candidatura do ex-governador Roriz lá em Brasília. Não tem o mínimo sentido. O eleitor do Distrito Federal é o de melhor renda per capita do país, mais esclarecido, com o melhor índice de desenvolvimento humano, se ele quer votar no Roriz por que não se aceita? Afinal, do que se tem medo?
BRAHMA
Em uma mesa formada em uma festa de aniversário, um pecuarista demonstrava-se radiante diante do sucesso da 44ª Feira Agropecuária de Paragominas:
– Foram 6 leilões de gado na programação oficial. Agora estamos preocupados em investir na qualidade do boi. Eu acredito que esse tipo de evento induz o desenvolvimento da pecuária do Pará.
– E como vai a criação daquele gado com nome de cerveja?
– Brahma. O som pode ser igual à marca da cerveja, mas a grafia é diferente. A criação vai muito bem. Devo agradecer ao Daniel Dias, que introduziu essa raça aqui no Pará, e é responsável pela organização do leilão de Brahma naquela feira. Já foi o 4º! Um sucesso total.
ABANDONO
Em uma mesa formada na Assembleia, o clube, um dos participantes pergunta:
– Alguém entendeu os motivos da saída do Vic da presidência do DEM no Pará?
– Ele já tinha desistido da vida pública – diz outro participante–, só fez confirmar.
– Disso, eu sei, – retoma o primeiro – mas quais os motivos?
– A única coisa que se pode dizer – observa um terceiro – é que pela primeira vez, nesses 18 anos de vida pública, o Vic teria de participar de uma eleição totalmente na oposição. Das outras vezes, havia sempre ou no plano municipal, ou no estadual, ou no federal, um partido aliado no poder.
– Pode ser. Mas também é verdade que o Vic foi vereador e deputado federal durante várias legislaturas. Quando tentou um cargo executivo, houve a rejeição das urnas. Talvez a sua ambição fosse exercer um cargo no executivo, mas diante dos resultados, tanto dele quanto da Valéria, optou por deixar a vida política.
INTERESSES
Um observador da cena política paraense dizia a um amigo estar surpreso com uma certa dose de ingenuidade do prefeito de Belém ao tentar nomear o Oseas Silva para Cohab:
– O Duciomar tem de entender que, apesar dele ter fechado um acordo com a Ana Júlia, muitos de seus companheiros continuam a compartilhar dos ideais de antigos aliados como o Jatene.
– Mas o Jatene – diz o amigo – apoiou, nas últimas eleições, primeiramente, a Valéria, depois o Priante, quer dizer, deixou o Duciomar falando sozinho.
– É verdade – finaliza o observador – mas também é verdade que existem diferenças que não são superáveis, principalmente entre tucanos e petistas que se digladiam pelo poder.
ZENO
A Unama editou o trabalho do professor Zeno Veloso sobre Teixeira de Freitas e Pontes de Miranda. Como esclarece a apresentação do livro – com a pena do reitor Antonio Vaz Pereira–, trata-se da conferência de Zeno datada de 1987, ocasião em que o palestrante foi saudado no Tribunal Regional do Trabalho pelo juiz e professor Edgar Olyntho Contente. Ao cotejar as duas figuras ilustres do pensamento jurídico nacional, Zeno convence seus leitores dos méritos de Freitas e Pontes: “Numa terra em que ainda se forjavam doutores, Freitas foi um douto. Numa terra de muitos doutores, Pontes foi um douto. Freitas foi, acima de tudo, um lógico. Acima de tudo, Pontes foi um lógico. E na vida de ambos a mesma sina: a busca quase obsessiva da perfeição”.
As novas gerações precisam conhecer Teixeira de Freitas e Pontes de Miranda. A publicação da Unama é um excelente ponto de partida.
P. S.
Outro dia uma amiga do meu neto, reagindo a um assalto, levou tiro no peito. A violência é tão banal nos dias atuais. Felizmente não morreu. Lembrei-me de um jagunço do livro “Grandes Sertões Veredas” do magnífico Guimarães Rosa que profetizou: “Vai vir um tempo, em que não se usa mais matar gente...”. Falso profeta nosso jagunço, cada vez mais se usa matar gente.
Fico pasmo diante da passividade que se aceita o estado de selvageria que estamos acometidos. Assalto a shoppings, a bancos, as cobranças recaem sobre a segurança privada. Não é possível frequentar um sítio sem que tenhamos de contratar guarda-costas, nem falar ao celular numa praça da cidade. É assalto na certa. Se houver reação, homicídio. Do Estado, não se espera nada. Onde vamos parar?
Pensei que tivéssemos chegado ao fundo do poço. Tolo engano. Apareceu – em todas as emissoras de televisão – a prisão de um menino de 12 anos que comandava a distribuição de crack na cracolândia de São Paulo. Era sua 6ª detenção. Nas outras 5 vezes tinha sido liberado. Mas agora, aos 12 anos, permitia a lei que fosse levado a uma dessas prisões que transformam as crianças em animais.
Não sabe ler, nem escrever, mas é dono de dois apartamentos perto da área de distribuição das drogas. Possui pai e mãe, que estimulam e se sustentam do tráfico do filho. Acho que deviam ser trancafiados para sempre, mas, com certeza, um defensor dos direitos humanos irá libertá-los antes da criança sair da sua reclusão socioeducativa. É o Brasil. Meu Deus, por que eu tive de viver para ver tudo isso?
Empresário madrugador – frequentador da Doca, pois acredita piamente no seu médico que diz se o jogging uma maneira eficaz de evitar doenças cardíacas – demonstra-se preocupado com sua empresa na conversa com o amigo:
– Viste o novo aumento autorizado pela Agencia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)?
– Um absurdo! Um aumento médio de 10,8% contra uma inflação de menos da metade disso! Tenho um apartamento na Avenida Atlântica, na cidade do Rio de Janeiro, e lá a energia é mais barata do que para nós que temos a energia de Tucuruí.
– Não sei se vou conseguir pagar a conta de luz. Os membros dessas agências são sensíveis apenas às empresas que elas deviam regular e fiscalizar. Nós, os consumidores, estamos sempre à mercê dos humores dos grandes empresários. Eu me lembro que no começo do ano ficou constatado que essas empresas distribuidoras de energia durante 5 anos majoraram indevidamente a conta de luz. Qual foi a providência da agência?
– Não sei.
– Absolutamente nenhuma. Agora, seis meses depois, não satisfeita com a ilegal e abusiva cobrança, resolve, como o IGPM – índice acordado para reajustar a energia – foi baixo, alegar um monte de besteiras para elevar a margem de lucro dessas companhias. Premiam a incompetência. Para isso, não tem doutor que dê jeito.
– E pensar que quando essas agências foram criadas vendeu-se a ideia de que o grande beneficiado seria o contribuinte. Ledo engano: a energia está cada vez mais cara e a cara de pau das autoridades que compõem essas agências continua envernizada da mesma maneira.
DESENVOLVIMENTO
Passageiro da linha de Icoaraci, enquanto esperava desolado o coletivo ultrapassar o engarrafamento do Entroncamento, encontrava ânimo para comentar o desenvolvimento econômico do Pará com o colega:
– Pela primeira vez na vida, apesar dos pesares, sinto que há perspectivas para o nosso estado.
– Dessa lengalenga – diz o colega – de que o Pará é o estado do futuro, já estou farto.
– Pois eu discordo, rebate o primeiro. Pensa no estado por regiões. Vamos excluir Belém que, como capital, sempre foi uma das grandes cidades do Brasil. Aqui do lado, em Barcarena, temos esse complexo de alumínio e o porto de Vila do Conde. Tomé-Açu, Baião, Mocajuba e Cametá estão recebendo mais de R$ 1 bi para o desenvolvimento do agronegócio do óleo de palma e de usinas que abastecerão toda Região Norte de biocombustível. A Petrobrás e a Vale estão por trás do empreendimento, o que garante o sucesso do negócio. Temos, em Tucuruí, a hidroelétrica...
– O Pará não se reduz a Belém e adjacências...
– Calma! Deixa o amigo aqui concluir. A região do Baixo Amazonas, em Santarém, possui no Porto da Cargill que já injeta certa de R$ 35 mi na compra da soja dos produtores do estado e o asfaltamento da Santarém-Cuiabá escoará os grãos do Centro-Oeste, levando riqueza àquela área. Altamira, também, crescerá rapidamente com Belo Monte. Mas Marabá foi a maior beneficiada. Ganhou finalmente as eclusas e uma siderúrgica que produzirá aço para o mercado brasileiro, ou seja, as indústrias que demandam este produto se instalarão, inexoravelmente, no município.
– Dito assim, realmente parece que o Pará crescerá e distribuirá as riquezas entre as regiões. Mas eu duvido...
– Não devias duvidar, diz o primeiro. – Olha só: quando eu era menino o Pará possuía 1 milhão de habitantes. Era um deserto demográfico. Hoje possui mais de 7 milhões, muitos vieram de outros estados. Encontra-se entre os 10 mais populosos. Não é possível que toda essa gente esteja enganada.
COMIDA
Em praça de alimentação de movimentado shopping da cidade, uma jovem pede ao atendente:
– Quero um filé com arroz e farofa.
O atendente traz o prato e a jovem acrescenta:
– Me traz batata frita.
O rapaz traz o ordenado e, mais uma vez, a jovem diz:
– Tem farofa de ovo?
O garçon atende ao pedido. Pouco depois, ao perceber que a jovem acabara de comer, chega até a mesa e, gentilmente, oferece:
– De sobremesa nós temos um excelente churro, recheado de doce de leite, cobertura de chocolate, castanhas e um sorvete de creme para acompanhar. A senhorita aceita?
– Não, obrigada, responde a jovem. – Mas se tiver um Digeplus ou Sal de Frutas Eno, eu quero.
AMIGA
Em roda formada na Assembleia Paraense, o clube, um dos participantes pergunta para pecuarista que compunha a mesa:
– Como é que tem andado aquela história da carne legal da Amazônia?
– Tudo bem. Temos nos enquadrado nas exigências feitas pelo Ministério Público Federal e os frigoríficos voltaram a comprar nossa carne. O problema é essa senadora Kátia Abreu?
– Por quê? Ela não é a porta-voz do agronegócio no Brasil?
– Ela se intitula defensora, mas, sinceramente, não dá para entender algumas posições da senadora.
– Como assim?
– A pretexto de defender os pecuaristas da região amazônica, ela disse que a carne oriunda daqui é toda ilegal, que o boi não pode ser rastreado, e que o acordo feito entre o Ministério Público e os frigoríficos era uma fraude.
– Uma senadora da República acusou de fraude os membros do Ministério Público Federal?
– Acusou, o que é um absurdo. Mais absurdo ainda é ela querer nos fazer crer que defende nossos interesses, que é nossa amiga.
– Tens razão. Como diria um personagem antigo do Jô Soares, essa senadora é muy amiga... muy amiga...
KUIKURO
Depois de acompanhar atentamente a repercussão do debate televisivo realizado pela Rede Bandeirantes entre os 4 principais candidatos à Presidência da República e constatar que as pessoas simpáticas à candidata Dilma acharam excelente a sua performance, pois se saiu muito melhor do que a oposição esperava, embora o vencedor tenha sido o Plínio Arruda Sampaio; que os pró-Serra já acharam que ele foi o vencedor, mas são unânimes em apontar o Plínio Arruda Sampaio do PSOL como grande destaque; que os fãs da Marina concordaram que ela foi muito bem, mas o Plínio Arruda Sampaio roubou a cena; um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Se todo mundo concorda que o Plínio Arruda Sampaio do PSOL foi o melhor, por que não votam nele? Será que o debate é realmente fundamental para escolher em quem se vai votar?
MEDO
Torcedor bicolor, enquanto tomava açaí na feira do Ver-o-Peso, confessava ao colega de merenda:
– Ando muito preocupado com o desfecho do caso Moisés do Paysandu. É o melhor jogador surgido no futebol profissional do Pará em muitos anos e está para ir embora por nada.
– Não te preocupes, – acalma o colega – o nosso presidente, enfezado do jeito que é, não vai permitir.
– Mas é isso mesmo que me dá medo. Outro dia, o presidente do Corinthians fingiu um desentendimento com o goleiro Felipe. Brigou e dispensou o jogador, mediante a devolução das luvas no valor de R$400 mil recebidas no ano anterior.
– Não achas que ele foi duro?
– Para mim foi uma farsa. O Felipe devolveu o dinheiro. No outro dia, estava contratado pelo vice-campeão português Sporting de Braga, a ganhar milhões de euros. Quer dizer, quem se estrepou foi o Corinthians.
– Não tenhas medo. Aqui as pessoas são realmente bicolores. O Moisés só sai com uma boa grana na mão do Papão.
SAÚDE
Aposentado, enquanto aguardava a sua hora na triagem de seu plano de saúde privado, conversava com outro paciente:
– Eu queria entender como pode um hospital público como o Metropolitano mandar embora, de uma tacada só, mais de 200 profissionais, e o serviço não ser afetado.
– E desde quando funcionário público pode ser mandado embora sem mais nem menos? – É que a partir do advento da OSS (Organizações Sociais em Saúde) – uma entidade privada–, os servidores contratados para prestar serviços nos hospitais são celetistas, isto é, não precisam mais prestar concurso público. Em compensação podem ser demitidos a qualquer momento.
– Mas eles não trabalhavam direito?
– Não importa. Na realidade, a Acepa, a OSS que gerenciava o hospital, por incompatibilidade com o atual governo estadual, desistiu de continuar à frente daquela unidade de saúde. Feita uma nova licitação, a vencedora, Idesma, resolveu desfazer-se de mais de 200 empregados, que estão a ver navios nos seus direitos trabalhistas e fazendo muito barulho. É óbvio que os serviços prestados pela nova OSS ficarão comprometidos por um bom tempo.
– É o que dá privatizar a saúde. O paciente só pode fazer como o Drummond e indagar: “E agora José?”.
PIOR
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite diz à colega:
– Querida, sei que vais reclamar. Garanto que só continuo querendo saber de modas, maquiagens, balangandãs. Estou passada com a divulgação do Índice de Valores Humanos do país...
– Índice de quê?
– IVH. Esse índice busca relacionar vivências boas e ruins na área de saúde. Como tu sabes, já tínhamos o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Agora temos, também, a pior saúde do país.
– É lastimável, mas não me surpreende, somos campeões em tudo que é ruim. Mas sabe o que me surpreende?
– Não querida, não sei.
– É que apesar do nosso IVH, ou seja, a saúde, ser a pior do país; apesar do Enad constatar que temos as piores escolas tanto pública como privada do Brasil, ou seja, nossa educação encontrar-se um caos; apesar dos problemas seríssimos de violência; e apesar de termos uma infraestrutura ridícula para a nossa produção industrial, a todo momento e a toda hora tem uma autoridade, um dirigente de uma ONG, um ecolouco qualquer para tentar impedir que as pessoas tenham a chance de um emprego e uma vida com dignidade. Será que esses números não calam no coração dessa gente?
PERDIDO
Observador político é instado a comentar, para uma roda, o desempenho do Serra no Jornal Nacional:
– Eu achei o Serra perdido, diz sem meias palavras.
– Pois eu discordo, – protesta um dos ouvintes – o Serra demonstrou segurança apesar dos temas inóspitos arguidos pelo Bonner e pela Fátima Bernardes. Não é fácil você justificar a aliança com o PTB do Roberto Jefferson, os pedágios caríssimos das estradas de São Paulo, a escolha do Índio da Costa para a vaga de vice. Dadas as circunstâncias, eu achei que ele se saiu esplendidamente.
– Eu não disse que o Serra se saiu mal. Eu disse que ele está perdido.
– Explica melhor.
– Para o Bonner e a Fátima Bernardes, da Rede Globo de Televisão, terem feito perguntas embaraçosas para o Serra do começo ao fim, colocando-o, sem piedade, na defensiva, é porque ele está muito, mas muito perdido.
RISO
Um ainda defensor do Felipão na seleção brasileira de futebol, apesar da estreia bonita do Mano Menezes no comando, comenta com um amigo:
– Estou preocupado com o Scolari.
– Por quê?
– Ele disse que ainda ia dar risada dos repórteres que acham que ele está superado como treinador.
– E daí?
– O último que disse que ainda ia dar muita risada do infortúnio que lhe acometia foi o Bruno, goleiro do Flamengo. E deu no que deu.
P. S.
Eu li uma entrevista do ex-ministro do Supremo, Eros Grau, na qual ele condena, com veemência, a lei da ficha limpa. Para ele, a lei coloca em risco a tênue democracia brasileira, já que possui princípios nazistas e é própria de um estado policialesco.
Alguém argumentou que a lei era fruto de uma iniciativa popular, do desejo da maioria do povo brasileiro. O ex-ministro contra-argumentou que, se um magistrado se deixar levar pela opinião da maioria, provavelmente coonestará um linchamento, permitirá um julgamento sem as garantias do processo legal. Cometerá a pior das injustiças.
Eu conheci um sujeito que, embora não fosse chegado a uma burocracia, aceitou dirigir o partido no seu estado. Acreditava ser um dever cívico. A direção nacional lhe enviou pouco mais de R$2 mil por mês, perfazendo, em 10 meses, um montante de R$17 mil e uns quebrados.
A soma recebida era insuficiente para manter as atividades políticas. Usava duas salas de sua propriedade para atender aos filiados. Seu próprio carro e motorista eram utilizados para os serviços fora do escritório. Havia, também, uma secretária e um rapaz para cuidar do expediente. Como o Estado era grande, pagava aqui e ali passagens e diárias para deslocamento. Algumas vezes até para prestar contas em Brasília.
Desinteressou-se da burocracia e devolveu o cargo ao partido.
Eis que anos depois o Tribunal de Contas da União não aceita a sua prestação. Diz que esse dirigente utilizou-se da verba recebida para enriquecer, transforma valores de R$200, R$300 – com penalidades mais severas de quem desviou dinheiro do prédio do Tribunal do Trabalho de São Paulo – em mais de R$ 67 mil, e, como se não tivesse havido atividade partidária no estado, determina a devolução do dinheiro, além de tornar o dirigente inelegível. Isso é correto?
Esse dirigente era eu. Não peço indulgência. Mas fui deputado, senador, prefeito, governador, lidei com bilhões de reais e não possuo um processo por desvio de recursos.
Por causa de uma burocracia partidária, o TCU me tornou um ficha suja e me cassou pela 2ª vez. Essa é uma lei de um país democrático e sério?
Passageiro da linha de Icoaraci, enquanto esperava desolado o coletivo ultrapassar o engarrafamento do Entroncamento, comenta com o colega sentado ao lado:
– A política é uma caixinha de surpresas!
– Não estás querendo dizer o futebol?
– Não, quero realmente dizer política. Todo mundo dizia que o Jader ia se entender com a Ana Júlia, pois eram aliados. Todo mundo acreditava que o Jatene e o Almir seriam amigos para sempre. Ninguém apostava no entendimento de mais ninguém, e o que se vê?
– Uma salada geral!?
– Mais ou menos. Houve um entendimento inesperado.
– Do PT com o PTB?
– De partidos, não. Mas de pessoas. A Ana Júlia e o Duciomar andam de namoro, ainda na fase daqueles tempos antigos – somente de mãos dadas–, mas já se pode chamar de namoro.
– Tens certeza?
– É o que se pode depreender do primeiro comício da Ana Júlia ter sido no Guamá, reduto do Duciomar. Como diria Vinicius de Moraes, que seja infinito enquanto dure!
DESFILIAÇÃO
Observador político, perante uma roda que se demonstrava surpresa com a decisão do ex-governador Almir Gabriel de deixar o PSDB, emitia sua opinião:
– O Gabriel, ouso dizer, estava bem feliz na entrevista dada ao repórter do DIÁRIO. Parecia que anunciava sua própria candidatura ao Governo do Estado. Vai, com certeza, entrar de corpo e alma na campanha do Domingos Juvenil.
– Ele disse que se desligou – aduz um dos participantes da roda – em virtude da legislação eleitoral não permitir a presença na propaganda eleitoral de filiados de outro partido. E como ele está roxo para ajudar o PMDB...
– Não acredito muito nisso, interrompe o observador da cena política.
– Por quê?
– Pela história do Gabriel. Ele é um homem pragmático. Para mim, é muita coincidência que a saída do PSDB tenha ocorrido no momento que a candidatura do Serra à Presidência, segundo todos os institutos de pesquisa, está naufragando. Ele morreu de raiva do Serra que optou pelo Jatene, mas se manteve no partido, podia sobrar algo... Agora é diferente e ele não é homem de segurar na alça do caixão de ninguém.
– Me desculpa, – diz outro participante que a tudo ouvia – mas não acredito em nada do que disseste. O Almir não seria capaz de tal atitude. Ele é um homem que, apesar da idade, ainda se permite ter utopia.
– Então por que a desfiliação do PSDB?
– Simplesmente para atingir seu maior objetivo na vida: destruir o Jatene, a quem ele atribui a nódoa de ter encerrado a carreira com uma derrota. Na cabeça do Almir ele foi enxotado da política pelo corpo mole do Jatene. E isso ele não admite.
FRASES
1) Uma coisa que eu garanto como candidato é: se vocês todos votarem em mim, dentro de um ano estarão profundamente arrependidos.
2) A psicanálise chegou a uma conclusão científica: gafanhotos não têm grilo.
3) Não existe tendência pra engordar. Existe tendência pra comer.
Parece que o veterano Millôr Fernandes entende de candidato, de grilo e de tendência. As frases e muitas outras estão no site do jornalista.
KUIKURO
Diante da opinião da imensa maioria de jornalistas, jurista e leigos que entendem ser democrática e constitucional uma lei, como a ficha limpa, que retroage décadas, aniquilando toda e qualquer noção de estado de direito, para impor a pena de cassação da cidadania – pois impede que uma pessoa, por ter renunciado ao mandado ou ter as contas rejeitadas por um tribunal de contas composto, essencialmente, por ex-políticos sujeitos a todo tipo de pressão, concorra a um cargo público–, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Por que não se aniquila o estado de direito de uma vez por todas e se estende esse entendimento aos crimes comuns, condenando os que roubam à amputação das mãos, às adúlteras o apedrejamento até a morte, aos corruptos açoites até perecerem, aos assassinos a forca? Tudo, evidentemente, sem julgamento. A sociedade ficaria tão melhor.
LIXO
Empresário madrugador – frequentador da Doca, pois acredita piamente no seu médico que diz se o jogging uma maneira eficaz de evitar doenças cardíacas – conversa com o amigo:
– Ando pensando muito no que fazer com os resíduos sólidos produzidos pela minha empresa.
– Mudaste de ramo?
– Claro que não. Trata-se do lixo que produzo. Acaba de ser aprovada uma lei que estabelece o destino e o tratamento do lixo produzido pela sociedade. Vai haver separação do lixo orgânico daquele cujo material pode ser reciclado. Em 4 anos, os resíduos sólidos serão tratados em aterros sanitários e não mais em lixões. Nós, empresários, vamos ter de colaborar cuidando do que vendemos e que, depois, se transforma em lixo. Vamos ser obrigados a arrumar uma solução para o problema.
Quero sair na frente.
– Legal de tua parte. Mas acho que tudo isso é uma grande balela.
– Por quê?
– Em um país que não se leva água potável a boa parte da população, esgoto é privilégio de poucos, tratar da água servida nem pensar, não se recolhe sequer o lixo de vários bairros, como é possível se acreditar que essa lei vai ser cumprida. Se resolvêssemos os problemas que citei já seria bom demais.
– Tens razão, – diz agora o desanimado empresário – é mais uma lei da Suécia que querem ver aplicada no mal-educado e pobre Brasil.
BRILHO
De um telespectador de Belém, após ver o Paulo Henrique Ganso e o lateral direito Pará comemorando o título de campeão da Copa do Brasil pelo Santos; o primeiro, vestido com uma camisa desenhada com a bandeira do Pará; o segundo, desfilando com a própria bandeira de nosso Estado:
– Pode ser pelo motivo que for, mas dá orgulho ver dois filhos deste Estado brilhando no sul sem se esquecer de suas raízes. Um de Ananindeua e outro de São João do Araguaia. É bonito ver um Pará sem essa bobagem de separatismo.
Parabéns e muito obrigado. Agradeço em nome de todos nós, paraenses.
GRANA
Em roda formada na Assembleia Paraense – o clube–, um dos participantes discutia a ausência no Pará dos candidatos a presidente:
– Vocês notaram que até agora nenhum candidato veio ao Pará. Pior foi o Serra que desmarcou a vinda dele a Belém no último domingo.
– Foi devido – diz outro participante – à importância de um bom desempenho no debate da Band. Ele precisava se preparar.
– Mas há quanto tempo ele sabia do debate? Por que deixou para desmarcar na véspera?
– Ele não esperava – continua a defesa do segundo participante – que a essa altura do campeonato a Dilma estivesse à sua frente nas pesquisas de opinião pública.
– É uma versão, mas eu prefiro a minha, diz o primeiro.
– Qual é?
– Há falta de financiamento para fazer a campanha. No site da Justiça Eleitoral, os valores declarados pelo PSDB são menores do que os da campanha da Marina.
– Tu acreditas nisso? – pergunta alguém.
– Não cabe a mim acreditar ou desacreditar. O que é fato é que os prefeitos do PSDB de Pernambuco, segundo o Jarbas Vasconcelos que apoia o Serra, estão com o governador do Lula, o Gabeira está chiando porque a verba prometida para pagar o programa de televisão não chegou, e os casos se sucedem Brasil afora. O Serra está entocado em São Paulo. Aqui não ia ser diferente.
– Como assim?
– O pessoal que apoia o Jatene ia querer saber da grana. Sem dinheiro não há apoio e, como o Serra não tinha dinheiro, não veio. O pior de tudo é que esse pessoal do Serra sempre coloca o Jatene entre aqueles com chance de ganhar a eleição. Mas se eles mesmos não prestigiam, quem vai prestigiar?
PICARETAGEM
Um amante antigo das corridas de Fórmula 1 desabafa com um amigo simpatizante do esporte:
– Não vou mais assistir às corridas de F1. Desisto.
– Estás insatisfeito com as atitudes da Ferrari contra o Massa?
– Claro que não. Acompanho a F1 há muito tempo para saber que sempre existiu 1º e 2º pilotos. Sou da época que o François Cévet passou o ano inteiro sem poder vencer o escocês voador Jack Stewart da equipe Tyrrel Ford. Ninguém achava nada demais. Quis o destino que o francês morresse em 1973 na pista, antes de se tornar o 1º piloto da equipe.
– Então qual é o problema?
– O problema é que os chefes da F1, no dias atuais, só admitem vitória da Ferrari ou da MacLaren. E as equipes escolheram o Alonso e o Hamilton, respectivamente. Na corrida da Hungria, os comissários da corrida deram uma punição para tirar a vitória do Vettel da RBR, acusado de ter deixado seu companheiro de equipe escapar 2 segundos, com isso acreditavam que a vitória seria do Alonso. Quer dizer que deixar escapar 2 segundos é motivo de uma punição que tira a vitória; mas a equipe obrigar o piloto a deixar o outro ultrapassar, desde que seja a Ferrari, devemos aplaudir de pé!?
– Tens razão. É muita picaretagem. Vamos nos fixar no futebol brasileiro que o Ricardo Teixeira e nossos juízes são a garantia de uma disputa limpa. Desde que não jogue o Corinthians do presidente Lula, o...
BNDES
Um professor de economia, na sala de reunião da faculdade, enquanto aguardava o início das aulas, indaga a outro colega:
– Já notaste que ex-ministros e jornalistas econômicos, ligados ao governo do Fernando Henrique Cardoso, em especial aquele gestor que afirmou estar no limite da irresponsabilidade no episódio da privatização, estão batendo direto na política de concessão de créditos pelo BNDES?
– Notei.
– A que tu atribuis isso?
– Talvez o banco tenha mudado sua política de concessão de créditos e isso não esteja agradando a quem sempre viveu dela.
– É bem possível que seja isso. Dá a impressão de que alguma coisa séria e de bom vá finalmente sair daquele agente econômico.
EXTERMINADOR
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite diz à colega:
– Querida, hoje vais reclamar. Quero retomar aquela conversa sobre institutos de pesquisas. Garanto que, apesar disso, só continuo querendo saber de modas, maquiagens, balangandãs. Mas não posso resistir a te dizer...
– Fala logo. Não vais desistir mesmo.
– Os números me confundem. Veja o caso do Gabeira candidato a governador, se ele que acabou de sair de uma eleição na cidade do Rio de Janeiro – representa 70% dos eleitores do Estado – obteve 50% dos votos, como é possível agora, segundo institutos de pesquisa, ele ficar na casa dos 20%, se a votação alcançada representa 35% do eleitorado fluminense?
– É que é uma nova eleição, com candidatos diferentes e uma nova situação.
– Tubo bem. Então por que os institutos de pesquisa dizem que é essencial o candidato ir a debates, expor seus programas de governo ao eleitor, o que fez o Serra e só caiu, enquanto a Dilma não compareceu a nenhum debate e só fez aumentar?
– Não sei. O Serra, quanto mais se expôs, mais votos perdeu.
– Esses institutos de pesquisa devem criar uma nova teoria.
– Qual?
– A do exterminador de votos. Quanto mais aparece, mais perde. Parece ser o caso do Serra.
P. S.
Matemáticos laureados em economia estiveram no Brasil. Entre eles John Nash, um ganhador do prêmio Nobel, que inspirou o filme ganhador do Oscar, “Mente Brilhante”. Nash usa a matemática avançada da Teoria dos Jogos – estudo matemático de como as pessoas escolhem estratégias – para explicar eleições, a histórias e até as guerras. Reclama que falta à Sociologia mais matemática, portanto não pode ser comprovada.
Há uma tendência moderna de nos reduzir a números. Como se todos fôssemos iguais, obedecêssemos às mesmas leis naturais dos planetas que giram em torno do Sol. Uma equação, uma variável, e – “voilá” – tem-se a comprovação de que essa ou aquela sociedade é melhor do que a outra, que esse homem é melhor do que aquele.
Mas o grande barato é o ser humano. Somos pessoas e, apesar de fisicamente iguais, nossos princípios, mentes e sentimentos nos fazem agir de uma maneira tão distinta que nos denominamos de indivíduos. Sim, agimos, ainda que submetidos as mesmas agruras e percalços, de maneira distinta.
Eu não sou um número, meu próximo não é um número, não existe nada na matemática, avançada ou não, que explique a maravilha da vida em sociedade. Para responder ao John Nash, eu fico com o Paulinho da Viola: “a vida não é uma equação, logo não tem solução”. Nem precisa.
Um torcedor azulino, um tanto quanto desiludido com os primeiros resultados de seu time, pergunta ao amigo:
– Por que o Clube do Remo está mandando seus jogos para o Mangueirão?
– De acordo com os dirigentes – responde o amigo – é porque eles querem repetir o fenômeno azul que levou o Remo da 3ª para a 2ª divisão na última campanha vitoriosa do clube.
– Pois eu não acredito muito nisso, diz o primeiro.
– Qual é a tua explicação?
– Eu estava numa roda em Salinas e ouvi um empresário, ligado à construtora que fez a proposta de compra do Baenão, dizer que não há mais interesse no negócio...
– E daí? Pode-se vender para outro interessado.
– É verdade. Mas me parece que, como punição aos que atrapalharam o negócio, não há jogo no Baenão. Pura pirraça.
– É uma pirraça – finaliza o amigo – idiota. O Remo não tem time para jogar no Mangueirão. Vai acabar não subindo!
COBERTURA
Em uma roda formada na Assembleia Paraense, o clube, um dos participantes traz à baila o resultado de uma pesquisa, feita por renomado instituto, para aferir a opinião dos eleitores dos principais candidatos à presidência sobre a cobertura da mídia:
– Vocês repararam que os eleitores do Serra, na grande maioria, acreditam que a cobertura da mídia lhes é favorável, apesar das pesquisas demonstrarem uma tendência de queda na candidatura?
– Mas é claro, concorda outro participante da mesa. Ninguém é bobo...
– Calma, – interrompe o primeiro – ainda não terminei. Os eleitores da Dilma, também, na sua grande maioria, veem uma cobertura favorável à candidatura do PT. Somente os eleitores da Marina, que está muito abaixo na intenção de voto dos dois primeiros candidatos, acham ser a cobertura da imprensa desfavorável à sua candidata.
– Mas espera aí, – protesta outro amesendado – se há uma coisa que a Marina não pode reclamar é da cobertura da imprensa. Na realidade há uma polarização e a mídia
– seja a favorável ao PSDB, seja a favor do PT – procura ser bem gentil com a candidata do PV, para que depois seus votos migrem para o candidato de sua preferência.
– A imprensa deveria ser – filosofa outro – imparcial.
– Não é essa a discussão, retoma o primeiro. – O que eu quero demonstrar é que essa história de que a mídia é uma grande formadora de opinião, é relativa.
– Por quê?
– A pesquisa demonstra cabalmente que as pessoas, na sua maioria, quando se trata de algo que lhes é caro, adaptam a mensagem subliminar da notícia a sua crença. Daí a constatação óbvia de que – sem um fato grave e real – a mídia não pode mudar o resultado de uma eleição.
DEMOCRACIA
Um jovem interessado nos rumos do Estado, pergunta a um observador mais experiente da cena política paraense:
– É sempre assim. A campanha política no Estado só começa depois das férias de julho?
– Realmente a coisa só esquenta lá pelos meados de agosto e pega fogo em setembro. Mas tem uma coisa que não havia antigamente.
– O que é?
– Essa perseguição a tudo que vem da política. Não se pode praticamente fazer campanha. Tudo é considerado, primeiramente, campanha antecipada, depois vai para o abuso do poder econômico. E o eleitor fica praticamente alheio ao processo de escolha dos seus representantes. Está pior agora: as pessoas estão sendo proibidas de concorrer.
– Como assim?
– Com essa história de ficha limpa, fica na mão da Justiça decidir sobre as pessoas que podem ser ou não representantes do povo. Paulatinamente vão tirando do povo o poder de escolher seus representantes. Acho que esse tipo de postura deixa cada vez mais a campanha política insípida, inodora e incolor. Ruim para o eleitor, pior para a democracia.
PAPAGAIOS
Um passageiro da linha de Icoaraci, que esperava passar o engarrafamento do Entroncamento, olha para o céu e fala ao amigo ao lado:
– No meu tempo de criança, costumava empinar papagaio. Agora, não vejo nenhum no céu.
– Não diga isso, meu amigo. As distribuidoras de energia afirmam que isso é um flagelo. O papagaio é responsável pelo aumento de 31% das interrupções de energia registradas.
– Mas só se empina papagaio no mês de julho, e lá pelas bandas da minha casa foi o mês que menos faltou energia. Aposto que houve o deslocamento da falta de energia para os balneários.
– Pura coincidência...
– Não acredito, empinei bastante papagaio e, apesar de algumas vezes ele ir parar nos fios de energia elétrica, nunca provoquei falta de luz. A linha de empinar era muito fina, assim arrebentava antes de provocar qualquer estrago...
– Pode parar de falar besteira. Não podes discutir com as estatísticas das empresas de distribuição de energia elétrica. Além do mais, a tua realidade é tão antiga que falas de papagaios enquanto hoje o nome correto é pipa.
COLIFORMES
Três amigas pela primeira vez se unem para gozo das férias de julho no Rio de Janeiro. Trocam suas milhas e garantem as passagens aéreas. Conseguem aumento dos limites dos cartões de crédito e reservam apartamento triplo em hotel de Copacabana.
Quando chegam ao quarto fazem um acordo quanto ao uso do banheiro único:
– Para não perdermos tempo, não precisamos fechar a porta do banheiro com a chave. Podemos usá-lo concomitantemente.
Mas uma delas estabelece de saída uma exceção à regra:
– Concomitantemente, sim! Cocomitantemente, nunca!
Vejam como apenas uma letra e a possibilidade de alguns coliformes no ar podem influenciar qualquer regulamento de boa convivência nas férias.
BOBLOGA
Bobloga, uma loura sarada, que odeia os óculos por achar que lhe dão um ar intelectual, mas os usa por não se adaptar às lentes de contato, traz na mão esquerda uma caneca de chimarrão e na direita uma pequena chaleira para esquentar água.
Uma colega, na academia de ginástica onde se encontram, indaga:
– Por que isso?
– E que eu ando numa onda gaúcha, tchê!
– Por quê?
– O Mano Menezes foi escolhido o novo técnico da seleção brasileira de futebol e, como o Dunga, ele é gaúcho. Se o cargo de técnico da seleção é privativo de gaúcho, é porque eles são bons, logo darão um bom marido. Estou me adaptando aos costumes daquela terra.
– Estás tendo um surto. Pelo menos entendes de futebol?
– Claro. Sei que o Mano é parecido com o Felipão.
– Realmente, diz a amiga. Os dois são adeptos de uma marcação viril, um jogo mais pesado, com pouco espaço no campo para...
– Não é a isso que me refiro, interrompe Bobloga. – Na verdade, para mim eles são parecidos porque ambos possuem olhos claros, tez clara, entradas na cabeça charmosas e acentuadas, são gaúcho, apenas o Mano é mais novo...
CONVERSA
Ela é sapeca e viva. Tem quase 8 anos de idade. De pais separados há muito, costuma passar o fim de semana na casa do pai, que já constituiu nova família. O entrosamento com a companheira do seu pai está indo tão bem que, num momento de intimidade, a criança a chama e carinhosamente fala baixinho:
– Cuidado com o papai.
– Por quê? Pergunta a moça um pouco assustada.
– É que ele não cumpre as promessas que faz às namoradas.
– Como assim, querida?
– A mamãe disse que ele prometeu uma fazenda e não deu. Ela me contou que ele prometeu uma casa e nada. Prometeu um carro, mas não cumpriu a promessa.
Prometeu jóias e nem bijuterias ela ganhou. Não vai cair na conversa mole dele também...
KUIKURO
Diante das notícias de que os caminhoneiros que passam pela cidade de São Paulo não querem trafegar no recém-inaugurado trecho sul do Rodoanel por medo de assalto, e que há, na Linha Amarela na cidade do Rio de Janeiro, uma média de 4 assaltos por dia, um índio da tribo Kuikuro, do alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Se nessas rodovias são cobrados pedágios e caros, apesar de terem sido feitas com dinheiro integralmente público e doados à iniciativa privada sob a desculpa de manutenção e conservação, por que as concessionárias não são responsáveis pela segurança dentro do perímetro da rodovia como são responsáveis dentro de um shopping center? Ou será que a única responsabilidade desses empresários é contar o dinheiro arrecadado com o pedágio?
SEMELHANTES
Um empresário madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico de ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, conversa com o amigo:
– Essa Delta está com tudo e não está prosa.
– Estás falando da empresa que locou carros à Polícia Militar?
– Exatamente. Eu pensei que ela fosse daqui da região, mas ela é mesmo lá do sul.
– Como assim?
– É que o governo Serra tinha, como uma de suas bandeiras, um programa de recuperação de estradas vicinais dos municípios paulistas e... advinha qual era a empresa encarregada?
– A Delta!? – É isso aí. O problema é que a recuperação que deveria durar 10 anos em alguns casos não passou de um ano... E o Tribunal de Contas de São Paulo está em cima, querendo o conserto, o que não foi feito até agora.
– É por isso que eu não sei o porquê das acusações, no plano nacional, do PSDB ao PT, se no fundo todos trabalham com as mesmas empresas.
CACHORRÓDROMO
Em uma roda formada no átrio do Fórum Cível de Belém, um advogado, enquanto aguardava o escrivão apregoar sua audiência, comentava com o colega:
– Eu não entendo por que tanto rigor com os prefeitos do interior aqui do Estado.
– Por que dizes isso? Pergunta um colega.
– É que eu vejo, todo dia, um prefeito perdendo o cargo. A pessoa é eleita e, pouco tempo depois, um adversário político o acusa de qualquer coisa... E sempre tem um juiz de plantão para tirá-lo do cargo.
– Mas tu não achas que é preciso dar um freio nessa malversação do dinheiro público?
– Em princípio eu concordo contigo. Mas veja, por exemplo, o caso do prefeito de São Paulo. Ele decidiu revitalizar uma praça da capital paulista chamada Roosevelt. E sabe qual o valor da obra?
– Não.
– R$ 32 milhões! Meu amigo, nem que ele mandasse construir a Estátua da Liberdade na praça daquele presidente norte-americano o preço seria esse. No entanto, ele irá apenas colocar umas rampas, plantar mais árvores e fazer um... cachorródromo, seja lá o que isso quer dizer. Por muito menos, os prefeitos do interior do Estado são escorraçados de seus cargos.
P. S.
Pode parecer sem propósito, mas críticas contundentes e contrárias à atitude do piloto Felipe Massa, ao receber ordem da escuderia Ferrari, de permitir seu companheiro Fernando Alonso ultrapassá-lo na última corrida, me deixaram perplexo a ponto de não mais reconhecer o mundo que vivo. Todos são unânimes ao condená-lo. Alguns – os mais ousados e bravateiros – dizem:
“Se fosse comigo, não obedecia de jeito nenhum. Danem-se o contrato, o dinheiro e a Fórmula 1...”. Quer saber!? Na verdade, qualquer um de nós, quando o chefe murmura uma ordem, abaixa a cabeça e obedece imediatamente.
O Massa, talvez incomodado pelo fato de começarem a dizer que ele não sabe pilotar, preferiu deixar bem claro que era uma ordem do patrão. Tirou um pouco da hipocrisia da Fórmula 1 e dos esportes de uma maneira geral. Todos se revoltaram porque ninguém quer viver a realidade. Talvez tenham razão.
O fato é que nos dias atuais a humanidade precisa do super-homem. Aquele ser indestrutível, invencível, que se sobrepõe a todas as dificuldades, jamais fraqueja, porque nós mesmos não temos coragem de enfrentar nada. Aceitamos, sem qualquer questionamento, todas as bobagens que nos são impostas: não beba; não fume; cota para negros, cota para índios, cota para pobres e muito mais cota para rico; ande com cinto de segurança; aquele sujeito não pode concorrer à eleição, o outro, igualzinho, pode; não desmate a floresta, nem cace animais, mas se for para matar um ser humano, tudo bem... Aceitamos tudo, menos que o Massa aceite receber uma ordem bandida da Ferrari de deixar o Alonso vencer.
Infelizmente para nós, o menino Massa – como diria um filósofo alemão – é humano, demasiado humano. Nada mais do que isso.
Um madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico de ser jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, conversa com o amigo:
– Sinceramente falando, eu não consigo entender a opinião das pessoas de uma maneira geral. Para as mesmas declarações, análises diferentes.
– Explica melhor.
– Olha, todo mundo caiu de pau nas declarações do Índio da Costa...
– Quem?
– O candidato a vice do Serra, quando ele declarou que o PT possui ligação com os guerrilheiros das Farc da Colômbia, com o narcotráfico... esse tipo de bobagem.
– Mas são realmente umas bobagens, levantadas na campanha vitoriosa de 2005 do Lula...
– A minha indignação não é sobre as declarações – interrompe o primeiro – e sim sobre os comentários. Foi o próprio Serra que, ao começar a campanha, atacou o Evo Morales, presidente da Bolívia, acusando-o de financiar o narcotráfico. Ele queira ligar o Lula ao narcotráfico. Todo mundo fingiu não entender. Agora, quando ele mandou o vice bater na mesma tecla, as pessoas chamam o Índio de despreparado, inconsequente, como se ele não estivesse cumprindo uma estratégia do Serra.
– Eu não acredito que o Serra tenha mandado fazer isso.
– Podes não acreditar. Mas me explica, então, por que o Serra queria o Álvaro Dias para ser seu vice?
– Não sei.
– Também não sei, mas a única coisa que me ocorre é que, tirando um desmoralizado e caricato senador aqui do norte, quem atacava dia e noite, sem trégua, o governo Lula, era o senador paranaense. Não dá para acreditar que um indiozinho tem voo próprio. Está cumprindo a ordem do cacique. O resto é besteira.
VERANEIO
Um passageiro da linha de Icoaraci, que esperava passar o engarrafamento do Entroncamento, impaciente, cutuca o colega ao lado e fala:
– Não vejo a hora de chegar o último fim de semana das férias. Acho que vou dar uma esticadinha até Ajuruteua.
– Mas o patrão vai dar bronca, se te atrasares na segunda. Não estás de férias. É bem verdade que todo mundo em julho sai de veraneio. Mas olha lá... emprego não está nada fácil.
– Não te preocupes. Só estou imitando o que fazem os que querem comandar o Pará?
– Como assim?
– Eu reparei que no último fim de semana o Juvenil, candidato a governador pelo PMDB, passou o fim de semana em Mosqueiro, o Jatene, candidato pelo PSDB, em Salinas, e a Ana Júlia, candidata pelo PT, em Conceição do Araguaia. Todos, segundo os jornais, em plena campanha. Por que eu só posso ir a Ajuruteua se estiver de férias?
– Tudo bem, mas a Ana Júlia estava realmente cabalando votos.
– Podia até estar, mas tenho certeza que ela se rendeu aos encantos das águas verdes do Rio Araguaia. Julho, no Pará, é mês de veraneio.
KUIKURO
Diante da possibilidade de exclusão, segundo uma vice-procuradora eleitoral, da candidata Dilma Rousseff, em virtude do elogio do presidente Lula à sua atuação na solenidade de lançamento do edital do trem-bala ligando Rio a São Paulo, e das multas em profusão aplicadas ao próprio presidente, sua candidata, e, em menor monta, aos candidatos da oposição, que caracterizariam, de acordo com analistas políticos sérios, abuso do poder econômico, um índio da tribo Kuikuro, do alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Por que, para a Justiça Brasileira, a menção de nomes de candidatos em inaugurações ou solenidade é considerada abuso do poder econômico, mas os 2 principais candidatos declararem, oficialmente, que vão gastar mais de 100 milhões de reais na campanha contra quase nada dos demais, não se considera abuso de poder econômico? Será que se esses candidatos não possuíssem por trás a máquina federal ou a máquina do Estado mais rico do país eles teriam todo esse apoio financeiro?
CARECA
Em uma roda formada na Assembleia Paraense, o clube, um dos participantes repara a presença de um amigo que há algum tempo se encontrava ausente:
– O que aconteceu contigo que andavas desaparecido?
– É que eu fui parar no estaleiro...
– Bem que eu desconfiei, interrompe a explicação o curioso. – Andas fazendo quimioterapia?
– Não é nada disso. Eu quebrei a perna...
– Podes te abrir comigo – incentiva o perguntador – percebo que estás mais magro...
– Mas é verdade. Faltou luz, tentei descer pela escada de emergência do meu prédio, caí...
– E essa careca? – insiste mais uma vez o curioso.
– Meu amigo, – encerra a vítima do acidente – eu realmente quebrei a perna. Se estou careca, foi porque Deus quis, se fosse quimioterapia caía o cabelo do corpo inteiro.
Percebendo que tudo se resumia a uma queda, o curioso grita, desapontado, para a mulher, que se encontrava em outra mesa:
– Aquilo tudo que eu te falei, esquece. Não passa de uma perna quebrada.
GAGÁ
Bobloga, uma loura sarada, que odeia os óculos por achar que lhe dão um ar intelectual mas os usa por não se adaptar às lentes de contato, traz na mão esquerda duas cápsulas de um remédio e na direita uma garrafa de água mineral. Uma colega, na academia de ginástica onde se encontram, indaga:
– Por que essas pílulas?
– Esses nutricosméticos? Para ficar que nem as Frenéticas? Bonita e gostosa.
– Como?
– Ando meio nostálgica. As Frenéticas fizeram muito sucesso, no final dos anos 70, com uma música que dizia “Eu sei que eu sou bonita e gostosa”. O fato é que esses nutricosméticos – continua Bobloga – são uma invenção da L’Oreal, que conhece comésticos como ninguém, e da Nestlé, papa da alimentação.
– E tu acreditas nisso?
– Por via das dúvidas, eu tomo. É um mercado que movimenta 3 bi de euros na Europa. Olha só, em 2008, com minha ajuda, o Brasil se tornou o maior consumidor do produto Innéou Fermeté. Além do mais, sou fã da herdeira da L’Oreal?
– Não é aquela milionária – diz a amiga – que a filha quer interditar por ter dado um bilhão de euros ao namorado. Além disso, é acusada, pelo mordomo, de ter contribuído ilegalmente para a campanha do presidente francês Sarkozy?
– Tudo isso que disseste é verdadeiro, diz Bobloga. – Mas, apesar dos 87 anos, não acredito que ela esteja gagá. Quero chegar àquela idade da mesma maneira, por isso tomo os nutricosméticos.
– Te explica.
– Pode ser considerado uma atitude extravagante dar 1 bilhão de euros ao namorado, mas se ela continua fazendo doações (ilegais) às campanhas políticas, ela ainda sabe cuidar muito bem da fortuna.
DÚVIDAS
Um aposentado, enquanto aguarda a sua vez no centro de triagem do plano de saúde, desabafa com seu colega de espera:
– Não sei mais em quem acreditar. Primeiro foi o ovo. Passei a vida inteira, por prescrição médica, face ao meu colesterol elevado, sem comer ovo. Aí vieram as pesquisas britânicas e constataram que o ovo não possui nem colesterol. Agora... sempre esses médicos britânicos... estão colocando em cheque o uso de estatinas.
– Esta... o quê? Pergunta o amigo.
– Estatinas. São remédios para diminuir os níveis de colesterol. A prestigiada revista científica “Archives of Internal Medicine” publicou uma pesquisa que constata que o uso desses remédios não diminui a mortalidade das pessoas por doenças cardíacas. Quer dizer, tudo que fiz e faço não vai resolver nada.
– Tens certeza?
– Claro que não. Por isso estou aqui. Este é o quarto médico que me faz passar por um check up. Até agora tudo bem, mas o fato é que estou numa dúvida atroz se devo ou não continuar tomando essas estatinas. O que achas?
– Eras, eu? Não sou médico.
BANDIDOS
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de angariar fundos para suas obras de caridade, uma socialite diz a amiga:
– Hoje o assunto reduz a modas, maquiagens, balangandãs e, principalmente, fofocas. Por falar em fofoca, reparaste como nesse caso pavoroso do goleiro Bruno do Flamengo, esse jogador era cheio de amantes. É amante para lá, amantes para cá. O cara era um garanhão.
– Não é bem isso querida, explica a amiga. – É que na imprensa brasileira, essas mocinhas que cobram por sexo, são chamadas de amantes. Por aí dão o nome correto.
– Estás certa disso?
– Estou. Vamos comparar com a imprensa francesa. Dois bons jogadores da seleção, Ribéry e Benzema, envolveram-se com uma moça, na época menor, que cobrava por seus serviços – vamos dizer – íntimos. A imprensa francesa não só disse se tratar de Zahin Dahar, como a chamou – desculpe querida o termo – de prostituta.
– Mas isso me parece preconceito contra imigrantes.
– Pode até ser, mas seria ridículo chamar de amante.
– Deixa isso para lá – encerra o assunto a primeira socialite. – O que eu queria fofocar é sobre a pensão alimentícia arbitrada por uma juíza de São Paulo, que deu à ex-mulher do Alexandre Pato – aquele menino que joga no Milan – uma pensão no valor de 120 mil reais por mês para o resto da vida. E olha que ela só ficou casada um ano e não teve filho.
– Pois é, veja só. Ela era uma atriz que vivia na cidade grande, ele era um simples rapaz de uma cidade do interior do Paraná. Ambos muito jovens. Para essa juíza, o rapaz do interior é o criminoso e merece indenizar a moça para o resto da vida por ter ousado casar com quem não era para o seu bico. A jovem atriz da cidade grande, uma santa. Aí ficam se perguntando por que esse país tem tanto bandido.
ESPANTO
Um professor de economia, na sala de professores de uma faculdade, desabafa perante outro colega:
– Eu li um artigo de uma grande jornalista de economia, que tem sua coluna publicada nas principais cidades brasileiras, declarando-se surpresa com a atuação do BNDES.
– Como assim? Pergunta o colega professor.
– Ela chegou à brilhante conclusão de que aquele banco financia empreendimentos que, na prática, são “estatizados”. Melhor dizendo, a colunista descobriu agora, depois de mais de 30 anos passando pelos gabinetes das maiores autoridades econômicas brasileiras, que o BNDES decide as empresas privadas que devem crescer e as subsidia através do endividamento público.
– Não liga não, – diz o amigo – provavelmente essa queixa é porque houve uma mudança nas empresas que vêm sendo subsidiadas. Mas tenho certeza que logo, logo, ela entenderá que essa mudança é para o bem do Brasil.
BENEDITO
O problema com a pressão alta – agora já superado – impediu Benedito Nunes de ir ao Rio de Janeiro para a cerimônia da Academia Brasileira de Letras – ABL. No entanto, muitos paraenses estiveram no Petit Trianon para comemorar a premiação do filósofo.
Carlos Maneschy, reitor da UFPA, marcou presença acompanhado de professores da instituição.
A UNAMA foi representada por um grupo liderado por Célia Jacob – organizadora, ao lado de Victor Pinheiro, da revista “Asas da Palavra” dedicada a Benedito.
Entre os “imortais” do Pará, Edson Franco, Nelly Cecília Rocha, Edy-Lamar de Oliveira e Miranda Neto.
Quem me traz essas informações do Rio é Stella Pessôa, que desenvolve no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA projeto orientado por Edna Castro sobre o pensamento de Benedito como intérprete da Amazônia. Stella me conta que o presidente da Academia, Marcos Vilaça, ao se referir à premiação do paraense, declarou estar atento ao Brasil como um todo, reconhecendo os valores que não são da Casa. Benedito não é “imortal” da ABL e nem da nossa APL, mas entra na história acadêmica pela certificação espontânea do grande valor do conjunto da sua obra.
P. S.
Leitura obrigatória para quem quer se informar sobre a política e os fatos do Pará, me deparei, outro dia, na coluna Repórter Diário, com a notícia que o procurador regional eleitoral enviou ofício proibindo a uma emissora de rádio a aparição da personagem “papudinho”, inspirado na minha atuação política, por ser considerada infração eleitoral, apesar de eu não ser candidato a nada.
A minha primeira reação foi de espanto. Voltei, imediatamente, ao golpe de 1964, à minha prisão, ao fato de ter ficado incomunicável, em um buraco que chamavam de cela, sem janelas, com um tratamento que não dispensavam sequer aos presos comuns. E tudo aquilo para quê? Para que as pessoas pudessem escolher seus governantes, pudessem dar sua opinião, pudessem, enfim, ter liberdade. Hoje, qualquer procurador eleitoral pode exercer tranquilamente sua missão, mas foi porque, naquela época, quando o pensamento político contrário terminava enjaulado, brasileiros, iguais a mim, ficaram e lutaram pela democracia neste país. Me senti cassado novamente.
Notei, contudo, depois de passado o espanto, que estava misturando épocas. A situação atual não lembra nem de longe a de 1964. Estamos vivendo em uma democracia, com as instituições funcionando na sua plenitude, logo as decisões são baseadas em um outro contexto.
Percebi, então, que o procurador regional eleitoral acredita piamente que eu, no ocaso da vida, possuo uma grande influência eleitoral e me calar, mesmo que seja através de uma personagem do rádio, tornará a eleição mais justa. Aí, me envaideci. Confesso que não esperava, aos 84 anos de idade, ainda curtindo por essas paragens a vida maravilhosa que Deus me proporcionou, fosse eu tão importante.
Meu muito obrigado, senhor procurador.
Um observador da cena política paraense pergunta ao amigo:
– Estás entendendo essa barafunda na composição das chapas para as próximas eleições aqui no Pará?
– Por que dizes isso? – pergunta o amigo.
– É que além do desenlace da aliança do PSDB e DEM, também não dá para entender os partidos da coligação que apoia a reeleição da governadora.
– Como assim?
– Parecia que tudo ia certo entre o PT e os demais partidos da aliança. Mas o lançamento de candidatos avulsos ao Senado – em especial o Fernando Yamada pelo PTB – parece demonstrar brigas entre os cardeais.
– Queres dizer entre o PT e o PTB?
– Não é isso que me passa na mente, diz o observador político. – Na realidade, percebo um descompasso entre figuras proeminentes dos partidos. Para mim, o PTB parece estar firme com a governadora Ana Júlia na sua reeleição. Já para o Senado, não há acordo. Nem o grupo do ex-deputado Paulo Rocha se entende com o PTB nem o PTB se entende com o Paulo Rocha.
– E o que acha a governadora Ana Júlia disso?
– É aí que eu digo que há desentendimento entre os cardeais. Ela parece não estar nem aí... Sua apatia dá a impressão de um troco ao ex-deputado Paulo Rocha por posições assumidas anteriormente. Coisas do PT.
BALA
Passageiro da linha de Icoaraci, enquanto aguardava, desolado, passar o engarrafamento no Entroncamento, puxa conversa com o amigo:
– Nós aqui nesse engarrafamento e lá, no sul, lançaram a licitação do trem-bala que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo. Custo estimado de R$ 40 bilhões, igual a todas as despesas para se realizar a Copa de 2014. Com 1% disso resolveríamos o problema de engarrafamento de todas as cidades do norte e nordeste desse país.
– Pois é... Quando se trata de projetos lá para baixo, o governo tem sempre bala na agulha para disparar a construção. Mas sabe – diz o amigo – o que me chama mais atenção nisso tudo?
– Não.
– É que apesar da linha se estender por centenas de quilômetros, derrubar o que resta da Mata Atlântica, poluir rios, invadir reservas indígenas, ainda não ouvi nada de um membro do Ministério Público, de um desses representantes de ONG ambientalista, de um cacique dos caetés... Não vi qualquer manifestação contrária ao empreendimento que, no fundo, trata apenas de dar conforto – e caro – a quem se movimenta entre as cidades.
– Se fosse verba pública para termos um metrô de superfície ligando Icoaraci a Belém, com certeza teríamos manifestações contrárias à derrubada das árvores e à matança dos animais silvestres que há muito não existem no caminho.
MACABRO
Em uma mesa formada na Assembleia, o clube, um dos participantes comenta: – Eu não agüento mais essa cobertura jornalística do caso Bruno. São 24 horas ininterruptas de jornalismo policial, falando rigorosamente a mesma coisa.
– Que eles falam a mesma coisa, é verdade, – diz outro amesendado – mas tem um lado da história que eles não exploram, mas está fazendo muito sucesso.
– Qual é? – pergunta um participante da mesa que passa a se interessar pelo assunto.
– Vocês todos sabem – explica o que falara antes – que a própria vítima se vangloriava de ter feito muitos programas com diversos jogadores. Mas o que se esperar de uma menina abandonada pela mãe com meses de nascida e criada por um pai condenado por estuprar a irmã mais nova. Era, também, atriz pornô. Enfim, o resultado é que os camelôs estão fazendo a festa.
– Como assim? – pergunta o primeiro.
– É que eles foram atrás do filme pornô da garota e estão vendendo a R$ 5,00. É colocar no tabuleiro e sair... Mas vocês sabem quem está na capa do DVD?
– A garota?
– Não, o Bruno. A garota fica em segundo plano. As pessoas têm um lado muito macabro. Um pena tudo isso.
TEIMOSOS
Um torcedor, doido para que se retomem as atividades futebolísticas por aqui, conforta um amigo ainda abalado pela perda da Copa?
– Veja o lado positivo.
– Que lado positivo? – diz o amigo. – Não há lado positivo nessa derrota.
– Claro que tem.
– Qual é?
– É que o Zagalo, o Parreira e o Dunga aprenderam que jogar na retranca, feio, com freio de mão puxado, não ganha a Copa. Se é para perder, então é melhor perder jogando bonito.
– Vai pensando... Eles, além de retranqueiros, são teimosos!
ADVOGADOS
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de conseguir angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite conversa com a amiga:
– Querida, desta vez, o que eu quero falar é desse ti ti ti, desse barraco, que aconteceu na alta sociedade de Sorocaba e acabou no Fantástico.
– Do que estás falando?
– Da advogado de 50 e tantos anos que, ao abrir os e-mails do marido, descobriu ser a melhor amiga de 30 e poucos anos sócia no casamento. Filmou todo o encontro no qual tomava satisfações – que descambou para uma incrível violência – e colocou na internet para todo mundo saber.
– Uma pena! Tem certas coisas que devem ficar na intimidade do casal. Todo mundo vai sair perdendo com isso...
– Também acho. Mas tu sabias que a amante é casada? E sabes qual foi a reação do marido dela?
– Nem imagino. Mas tenho uma ideia: sei que ele vai ser motivo de chacota em toda Sorocaba. Vai ter de se mudar.
– Que nada! Ficou do lado da esposa. Disse que foi uma sórdida armação da advogada e contratou um advogado para processá-la. O pior de tudo é que o galã dessa história é um senhor de 63 anos, um tanto tosco e muito cara de pau...
– Mas aposto que tem muito dinheiro. É capaz do marido traído enviar a conta desse advogado para o galã pagar...
KUIKURO
Diante da revelação assombrosa de que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, vai querer mudar a regra do jogo por causa da mão do jogador Luis Suárez do Uruguai – que foi expulso e penalizado com jogo de suspensão e teve contra seu time a marcação de uma penalidade máxima – e esse mesmo senhor ter defendido a manutenção das regras quando se tratou da mão do jogador francês Henry que eliminou a Irlanda, nem ter se importado com a não marcação do gol inglês contra a Alemanha, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Será que a Fifa altera as regras do jogo para melhorar o espetáculo, dar mais esportividade, ou apenas quando seus interesses econômicos são contrariados?
GORDURA
Era um domingo como tantos domingos na vida de uma família brasileira. O pai, meia-idade, lia distraído o jornal. A filha, brincando com o controle remoto, não se fixava em programa algum na televisão. De repente, ela pára e exclama:
– A Helen Ganzarolli está muito gorda!
– Quem? – pergunta o pai, pensando que a filha se dirigia a ele.
– Essa moça que está aparecendo na TV, explica a filha. – Antes ela trabalhava com o Gugu, agora está com o Sílvio Santos. O pai baixa os óculos, afasta o jornal da frente, dá de cara com a imagem de uma bonita jovem, e diz:
– Ela não está nem um pouquinho gorda, afirma contundente.
– Claro que está, insiste a filha. – Vou perguntar para a mamãe.
A mãe se aproxima e, antes mesmo da filha falar qualquer coisa, diz:
– Poxa, mas como ela engordou!
– Pois eu ficaria muito satisfeito – provoca o pai dirigindo-se à mãe – se tu fosses parecida com ela.
– E a mamãe, – rebate a filha – se tu tivesses metade da aparência do Sílvio Santos.
O pai, calado, retomou ao jornal.
CATUABA
Bobloga, aquela loura sarada, que odeia óculos por achar que lhe deixam com ar intelectual mas os usa por não se adaptar às lentes de contato, traz à mão um pote da manteiga e uma foto do Emerson Fittipaldi. Uma colega, na academia de ginástica onde se encontram, indaga:
– O que é isso?
– Manteiga, ora.
– Mas, Bobloga, tu não sabes que esse tipo de comida faz mal, aumenta o colesterol, provoca derrame e problemas cardíacos?
– Até ontem, fazia sim, diz a loura sarada. – Mas eu li o resultado de 21 estudos feito pelo Instituto do Coração de São Paulo que mostram não haver relação entre o consumo de gordura saturada e um maior risco de infarto ou derrame. Na realidade, o que ficou provado foi que uma dieta rica em carboidratos, principalmente o açúcar, é que aumenta o risco desses tipos de doença em até 33%.
– Esses estudos na medicina são engraçados, – diz a colega de Bobloga – desmentem hoje o que era verdade absoluta ontem. Foi assim com o ovo, que não possui colesterol, agora é a manteiga. Mas me diz, querida, para que essa foto do vovô Fittipaldi?
– É para inspirar meu futuro marido, que eu, se Deus quiser, ainda hei de achar.
– Não entendi.
– Foi que eu soube que o Emerson aos 63 anos de idade vai ser pai pela 7ª vez. A sua nova mulher, de 31 anos, está grávida. Eu quero um marido que nem ele, do jeito antigo, na catuaba e não no viagra. É mais natural...
GABY
Um empresário madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, conversa com amigo:
– O Pará pode, pelo que se tem divulgado, estar mal na saúde, educação, segurança e economia, mas em termos musicais está faturando alto. Depois da banda Calypso, é a vez da Gaby Amarantes.
– Desculpa, – diz o amigo – mas eu não conheço.
– Claro! Tu és metido a besta e a música da Gaby é a música do povão, o que estão chamando de tecnomelody. O fato é que ela é matéria principal nas revistas de circulação nacional e comparada a ídolos como Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo e os sertanejos Bruno e Marrone. A mulher está arrasando. Ela tem uma receita própria para fazer sucesso.
– Qual é?
– Ela grava o disco, coloca na internet e avisa os fãs. Todo mundo pode baixar a música ou comprar no camelô. Depois, ela fatura nos shows. Assim conquistou o Brasil. E tem mais uma coisa diferente nela...
– O que é?
– Ela possui uma carnezinhas a mais, que a ditadura da moda condena, mas está provado que os homens adoram.
AUDIÊNCIA
Em uma roda formada no átrio do Fórum Cível de Belém, um advogado de origem mocoronga se diz preocupado com a audiência pública sobre o porto da Cargill em Santarém:
– Eu sei que é uma tentativa de apaziguar os ânimos entre as partes. De um lado, encontram-se os ambientalistas e o Ministério Público Federal. Do outro, a população de Santarém, que quer ter opções de trabalho.
– Mas será que esse porto não afeta realmente o rio e as praias do Tapajós? – diz um participante da roda. – Eu já estive em Alter do Chão. É uma maravilha! Aquilo deve ser preservado.
– Primeiramente, devo te dizer que o porto não afeta Alter do Chão, mas, evidentemente, traz algumas consequências ao meio ambiente na área em que está instalado. Para ser preciso: na praia de Vera Cruz. Acontece que todo porto afeta a área em que está instalado. A pergunta que não interessa à parte contrária à Cargill é se o porto é fundamental para tirar o povo de Santarém da pobreza em que se encontra.
– E qual é a resposta?
– É sim. O Porto da Cargill movimenta um milhão de toneladas de grãos anualmente. Injeta R$ 35 milhões, por ano, no bolso de 200 produtores locais, que só podem plantar em área já devastada, e possui monitoramento por satélites.
– E as razões de quem é contra?
– Basicamente duas: o porto acaba com a praia de Vera Cruz e incentiva o aumento de produtores de soja no Estado. Quer dizer: para os detratores do projeto o importante é poder tomar banho na praia e morrer na miséria. Ter direito a uma vida digna, nem pensar...
– Entendi, diz outro participante da roda. – A verdade é que, para ti, quem é contra é porque acha que não deve haver vida humana lá. Acredita que tudo deva se manter intocável. E aí não há possibilidade para se entrar em um acordo.
P. S.
Eu vivo me perguntando, parafraseando Machado de Assis, se mudei eu ou mudou o mundo. Exigia-se, antigamente, daquele que queria abraçar a carreira política, espírito público. Eu vou além... Para mim, profissões que lidam com o povo, como na medicina e a na educação, exigem também espírito público, ou melhor, vocação.
Reconheço que estou démodé. Sou retrógrado. Hoje cada um cuida de si. A coisa mais rara que existe é espírito público. Vocação para exercer uma profissão é requisito ultrapassado e anacrônico. Qualquer projeto para melhoria na área da saúde ou da educação esbarra no interesse corporativo das classes trabalhadoras e vem acompanhado da inolvidável pergunta: “Mas de onde virá o dinheiro?”.
O Estado tem de dar lucro e que se dane o resto. Há dinheiro nesse país para toda e qualquer negociata. Nunca vi em nenhum desses milhares de escândalos, que afloram diariamente na sociedade brasileira, alguém perguntar de onde veio o dinheiro. Enquanto isso a saúde está em estado terminal e a educação, conforme índices divulgados recentemente pelo próprio governo, é um caos.
Quer saber? Eu gostaria que o Estado gastasse recursos a fundo perdido até que se consertasse o que há de errado. Que o Estado, a custa de muito prejuízo, oferecesse saúde e educação de qualidade ao povo, e o resto que se danasse...
Eu soube que o Presidente em exercício José Alencar deu entrada no hospital para fazer quimioterapia, sentiu-se mal, teve hipertensão e, mais uma vez, ficou internado. Há mais de 10 anos luta contra a doença. Não perde a fé.
Homem de fibra este José Alencar. 80 anos e não desiste. Penso nele toda vez que vejo essa juventude jogar fora a vida. Agora mesmo o terrível episódio do goleiro Bruno do Flamengo... Estragou sua vida ao assassinar uma moça que, para melhorar de vida, engravidou de um rico jogador. Um drama maior do que qualquer tragédia de Shakespeare, pois não há nada de sublime.
Ouço – com toda razão – a condenação unânime a esse tresloucado ato do jogador. Sem querer defender o indefensável, percebo a verdade no texto do maior dramaturgo que o mundo já produziu: “todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”. Bruno não dominou sua dor, nem seu ódio, desistiu da sua incipiente vida ao matar a moça.
Para mim, o problema é que o mundo dos jovens de hoje não possui valores morais nem religiosos. Não me venham falar que é uma questão de classe. Não é verdade. A sociedade de hoje produz muito mais Bruno do que José Alencar em todas as classes. Uma pena. Quando chegarem na idade do presidente em exercício não vão poder dizer como o apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. Vão simplesmente caminhar para o nada.
COLIGAÇÃO
Um observador da cena política paraense dizia a um amigo estar surpreso com a decisão da família Pires Franco, depois de uma presença marcante nas últimas eleições, de não lançar nenhuma candidatura:
– Realmente, eu não entendi nada. A Valéria, segundo os institutos de pesquisa, era uma ótima candidata ao Senado ou mesmo para uma composição de vice na chapa Jatene, que acabou fazendo uma opção de pouca visibilidade política regional. O Vic, então, nem se fala... Presidente do DEM aqui no Pará e um dos deputados federais mais bem votados no Estado, quem poderia imaginar que não seria nem candidato à reeleição? – Foi mesmo uma surpresa, mas a Valéria – diz o amigo – não pode sair de vice, pois assim o PSDB não fecharia com o DEM para as eleições proporcionais. Vai daí que eles preferiram ajudar os colegas do partido...
– Desculpe, – interrompe o observador político – mas não acredito muito nessa versão. O que atrapalharia a candidatura da Valéria à vice na coligação para as eleições proporcionais? Para mim, ajudaria, tornaria a chapa mais forte e mais capacitada.
– Então o que achas que aconteceu?
– Claro que eu não sei. Mas desconfio que houve um desentendimento entre o Jatene e o Vic. Não se acertaram.
– Mas como!? Se o DEM está apoiando o PSDB?
– A ordem veio de cima. O Vic acatou mas resolveu dar o troco e se retirar da disputa. Aí fica evidente que o DEM precisa dos votos do PSDB nas eleições proporcionais. Essa história de solidariedade da cúpula do DEM ao Vic é só para inglês ver.
PESQUISAS
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de conseguir angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite volta a conversar com a amiga sobre os institutos de pesquisa:
– Querida, você sabe que eu só quero saber de modas, maquiagens, balangandãs. Mas esses institutos de pesquisa me deixam doida. Você viu o último levantamento do Data Folha e do Ibope?
– Não me recordo agora.
– Ambos apontaram para uma tendência de ascensão do Serra e queda da Dilma. Mas sabe o que me chamou atenção?
– Não, o quê?
– Foi que um dos institutos – uma semana antes de divulgar esse novo levantamento – havia divulgado uma pesquisa que pela primeira vez a Dilma havia ultrapassado o Serra.
– Nessa fase, querida, – diz a amiga – é muito comum essa volatilidade do eleitor. Ele não se fixa em um candidato. Está mudando a toda hora.
– Pode ser, mas sabe o que mudou também na pesquisa?
– Não...
– O interessado em saber o resultado. Na primeira quem encomendou foi a Confederação Brasileira de Indústria, enquanto na segunda foi a Associação Comercial de São Paulo.
– Para mim, apenas coincidência. O fato é que as campanhas tropeçam, como o caso do programa da Dilma bem à esquerda ou o do desfecho do vice do Serra. Ambos os episódios bem lamentáveis do ponto de vista do eleitor. Mas vamos mudar de assunto...
CELULAR
Enquanto aguardava na fila de triagem de seu plano de saúde, um conformado usuário – como a imensa maioria da classe média brasileira – gastava o tempo conversando com o companheiro ao lado:
– Sou um prisioneiro do celular e ando muito preocupado.
– Por quê? diz o companheiro.
– Foi que eu li uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais que confirma as suspeitas que andam por aí de que o uso exagerado do celular provoca doenças.
– É por isso que eu estou surdo! – exclama o amigo.
– Não, é pior. Segundo o estudo, a exposição contínua das ondas eletromagnéticas transmitidas pelos aparelhos de celular e suas respectivas antenas causam doenças degenerativas incuráveis.
– Matam?
– É isso. Mas há ainda uma esperança de não largarmos o celular?
– Qual é?
– Esse estudo demonstra que quem se estrepa mesmo é quem mora até 500 metros das antenas de celular, quer dizer, pelo menos no meu caso eu posso ficar um pouco menos preocupado.
– Pois eu acho – conclui o companheiro – que respirar dá câncer. Por isso não vou deixar o celular de lado que é meu grande companheiro.
MUSA
Um empresário madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, conversa com amigo:
– O mundo está perdido mesmo.
– O que foi que aconteceu?
– Eu, como todo mundo que assistiu à Copa do Mundo, torceu e acompanhou o Paraguai por causa da Larissa Riquelme. Graças a Deus ela não era parente daquele jogador feioso da Argentina. Era um bálsamo, um colírio para os nossos olhos cansados de ver tantos marmanjos correndo atrás da bola. O fato é que ela deixava transparecer uma paixão enorme pelo seu país. Prometeu até tirar a roupa se o Paraguai fosse campeão.
– Que azar! – diz o amigo. – Infelizmente o time dela perdeu.
– Que nada! Nem bem o time da seleção paraguaia chegou à sua terra, a Larissa já estava nua, perto de uma trave, em um estádio qualquer, fazendo as fotos para uma revista masculina.
– Então, por que a reclamação?
– Foi que eu, besta, acreditei que ela realmente torcesse desesperadamente pela seleção paraguaia. Me senti um otário.
PERDA
Em uma roda formada no átrio do Fórum Cível de Belém, um advogado indaga aos demais:
– Vocês viram que agora não vai ser preciso esperar um ano para haver separação formal ou dois anos de fato para se entrar com a ação de divórcio?
– Eu vi – disse um colega. – O Congresso mudou a Constituição e agora pode entrar com o divórcio direto. Na prática, não vai haver mais o processo de separação.
– É mais um golpe na família brasileira, diz um terceiro. – Eu, como religioso, repudio essa permissividade que há nos dias atuais. Achava de bom alvitre haver um tempo antes de se desmanchar, definitivamente, os laços matrimoniais. A família deveria ser sagrada.
– Peço vênia – diz um causídico que até então se mantivera calado – para dar minha opinião. Eu acho que quando o casal deseja se divorciar legalmente, os pais, mães, filhos, avós, avós – até o periquito de estimação – já pediram para que aquilo não se realizasse, portanto a lei era inócua. Mais uma intromissão estatal nas vidas dos indivíduos. Mas lamento, profundamente, que tenham deixado isso acontecer?
– Por quê? – Porque vai diminuir em 50% meus parcos honorários advocatícios.
CATÓLICO
Passageiro da linha de Icoaraci, enquanto aguardava, chateado, passar o engarrafamento no Entroncamento, conversa com o amigo:
– Sabes que eu sou católico praticante e estou muito feliz. Pela primeira vez as emissoras católicas de Aparecida, São Paulo, realizarão um debate entre os presidenciáveis.
– Legal! – diz o amigo. Todos já confirmaram presença?
– Até agora só a Dilma não decidiu. O Serra do PSDB, a Marina do PV e o Plínio Arruda Sampaio do PSOL, já confirmaram a participação. Nós católicos vamos poder ficar sabendo o que esses candidatos pensam sobre aborto, célula tronco, células embrionárias, divórcio e outros temas caros à nossa religião. Só acho uma coisa estranha?
– O quê?
– A Marina, como todo mundo sabe, é evangélica. O Serra e a Dilma declaram-se católicos, mas nunca ouvi dizer que são praticantes. O único representante católico, militante, engajado, é o marxista do Plínio Arruda Sampaio do PSOL. Já viste coisa mais sem pé nem cabeça?
KUIKURO
Diante da afirmação categórica do diretor do Sindicato dos Médicos do Estado do Pará de que a privatização dos serviços de saúde de qualquer hospital público, através das Organizações Sociais (OS), não deu certo em lugar nenhum e que a tão propalada experiência de paulista, cantada em prosa e verso, é desastrosa, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Quem mente no Brasil: o político, que cria as OS, e passa a fazer contratos milionários com a iniciativa privada, ou o médico sindicalizado, que só olha o lado do profissional da saúde?
MÃO-DE-FERRO
Em uma mesa formada na Assembleia, o clube, um dos participantes comenta a mudança ocorrida no “Roda Viva” da Televisão Cultura de São Paulo:
– Vocês souberam que mudou o âncora do programa “Roda Viva”?
– Aquele interessante programa de entrevistas comandado pelo Heródoto há tantos anos?
– Esse mesmo. Entrou a Marília Gabriela no lugar dele. Como ela se emprega como pessoa jurídica, não está sujeita aos impedimentos contidos na lei eleitoral para contratação.
– E por que essa pressa?
– A desculpa oficial eu não sei, mas quando o Heródoto se desentendeu com o candidato Serra, que em campanha tentava deter o crescimento eleitoral da Dilma, eu sabia que os dias dele estavam contados na Televisão Cultura.
– Se o Serra não perdoa como candidato, imagina o que vai acontecer se ele for eleito presidente!?
MANDELINHA
Peter Zmebe Peterson, típico jovem negro da África do Sul, adora Nelson Mandela, daí seu apelido: Mandelinha. Espera, um dia, como todo sul-africano, tornar-se jogador de rúgbi. De futebol não entende nada, mas gostou, por causa da Copa, de dar palpites, mas agora acha que já chega. Eis suas últimas observações: Definitivamente eu não entendo nada de futebol. Para mim, por exemplo, o melhor goleiro da
Copa foi o Luis Soares do Uruguai. Aquela defesa no último minuto, que eliminou Gana, foi fenomenal, pena que viu depois, das cadeiras e sem nada poder fazer, um bandeirinha do Uzbesquitão (tipo Afana-Afana) dar a vitória, nas semifinais, à Holanda de um jogo feio e pragmático. Certamente os árbitros sabiam que os holandeses colonizaram parte da África do Sul.
Não achei que nenhum jogador tenha se sobressaído mais do que os outros. Cada partida teve um ou outro destaque, mas confesso que não entendi por que o Robinho foi tratado como um perna-de-pau e o Messi como um gênio. Para mim fizeram uma Copa razoável, mas o atleta brasileiro foi mais efetivo. Surpresas, se houve, foram dos jovens Özil da Alemanha e Pedro da Espanha. Por isso não dá para entender por que o Dunga deixou de lado as promessas brasileiras como o Ganso e Neymar. Das derrotas do Brasil e Argentina, devemos tirar lições positivas: a primeira é que o Dunga, apesar de bombardeado por todos os lados pela imprensa brasileira, não foi crucificado pela torcida; a segunda é que, apesar do aspecto de Che Guevara, o Maradona é um sentimental, chorava no ombro do genro Aguero a cada gol da Alemanha. Meigo. Graças a Deus nos livramos da promessa dele ficar pelado.
Por falar em Alemanha, como eu disse aqui, as goleadas aplicadas foram mais fruto do desespero do adversário diante da eliminação do que mérito daquela seleção. A Espanha esbanjou futebol na semi-final e – com um gol que lembrou muito, segundo um amigo rubro-negro, o gol de um tal de Rondinelli em 1978 – o Puyol acabou com a presunção germânica.
Para a final, a Espanha é melhor, mas – como eu já aprendi – futebol é uma caixinha de surpresas. Vou voltar ao rúgbi, lá não há surpresas. Bye, bye.
P. S.
Uma entidade ligada às atividades literárias realizou uma pesquisa no mundo inteiro procurando saber ou descobrir o problema mais difícil ou complicado para um escritor ou jornalista. O resultado não surpreendeu aos pesquisados, mas fez o queixo cair para quem não é do ramo. A pesquisa mostrou que o mais difícil e complicado problema para um escritor é dar título ou batizar o seu escrito. Para a grande maioria dos pesquisados, esse negócio de dar o título para um livro ou um artigo é um suplício. Muitas vezes gasta mais tempo para achar o titulo do que escrever o trabalho. Mais ou menos o tempo que um futuro pai ou uma futura mãe gasta para escolher afinal o nome do bebê ou da bebê.
Na minha experiência com jornalismo diário em Belém, guardo a lembrança de um companheiro de redação de “O Liberal”, nos idos de 50 para 60. Eu era chefe de redação e quando chamava um colega e pedia o trabalho, dava apenas o motivo ou o pretexto para a matéria, mas tinha um colega que a primeira coisa que ele fazia quando recebia a tarefa de escrever a matéria era dar o titulo do artigo que ele ainda iria parir.
Outra recordação a propósito. No meu tempo de redator diário, tinha a companhia de Moacir Calandrini, popularmente conhecido como Mestre Calá. Ele era responsável pelo caderno de esporte, mas eu gostava do jeito que ele dava na titulagem da matéria. Então, quando ia decidir sobre a grande manchete da edição do dia, a manchete da primeira página – naqueles tempos o título da manchete fazia crescer ou descer a tiragem do jornal–, eu não hesitava... Quando tinha uma notícia apetitosa ou diferente da rotina, convocava Mestre Calá e ele é quem balizava a matéria.
Ah... Sim... Calá, qual a tua manchete para a desclassificação do Brasil da Copa de 2010?
Não se pode dizer que não houve fato novo ou inesperado no processo de escolha dos candidatos ao governo do Pará. Ninguém falava em nenhum nome do PMDB, que é majoritário. O PMDB tem uma tradição de grandes vitórias eleitorais no Pará, mas todo o noticiário da mídia não se dignava a apontar intenção ou sucesso numa candidatura do partido em outubro.
Eis que o PMDB – ou o Jader – tranquilamente... e surpreendentemente aparece na pista! Não para especulações, mas para exibir logo o seu candidato ao governo na sucessão de Ana Júlia: Domingos Juvenil, político do interior mas de presença aceita nos movimentos de Belém. Juvenil tem uma virtude: pode ser que não se viva falando bem dele para todo mundo. Mas há outra vantagem: não se fala mal dele! Com um detalhe: Juvenil já exerceu mandatos populares, inclusive o de prefeito. E ninguém fez restrição ao desempenho do mandato.
Domingos Juvenil, o primeiro candidato oficial ao governo, tem razoáveis chances de êxito na sucessão de Ana Júlia.
SOCIEDADE
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite conversa com a amiga:
– Querida, você sabe que só quero saber de modas, maquiagens, balangandãs. Dessa vez não tem política na parada... Quer dizer... Só um pouquinho. Sabias que a Lily Marinho, viúva do maravilhoso Roberto Marinho das Organizações Globo, está organizando um almoço para a Dilma Rousseff?
– Realmente? Eu não sabia.
– Na verdade, a Dilma já foi apresentada às senhoras paulistas. Agora chegou a vez da sociedade carioca. E o que tu achas disso?
– A Marina, também candidata a presidente, foi convidada?
– Claro que não.
– Então eu acho que a situação do Serra está periclitante. Até a alta sociedade brasileira já acredita na vitória da candidata do Lula.
PPL
Provocado por uma nota desta página no domingo passado, a jornalista Leny Campelo me avisa que “estou de volta à terrinha com a missão de aqui constituir as bases do PPL – Partido da Pátria Livre – e aproveito o espaço para informar que o Pátria Livre está aberto às lideranças que se identifiquem com seu ideário: a construção de um país livre e soberano”.
Adianta mais que “o presidente nacional é Sérgio Rubens Torres e eu, Leny Campelo, sou a presidente do diretório do partido no Pará. Em outubro de 2009 realizamos o congresso estadual da fundação do partido em nosso Estado. Telmo Marinho é membro da executiva regional, assim como o nosso amigo comum, professor Ribamar Carvalho”. Leny adianta que o partido está apoiando Lula e Ana Júlia Carepa. E conclui: “Quanto aos companheiros do PMN que queiram discutir ou somar conosco, estamos abertos a conversações”. Leny Campelo está às ordens da classe política paraense.
HUMILHAÇÃO
Em mesa formada na Assembleia Paraense, o clube, um participante declara-se perplexo com o desfecho da escolha do candidato a vice-presidente na chapa do Serra:
– Vocês entenderam a escolha do deputado federal do Rio de Janeiro, Índio da Costa, para vice?
– Índio? – indaga outro amesendado. – Mas de que tribo? Kuikuro?
– É sério, retoma o primeiro. – Ele sempre foi ligado ao César Maia, começou pela subprefeitura do Parque do Flamengo, depois a de Copacabana...
– Quer dizer que ele é da tribo dos Caetés? Aqueles antropófagos que comeram o Bispo Sardinha? – Insiste o gaiato.
– O que eu sei sobre esse deputado – enfia-se na conversa outro amesendado – é que ele foi relator do “ficha limpa” e é ex-marido da filha do Salvatore Cacciola, o dono do Banco Marca que cumpre pena no presídio de Bangu por estelionato, naquela mal contada história da desvalorização do real na época do FHC.
– Quer dizer – pergunta o engraçado – que a lei que impede as pessoas processadas de se candidatarem é uma questão pessoal? Uma vingança do ex-genro do Cacciola?
– Vamos falar sério, retoma o primeiro. – Eu não entendi quando o Serra quis empurrar goela abaixo do DEM a escolha do senador paranaense Álvaro Dias. Parecia que ele queria alijar o DEM e o Nordeste de sua chapa. Ainda mandou o Roberto Jefferson do PTB, um aliado recente, anunciar a escolha. Uma descortesia.
– A verdade – arremata o que até então fazia graça do nome do escolhido – é que o Serra tratou o DEM com desdém e pouco caso – que revidou – e o submeteu à humilhação muito grande, ao impor um nome que não representa nada, absolutamente nada, no cenário político brasileiro.
VIOLÊNCIA
Passageiro da linha de Icoaraci, enquanto aguardava, impaciente, passar o engarrafamento no Entroncamento, conversa com o amigo:
– A violência está cada vez mais banal.
– Por quê? Foste assaltado de novo?
– Não me refiro a esse tipo de violência, mas sim a do dia a dia no relacionamento das pessoas.
– Explica melhor.
– Tu te lembras do caso do pecuarista de Parauapebas que matou uma mulher que estava grávida de 9 meses dele, colocou-a em um tambor e a jogou no rio?
– Lembro.
– Pois é... Agora um caso semelhante parece envolver o goleiro Bruno do Flamengo. Ao que tudo indica a amante engravidou e ele a matou. Pelo menos dessa vez a criança foi poupada.
– Pelo que se pode constatar, – finaliza o amigo – não adianta criar delegacias especiais e leis como a “Maria da Penha” que trata com maior severidade quem agride a mulher. A violência só aumenta. Na verdade, a mulher deve tomar cuidado com quem está se metendo. Vida só se tem uma.
MANDELINHA
Peter Zmebe Peterson é um típico jovem negro da África do Sul. Adora Nelson Mandela, afinal foi o responsável por não ter conhecido as agruras do regime apartheid, daí seu apelido: Mandelinha. Espera, um dia, como todo sul-africano, tornar-se jogador de rúgbi. De futebol, não entende nada, mas gosta, por causa da Copa, de dar palpites. Eis suas penúltimas observações:
Quero me penitenciar por não ter acreditado nos amigos que diziam existir uma arbitragem Afana-Afana na Copa. Realmente na fase que definia quem ia para as oitavas de final houve erros grosseiros sempre a favor dos favoritos. De acordo com meu estudo de probabilidade, esse fato é rigorosamente impossível, a não ser que haja uma pré-determinação. Não houve um engano sequer que beneficiasse o 2º colocado.
Alemanha, Argentina e Espanha (em menor proporção), apesar de jogarem melhor, classificaram-se com ajuda do apito. É bem verdade que o bandeirinha do jogo entre Argentina e México, quando olhou pelo telão o gol do Téves, envergonhado, quis voltar atrás, mas o árbitro, impávido, não aceitou fazer o correto. Uruguai e Gana passaram porque tinha de haver vencedor nos seus jogos. Holanda fez um jogo burocrático, mas no final prevaleceu o craque.
O Brasil sobrou contra o Chile.
Infelizmente, parece que não dou mesmo sorte por quem torço. Num jogo em que o Brasil começou melhor e fez um gol, desistiu de jogar bola e conseguiu tomar a virada da Holanda em duas jogadas bobas. Coisas do futebol. Como não tinha criação no meio de campo e ainda o Felipe Melo, expulso – que todo mundo sabia que perderia a cabeça, exceto o Dunga–, não tinha o que fazer. Apesar de tudo isso, é claro que a responsabilidade maior pela perda da partida é, indubitavelmente, do azarado do Mick Jagger, líder dos Rolling Stones, que apareceu no estádio com o filho brasileiro. Continua invicto, o time que ele escolhe para torcer, perde.
Bem, depois da desclassificação do Brasil não torço mais por ninguém, não quero ficar com a fama de pé frio.
EXTRAVAGÂNCIA
Ao receber, para sanção ou veto, o projeto que dá 7,7% de aumento para os aposentados, o Presidente Lula tachou o projeto de “extravagante”. Não sancionou.
No dia seguinte, mandou buscar o projeto enjeitado e sancionou.
KUIKURO
Depois de ficar sabendo que o Governo estuda uma parceria com a “Oi” para lançar um satélite brasileiro de uso militar e comercial ao custo de R$ 710 milhões, na qual a União entra com o dinheiro e a iniciativa privada com o usufruto dos serviços do satélite, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Por que toda vez que o Governo encontra uma maneira de beneficiar uma única grande empresa as pessoas aceitam com a maior naturalidade, mas se o dinheiro é destinado a milhares de pobres há uma indignação generalizada?
CHÁVEZ
Um empresário madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, diz ao amigo:
– Eu sempre achei Chávez um ditador antipático que está levando a Venezuela ao caos.
– Pode ser, mas vejo anunciado por aí que ele tem estreitado os laços comerciais com o Pará. Isso é simpático. Além do mais, ele enviou ajuda aos desabrigados pelas chuvas em Pernambuco e Alagoas. Pode ser marketing, mas é o primeiro presidente de um país da América do Sul que quer conversar com a parte pobre do Brasil.
– Para colaborar – diz o primeiro – de que o monstro não é tão feio quanto pintam, quero dizer que, para minha surpresa, fiquei sabendo que na década Chávez o PIB da Venezuela passou de US$ 98 bilhões para US$ 337 bilhões. Os opositores, entretanto, dizem que ele está desorganizando a cadeia produtiva e o país pagará por isso no futuro.
– Eu acho engraçado – encerra o amigo – esse tipo de análise muito comum no Brasil. Se critica uma onda de crescimento no presente em nome de um futuro que nunca saberemos se irá chegar, quer dizer, não há problema do presente ser uma porcaria desde que digamos que o futuro será melhor.
FÉRIAS
Em uma roda formada no átrio do Fórum Cível de Belém, um advogado pergunta ao colega:
– Tu és favorável às férias coletivas dos juízes por 30 dias?
– Claro que não. Por quê?
– Eu estou fazendo essa pergunta a todos os colegas porque o nosso presidente, o Ophir Cavalcante – que por sinal realiza um extraordinário trabalho à frente da OAB–, está defendo a tese de que a Justiça deve fechar por 30 dias para que o advogado possa ter férias.
– Respeito a tese, mas discordo. Quando não há expediente na Justiça, eu praticamente não faturo. Sou um profissional liberal e não escolho o dia para resolver o problema do meu cliente. Sem trabalho, sem dinheiro. Mas me diz uma coisa: eu sou uma voz perdida na multidão?
– É justamente essa a questão. Todos os advogados militantes a quem fiz essa pergunta vieram com a mesma resposta. De onde nosso presidente tirou a ideia que queremos que a Justiça cerre as portas por 30 dias?
PREOCUPAÇÃO
Um político quase aposentado confessava ao amigo:
– Ando preocupado com essas investidas do presidente Lula contra os Tribunais de Contas.
– Por quê?
– Ora, como tu sabes, penso em reivindicar um assento àquela corte, pois não pretendo mais me candidatar a cargo público. Não quero, portanto, ver esvaziada minha futura função.
– O presidente reage devido à insistência do Tribunal de Contas da União em paralisar as obras do PAC, carro chefe da propaganda da Dilma.
– Não é só isso. O TCU acaba de aprovar as contas do governo federal, mas com 15 ressalvas e 13 recomendações. Metade dessas ressalvas e recomendações se refere a assentamentos da reforma agrária e transferência de recursos para organizações não governamentais, órgãos ligados a movimentos sociais. Eu acho que há um quê ideológico nisso.
– Como assim?
– Não faz sentido fiscalizar somente esses itens. Todo mundo sabe que as organizações sociais e as terceirizações, formadas por empresários, são um ralo muito grande por onde escapa dinheiro público. Mas aí não há ressalvas nem recomendações. O TCU não deveria ter uma posição ideológica na hora de fiscalizar.
– De qualquer maneira não te preocupes com isso. Foi criada uma frente parlamentar em defesa do TCU. Ela conta com o apoio de 203 deputados e 33 senadores.
– É isso que me preocupa.
– Por quê?
– Porque isso significa que 310 deputados e 48 senadores são contra a forma de atuação dos Tribunais de Conta, apesar deles servirem como destino final de vários políticos.
DIVÓRCIO
Observador do cenário político paraense comenta com amigo:
– Curiosa a ex-união pelo Pará... Foi uma desunião total.
– Tu te referes ao PSDB e ao DEM?
– Exatamente. O PSDB estava crente que o PMDB fecharia com ele e repeliu o DEM. Os Democratas, com uma dor de cotovelo imensa, buscaram consolo nos braços do disputado PT. No final, o PMDB mandou o PSDB procurar outro companheiro, pois preferia ficar sozinho do que em companhia de quem já lhe foi infiel. E o PT nem sequer aceitou discutir um romance com o DEM.
– E tu achas que vai acabar por aí?
– Creio que não. O PSDB e o DEM vão, como todo casal que se preza, encontrar no desprezo dos amantes razão para se juntar de novo.
P. S.
O comentarista esportivo, Arnaldo César Coelho, que tem família ligada ao Estado do Pará, costuma falar, toda vez que há uma jogada confusa, o bordão: “A regra é clara”. Ao pronunciar essas palavras, parece acreditar que o lance está esclarecido. Para mim, continua totalmente obscuro.
Lembrei-me do Arnaldo quando estava lendo “Recordações da Casa dos Mortos” de Dostoievski. Um major, personagem do livro, toda vez que era solicitado a utilizar equanimidade e discernimento na interpretação do texto legal, respondia estupefato: “A lei é taxativa”. E brandia o chicote.
Equanimidade e discernimento na interpretação do texto legal estão em falta nas decisões da Justiça Brasileira. O próprio ministro do Supremo Tribunal Federal, Antônio Cezar Peluso, ignorou a súmula do Tribunal contra o nepotismo ao nomear marido e mulher para cargos em comissão. Justificou seu ato dizendo que tem de haver bom senso na aplicação da regra. O problema é que só é dado o direito de ter bom senso a membros do Poder Judiciário. Quantas pessoas tiveram que deixar o cargo por se enquadrarem nas mesmas condições das pessoas que foram nomeados pelo atual Presidente do STF?
Não sou contra o entendimento do Presidente do STF, pelo contrário, acredito que usou equanimidade e discernimento na interpretação da súmula, mas lamento que a lei só seja taxativa para os que estão fora do poder. Temos de parar de brandir o chicote contra os mais fracos e permitir tudo aos poderosos. Temos de ser uma democracia.
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, no intuito de angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite conversa com a amiga:
– Querida, você sabe que eu continuo só querendo saber de modas, maquiagens, balangandãs, mas confesso que esta eleição de outubro vem me fascinando. Não consigo deixar de acompanhar a evolução dos fatos. Você viu o Serra no programa Roda Viva?
– Não.
– Eu o achei tão estressado. Estava irritado com os jornalistas que, à primeira vista, não lhe eram hostis. Forçava risos sem qualquer sentido, quando parecia se lembrar que deveria ser simpático. Enfim achei um desastre. Enquanto isso a Dilma posava de estadista pela Europa, sendo recebida pelos principais governantes do velho mundo. Desfilava como se flutuasse nas nuvens.
– É que eles devem ter tido conhecimento da pesquisa do Ibope que, pela primeira vez, coloca a Dilma 5 pontos percentuais acima do Serra na intenção de votos: 40% a 35%.
– Ah! Isso explica também a declaração do Fernando Henrique Cardoso – que não compareceu à magnífica festa de lançamento da candidatura tucana em Salvador – de que começava a ver possibilidade do Serra perder as eleições, apesar de seus esforços...
– É... Os tucanos, definitivamente, estão passando por momento difícil. Criticam as alianças do PT com o PMDB, mas aceitam o Roriz ou o PTB só com o Roberto Jefferson, os demais apoiarão a Dilma, quer dizer, uma salada geral.
– Mas isso muda. Vamos esperar mais um pouco. O que não muda é o bom gosto da nossa maravilhosa amiga que...
JUVENIL
Enquanto todas as legendas, sublegendas e assemelhadas discutem suas preferências e malquerenças no processo de escolha de seus candidatos oficiais para outubro, o PMDB do Pará, embora majoritário no Estado e no país, estava praticamente esquecido desses prolegômenos. Os outros partidos não se davam ao trabalho de notar a notória influência do PMDB no quadro eleitoral do país e do Estado.
Não sei se a ideia foi de Jader ou de alguma subliderança ligada a ele, mas o PMDB aplicou um golpe de mestre. Em vez de entrar na onda careca de avaliar as pretensões de dois ou quatro nomes de possíveis candidatas ou candidatos, todos de fora dos seus quadros, olhou para dentro de si mesmo e sem demora ou hesitação lançou o nome do deputado Domingos Juvenil à sucessão de Ana Júlia.
Para um observador político, a entrada de Domingos Juvenil tomou conta do processo sucessório de Ana Júlia. Queira-se ou não se queira, Juvenil agora é o astro principal no mapa das eleições de fim de ano.
– Quem não admitir esse fato inesperado vai se surpreender ou se arrepender! – conclui o observador.
IDADE
Na charge do site, primeiro aparece um grupo de pessoas que conversam. Depois, no rodapé, um poema em forma de quarteto com direito à rima:
“Sócrates, Horácio, Prometeu Platão, Newton, Galileu Fofocavam também Feito você e eu?”.
O título: “Poeminha com tremenda dúvida histórica”.
O autor: Millôr Fernandes.
No mesmo site, a autobiografia do internauta Millôr começa assim:
“1924 – Nascido Milton Fernandes, no Meyer, em 16 de agosto. Ou em 27 de maio? Ou em 27 de maio do ano anterior? Há desencontros de opinião na família. Na carteira de identidade: 27-05-1924. Meu amigo, Frederico Chateaubriand, sempre repetia, quando se falava que alguém estava ‘muito moço’, isto é, aparentava menos que a idade que tinha: ‘Idade é a da carteira’. Isto é, não adianta ter qualquer esperança contra a cronologia. No meu caso talvez a carteira esteja (um pouquinho) a meu favor”.
Façam as contas pela carteira: 86 anos.
SARAMAGO
Nasceu em 1922. Morreu neste mês. Entre os livros do escritor, “A Caverna”. Saramago foi buscar inspiração em Platão.
Há um detalhe que une Saramago ao Pará: Benedito Nunes fez a apresentação da edição brasileira de “A Caverna”. Na orelha do livro, o professor e filósofo paraense registra: “A anulação do trabalho manual ou artesanal pela tecnologia, tal poderia ser o resumo desse aspecto destrutivo do capitalismo em seu acme, convertido pelo romance numa parábola social, a que o romancista contrapõe, em sutil paródia, o mito dos que creem nas sombras”.
CRITÉRIO
Passageiro da linha de Icoaraci, enquanto aguardava, desolado, passar o engarrafamento no Entroncamento, puxa conversa com o amigo:
– Eu acho que depois da aprovação dessa lei da ficha limpa e da interpretação extensiva dada pelo Tribunal Eleitoral quase todos os políticos terão suas candidaturas impugnadas.
– Por quê?
– O Tribunal de Contas da União divulgou, como faz em todas as eleições, uma lista de 4.922 fichas sujas que não podem concorrer às eleições. Para o TCU, todo político que exerceu mandato executivo não pode mais ser político. O engraçado é que a maioria dos Ministros e Conselheiros desses tribunais administrativos um dia foi político e só por isso ocupam o cargo. Acho difícil acreditar que faziam diferente.
– Não deixa de ser uma ironia, diz o amigo. – Mas acho que caberá à Justiça a palavra final.
– Isso é verdade, mas tenho medo do que pode acontecer.
– Como assim?
– As interpretações me assustam. Vou te dar um exemplo. Pelo que andam falando por aí, o Maluf não pode concorrer por uma condenação em 2º grau no valor de 21 reais de superfaturamento na compra de frangos, apesar de ter sido absolvido em 1ª instância. Já a Erundina, condenada pelo Supremo Tribunal Federal, sem mais direito a recurso, a devolver aos cofres públicos o valor de 353 mil reais por propaganda ilegal, pode.
– Tenho de concordar contigo. Sem querer tecer nenhuma comparação entre esses dois políticos, no Brasil o critério é muito subjetivo. Não dá para confiar.
URUCUBACA
Um torcedor, na festa de aniversário da sobrinha, encontra com um amigo que diz ser, depois de remista, vascaíno e fala:
– Meu amigo, eu realmente fiquei com medo do Brasil perder para a Coréia e para a Costa do Marfim...
– Também com esse time do Dunga, diz o amigo, ninguém pode ter certeza...
– Não tem nada a ver com o Dunga, interrompe o primeiro. – Na verdade foi que eu vi no primeiro jogo a bandeira do Vasco da Gama na torcida brasileira e no segundo a do Clube do Remo. É muita urucubaca junta para uma seleção só vencer.
– Deixa de palhaçada, disse o amigo. – Por falar no meu querido Vasco da Gama, os conselheiros do clube estão acusando o Roberto Dinamite de desviar parte da venda dos jogadores para uma conta nas Ilhas Cayman.
– E isso é verdade?
– Não sei. Para falar a verdade acho meio difícil o Dinamite estar envolvido em uma coisa como essa. Mas como a acusação é feita pelo Eurico Miranda e seu grupo, não custa nada investigar, pois, com certeza, eles sabem o que falam e o Vasco pode reaver alguma coisa do passado.
IGNORÂNCIA
De uma repórter de Alagoas, estado vítima de mais uma dessas enchentes que revelam a miséria brasileira:
– Estamos aqui na terra onde mora o escritor Graciliano Ramos...
O autor de “Vidas Secas” deve ter se revirado no túmulo encharcado.
KUIKURO
Diante da notícia que o Presidente do Supremo Tribunal Federal, doutor César Peluso, nomeou o Sr. José Martinez para a Coordenadoria de Segurança, Instalação e Transporte e a Sra. Márcia Rosado para a Coordenadoria de Processamento de Dados – marido e mulher – daquele excelso Tribunal, contrariando a súmula vinculante nº 13 exarada pelo próprio Supremo, e que serviu de uma caça às bruxas feita apenas para parentes dos políticos (mesmo sem ser uma lei no sentido estrito da palavra) pelos membros do Ministério Público, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Apesar de considerar o ponto de vista do Ministro César Peluso de um bom senso muito maior do que o conteúdo da Súmula, quero saber por que, no Brasil, qualquer membro do Poder Judiciário pode alterar a seu bel prazer e de acordo com suas conveniências – não só alterar o sentido da lei feita pelo Poder Legislativo, como também contrariar os entendimentos de seu colegiado – sem que tenham de responder pelos seus atos?
MANDELINHA
Peter Zmebe Peterson é um típico jovem negro da África do Sul. Adora Nelson Mandela, afinal foi o responsável por não ter conhecido as agruras do regime apartheid, daí seu apelido: Mandelinha. Espera, um dia, como todo sul-africano, tornar-se jogador de rúgbi. De futebol não entende nada, mas gosta, por causa da Copa, de dar palpites. Eis suas segundas observações:
Nós, torcedores da África do Sul, somos conhecidos como bafana-bafana. Torcemos muito pela nossa seleção, mas o Parreira é mesmo pé frio. Conseguiu sua primeira vitória dirigindo um time na Copa sem ser o Brasil. Em compensação, pela primeira vez na história, um país sede não se classifica para outra fase. Uma vitória de Pirro. A França, uma vergonha, parecia o Brasil de 2006, sem os craques. Só farras e brigas. O Domenech, técnico francês, não satisfeito do arranca-rabo com o Anelka, quis sair no braço com o azarado do Parreira. Justa a classificação do Uruguai, mas o México...
Eu ouvi falar que os árbitros da Fifa eram afana-afana, tendiam sempre para os mais fortes. Devo dizer que o jogo entre a Eslovênia e a Itália desmente totalmente os críticos. Se o árbitro estivesse de má-fé, daria o gol naquele lance que o zagueiro esloveno salva em cima da linha e a Itália, com aquele timinho de macarrão grudado, se classificaria. Resultado, passou a Eslovênia. Já o Paraguai sabe como ninguém se defender, – por isso se classificou – mas é péssimo no ataque, não vaza nem a meta da Nova Zelândia.
Não entendi por que os jogadores e o técnico da Sérvia partiram para cima do trio de arbitragem, depois de desclassificada. De acordo com meu estudo de probabilidades, é impossível dois zagueiros de um mesmo time, em dois jogos consecutivos, agarrarem involuntariamente uma bola sem perigo dentro da grande área. Foi de propósito. É de bom alvitre os dirigentes sérvios vasculharem os sítios de apostas na internet.
As classificações da pragmática Alemanha do brasileiro Cacau e o incipiente futebol de Gana foram merecidas. Esse mundo do futebol é mesmo estranho. Ver alemão negro tudo bem, mas os irmãos Boateng foram demais. Um joga pela Alemanha outro por Gana, não admira que as duas seleções tenham se classificado.
Chato o futebol da Inglaterra e vibrante o dos Estados Unidos. Parece que os ingleses têm um complexo de vira-dog diante da antiga colônia. Perderam em 1950 e ficaram em 2º agora. Freud explica.
Acho que o Brasil possui um futebol muito sólido, mas de pouca fantasia. Depois que a África do Sul saiu, vou torcer, nessa segunda fase, pelos canarinhos. Espero conseguir entender um pouquinho de futebol quando a Copa chegar ao fim, mas continuo amando o rúgbi.
RECEPTAÇÃO
Em uma roda formada no átrio do Fórum Cível de Belém, um advogado indaga aos colegas:
– Vocês souberam da prisão do ex-dirigente da Dersa, empresa de transporte do Estado de São Paulo, responsável pelo famoso trecho sul do Rodoanel da capital paulista, por receptação de uma pulseira furtada da loja Gucci?
– Meu amigo, – diz um advogado espirituoso – se ele recepta pulseira, imagina quanto saiu esse Rodoanel?
– Pára com isso, – retoma o primeiro advogado – ele recebeu ano passado o cobiçado prêmio de Eminente Engenheiro do Instituto de Engenharia Paulista...
– Mas como ele se meteu nessa embrulhada? Pergunta outro.
– Um joalheiro lhe ofereceu a pulseira. Evidentemente, sem saber da procedência, o ex-dirigente da Dersa levou a joia até uma loja da Gucci para avaliação. O gerente percebeu se tratar da joia furtada e chamou a polícia. Resultado: foi preso por receptação de material ilícito.
– Mas se foi assim, – diz o advogado espirituoso – a prisão é absurda. Ninguém que saiba que a joia é furtada vai até o fabricante fazer avaliação.
– Depois de esclarecido é fácil se chegar a essa conclusão. Mas o fato é que não dá também para acreditar na venda de uma joia da Gucci por um joalheiro que não é da Gucci.
Quando a esmola é muita, o santo desconfia. Ou pelo menos devia desconfiar.
PPL
Nestes últimos meses, foram 32 pedidos de registro ao TSE para a criação de novos partidos, todos indeferidos devido ao não cumprimento das leis e normas estabelecidas pela justiça eleitoral.
Apenas uma exceção. Foi concedido o registro provisório ao PPL – Partido Pátria Livre–, comandado no nível nacional pelo ministro das Comunicações Franklin Martins. A nova legenda vai ser também o novo partido dos senadores Roberto Requião (do Paraná) e Pedro Simon (do Rio Grande do Sul).
Aqui no Pará a nova legenda ficará comandada pelo advogado Telmo Marinho que está acertando a adesão de um deputado federal e 10 deputados estaduais.
Quem está acertando o ingresso dos novos correligionários é o jornalista Júlio Saraiva, que era do PMN e ingressou no PPL. A intenção do grupo é apoiar a reeleição de Júlia Carepa ao governo do Pará e a eleição de Dilma Rousseff para presidente.
Júlio Saraiva saiu do PMN porque a direção nacional resolveu fazer acordo com todo mundo, menos o PT.
P. S.
Uma coisa me chamou atenção nessa Copa, e não foi o futebol: o Dunga está brigando com a Rede Globo. Não quero entrar na polêmica de saber quem está certo ou errado. Quero apenas dizer que, no Brasil, para se enfrentar uma organização tão poderosa quanto a Globo, é preciso muita, mas muita coragem mesmo.
Não estava muito empolgado com o futebol da seleção, mas vou torcer apaixonadamente pelo Dunga. Não tenho absolutamente nada contra a Rede Globo, pelo contrário, acho que é a única emissora que respeita um homem público quando vai embora.
Se perder, o Dunga não tem mais trabalho no Brasil, não tem mais amigos, não vai poder deixar sua casa nem dentro do porta-malas do carro. Ninguém vai ampará-lo contra a Rede Globo.
Boa sorte, Dunga! Conte com minha solidariedade.
Madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, conversa com amigo:
– O que achas desse entendimento, ainda que incipiente, entre o Democratas e o PT aqui no Pará?
– Eu acho a coisa mais sem pé nem cabeça. Não há qualquer afinidade ideológica entre os partidos. Não acredito que vá ocorrer.
– Até outro dia, eu pensava isso, mas depois do que ocorreu em São Paulo, já não sei se isso não pode ir adiante.
– O que aconteceu lá?
– O líder dos Democratas da bancada de vereadores da capital paulista declarou apoio ao petista Aloísio Mercadante. Se pode em São Paulo, é evidente que pode aqui também.
– De fato, tens razão. Parece que o Vic não está sozinho nessa empreitada de se entender com o PT, mas há uma substancial diferença!
– Qual é?
– Enquanto em São Paulo, apesar do prefeito Kassab dos Democratas declarar mil amores pelo Geraldo Alckmin, na verdade está com o candidato do PSDB entalado na garganta, fruto da recente disputa pela prefeitura paulistana. O líder do DEM só reflete o sentimento escondido do chefe. Já aqui é diferente. Quem parece não querer papo de jeito nenhum com os Democratas é a chefe, a Ana Júlia. Daí não acredito que possa haver composição.
– É uma análise lúcida... Mas, como diz o Gerson Peres, em política só não vi boi voar.
OSSIAM
Há três ou quatro semanas, faleceu em Belém o desembargador aposentado Ossiam Corrêa de Almeida.
Quando fui governador do Estado, Ossiam, com carreira no judiciário, chegou à presidência do Tribunal de Justiça do Pará. Convivemos muitos anos e há um fato que pouca gente sabe, mas eu agora revelo.
Como juiz na comarca de Belém, Ossiam, pelo critério da antiguidade, chegou à condição de ser nomeado desembargador, membro do TJE. Mas o então governador do Estado confidenciou que não assinaria a nomeação de Ossiam para o TJE “nem que a vaca tossisse”. Ossiam soube do veto governamental e fez uma contraproposta. O governador nomearia, ele tomaria posse, mas imediatamente pediria aposentadoria. E para demonstrar sua sinceridade, deu entrada logo no protocolo do TJE do seu pedido de aposentadoria. Uma vez, nomeado e empossado, retirou seu pedido de aposentadoria. Continuou como desembargador até ser atingido pela compulsória aos 70 anos de idade.
O governador tapeado não deu revide. Aceitou a esperteza de Ossiam e não se falou mais no assunto.
Ah!... O nome do governador? Professor Dr. Aloysio da Costa Chaves.
MÁFIA
Passageiro da linha de Icoaraci, enquanto aguardava, entediado, passar o engarrafamento no Entroncamento, puxa conversa com o amigo:
– Tens acompanhado esse caso do Tuminha?
– Quem?
– Do Tuma Júnior, Secretário Nacional de Justiça, filho do senador Romeu Tuma, demitido do cargo depois das retornar das férias, por possível envolvimento com o contrabandista Paulo Li, chefe da máfia chinesa.
– Confesso que não tenho acompanhado o caso.
– Ao sair, ele se disse vítima do crime organizado, da Máfia, da covardia política, mas reconheceu que é amigo há décadas do Paulo Li, que já foi preso por contrabando.
– Mas a Secretaria Nacional de Justiça não é o órgão de governo que combate esse tipo de crime?
– É. Por isso que alguns maledicentes estão dizendo que a Máfia que o queria fora é a da família rival do Paulo Li.
– Mas o maior problema, para mim, não é esse e, sim, quem escolheu e colocou no órgão que combate o crime organizado uma pessoa confessadamente amiga de um contrabandista? E por que os órgãos de inteligência do governo não alertam o ministro para o fato?
– É que no Brasil a máxima de Júlio César de que não basta ser honesto, tem de parecer honesto, não é seguida. Pensando bem, não é seguida nem a primeira parte da sentença.
LULADAS
Paraense, hoje radicado no Recife, manda duas luladas para a página.
Vale a pena transcrever:
– Me orgulho muito porque nunca na história deste país um presidente eleito teve uma mãe que nasceu analfabeta!
– Por favor, prestem atenção na hora de votar. Não vamos acabar com o país “dilma” vez!
KUIKURO
Depois de ouvir o Serra, durante a convenção que o oficializou candidato pelo PSDB à presidência da República, apontar corrupção no governo federal, criticar o loteamento de cargos públicos em troca de apoio dos partidos políticos, acusar o PT de utilizar-se do mensalão, comparar o presidente Lula ao rei Luiz XIV da França que dizia que o Estado era ele, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Aquele papo do Serra de que queria uma campanha para discutir programas, de não fazer jogo rasteiro, era sério ou só valia se ele estivesse ganhando a disputa com a Dilma nas pesquisas de intenção de voto?
INDEFINIÇÃO
Em reunião, político experiente comenta com outro mais novo:
– Está uma grande indefinição essa história do vice do Serra. Mas acho que ele deu uma pista na convenção que oficializou sua candidatura à Presidência da República?
– Como assim? Pergunta o mais novo.
– Ora, se ele escolheu a Bahia para o lançamento, é claro que ele vai optar por um baiano. Na minha opinião, será o deputado José Carlos Aleluia dos Democratas.
– É uma possibilidade, mas pode ser que ele tenha escolhido a Bahia só para prestigiar um colégio eleitoral nordestino muito grande. Aí o seu candidato sairá de outro lugar.
– Sabe que eu não tinha pensado nisso, diz o político mais experiente. O fato é que a indefinição continua e o Serra parece meio desnorteado... Afinal quem ele queria para vice não aceitou.
ACADEMIA
Amanhã, dia 21, às 19 horas, haverá sessão especial na Academia Paraense de Letras para comemorar o Dia Nacional das Academias de Letras do Brasil.
O orador oficial será o imortal José Ildone Soeiro.
Alonso Rocha, príncipe e presidente, dirigirá a sessão no auditório da rua João Diogo.
LUXO
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite conversa com a amiga:
– Querida, você sabe que eu quero saber apenas de modas, maquiagens, balangandãs. Mas não posso deixar de comentar que a chiquérrima Milú Vilela, do Banco Itaú e presidenta do MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, está pagando do seu bolso, digo, do bolso do Banco Itaú, a consultoria de Galeazzi e Associados para a Televisão Cultura de São Paulo.
– Mas para quê?
– Eles são maravilhosos para melhorar a imagem ou os resultados dos clientes. Eles tiraram do buraco o Grupo Pão de Açúcar – é bem verdade que houve algumas demissões – e melhoraram muito a imagem da Daslu – a mais luxuosa loja desse país – depois daqueles escândalos com a Receita Federal.
– Mas será que eles entendem do público alvo da Televisão Cultura?
– Isso eu não sei, querida. O que aconteceu foi que o João Sayad é o novo presidente da
Cultura. E, como a gente sabe, desde o tempo do Sarney, ele é super chegado ao setor financeiro. Vai daí...
COERÊNCIA
Em uma mesa formada na Assembleia, o clube, um dos participantes observa:
– Essa campanha da Marina para a Presidência da República parece o samba do crioulo doido.
– Por quê? Indaga um dos amesendados.
– Eu acho tudo uma bagunça só. O vice dela é um grande empresário do ramo suspeito a qualquer ambientalista, menos, evidentemente, aos militantes do Partido Verde. O PV fechou em Alagoas com a Renan Calheiros, mas a Marina apoia a Heloísa Helena do PSOL. No Maranhão, o dono da bola é o Zequinha Sarney. Agora mesmo duas herdeiras do Itaú, a Maria Alice Setúbal e a Ana Lúcia dos Mattos Barreira Vilela, aderiram à candidatura da Marina. Quer dizer, não dá para entender patavinas desses apoios.
– Mas isso é a política brasileira, diz outro. – O que esperavas?
– Que tal um pouco de coerência?
EIDORFE
A Fundação Municipal Escola Bosque Eidorfe Moreira lançou o edital dos “Prêmios Eidorfe Moreira”. Neste ano em que a Escola Bosque completa 15 anos, a ideia é homenagear o saudoso professor, através do estudo de sua obra e divulgação desse amplo acervo para as novas gerações.
Assim, ocorrerá, ao longo de 2010, 2011 e 2012 (ano do centenário de Eidorfe), um conjunto de palestras denominado “Fórum Eidorfe Moreira”. O filósofo Benedito Nunes já foi convidado para fazer a conferência de abertura em agosto.
Quanto aos prêmios, foram estabelecidas três categorias no concurso cultural: professores e técnicos da Escola Bosque, comunidade em geral, alunos da rede pública. Os vencedores terão seus trabalhos publicados e ganharão também prêmio em dinheiro. Está sendo elaborado um blog na internet com mais informações sobre o assunto.
MANDELINHA
Peter Zmebe Peterson é um típico jovem negro da África do Sul. Adora Nelson Mandela, afinal foi o responsável por não ter conhecido as agruras do regime apartheid, daí seu apelido: Mandelinha. Espera, um dia, como todo sul africano, tornar-se jogador de rúgbi. De futebol não entende nada, mas gosta, por causa da Copa, de dar palpites. Eis suas primeiras observações:
– Não consegui entender a escolha do Parreira para dirigir a África do Sul. Não posso dizer nada sobre sua competência, mas é, no mínimo, um pé frio. Já dirigiu 5 países, em 6 Copas do Mundo diferentes, e – a não ser com o Brasil – não obteve uma vitória sequer.
Agora, empatou com o fraco México e foi goleado pelo timinho do Uruguai. Tenho medo do resultado contra a França.
Os árbitros japoneses, no jogo França e Uruguai, acabaram com a falsa impressão que eu tinha de que os olhos espremidos atrapalhavam a visão. Não erraram nada, pareciam robôs, uma perfeição. Em compensação, o jogo...
Inglaterra e Estados Unidos jogaram com medo de ataque terrorista. Muitos disseram que a bomba já estava plantada: o Calos Eugênio Simon, árbitro brasileiro, estava escalado para apitar a partida. No final, a bomba mesmo era o tal de Green, aquele goleiro inglês. Que peru!
Apesar das vitórias folgadas da Argentina do Maradona fantasiado de Che Guevara e da Alemanha do brasileiro Cacau, do empate da Itália e da Inglaterra, e da derrota da Espanha, não há, para mim, qualquer favorito a vencedor nessa Copa. No mata-mata, qualquer seleção pode ganhar da outra.
O Brasil é um capítulo à parte. O técnico bota um time defensivo quando precisa fazer gols e um time ofensivo quando precisava não tomar gols. Como todos elogiaram as substituições do treinador brasileiro, o futebol deve ser um esporte muito diferente do rúgbi.
Eu, definitivamente, não consigo entender.
BEIJO
– Este teu prefeito... – comenta uma correligionária para o amigo do interior.
E relembra o caso: – Concorre à reeleição, se elege, toma posse, é cassado, recupera o mandato na justiça, volta à Prefeitura... E, agora, a mulher, que era o seu braço direito, lhe dá um fora inesperado! Qual a razão dela ter dado no pé?
– Ela flagrou o maridão aos beijos e abraços no gabinete...
– Mas isso, segundo eu sei, ela já flagrou várias vezes.
O outro explica a diferença: – É que, das outras vezes, a mulher flagrou o marido com outra
mulher. Mas agora o marido estava na maior agarração com outro homem... O Secretário de Finanças!
P. S.
Uma Copa na África é algo que eu não esperava ver. Perto da África do Sul, encontravam-se os negros de Angola, bantos, que vieram dar o que somos hoje: brasileiros.
É fácil perceber que a nossa principal música popular – o samba – é africana. Quem não se identificou com os músicos e músicas africanas da abertura da Copa, não é brasileiro.
Pode procurar outro lugar para morar, porque não pertence a esta nação. É o mesmo batuque, o mesmo molejo, a mesma cadência. Na realidade, é a mesma alma.
Foi muito discutido pela imprensa, se a pop star colombiana Shakira era a pessoa certa para cantar a música da Copa. Depois que vi a performance, posso dizer que ela traduz a mistura europeia e africana, própria dos sul-americanos. Para mim, escolha perfeita. Podem achar que estou exagerando, mas Shakira me lembrou os trejeitos de cantar da nossa Joelma do Calypso, que tem inspiração caribenha na sua música.
O Estatuto de Igualdade Racial acaba de ser aprovado pelo Senado Federal para, segundo o Sarney, levar o Brasil “a resgatar um pedacinho de sua dívida com os negros”. Eu discordo. O que os brancos portugueses, no primeiro momento, fizeram com os negros não tem perdão, não tem lei alguma que os redima. Dessa crueldade, entretanto, nasceu uma nação miscigenada, integrada e divertida. Nós não somos brancos europeus. É ridículo não perceber isso. Basta olhar a nossa pele ou sentir que a alma que temos é africana.
– Parece que o Luxemburgo entrou em mais uma trapalhada. Soubeste?
– Realmente. Ele foi sair do eixo Rio / São Paulo e agora só está levando lambada no Atlético Mineiro. Para o currículo de treinador dele é muito ruim...
– Não é a isso que me refiro, – interrompe o amigo – estou falando do processo aberto pelo Ministério Público do Tocantins por inscrição fraudulenta de domicílio eleitoral contra o Luxa.
– Como é que é?
– Foi que o Luxemburgo resolveu concorrer a uma vaga de senador (como ele é megalomaníaco, quer começar logo pela Câmara Alta do país), filiou-se ao PT e requereu o registro do domicílio no Estado de Tocantins. Não só teve indeferido seu pedido de registro, como está respondendo a processo de fraude, pois é evidente que ele não mora na cidade de Palmas no Tocantins.
– Eu começo a desconfiar se a Justiça é realmente cega, comenta o colega do lado. Parece que ela enxerga muito bem o “professor”.
– Por quê?
– No caso do ex-presidente José Sarney, eleito senador pelo Amapá, foi aceito que ele possuía domicílio em Macapá, apesar do Brasil inteiro saber que ele mora no Maranhão. O ex-governador do Ceará Ciro Gomes, recentemente, também mudou o domicílio para São Paulo. Até o Babá do PSOL transferiu o seu, sem problemas, para o Rio de Janeiro. Só o Luxemburgo não pode?
PILATOS
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite diz à colega:
– Querida, eu sei que vais reclamar. Garanto que continuo querendo saber de modas, maquiagens, balangandãs. Mas não posso resistir a te consultar sobre... os institutos de pesquisas...
– Como não há jeito mesmo...
– Só que agora se trata de uma pesquisa sobre governador e senador encomendada pelo DEM, aqui do Pará, ao mais conceituado e famoso instituto de pesquisa do Brasil.
– Por quê? Algum absurdo?
– Até que não... Para governador, os números apontam: Jatene 25%, Jader 24%, Ana Julia 23%, Valéria 12%. Já para o Senado, os números dizem que Jader possui 45%, Valéria 45%, Paulo Rocha 26% e Flexa Ribeiro 11%.
– É parece que o instituto deu uma de Pilatos. Lavou as mãos e não apontou qualquer favorito aqui nas eleições estaduais.
– Para governador, concordo contigo. Aliás para conseguir esses números eu mesma podia fazer a pesquisa. Mas acho os dados para o Senado intrigantes. Não que eu discorde dos números do Jader, mas a Valéria está empatada no primeiro lugar com o ex-governador... E o Paulo Rocha, que é o querido do Lula, aparece bem atrás dela, o que não me parece ser a realidade. O que achas?
– Eu acho que pesquisa reflete o momento. Pode ser que ocorra o que aconteceu nas eleições para a Prefeitura. No primeiro momento a Valéria ganhava no 1º turno, chegou na hora da onça beber água, ela não passou nem para o 2º turno. Quem vai saber?
BANAL
Em uma mesa formada na Assembleia, o clube, um dos participantes demonstra-se indignado com a banalidade dos assassinatos no Brasil:
– Vocês viram a execução de um dito marginal mostrada ao vivo e a cores por uma grande emissora de televisão?
– Não, responde um dos amesendados. – Do que se trata?
– Em pleno horário nobre, um apresentador diz que retirou do “Youtube” um vídeo da execução de um marginal. É uma coisa impressionante. Os atiradores ficam de tocaia a 300 metros de distância. Aguardam a vítima aparecer. Como em um filme, fazem a contagem regressiva e disparam. Pode parecer coisa de Hollywood, só que a pessoa morre de verdade.
– E alguma providência foi tomada?
– Não. Até o apresentador não fez carga porque a vítima era um traficante. Quer dizer, no Brasil não se pode caçar animal irracional, mas matar outro ser humano não tem problema algum.
– É verdade. Já havia vários filmes que contavam estórias de malucos que cometiam assassinatos exibindo as vítimas na internet. Agora é a mais pura e banal realidade nesse país da impunidade.
KUIKURO
Diante da atitude inusitada do advogado do jogador Adriano – ex-craque do Flamengo hoje transferido para o futebol italiano–, que preferiu levar seu cliente à presença de representantes do Ministério Público do que se apresentar diante do delegado para apuração de possível crime de associação ao tráfico, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Será que o Imperador está retornando à Itália porque recebeu uma proposta irrecusável da equipe romana ou não aguenta mais autoridades e outras pessoas que querem sempre um autógrafo a mais?
SENTIDO
Em uma roda formada no átrio do Fórum Cível de Belém, um advogado diz que às vezes não consegue entender a decisão dos tribunais e pergunta aos demais colegas:
– Vocês souberam que o Ministério Público do Maranhão pediu a cassação do deputado Sarney Filho por uso indevido dos meios de comunicação e abuso do poder econômico e de autoridade?
– E o que tem demais isso? Pergunta um dos participantes da roda.
– Em princípio nada, – responde o primeiro – mas é bom lembrar que a irmã do deputado ocupa o cargo de governadora (apesar de ter perdido a eleição) em virtude do Tribunal Eleitoral de lá ter cassado o governador Jackson Lago por abuso do poder econômico.
– Mas a Roseane Sarney não é o irmão.
– É verdade, mas os meios de comunicação são da família e se fizeram para um, fizeram para o outro. Eu não consigo entender esses dois pesos e duas medidas na política brasileira. Não faz sentido. Ou faz?
RATO
O marido era tarado por queijo. Todo aniversário ou comemoração, ele sempre obrigava a ter queijo para servir aos convidados. Daquela vez, houve exagero e sobrou muito queijo para o deleite do marido. Em dois dias, a monstro do queijo que sobrara, estava muito reduzido. A mulher reclama:
– Precisas fazer regime. Não podes comer tanto queijo assim.
– Mas eu gosto de queijo...
– Não interessa. É para o teu bem. Pára de comer queijo.
Passaram-se dias, a semana e o queijo lá. Um dia a mulher pediu ao filho que lhe servisse um pedaço do queijo. O filho grita:
– Não dá, mãe. Um rato muito inteligente passou por aqui. Comeu o queijo por dentro e deixou só a casca para pensarmos que ele estava do mesmo jeito.
CH
“Íntegro, de rigor excessivo no cumprimento das leis. Designado membro da junta apuradora de um pleito eleitoral, não tergiversou ao anular um voto, declarando, peremptoriamente, o eleitor analfabeto: escrevera ‘CH’ em vez de traçar um ‘X’ no quadrinho da célula”.
Em tempos de urna eletrônica, na próxima eleição não haverá mais quadrinhos para riscar, nem células de papel. Nem para escrever ‘X’, nem tampouco para o criativo ‘CH’. Mas as crônicas espirituosas do jornalista Mário Couto ficaram perenizadas em muitas páginas dos jornais paraenses do século passado, quando não havia computador. O pequeno trecho acima transcrito está incluído no livro “A Grande Viagem”. Como governador do Estado, em 1991 publiquei essa coletânea de crônicas do Mário selecionadas pelo professor Francisco Paulo Mendes. Agora o pequeno trecho vai circular pela internet no site do DIÁRIO.
ARCA
Bobloga, uma loura sarada, que odeia óculos por achar que lhe deixam com ar intelectual mas os usa por não se adaptar às lentes de contato, traz à mão uma sombrinha. Uma colega, na academia de ginástica onde se encontram, indaga:
– O que é isso?
– Uma sombrinha, ora.
– Mas para quê se estamos dentro da academia?
– Para alguém que não queira se molhar quando minhas lágrimas começarem a
rolar. Será um dilúvio.
– Mas o que aconteceu?
– Foi que eu soube que o Kim Jong-il...
– Quem?
– O ditador coreano – está super na moda – encomendou a seu colega ditador Robert Mu gabe, do Zimbábue, animais selvagens para o zoológico de Pyongyang.
– E por que da tristeza?
– É que vão para a Coreia do Norte uma elefanta e um elefante, uma macaca e um macaco, uma girafa e um girafo, uma zebra e um zebro, uma hiena e um hieno e até uma chacal e um chacal. Uma verdadeira Arca de Noé. Só que desta vez vai ser de avião o meio de transporte.
– E a tristeza?
– A tristeza é que até os animais selvagens conseguem arrumar o seu par perfeito, só eu que continuo aqui encalhada...
PROMESSAS
Um madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, conversa com amigo: – Ando preocupado com a segurança aqui na Doca.
– Por quê?
– É que os assaltantes, no país inteiro, andam muito audaciosos e violentos. Lá em São Paulo, por exemplo, o Shopping Center mais luxuoso do Brasil foi assaltado duas vezes seguidas. Imagina se os assaltantes paraenses resolvem imitar os paulistas. A Doca vai virar uma praça de guerra. Aí, adeus jogging.
– O engraçado nisso tudo é que tem candidato paulista prometendo, ou na versão mais moderna, assumindo compromisso de criar um Ministério da Segurança Pública para resolver o problema da violência. Se não conseguiu resolver em São Paulo, o Estado mais rico do país, é muito pouco provável que consiga no resto do país.
BOM
Um empresário do agronegócio comenta com o colega:
– Leste o parecer do relator deputado Aldo Rebelo sobre o projeto que altera o novo Código Florestal?
– Só vi a notícia, responde o amigo.
– Eu também não li. Mas parece que, no primeiro momento, desagradou a gregos e troianos. Tanto os ambientalistas disseram que não prestava, como também os ruralistas sentaram o pau no parecer.
– Desagradou a ambientalistas e ruralistas?
– Sim.
– Então deve ser equilibrado, bom para o Brasil.
VIRA-LATAS
Em uma roda formada no campus, após a aula de economia, um aluno conversa com outro:
– O Nelson Rodrigues era quem estava certo. Nós temos um complexo enorme de vira-latas.
– Por quê?
– Saiu o crescimento do PIB brasileiro: 2,7% no trimestre, 9% se considerada a taxa anual. E quais foram os comentários de nossos analistas econômicos, inclusive o professor: – “Não dá para manter esse ritmo”; “A economia não aguenta”; “O setor produtivo não tem preparo físico para manter essa velocidade”... E coisas do gênero...
– Tens razão. Para eles, o bom é não produzir nada, de preferência com um aumentozinho, que já houve, na taxa de juros.
P. S.
O campeonato paraense de futebol terminou. Parabéns ao Águia de Marabá: um feito e tanto desbancar o Remo e ser vice-campeão! Quando eu vi milhares de pessoas no Mangueirão, quase todos torcedores do Paysandu, fiquei imaginando como é que podem dizer que o campeonato estadual é coisa superada, não tem mais vez. Acho que não. O campeonato estadual é coisa nossa e vai ficar aí por muitos anos.
Mas o minuto de silêncio me trouxe tristeza. O Lupercínio, um ponta-esquerda enjoado e abusado, morreu. Muito cedo, cedo demais. Ainda lembro dele com seu corpo franzino e uma habilidade impressionante entortando os adversários. Ele deu alegria a mim, aos torcedores do Paysandu e a quem gosta de futebol.
A história do Lupercínio não é diferente de tantos outros ídolos do futebol. Parece que Deus manda a esta Terra algumas pessoas só para uma curta missão: trazer um pouco de felicidade aos outros.
Fico feliz pela conquista do meu Paysandu, mas, desta vez, como toda vez que tomo conhecimento de uma história como a do Lupercínio, a tristeza invade o meu coração.
P. S. do P. S.
Graças a Deus, a Copa começou. Não aguentava mais esses pobres coitados dos jornalistas, que foram mandados para a África do Sul com muita antecedência, fabricarem notícias onde não há. Boa sorte, Brasil!
Em mesa formada na Assembleia, o clube, um participante pergunta aos demais:
– Vocês não acham que o Serra anda nervoso com as últimas pesquisas?
– É claro – responde outro – que há uma pressão maior, mas acho o Serra um político experiente, acostumado a esse tipo de situação. Ele tira isso de letra.
– Pois eu acho – retoma o primeiro – que ele está meio desconcertado ou, no mínimo, surpreso desagradavelmente com os números da Dilma nas pesquisas. Só isso pode explicar as agressões ao presidente Evo Morales da Bolívia. Chamá-lo de cúmplice do narcotráfico, é demais!
– Eu, também, acho que ele exagerou. Mas acredito que o problema é que os tucanos não engolem a nacionalização do petróleo boliviano que expulsou a Petrobras daquele país, prejudicando toda estratégia de abastecimento energético do sudeste brasileiro, diga-se das indústrias paulistas. E todo mundo sabe que o Serra é muito chegado ao empresariado.
– Pode ser, mas não justifica. Além do mais, é bom lembrar, primeiramente, que a plantação de coca é aceita na Bolívia por uma questão cultural. Há milênios o povo boliviano usa o chá de coca para combater os males da altitude. É legal esse costume arraigado ao povo que estava lá muito antes dos europeus chegarem. Além do mais – pelo amor de Deus – se um forte candidato à Presidência da República acha que quem deve combater as drogas que entram no Brasil é a Bolívia, então é melhor fechar este país...
CHINELADA
Bobloga, aquela loura sarada, que odeia óculos por achar que lhe deixam com ar intelectual mas os usa por não se adaptar às lentes de contato, traz na mão, apesar de devidamente calçada, uma chinela. Uma colega, na academia de ginástica onde se encontram, indaga:
– O que é isso?
– É que lá em casa está infestado de baratas. Eu odeio esse inseto repugnante, além do mais que impressão eu daria aos meus convidados, principalmente aos meus paqueras, se quando eles estivessem em casa aparecesse um desses horríveis bichinhos.
– Pois fique sabendo – diz a colega – que a maioria das baratas vive na floresta e tem importante papel na reciclagem dos nutrientes do solo. Infelizmente as da cidade carregam bactérias e fungos e podem transmitir doenças.
– Pois com doença ou sem doença, eu quero me livrar delas pelo aspecto.
– E por que não chamas uma firma de dedetização?
– É que um rapaz bonito, que ando azarando, entende tudo de barata.
– Como?
– Do inseto barata, deixa de ser maldosa. É um biólogo especialista no inseto e me disse que o método mais eficiente para acabar com elas é uma boa chinelada.
BOLA
Desportista de final de semana, na festa de aniversário da sobrinha, encontra com o companheiro de pelada e vai logo falando:
– Tu, que achas que a gente briga por nada na hora de escolher a bola, que dizes todas são iguais, que não faz a menor diferença, tens acompanhado a polêmica da bola da Copa?
– Mais ou menos. Para mim, uma grande bobagem, como tu disseste, acho todas iguais.
– Pois o Julio César disse que é horrível, o Robinho que foi feita por quem nunca deu um chute...
– Pois eu – interrompe o amigo – fico com a opinião do Pelé dada aqui mesmo em Belém, nessa visita que muito nos honrou.
– Qual foi?
– Ele foi a primeira pessoa de importância no mundo de futebol que teve a coragem de dizer que a bola boa era a feita de couro. Essas de material sintético são todas iguais, de difícil controle e variam muito. Tem de treinar para se acostumar com elas. Aí parece que prestam. E o “Rei” entende. Entende?
KUIKURO Diante dos números divulgados pela Abralpe (Associação Brasileira de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) de que a maior parte do lixo produzido no país é do Sudeste com 53% das 57 milhões de toneladas por ano, mas é o nordestino, individualmente, o maior produtor de lixo por dia no Brasil, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Será que o Brasil é diferente do mundo inteiro. Aqui é o pobre que mais desperdiça e, por conseguinte, produz mais lixo ou será que a bolsa família distribuída pelo Lula tornou o nordestino rico?
TUBARÃO Passageiro da linha de Icoaraci, enquanto aguardava, desolado, passar o engarrafamento no Entroncamento, puxa conversa com o amigo:
– Ao acho que aquelas indústrias pesqueiras ali por Icoaraci vão acabar.
– Por quê? Não há mais camarão, atum, ou peixes para exportação?
– Parece que a moda agora é tubarão. Pelo menos eu fiquei sabendo que o Ibama apreendeu 3,3 toneladas de barbatanas que iriam para a Ásia. Lá, barbatana de tubarão é considerada uma iguaria e ainda possui fins medicinais.
– Poxa – diz o amigo – 3,3 toneladas só de barbatana! Quer dizer que eles dizimaram tudo que é tubarão aqui por perto. Não sobrou um. Por isso é que elas vão fechar?
– Não. Na verdade o exportador é um frigorífico que, evidentemente, não tinha nem o registro de pesca. É que o tubarão paraense deve ser criado no pasto. As indústrias pesqueiras ficaram obsoletas.
OPINIÃO A aula acabara de começar em uma Faculdade de Engenharia. A professora dirige-se a uma estudante:
– Venha até aqui expor o trabalho passado na aula anterior.
– Não posso professora, diz a aluna. – Faltei à aula e só fiquei sabendo agora.
– Não estás falando a verdade.
– A senhora tem razão, confirma a aluna. – Eu estou mentindo.
A professora, pega de surpresa pela sinceridade da aluna, sorri e a manda apresentar o trabalho na próxima aula. Chama à frente outra estudante.
– Professora, – diz a nova aluna chamada – não está correto. Se a senhora vai adiar a apresentação da colega, adie a minha também.
– É professora, endossa a primeira aluna, não é correto. A senhora deveria adiar.
– Também não é correto – diz a professora – vocês não fazerem o trabalho. E dirigindo à sala repreende: – Tem de haver responsabilidade...
– A senhora tem toda razão, interrompe a primeira aluna. – Realmente é uma falta de responsabilidade...
– Chega! Fala forte a professora. – Não podes ficar concordando com todo mundo e mudando de opinião o tempo todo.
– Mas, professora, – explica-se a aluna – antes de concordar eu me coloco na posição da pessoa que está dando aquela opinião. Aí eu acho que ela tem sempre razão...
SUBDESENVOLVIDOS Empresário madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, conversa com amigo:
– Parece que agora a economia está indo de vento em polpa.
– Por quê?
– Ora, não tens acompanhado os números do crédito habitacional divulgados pelo Banco Central. É o nosso ramo.
– E qual a razão da euforia?
– Tenho de te explicar tudo? O crédito habitacional, que no começo de 2009 era 30% menor, alcançou o de veículos. Isso significa que superou o valor de 100 milhões de reais em financiamento, ou seja, 3,2 do Produto Interno Bruto. Estamos feitos.
– Eu não vejo por que comemorar, diz o desanimado amigo. O Chile, o México e até a África do Sul, que agora está na moda, reservam 10% do PIB para o crédito imobiliário.
Se formos considerar os países desenvolvidos, passa para 60% do PIB. Quer dizer ainda estamos na rabeira dos subdesenvolvidos nesse aspecto.
PROPAGANDA Em uma roda formada no átrio do Fórum Cível de Belém, um advogado joga a seguinte tese para ser discutida por todos:
– O que vocês acham dessa burla generalizada dos partidos à lei que impede propaganda eleitoral antes de definidos pela convenção dos partidos quem vai ser oficialmente o candidato?
– Eu acho um absurdo, diz um impetuoso advogado mais jovem. – É um acinte à Justiça Eleitoral. O Lula que começou e agora todo mundo embarcou.
– Realmente – diz outro – os Democratas utilizaram todo tempo na televisão concedido para fazer propaganda institucional do partido à propaganda do Serra. Para ser mais preciso, utilizou o discurso do próprio Serra que ele renunciava ao Governo de São Paulo para assumir a candidatura à Presidência da República.
– As programações das emissoras de televisão – acrescenta outro causídico da roda – estão, também, repletas de propaganda do governo do Estado de São Paulo, para divulgar a administração do Serra que, evidentemente, leva uma grande desvantagem na exposição em relação à candidata do Governo Federal.
– Pois eu discordo – diz um advogado mais experiente – é da lei. Se formos verificar essa lei, que todo mundo endeusa, foi concebida em plena ditadura para impedir a oposição de criticar o governo.
– E só por isso não deve ser cumprida? Indaga o jovem advogado
– Claro que não, responde o advogado mais experiente. – Reconheço que há excessos como a utilização dos programas partidários, que não tem função de propaganda eleitoral. Por outro lado não consigo entender como pode a Justiça Brasileira ter declarado inconstitucional a Lei de Imprensa que dificilmente era invocada, ter considerado legal, apesar de haver expressa proibição legal, o candidato continuar no poder quando tenta a reeleição – que configura um absurdo abuso do poder econômico–, e não considerar um entulho autoritário essa lei que praticamente proíbe o exercício de política.
ÉTICA Um estudante universitário pergunta ao professor de Ciências Políticas:
– O senhor sabe me dizer por que o presidente alemão renunciou? Foi por causa da crise econômica que atinge toda a Europa?
– Não, responde o professor. – Ele declarou em uma entrevista a uma rádio na Alemanha, que o governo havia autorizado o envio de tropas alemãs ao Afeganistão para defender os interesses comerciais do país.
– E era mentira?
– Não. Trata-se da mais pura verdade.
– Então por que renunciou?
– Foi igual ao Ricupero aqui no Brasil. Se falar a verdade, que todo mundo sabe, dança. O melhor é mentir, ou melhor, fingir que é ingênuo.
FLANELINHA Um morador da Brás de Aguiar, olhando toda aquela confusão na implementação da Faixa Azul, que dá direito a uma empresa privada explorar o estacionamento daquela área pública, fala para a mulher:
– É engraçado o Brasil de hoje. Antigamente eu achava que os flanelinhas, no Brasil inteiro, extorquiam a gente, quando se apropriavam do espaço público urbanizado, construído a partir do pagamento de impostos, e cobravam para “vigiar” o nosso carro.
Agora o Poder Público, em todo o Brasil, entrega o mesmo espaço público, sem que haja qualquer contrapartida de melhoramento ou conservação, para uma empresa fazer o que antes a gente achava crime. É o tal do estado-empresa.
DIFERENTE
De um velho apreciador do futebol brasileiro:
– Primeiro foi o Roberto Dinamite na presidência do Vasco. Agora, o Zico contratado com diretor de futebol do Flamengo, presidido por uma mulher, Patrícia Amorim, ex-nadadora do clube. O futebol tá diferente.
P. S. Nas minhas longas noites de insônia, sobra-me o rádio companheiro a me reconfortar. Invento problemas, encontro soluções, tudo numa rapidez tão grande que torna a noite cada vez mais enfadonha. Sobra-me a música.
Uma noite dessas me peguei pensando no Caymmi, que sempre fez parte da trilha sonora da minha vida. Eu costumava frequentar o restaurante Avenida. Logo que chegava, o pianista da casa tocava os acordes iniciais de Marina, minha música predileta.
Era minha deixa, entrava triunfante. Já naquela época, Marina trazia doces lembranças.
Sempre me intrigou “As Rosas de Abril”: “Rosas a me confundir / Rosas a te confundir / Com rosas, as rosas, as rosas, de abril”. Para mim, abril nunca foi mês de rosas. Nessa noite, tocava uma música norte-americana qualquer no rádio que falava de outra rosa, não a do Caymmi, mas era de abril. Pensei comigo: – É isso, no hemisfério norte a primavera é em abril. Descobri, mais tarde, que o Caymmi estava morando nos Estados Unidos quando fez essa música. Um sucesso fenomenal para gringo nenhum botar defeito.
Hoje não há mais o pianista, não há mais os antigos amigos do Avenida, o Caymmi não está mais aqui, mas as rosas continuam a me confundir.
Um torcedor corintiano estava eufórico:
– Agora ninguém nos segura. O Lula resolveu fazer um estádio novo em São Paulo para que a cidade possa ter o jogo inaugural da Copa de 1024. Como o presidente é corintiano roxo, é claro que o estádio ficará com o Coringão. Basta lembrar que o Engenhão, construído para o Panamericano, ficou para o Botafogo, clube da paixão do então prefeito da Cidade Maravilhosa.
– Pois eu acho que, apesar do desmentido do Ministro de Esportes Orlando Silva sobre esse novo estádio em São Paulo, é bem mais do que isso, diz outro corintiano.
– Como assim?
– O Presidente Lula deixou o Serra falar à vontade que não botaria dinheiro público em qualquer estádio. Isso ameaçou a Copa em São Paulo. Deu bem corda, até o prefeito Kassab passou a falar bobagens. Agora o Lula aparece como salvador da pátria, como quem se importa com São Paulo... E o Serra?
– Realmente, o Serra está perdido. Acho que ele precisa aprender com o Lula a fazer campanha, está dando pena...
JOGOS
Passageiro da linha de Icoaraci, enquanto aguardava desolado passar pelo engarrafamento do Entroncamento, conversa com o amigo ao lado:
– Vais fazer hoje uma fezinha?
– Estou pensando...
– A Mega-Sena acumulou?
– Ainda não verifiquei.
– Hoje é dia de Loto-Fácil?
– Acho que é de Dupla-Sena ou Quina. Não sei. Só não jogo na Time-Mania, nem da Loteria Esportiva. Pequei um abuso de time de futebol por causa dos maus dirigentes.
– Por falar em jogos de azar, sabias que mais uma vez não passou a aprovação do Bingo no Brasil?
– Não passou, por quê?
– É que acham que o jogo de azar pode trazer sérios problemas à sociedade. Como tu sabes, o brasileiro não é um apostador inato nem o governo explora esse filão. Deve ser por isso que não há qualquer regulamentação no setor que gere a cobrança de impostos.
PROMESSA
Em mesa formada na Assembleia, o clube, um dos participantes, atento aos passos dos principais concorrentes à eleição presidencial, comenta:
– O que vocês acharam dessa nova medida, sugerida pela cúpula da oposição, do Serra divulgar um documento público para acabar com as maledicências que estão espalhando por aí?
– Mas quais são essas maledicências? – pergunta outro participante, pensando tratar-se de um novo escândalo.
– Que o Serra não continuará as políticas sociais do governo Lula.
– Ah, é isso?! Diz com cara de desapontamento o então interessado na conversa. – Trata-se da continuação do bolsa escola, bolsa família, bolsa trabalho, bolsa primeiro emprego, bolsa...
– É isso sim, enfatiza o primeiro. – Os dirigentes máximos da oposição atribuem o crescimento da Dilma ao medo das classes menos favorecidas de perder esses benefícios.
– Pois para mim – interveio outro participante que até então permanecera calado – não vai adiantar nada esse documento.
– Por quê?
– Vocês não se lembram que quando o Serra concorreu à Prefeitura paulistana, como todo mundo dizia que era apenas um trampolim para o Governo do Estado, ele assinou um documento, registrado em cartório, que não abandonaria o cargo de prefeito?
– Foi?
– Um ano depois, – como o Sahid Xerfan aqui em Belém que, diferentemente, não prometera ficar no mandato até o fim – o Serra era candidato a governador. Ele não vai querer que as pessoas se lembrem desse episódio.
KUIKURO
Em virtude do presidente Hugo Chávez, primeiramente, importar as urnas eletrônicas para vencer as eleições na Venezuela; depois criar uma taxa extorsiva para quem utilizasse a energia elétrica acima do que o governo estabelecesse, devido ao apagão gerado por falta de investimento no setor; e, agora, diante da disparada da moeda norte-americana, adotar um sistema de banda para o dólar paralelo, todas essas medidas também utilizadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Será que os mesmos economistas e burocratas, que perderam o emprego aqui no Brasil, estão agora aconselhando o presidente da Venezuela?
TELEBRAS
Um empresário da área de informática, madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, fala da recriação da Telebras com o amigo:
– O governo bateu o martelo. Vai colocar para funcionar de novo a velha Telebras. Com isso pretende resolver o problema do acesso da internet à banda larga (de boa qualidade) nas regiões remotas e carentes desse país.
– Explica melhor.
– Como tu sabes, nos dias atuais a inclusão digital é sinônimo de cidadania. As Teles, que hoje todas são privadas, não poderiam arcar com empreendimento deficitário de levar internet a quem não pode pagar. Daí o renascimento da Telebras.
– E os grandes empresários que substituíram a Telebras aceitaram isso pacificamente?
– As 3 grandes do país, não. Temem perder mais de 20 bilhões anuais em contrato com o setor da administração pública, o que prova que todo mundo vive mesmo é do governo. Vão à Justiça. Contrataram o advogado Carlos Ari Sundfeld, um dos autores da Lei Geral de Telecomunicações, e Floriano Azevedo Marques, consultor do governo na elaboração dos contratos de concessão da telefonia e do regulamento da Anatel. Mas, graças a Deus, eles foram importantes no governo FHC e não no do Lula.
– Por quê?
– Porque a Telebras vai utilizar os 1.700 provedores pequenos para levar às pessoas carentes e locais de difícil acesso a internet, colocando à disposição desses provedores financiamento pelo BNDES e a infraestrutura sensacional da empresa estatal.
– E...
– Adivinha quem é um desses 1.700 provedores?
MOLEQUES
Os dois excepcionais jogadores do Santos Neymar e Paulo Henrique Ganso, juntamente com bons coadjuvantes André e Madson, chegaram atrasados à concentração. Neymar, que acabou de comprar seu primeiro carrão, deu carona para os demais. Perguntados sobre o motivo do atraso pelo técnico Dorival Júnior, Madson se adiantou e falou:
– Nunca mais pego carona com o Neymar. Ele dirige muito mal e nos atrasamos.
Depois caiu na gargalhada. Não adiantou o bom humor, foram multados.
ACESSÍVEL
Bobloga, uma loura sarada, que odeia óculos por achar que lhe deixam com um ar intelectual mas os usa por não se adaptar às lentes de contato, traz os olhos rasos d’água, úmidos de tristeza. Uma colega, na academia de ginástica onde se encontram, indaga:
– O que é isso?
– É que eu descobri que sou muito, mas muito pobre.
– E há algum mal nisso?
– Ser pobre em si não, mas frustra os sonhos de consumo que eu tenho.
– O do marido?
– Pode ser, mas não foi nada disso. Na realidade, nas minhas paqueras pela internet me depararei com um anúncio de uma Ferrari em um sítio de uma grande empresa de telecomunicações. Claro que eu sei que uma Ferrari não é para o meu bico, mas a manchete dizia “Acessível”, e explicava que a montadora italiana queria tornar acessível sua marca, por isso tinha lançado a Ferrari 458 Itália.
– E o motivo dessa tristeza?
– Foi que eu me interessei e saí clicando na tela até aparecer o preço. Demorou um pouco, e que susto: R$ 1,5 milhão. Se isso é acessível, eu sou pobre, muito pobre mesmo.
– Bobloca – um pouco de bom senso – quem está doido é o sítio desse grande meio de comunicação. Isso não é acessível a ninguém, nem para quem é rico.
CORRETOR
Essa é do competente jornalista, Diretor de Redação do DIÁRIO, Gerson Nogueira, no programa Bola na Torre, depois da desclassificação do Clube do Remo para o Águia de Marabá:
– O presidente do Clube do Remo Amaro Klautau pode não ter conseguido nada no futebol, mas deve levar fácil o título de corretor imobiliário do ano aqui no Pará.
MESADA
Apesar de só ter 6 anos, o pai e a mãe resolveram instituir uma mesada para o filho. Ficou resolvido que seria R$ 20,00 por semana.
A criança, a princípio, gostou, mas com o passar do tempo, percebeu que com um sorvete, um picolé, uns bombons, o mesada não chegava até quarta-feira.
Sua mãe gostava de um shopping e sempre que podia levava o filho para o passeio. Entrava em loja, saía de loja e haja sacolas.
Numa dessa voltas, ao chegar em casa, interpela a mãe:
– O que tu fazes para o papai que ele não pára de te dar dinheiro?
PESQUISA
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite diz à colega:
– Querida, hoje não vais reclamar. Vou só encerrar aquela conversa sobre institutos de pesquisas. Garanto que só continuo querendo saber de modas, maquiagens, balangandãs. Mas não posso resistir a te dizer...
– Já sei, que os institutos não possuem os mesmo números...
– Não, não, pelo contrário, a Datafolha agora aponta na mesma direção do Sensus e da Vox Populi, apesar de antes insinuar que aqueles institutos não utilizavam critérios claros e sólidos para realizar suas pesquisas. Segundo o instituto paulista, agora há um empate técnico entre o Serra e a Dilma...
– Ótimo tu teres encerrado esse assunto. Agora vamos falar do casamento da nossa amiga... Mas antes quero te advertir: assim como estão hoje com os mesmo números, amanhã não se sabe...
EXPLORAÇÃO
A respeito do meu P. S. do último dia 23 sobre exploração infanto-juvenil no país, recebo manifestação de internauta que me leva a estender o assunto.
Concordo que essa exploração é cada vez maior e nada parece detê-la. As abordagens são as mais diversas. Todas, sem exceção, atribuem a quem pratica a agressão ou a exploração a culpa do problema.
Como disse, é triste olhar essas meninas e esses meninos expostos a tudo quanto é sordidez desse depravado mundo. A humanidade não mudou, continua do mesmo jeitinho. Se há uma maior exploração, é porque somos em muito maior número e alcançamos desenvolvimento tecnológico imenso que nos põe a par do que acontece em segundos.
A pergunta é: o que contamina o mundo? Muitos jornais, emissoras e revistas fazem, incessantemente, apologia da luxúria. Nossos jovens, estimulados pelo mundo de hoje, dançam com gestos que ontem seriam obscenos. Ao invés de simplesmente respeitarmos as diferenças, transformamos em orgulho o que para a maioria não é natural. A permissividade é tanta que ninguém sabe o que é uma dor moral. Vale tudo.
Jesus disse que não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai da boca.
Algumas pessoas, quando leem essa passagem, acham que o filho de Deus condenava quem falasse palavra de baixo calão. Pedro, também, não entendeu, mas Jesus explicou: “O que sai da boca vem do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.”
Infelizmente, apenas manifestações, congressos e simpósios adiantam muito pouco contra a exploração infanto-juvenil. A gente precisa falar os bons desígnios que vêm do nosso coração para as pessoas. Vamos começar com as de nossa família.
CHUVA
“Nada melhor para purificar a alma do que uma chuva torrencial. Saímos lavadinhos, transparentes, desencardidos”.
O pensamento, mais atual do que nunca, é da escritora Sylvia Helena Tocantins. Está no premiado livro “Devaneios Tocantinos” de outra imortal da nossa Academia de Letras: Edy Lamar D’Oliveira.
P. S.
Faz algum tempo, alguém comentou comigo que a comunidade científica, no século XIX, havia percebido que não poderiam ser compreendidos pelo homem alguns mistérios como a vida, a origem do universo, o que há além dos nossos sentidos... Decidiu-se, então, retomar Protágoras e restabelecer o homem como medida de todas as coisas. Alguns, mais fundamentalistas, como Augusto Comte, criaram a Igreja da Ciência. Absurdo!? Nem tanto, o mundo parece continuar a abraçar esse disparate.
Saiu em todo canto: o homem conseguiu criar a primeira forma de vida artificial. Para mim, todos os avanços da medicina e das pesquisas permanecem sempre na esfera da ética. São bons ou maus para a humanidade? Se forem bons, deve haver a continuação dos estudos. Não gosto, apenas, da arrogância do homem quando anuncia o feito.
O homem sempre quis ser adorado. Não é de hoje que se tenta elevar o homem à categoria de Deus. Isso se chama apoteose. Na Roma Antiga, era marcada pelo voo de uma águia, desde o leito fúnebre até a morada celeste dos deuses. Julio César foi o primeiro a receber o qualificativo de “divinus” pelo Senado Romano. Continuamos com essa história de tornar o homem divino.
Na realidade, o homem não transformou nada inanimado em vida. Ele simplesmente manipulou, pela primeira vez, as moléculas de sequências do DNA de um genoma, determinando as características do organismo. Pode ser um grande feito, mas não é vida como nós, leigos, entendemos vida.
O início disso foi na agricultura há milênios, evoluiu para a criação de vírus, o que é perigoso, e agora chega à célula. Precisamos de um pouco mais de humildade.
Espero, contudo, do fundo do coração, que esse passo da genética possa salvar muitas vidas. Sem tanta arrogância, por favor. / HG
Em uma mesa formada na Assembleia, o clube, um dos participantes coloca a seguinte questão para os outros amesendados:
– Depois da inauguração do elevado Daniel Berg, missionário sueco que fundou a Assembleia de Deus no Pará, pode se fazer bem uma comparação entre os principais candidatos, até agora declarados, ao governo do Estado.
– Explica isso melhor, diz outro participante da mesa.
– Bem, é que agora nós temos aqui em Belém a marca de cada um dos candidatos.
A Ana Júlia, que busca a reeleição, priorizou o tráfego, a urbanização da cidade, ao construir um elevado e buscar outra saída, além da Almirante Barroso, para quem mora em Belém. Já o Jatene, que também já foi governador, apostou suas fichas no Hangar e no turismo. Claro que um governo não se restringe apenas a uma obra, mas já é uma comparação. Até porque, em ambos os casos, essas obras foram finalizadas no final do primeiro mandato e são marcas da administração de cada um dos governantes.
– Mas o Jatene também fez os hospitais regionais, diz outro.
– Que a Ana Julia teve de equipar e botar para funcionar – protesta o seguinte.
Além do mais, a relação do Jatene com a Vale não servia de nada para o Estado, já no atual governo houve a tão prometida siderúrgica que transformará o Pará...
O que começou a conversa saiu de fininho temendo que os ânimos se exaltassem ainda mais.
PIRATAS
Enquanto aguardava na fila de triagem de seu plano de saúde a autorização para se submeter a um novo exame, aposentado fala para a pessoa ao lado:
– Estou preocupado com a decisão holandesa de apreender a carga de remédios genéricos enviada da Índia para o Brasil.
– Por quê?
– Porque os remédios de marca são muito caros e isso vai afetar ainda mais a minha combalida aposentadoria...
– Não é isso. O que eu quero saber é por que a Europa apreendeu a carga?
– Eles alegam que está havendo falsificação de remédios europeus, mas no fundo só querem defender os interesses de seus laboratórios, impedindo a livre circulação de outros remédios. Os fretes ficarão muito mais caros se não passarem pela Europa.
– E isso pode?
– Teoricamente, não. Mas é bom lembrar que quem inventou a pirataria foram os europeus. Alguns governos chegaram a financiar esse tipo de expedições, mas aí denominaram os assaltantes de corsários.
– Engraçado. E esses caras ainda se queixam dos chineses...
CHATO
O verdadeiro chato, chato ímpar, sem par, é aquele que vive chateado sem ninguém a chatear.
A afirmação está no site do jornalista Millôr Fernandes.
FILOSOFIA
Em tempo de grande discussão sobre questões ligadas à natureza, a Ufpa sediará, de 25 a 27 próximos, encontro internacional para abordar o assunto de forma filosófica.
Será o “Simpósio de Filosofia Nietzsche / Deleuze: Natureza / Cultura”.
Entre as palestras, “Que natureza queremos?”.
O professor Benedito Nunes receberá homenagens na abertura do evento.
DESMEMBRAMENTO
Passageiro da linha de Icoaracy, enquanto aguardava desolado o engarrafamento no Entroncamento, para ajudar o tempo a passar mais rápido, puxa conversa com o amigo:
– Pelas últimas notícias que li, acho que o Jatene é favorável ao desmembramento do Estado.
– Deixa de ser maluco, – diz o amigo – o Jatene jamais seria favorável ao empobrecimento do Pará. Ele jamais deu essa declaração, não admito...
– Calma! Calma! – interveio o primeiro. Não precisa se exasperar. O ex-governador jamais deu essa declaração, mas as suas atitudes me dão essa impressão.
– Como assim?
– É que desde o começo do ano o Jatene, na caravana “O Pará que Queremos”, tem viajado pelo interior...
– No que faz muito bem, interrompe o amigo.
– Acontece que até o presente momento só foi a municípios do nordeste paraense, bem próximos da Belém, justamente dentro dos limites que os estrangeiros querem deixar o Pará. Vai daí...
SOLENIDADE
Alonso Rocha, presidente da Academia Paraense de Letras, vai presidir a solenidade do próximo dia 27 (quinta-feira), quando Sarah Rodrigues tomará posse na cadeira 28, patrocinada por Leopoldo Souza e que teve José Ubiratan Rosário como o último ocupante.
A nova imortal será saudada pelo acadêmico Avertano Rocha.
A sessão especial da APL começará às 20 horas e será realizada na sede da tradicional instituição à rua João Diogo.
MARQUETEIRO
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite diz à colega:
– Querida, eu sei que vais reclamar. Garanto que só continuo querendo saber de modas, maquiagens, balangandãs. Mas não posso resistir a te consultar sobre as declarações dadas pelo dono de um dos mais famosos institutos de pesquisa...
– Tu não desistes mesmo...
– Depois de falar aquelas coisas de praxe sobre a Dilma, de que ela tem uma imagem superficial sustentada pelo Lula, umas obviedades sobre a Marina, afirmou que para o Serra vencer a eleição, ele deve falar sobre o seu período no Ministério da Saúde do FHC, relembrar que lançou os genéricos no Brasil e – o que é inacreditável – elogiar o presidente Lula.
– Bem, eu acho...
– Ainda não acabei, interrompe a socialite. – Eu fui perguntar à minha secretária sobre os genéricos. Ela disse que não sabia quanto custava porque ia sempre na Farmácia Popular do Lula adquirir seu remédio de diabetes e pressão alta.
– E daí?
– E daí que eu quero saber é em que mundo esse dono de instituto de pesquisa vive?
– O mundo eu não sei. Quanto às eleições, vamos esperar o resultado.
No consultório, paciente idoso é informado que não poderá continuar usando nada tipo viagra porque é incompatível com sua medicação para um grave problema cardíaco. Essa combinação levará a grande risco de morte.
O paciente pensa na mulher bem mais nova que lhe espera em casa e, de pronto, declara ao médico:
– Doutor, se as duas drogas são incompatíveis, vou usar uma só como o senhor está me recomendando, já entendi que ou é uma ou é a outra. Mas a escolha entre as duas é minha e de mais ninguém...
TOLO
Podem me chamar de tolo por acreditar em Deus, mas tolo de pequeno é aquele que acredita no Homem.
CORDEIRIUS
Morador de uma cabana de sapé e de galhos, construída pelas próprias mãos, às margens do Amazonas, Cordeirius – um neo-anacoreta adepto da cientologia, que passa suas horas doutrinando e praticando sua religião com os poucos ribeirinhos que lhe chegam à busca de luz – resolveu sair, mais uma vez, de sua reclusão para prevenir o povo contra a fúria da natureza:
– Não digam que eu não avisei – brada nosso neo-anacoreta–, as 5 hidrelétricas planejadas para a região do Tapajós afetarão 871 Km2 de áreas protegidas de florestas. Isso equivale a 1/3 da cidade São Paulo. Será o caos, o fim da rica fauna, da exuberante flora daquela região.
– Mas mestre, – pergunta um aluno – por que essas hidrelétricas nos levarão ao caos, à morte, se São Paulo inteira, que desmatou, expulsou os índios, destruiu a fauna, e, ainda por cima, fez do Tietê um rio de cocô (como disse a Rita Lee), é, para muitos, a maior, mais rica e melhor cidade brasileira?
O mestre não pode escutar a intervenção do discípulo, pois já havia retornado à sua reclusão.
LIVRO
Nelly Cecília Rocha, imortal da nossa Academia paraense, dedicou-se aos estudos da obra da escritora Lygia Fagundes Telles. Um detalhe: Lygia é imortal da Academia Brasileira de Letras. Amanhã, às 17h30, na sede social da Assembleia Paraense (o clube) da Presidente Vargas, Nelly lançará seu livro sobre Lygia, com o selo da Universidade da Amazônia.
LITERATURA
Comentário de um professor de literatura na sala de aula:
– Mas o Fernando Henrique não perde mesmo uma chance de aparecer! Gente, o FHC vai se exibir na badalada Festa Literária Internacional de Paraty, a famosa “Flip”, como palestrante principal?!
KUIKURO
Diante das revelações dos bastidores da eleição do novo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, que culminou com a escolha do deputado Luiz Cunha, na qual o deputado Zenaldo Coutinho dizia que quem votava no deputado Júnior Age, filho da conselheira do Tribunal de Contas do Município Rosa Hage (escolhida pelo então governador Almir Gabriel), votava no PSDB, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Será que o candidato da cúpula do PSDB era mesmo o deputado André Dias ou será que o seu preferido, por baixo dos panos, era o deputado Júnior Hage?
TRUNFO
Para experiente analista político, que emitia seu ponto de vista em animada mesa no restaurante Avenida, José Serra tem um trunfo na campanha eleitoral: dizer que tudo de bom que o Lula fez, nos oito anos, os tucanos já tinham pensado e queriam fazer bem antes, mas os petistas do Congresso não deixavam.
ICTIÓLOGIA
Bobloga, uma loura sarada, que odeia óculos por achar que lhe dar um ar intelectual, mas os usa por não se adaptar às lentes de contato, traz na mão esquerda um caniço e na direita iscas artificiais. Uma colega, na academia de ginástica onde se encontram, indaga:
– O que é isso?
– É que eu – que não sou boba nem nada – vou tentar pescar um marido, desses que possuem um iate maravilhoso, no rio Xingu.
– Mas, por que essa pressa?
– É que eu ouvi um ictiólogo...
– Ict... o quê?
– Ictiólogo, o cara especialista no estudo do peixe. Pára de me interromper, me deixa vender o meu peixe. Pois bem! Eu ouvi um ictiólogo asseverar que em vários trechos do Rio Xingu, com a construção de Belo Monte, a vazão do rio vai diminuir tanto que a água vai ficar muito rasa, e ainda mais quente do que é. Ele afirmou que ia virar uma sopa de cascudo.
– O que é cascudo?
– Cascudo é um peixe. Aí eu pensei, se vai virar sopa, é bom eu aproveitar para capturar meu marido antes que os pobrezinhos dos peixes virem comida. Quem tem iate não come sopa de cascudo.
AMBIÇÃO
Por que essa ambição desenfreada, / esse egoísmo louco / que nos retalha a própria consciência / esquecendo a criança, / o bem maior do mundo?
Versos da professora, escritora e amiga Celeste Proença.
P. S.
A semana que passou foi repleta de manifestações, congressos, simpósios, notícias contra a exploração infanto-juvenil neste país. Mas ela é cada vez maior. É triste olhar essas meninas e esses meninos expostos a tudo quanto é sordidez desse depravado mundo.
Madrugador da Doca, que até então acreditava na palavra de seu médico que garantia ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, conversa com amigo:
– Começo a me preocupar com a carga de exercícios que faço.
– Por quê? Indaga o amigo.
– Viste a notícia que o jogador Fred do Mesquita, clube de futebol do Rio de Janeiro, morreu de parada cardiorrespiratória durante a disputa de um jogo pelo campeonato da Série B daquele Estado?
– Vi, sim. Uma pena. Mais um para essa triste estatística. Fred chegou a disputar jogos pelo Paysandu em 2006. É impressionante como ficou comum, hoje em dia, a morte de jogador durante as partidas.
– Pois é. Isso me trouxe à memória que quando o jogador Serginho do São Caetano morreu ao vivo e a cores no campeonato de brasileiro, houve uma campanha para prender os dirigentes, médicos, além de rebaixar aquele clube paulista, porque não tinha nem ambulância nem desfibrilador no estádio para socorrer o rapaz.
– E daí?
– Daí que esse papo de que aquelas providências salvariam o Serginho é a mais pura balela. Quem tem problema no coração simplesmente não pode ser jogador profissional!
– Bem, eu não sou profissional, mas vou já fazer um checkup para ver se posso continuar com meus exercícios. Mais vale prevenir.
BONDADE
Um universitário, em uma roda no campus formada com diversos outros estudantes, se mostrava surpreso com as manifestações na Grécia:
– Estou impressionado. Os gregos simplesmente não aceitam as medidas de arrocho tomadas pelo governo recém-eleito para que a União Europeia e o FMI emprestem dinheiro e a Grécia não entre em moratória. Fazem passeata, enfrentam a polícia, matam e morrem.
– É verdade, diz outro participante da roda. – Aqui, quando o Brasil quebrou, nos disseram que as medidas de arrocho eram para nosso bem, além do mais seria desonestidade deixar de pagar o dinheiro dos juros, mesmo que esses juros fossem de dar vergonha a qualquer agiota. Como cordeiros, aceitamos tudo, sem qualquer protesto.
– O engraçado é que a Alemanha, maior economia da Europa, não queira emprestar o dinheiro de jeito nenhum. Acabou cedendo e, juntamente com outros países – inclusive com a modesta contribuição do Brasil do Lula – colocará à disposição da Grécia um aporte financeiro substancial para socorrê-la.
– Legal o Brasil poder ajudar a Grécia, diz outro estudante que acompanhava a conversa. – Quer dizer que os gregos vão poder retomar o crescimento econômico com esse empréstimo?
– Não, não... Vão apenas ficar mais endividados, pois todo o dinheiro vai para pagamento dos credores que, por uma incrível coincidência, moram nos países que vão emprestar dinheiro.
– Deixa ver se eu entendi, – diz o estudante que estava feliz pelo Brasil poder ajudar o país berço da filosofia ocidental – quer dizer que os bancos não podem quebrar sob pena de colapso mundial, já o povo pode morrer à vontade e tudo bem...
IGUALDADE
Todos os homens são iguais perante a ausência de leis.
A expressão está no site do jornalista Millôr Fernandes.
CÉSAR
Dois amantes da sétima arte não veem a hora de começar o Festival de Cannes, na França. Um diz para o outro:
– Cannes não é igual àquela coisa pasteurizada de Hollywood. Esse ano o imbróglio começou cedo.
– Por que tu dizes isso?
– Pela inclusão do documentário “Draquila – L’Italia che trema” de Sabina Guzzanti.
O filme trata de como o primeiro ministro Berlusconi utilizou-se de um terremoto que devastou a cidade de L’Aquila para vencer as eleições. A cineasta fala também de corrupção. O ministro da cultura italiano protestou contra a inclusão do filme e já avisou que vai boicotar o evento.
– Eu, se fosse o Berlusconi, não me importaria muito com isso.
– Como não? A imagem do Primeiro Ministro, que já não é lá essas coisas, vai ficar muito pior.
– Olha, há uma antiga tradição italiana de se falar mal dos governantes. Suetônio, um historiador dos tempos gloriosos de Roma, escreveu uma obra intitulada “A Vida dos 12 Césares”. Os atos de governo foram muito pouco abordados. Em compensação, as vidas privadas dos imperadores foram totalmente expostas: as verdades e os exageros.
Daí a fama atual de devassos dos Césares e de suas orgias em Roma. Hoje, são os filmes que ocupam esse espaço do Suetônio.
– É mesmo? Será que daqui a 2 mil anos, Berlusconi terá, como os imperadores romanos, uma fama de grande homem, além da atual fama de devasso?
CASA
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite diz à amiga:
– Querida, eu sei que já não deves aguentar minha conversa. Eu garanto que só continuo querendo saber de modas, maquiagens, balangandãs. Mas eu li uma notícia...
– Pelo amor de Deus, querida, não venha me falar de institutos de pesquisa.
– Não, não é nada disso. É assunto internacional. Sabe aquele paquistanês que deixou uma Nissan Pathfinder na Time Square em New YorK cheia de fogos de artifícios, tanques de propano, gasolina, fertilizantes e dois relógios...
– Eu odeio terroristas. Lembro até do nome dele: Faisal Shahzad. Mas acho que ele é um amador. Até eu, se quisesse realmente explodir aquele carro, simplesmente acenderia um fósforo e pronto. A prisão dele também é de quem não quer escapar.
Toma, em Nova York, um avião para Dubai, dois dias depois da tentativa de mandar pelo ares aquele espaço de Nova York. Acho que ele queria mesmo era aparecer.
– É justamente isso que eu queria dizer. Pelo que eu soube, ele andava meio depressivo, pois havia, como muitas pessoas nessa crise nos Estados Unidos, perdido a casa onde morava. Se fosse aqui no Brasil, isso não ocorreria.
– Por quê?
– Bastava ele se inscrever no programa “Minha Casa, Minha Vida” e os problemas dele estariam resolvidos...
KUIKURO
Diante da declaração do presidenciável Serra de que aos 68 anos de idade não é um candidato nem da oposição nem da situação, é um candidato do futuro, um índio a tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– O candidato não deve ser do presente, para resolver os problemas atuais do país que não são poucos, ou será que ele quis dizer que é um candidato sem futuro?
BAGRE
Em longa entrevista na última semana, o senador Edison Lobão, ex-ministro das Minas e Energia, declarou que a usina de Belo Monte é empreendimento indispensável para o país. As declarações, evidentemente, não foram bem recebidas pelos ambientalistas, especialmente porque o entrevistado afirmou em tom jocoso que os bagres do rio Madeira têm sido tão bem cuidados pelo poder público que já estão custando mais caro do que todo o bacalhau da Noruega.
Informante desta página assistiu debate sobre o assunto em barzinho com mesas na calçada, mas disse que preferiu não se pronunciar quanto à comparação entre bagre e bacalhau, até porque o tira-gosto era de filhote.
VAZAMENTO
Em uma mesa formada na Assembleia, o clube, um dos participantes pede a palavra para se solidarizar com os norte-americanos: – Eu, que sempre me levantei contra essa exploração indiscriminada dos recursos naturais, quero dizer que estou muito preocupado com essa mancha de óleo que atinge toda a costa sul dos Estados Unidos.
– Realmente, é estarrecedor saber que lá no primeiro mundo não há tecnologia para estancar um vazamento na plataforma em alto mar. Isso é muito preocupante. A maior parte de nosso petróleo é extraída no alto mar. Já tivemos uma série de acidentes, mas felizmente nenhum nas proporções desse do Golfo do México.
– Imaginem – entra outro amesendado na conversa – a possibilidade de acidentes quando começarmos explorar o pré-sal lá nas profundezas abissais do oceano Atlântico.
O engraçado é que não há nenhuma entidade preocupada com os possíveis danos ao meio ambiente na exploração do pré-sal, enquanto em Belo Monte, onde jamais poderá ocorrer um acidente dessas proporções, é um Deus no acuda contra a usina.
– Mas é diferente, diz um gaiato que escutava tudo atentamente. No Brasil, nem todos os estados litorâneos seriam atingidos por essa mancha negra. Somos muito mais inteligentes que os gringos.
– Por quê?
– Ora, como todo mundo sabe, há uma lei de royalties justamente para compensar os danos ambientais causados por possíveis acidentes. Se acontecesse o acidente nas profundezas abissais do oceano, é lógico que a mancha de óleo ficaria circunscrita aos litorais dos estados que recebem os royalties, os demais ficariam livres. É o que diz a lei brasileira.
IRONIA
Passageiro da linha de Icoaracy, enquanto fitava o prédio da Seduc ao trafegar na Rodovia Augusto Montenegro, comenta com o colega de assento:
– Reparaste como a governadora trocou o comando da Secretaria de Educação pela quarta vez nesse mandato. A média, se ficarmos por aqui, será de um secretário a cada ano de governo.
– Eu tenho acompanhado e acho tudo tão irônico.
– O que é irônico?
– Se me perguntassem, no começo desse governo, onde não haveria e onde não haveria problemas, eu diria, sem medo de errar, que na área da Educação e da Saúde teríamos avanços, enquanto na área econômica empresarial teríamos impasses.
– Parece que ninguém consegue lidar com os sindicatos, nem o próprio PT. É a criatura engolindo o criador.
RIDÍCULO
Um torcedor bicolor desabafa para um amigo remista:
– Eu precisei viver até hoje para assistir àquela palhaçada no Mangueirão no jogo Paysandu e Remo. Foi pior do que Flamengo e Grêmio, que decidiram o Brasileirão.
Aqui há uma rivalidade, se a torcida entender que os jogadores e dirigentes estão arrumando o resultado, o futebol de Belém vai acabar. Não adianta dizer que foi pela renda. Ridículo.
– Concordo contigo, diz o remista. – E para completar a semana, o Dunga faz uma convocação ridícula. Deixa de fora da Copa o Ganso, Neymar e o Ronaldinho Gaúcho!
Quer dizer: ele pode até ganhar o mundial, mas não vai ter graça alguma... No caso do Dunga, pelo menos pode se dizer que ele foi coerente. Meio de campo medíocre quando jogador, uma seleção medíocre enquanto técnico.
– Certo está o Millôr que diz “coerente é uma pessoa que nunca teve outra ideia”.
CENSURA
Bobloga, uma loura sarada, que odeia óculos por achar que lhe dar um ar intelectual mas os usa por não se adaptar às lentes de contato, traz na mão um documento da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), que busca na Justiça, com a ajuda do Ministério Público, o controle dos sítios jornalísticos na internet. Uma colega, na academia de ginástica onde se encontram, indaga:
– Por que estás lendo isso?
– Eu ando preocupada com que a Abert vai fazer com meu blog. Já imaginaste se alguém resolve dizer o que posso ou não posso escrever lá? Não vou poder achar o homem ideal para mim.
– A Abert não quer te controlar.
– Claro que não, estou brincando. A verdade é que ela não quer perder o controle sobre a opinião pública. Com o advento da internet está cada vez mais difícil controlar a notícia. E notícia é poder. A Abert, que tanto defendeu a liberdade de imprensa, deveria acompanhar os tempos e deixar a internet em paz.
P. S.
A Grã Bretanha escolheu na semana passada seu novo primeiro ministro: David Cameron. Aos 43 anos de idade, este jovem senhor estudou na mesma escola dos príncipes herdeiros do trono inglês, graduando-se na Universidade de Oxford, licenciado em Filosofia, Política e Economia. Evidentemente, é um conservador.
Além de um currículo extravagante à carreira de político, – que aqui no Brasil o remeteria para estudos acadêmicos, jamais à política – Cameron defende um sistema nacional de saúde comandado pelo Estado. Esta posição é uma verdadeira heresia aos ideais conservadores atuais.
Acontece que seu filho mais velho, Ivan, sofria de paralisia cerebral e epilepsia.
Morreu em 2009 aos 6 anos de idade. A dor humanizou David Cameron.
Não acredito – nem defendo – a necessidade de todo homem passar por um drama terrível como o David Cameron para entender que qualquer cidadão possui direito de ter um sistema de saúde eficiente e gratuito que o apoie nos momentos de angústia e aflição.
A saúde brasileira está um caos. E consegue ficar cada vez pior. As providências tomadas, nos últimos anos, restringiram-se a privatizar o sistema. Foram criadas organizações sociais para gerir os hospitais, houve a terceirização de quase todos os serviços na área de saúde. Resultado: escândalo em cima de escândalo, e o atendimento cada vez pior.
Temos de parar com essa história imbecil de que tudo deve gerar lucro. O lucro deve ser almejado pelo empresário. O dever do Estado é cuidar do cidadão, é prover saúde a quem precisa, não é possível que seja necessário que todo político, dirigente ou profissional da saúde tenha de passar por uma dor terrível para se tornar humano e cuidar das pessoas.
Em roda formada no átrio do Fórum Cível, um advogado pede vênia para consultar os colegas: – O que vocês acharam da decisão do Supremo que, acompanhando o voto do Ministro Eros Grau, manteve inalterada a Lei da Anistia?
– Um absurdo, indigna-se um advogado mais moço. – Com é possível deixar livre, leve e solto quem torturou? Todo mundo está chocado com essa decisão.
– Pois eu tenho uma opinião diversa, diz um advogado mais maduro. – Posso garantir que a grande maioria das pessoas que viveu aquela época, e hoje quer a punição dos torturadores, foi responsável pela sustentação do regime e esteve do lado de quem permitia a tortura e, no pior dos casos, ao lado do torturador. Eram comitivas e comitivas para se pedir a punição de quem era contra o regime.
– Mas não é por isso – interrompe o advogado novo – que deva ficar impune quem praticou a tortura.
– Eu não defendo a impunidade, – retoma o advogado mais maduro – mas não quero ver de novo uma caça às bruxas. Punir velhinhos e idosos, por supostas torturas cometidas há mais de 30 anos, é covardia, como também foi covardia a maioria da população ficar do lado de quem torturava. Um erro não justifica o outro. Há uma inclinação, talvez pela violência que assola o país, pelo linchamento das pessoas nos dias atuais. Para todo crime há prescrição, ou melhor, perdão.
PARCIALIDADE
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite diz à amiga:
– Querida, Je suis désolée, Jean Louis Dumas est mort à Paris...
– Deixa de presepada. Quem morreu?
– O herdeiro e responsável pela direção da nossa Hermès por cerca de 28 anos. Uma pena. Bem, deixemos de lado as conversas fúnebres. Eu continuo jurando pela fé da mucura que só quero saber de modas, maquiagens, balangandãs. Mas eu li uma notícia – e aproveitando que tu és casada com um político – que não entendi. Talvez tu possas me iluminar.
– Se eu puder...
– O “Time”, aquela revista famosíssima americana, escolheu o Lula como o líder mais influente do mundo. Colocou-o na capa. Algumas horas depois, um meio de comunicação paulista – aquele mesmo que vem confundindo minha cabeça com os institutos de pesquisa– desmentiu a revista, dizendo que o nosso companheiro presidente era “apenas” um dos 100 mais influentes. No dia seguinte, vários articulistas trataram de diminuir a escolha. Achas que o fato está relacionado às próximas eleições?
– Em princípio, eu não acho nada. Posso apenas acrescentar que a campanha do candidato oposicionista à Presidência da República possui um novo assessor de imprensa oriundo desta mesma empresa de comunicação. Vai ver alguns da imprensa não são tão imparciais quanto nos querem fazer crer...
ACADEMIA
Alonso Rocha – além de príncipe, também é presidente – lidera a diretoria da Academia Paraense de Letras que tomou posse na última segunda-feira. O vice-presidente é Antônio José de Mattos.
Compõem também a diretoria do biênio 2010-2012 os acadêmicos Edy-Lamar D´Oliveira (1ª secretária), Clóvis Malcher Filho (2º secretário), Benedito Wilson Sá (diretor de finanças), Denis Cavalcante (diretor da biblioteca) e Júlio Victor Moura (diretor de arquivo).
Há um trio na comissão de contas da APL: Hilmo Moreira, Alcyr Meira e Izabel Benone.
A revista da Academia tem comissão própria: Nazareno Tourinho, Sylvia Helena Tocantins, João Carlos Pereira, Agildo Monteiro e Octavio Avertano Rocha.
FEROMÔNIO
Bobloga, uma loura sarada, que odeia óculos por achar que lhe dar um ar intelectual mas os usa por não se adaptar às lentes de contato, trás na mão esquerda um copo com uma mistura um tanto estranha, que de vez em quando leva aos lábios. Uma colega, na academia de ginástica onde se encontram, indaga:
– O que é isso?
– O cabelo louro? Já te expliquei...
– Não! O conteúdo desse copo, nunca foste chegada a tomar esses energéticos. Isso faz mal...
– Não é nada disso. Foi que eu descobri que até o levedo, um organismo de uma só célula, escolhe seus parceiros para procriarem. São a qualidade e quantidade de feromônio emitido por um órgão lá que governa a reprodução...
– Feromônio? O que é isso?
– São substâncias químicas emitidas pela maioria dos animais e alguns vegetais, e que agem entre os indivíduos de uma mesma espécie, transmitindo a outros organismos daquela espécie informações que têm um papel enorme na atração sexual...
– Pode parar! Chega! Não sei como pude viver até agora sem saber disso. Mas vamos ao que interessa: o que tem tudo isso a ver com essa bebida?
– É que eu continuo à procura de um marido. Essa bebida deve aumentar a minha produção de feromônio...
EIDORFE
“Por mais variadas e complexas que sejam as suas manifestações, a cultura corresponde, geograficamente considerada, à satisfação de duas necessidades fundamentais do homem perante o meio natural: a necessidade de se acomodar e a de dominar esse meio. Ambientação e superação – tal é o binômio do seu processo geográfico”.
No trecho de sua obra “Ideias para uma Concepção Geográfica da Vida”, Eidorfe Moreira abordou tema muito debatido nos dias atuais: a relação entre o homem e a natureza.
A Escola Bosque, fundação municipal de Outeiro que tem o nome do professor, está acertando os detalhes visando à realização do “Fórum Eidorfe Moreira” para marcar o aniversário de 15 anos da instituição da Prefeitura de Belém. A programação será importante passo com vistas à comemoração do centenário de Eidorfe em 2012.
PRIORIDADE
Passageiro, que vive na ponte aérea Belém-Rio, encontra com amigo no Aeroporto de Val-de-Cans.
Para matar a ansiedade do voo, puxa conversa:
– Estou satisfeito com a Infraero. Depois daqueles acidentes, ela cuida cada vez mais da nossa segurança.
– Qual a providência que ela tomou? – pergunta o amigo.
– Reservou 80 milhões de dólares para comprar 80 novos carros de bombeiros para os principais aeroportos brasileiros.
– E tu achas isso bom?
– Claro. Teremos uma equipe mais eficiente para nos socorrer em caso de acidente.
– Pois eu preferia que ela investisse em equipamentos que possibilitassem o pouso das aeronaves quando não há visibilidade. Até outro dia, só um aeroporto brasileiro possuía tal equipamento.
– Acho que tens razão, – diz o ansioso passageiro – é bem melhor evitar o acidente do que, depois de ocorrido, socorrer. Mas o que será que não permite a Infraero investir no que é prioridade?
KUIKURO
Diante da explosiva declaração do candidato tucano de que o Estado não deve legislar sobre a união homossexual na Igreja, um índio da tribo Kuikuro do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Mas o Brasil não é um Estado laico e está assegurada na Constituição a liberdade de culto, ou seja, não é vedado ao Estado intrometer-se em questões religiosas?
SAUDADES
Madrugador na Doca por acreditar na palavra do médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, um empresário demonstra preocupação com a economia brasileira, e diz ao amigo:
– Primeiro, o Henrique Meirelles dá um série de entrevistas garantindo que o viés dos juros é de baixa. Aí vem o Banco Central e... pimba, os aumenta estupidamente. Depois é o Mantega – engraçado como só nessas horas nos apercebemos que ele é ministro – que ameaça tomar medidas para conter o crescimento econômico do país. Eu não aguento mais. Não dá para ser feliz.
– Pára de reclamar, diz o amigo. – Eles estão fazendo isso para conter a inflação e garantir o Real. É para o nosso bem.
– Pena que isso seja só no Brasil. Vê se a China, Índia ou Rússia, só para citar países parecidos que crescem muito mais, tomam essas medidas. E pensar que Brasil saiu da crise mundial com o mercado interno.
– Pensando assim, – finalizada o amigo – é o caso de sentir saudades do que nunca tivemos (talvez houvesse no tempo do Juscelino): medidas perenes que realmente incentivem o nosso crescimento econômico.
RENÚNCIA
Para um dos participantes de uma mesa formada na Assembleia, o clube, o Almir Gabriel parece se importar mais com o fracasso do Jatene do que com qualquer outra coisa:
– Vocês reparam, na última entrevista do Almir, que o único pensamento dele é impedir a candidatura do Jatene?
– Isso já deu para sentir faz tempo. Desta vez ele ironiza o PSDB dizendo que está gagá. Aliás, é assim que muitos dos antigos aliados se referem ao próprio Almir.
– Só que desta vez – retoma o primeiro amesendado – ele introduziu um novo dado. Garante que o Jatene não vai ser candidato até o fim. Diz que o Simão não tem saúde.
– Eu apenas concordo que o ex-governador conhece bem esses fatos.
– Não entendi. O que queres dizer?
– Ele conhece muito bem tanto o temperamento do Simão Jatene quanto o tema renúncia.
AVALIAÇÃO
Durante a semana, a Semec realizou avaliação para os alunos dos ciclos da terceira e quarta séries das redes municipais, abordando questões de língua portuguesa e matemática.
O programa, voltado para o ensino fundamental, envolve todos os professores municipais atuantes nessas séries, em parceria com os professores que usam a informática nas escolas públicas como recurso de aprendizagem.
O foco na aprendizagem das crianças é a característica principal do trabalho de formação dos professores da Semec.
EIXO
Um torcedor bicolor comenta com outro:
– Eu que tantas críticas fiz ao temperamento do atual presidente do Paysandu tenho de reconhecer que administrativamente as coisas caminham bem.
– Por quê?
– Primeiramente construiu um novo lance de arquibancada, camarotes, que há muito se reclamava na Curuzu. Agora estão finalizando as necessárias reformas no Ginásio Moura Carvalho. Vão partir, depois, para um novo parque aquático. Sei que não faz nada sozinho, mas é de se louvar toda direção do clube bicolor. Só falta o futebol entrar no eixo.
– Por falar em construções, – diz o amigo – e as obras da Copa que não andam? A Fifa está uma arara.
– Ela pode estar, mas sem razão. Se conhecesse o Brasil, saberia que só há possibilidade das obras andarem depois da posse dos novos governadores. Essa história de iniciativa privada, nesse país pelo menos, é conversa para boi dormir.
P. S.
Há certas reações que são inesperadas. Tenho uma neta que se encontra afastada, por razões acadêmicas, do Pará faz algum tempo. Ela ligou para a família no cair da noite do domingo anterior, mandou chamar o pai e disse: “Estou de peito lavado. Depois de tantos anos, um gesto que me fez ter orgulho de ser do Pará.” Pode parecer incrível, mas minha neta, ao assistir o final do jogo Santos contra o Santo André, tinha se emocionado com o Paulo Henrique Ganso, o jovem paraense que se rebelou contra o treinador e o mandou substituir outro jogador, porque ele não sairia de jeito nenhum. Imponente, ficou no campo da batalha, e, como César, venceu.
O Pará, na época colonial, não era Brasil, reportava-se diretamente à Coroa Portuguesa, foi anexado por D. Pedro I, em 1823. Não sei se isso tem alguma coisa a ver, mas o fato é que ao longo dos anos fomos sempre preteridos nas decisões do governo central. Nos anos 70 a riqueza era nossa, mas o minério ia (continua indo) para o Maranhão e a energia para o Nordeste. Atualmente o estado preferido, para ficar com o que um dia foi nosso, é o querido vizinho mas isolado Amazonas.
Não sou contra dividir a riqueza, o difícil é ficar só com os problemas, a poluição e a miséria.
A sociedade civil paraense acostumou-se a perder, a se ver desmembrada e preterida. Agora mesmo um pequeno número de estrangeiros quer tirar toda a riqueza, sem qualquer exceção, deste Estado, sob o pretexto de que mais um desmembramento da nossa terra será melhor para todos.
A sociedade civil precisa reagir, da mesma maneira que o jovem Paulo Henrique rebelou-se contra a decisão estúpida de um técnico que queria pôr tudo a perder. É um exemplo para minha neta, para todos nós. Devemos rebelar-nos contra ideias estúpidas e prejudiciais aos verdadeiros interesses dos paraenses, ficar no campo de batalha, lutar, e, como o Paulo Henrique Ganso, vencer. / HG
P. S. do P. S.
Que Deus, na sua infinita misericórdia, abençoe e proteja todas as mães.
Feliz Dia das Mães!
– Dessa vez vamos estreitar os laços comerciais com a Colômbia. O candidato que vai vencer as eleições presidenciais não é o do Uribe, atual presidente daquele país caribenho e aliado incondicional ao governo norte-americano, que não quer saber da América Latina.
– Quem é?
– Seu nome é Antanas Mockus.
– Mock... Fala sério. Isto quer dizer escárnio, zombaria, em inglês. Estás fazendo piada?
– Não. É sério. Seus ascendentes são da Lituânia. Ele é ex-prefeito de Bogotá, filósofo e matemático. Seu grande feito foi trocar fiscais de trânsito por mímicos na capital colombiana. Passou de azarão a favorito. Já está empatado nas pesquisas com o candidato do governo. Seu slogan é: “Sim, nós podemos”. Igual ao do Obama.
– E tu ainda vens me dizer que ele não é aliado dos States?
– Aqui o lema do Serra é: “O Brasil pode mais”. É a mesma ideia do Obama, mas o Serra não é aliado do Obama. Está mais para o Bush.
– Tá bom. A grande verdade é que os países da América Latina agem como colônias dos Estados Unidos da América!
SOCORRO
Em roda da Assembleia, o clube, um dos participantes comenta:
– Eu acho muito boa esta nova função que alguns representantes do Ministério Público estão se impondo. Eles não podem ver nada errado que ingressam com uma ação civil pública contra a autoridade responsável. E se não tomarem a providência que eles acreditam ser devida, pedem logo uma multa diária de milhões contra o desidioso, que também é geralmente liminarmente deferida pelo juiz.
– Mas – interrompe outro participante – eu não vi a Justiça ser mais célere, os meliantes irem para trás das grades, os inquéritos se multiplicarem, nem ninguém ser punido pela falta de inércia processual...
– Eu não estou me referindo à Justiça em si. Vou te dar um exemplo. Ninguém aguenta mais o trânsito em Belém. O membro do Ministério Público encontrou a solução: caminhão pesado não pode mais entrar no perímetro urbano da cidade. Não pode e pronto.
– Esta eu me lembro, diz outro amesendado. – O juiz não caiu nessa do Ministério Público. De qualquer maneira, quando eu estudei Direito, membros do Poder Judiciário não podiam se imiscuir na decisão administrativa do executivo. Hoje podem tudo.
– Quer dizer – interveio outro participante da roda – que diante dessa ameaça da Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular, que se encontra fazendo um movimento para que a Prefeitura pague R$6.000,00 (o SUS já paga R$900,00 por cirurgia) a mais às equipes cardíacas, sob pena de greve de até 3 meses e com o aviso de que os pacientes correm sérios riscos de morrer, receberá por parte dos membros do Ministério Público um tratamento exemplar?
– Espero que sim, mas até agora a atuação dos membros do Ministério Público tem se dado apenas sobre as pessoas que foram legitimamente eleitas. Outras classes da sociedade civil ficam ao largo da lei.
FRACASSO
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre no intuito de angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, uma socialite diz à amiga:
– Querida, eu sei que já não deves aguentar minha conversa. Eu garanto que só continuo querendo saber de modas, maquiagens, balangandãs. Mas eu li uma notícia....
– Pelo amor de Deus, querida, não me venha falar de institutos de pesquisa.
– Não é nada disso, apesar de continuar essa guerra que ninguém se entende. Desta vez é sobre o que ambas gostamos. Quero te dizer que o casamento do Pato – o menino que joga naquele time italiano, o Milan–, com aquela atriz Stefanny acabou.
– Foi mesmo?
– A imprensa italiana diz que ela não aguentou mais as baladas noturnas que Ronaldinho promovia e o Pato era frequentador assíduo. O Gaúcho não prejudica só a si mesmo, está levando junto esse menino tão promissor.
– Não acho não, querida. A verdade que os culpados do fracasso desse casamento são os pais. Onde já se viu deixarem casar dois meninos de 18 anos. Era claro que não ia dar certo.
KUIKURO
Depois de olhar como ficaria o novo mapa do Estado do Pará se forem criados os Estados do Tapajós e o de Carajás, da maneira que está proposta por muitos deputados que não tem o umbigo ligado a esta terra, e diante da constatação de que no presente governo foram feitos investimentos para viabilizar uma siderúrgica, as eclusas e outras empresas minerais (no que seria o futuro Estado de Carajás) e a Usina Belo Monte (na fronteira do que seria o futuro Estado do Tapajós), um índio da tribo Kuikuro, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Os defensores do desmembramento do Estado do Pará estão pensando realmente no bem para os seus concidadãos ou querem somente retirar Belém do Estado para poderem gozar particularmente das riquezas do Pará?
AMORES
Madrugador da Doca, que acredita na palavra de seu médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, conversa com amigo:
– Reparaste que o Lula não foi ao lançamento da candidatura do Mercadante ao governo de São Paulo?
– Deve ter sido uma represália ao que o senador paulista do PT fez naquele episódio do Sarney. Parecia que o Mercadante queria ajudar o Serra a se eleger presidente da República.
– É verdade. O Lula ainda tentou emplacar a candidatura do Ciro lá em São Paulo para não ter de aguentar o Mercadante, mas não deu.
– Nesse caso, acho que o Ciro está certo. Ia fazer papel de bobo.
– O que é fato – finaliza o primeiro madrugador – é que o PT, às vezes, parece mais entrosado com os aliados do que com as facções de seu próprio partido.
DESESPERO
Passageiro da linha de Icoaracy, com uma idade mais avançada que permite se lembrar da atriz Norma Bengell jovem, enquanto demora a viagem, comenta com o colega de assento:
– Eu sei que tu és novo, mas essa história do blog da Dilma ter colocada uma foto da Norma Bengell em uma passeata, dizendo se tratar da própria candidata, trouxe um bem para mim.
– Qual foi?
– Eu andava esquecido de como ela era bonita e da minha juventude. Ela foi uma das primeiras atrizes brasileiras a deixar ver o que não se podia. Era fascinante, hoje é tudo muito banal.
– Eu não conheci a Norma Bengell jovem, mas ainda hoje pode existir fãs tão fervorosos da atriz que atribuam a essa bobagem do sítio na internet da Dilma epítetos como “sórdido”, “desonestidade”, “desfaçatez”, “ridículo”, “perverso”...
– Claro que não. Isso aí para mim é desespero dos articulistas, geralmente paulistas engajados na campanha do Serra, que apesar dos institutos de pesquisa o apresentarem lá na frente, não acreditam muito nisso.
CORDEIRIUS
Morador de uma cabana de sapé e de galhos, construída pelas próprias mãos, às margens do Amazonas, Corderius – um neo-anacoreta adepto da cientologia, que passa suas horas doutrinando e praticando sua religião com os poucos ribeirinhos que lhe chegam à busca de luz – resolveu sair de sua reclusão para garantir:
– Nos últimos meses, nós temos sofrido agressões de toda sorte. Quero asseverar que, apesar de estar cientificamente comprovado que as temperaturas do mundo não aqueceram no último lustro, isso é apenas uma estagnação.
– Mas mestre – diz um de seus discípulos – e o envolvimento do homem nesse aquecimento global? Permanece?
– Nós – homens esclarecidos – jamais dissemos que 90% do aquecimento global está ligado a atividades humanas, e sim que há 9 entre 10 chances de grande parte desse aquecimento ser de responsabilidade do homem.
– Mas, mestre ... O mestre não pode escutar a intervenção do discípulo, já havia retornado à sua reclusão.
DILEMA
Em sala de aula, aluno pergunta:
– Eu tenho acompanhado esse problema da interrupção da aviação europeia com a expedição de larvas pelo vulcão da Islândia. Mas, professor, o que eu quero saber é por que nós brasileiros escrevemos o nome do vulcão de EYJAFJALLAJOEHULL, o que é impronunciável, enquanto os franceses escrevem EYJAFJOLL, o que é difícil, mas não impossível de falar?
– Porque os franceses – diz o professor – não são bestas nem colonizados, adaptam tudo a sua língua.
TÁTICA
– Em que mundo vivem os próceres do PSDB? Pergunta um adepto do partido. – Primeiro eles quiseram o Aécio, a quem sempre desprezaram para candidato, como vice do Serra. Depois ensaiaram o Itamar, o que só pode ser piada, pois o PSDB sempre o tratou da pior maneira possível. Tentaram o Dornelles, por ser carioca e tio do Aécio, mas o PP está intimamente ligado ao Lula. Só falta agora diante dos desaforos do Ciro ao Lula, à Dilma e ao PT, procurarem fazer do ex-governador do Ceará vice do Serra? Isso é tática?
APLAUSOS
Estudante universitário pergunta ao professor de Ciências Políticas:
– O que o senhor acha da política externa do presidente Lula?
– Acho um atraso para o país. As constantes festas para um ditador como o Chavez da Venezuela, essa aproximação com um país belicoso como o Irã...
– Pois é, professor. Isso eu escuto e leio todo dia na mídia brasileira. Então por que o presidente Lula foi eleito pela revista norte-americana, “Time”, que nunca levou o Brasil a sério, o político mais influente do mundo?
O professor quedou-se mudo e paralisado. Após um instante de hesitação, o aluno continua: – Eu também não sei, mas aplaudo de pé o Lula. Dá de dez em qualquer marqueteiro.
FRAUDE
Proprietário de carro, que já teve sérios problemas com o combustível adulterado, desabafa com o amigo:
– Estou indignado com o Conselho Nacional de Petróleo – CNP?
– Por quê?
– Com tu sabes, esse combustível adulterado que grassa nos postos de Belém, já acabou com dois motores meus. Resolvi então escolher um posto de gasolina que não tivesse sido interditado pelo CNP por adulteração.
– E qual foi o problema?
– O problema foi que, apesar de conhecer os postos que vendem combustível adulterado, o CNP não informa nem divulga os nomes ou razão social dos estabelecimentos pegos na fraude. Alegam sigilo.
– Deixa eu entender, – diz o amigo – quer dizer que se eu deixar de pagar meus compromissos, por mais justificáveis que os motivos, tenho meu nome, da minha empresa, da milha família, inscritos no Serasa, mas se um posto de combustível comete o crime de adulterar o gasolina, não está sujeita sequer a ter seu nome divulgado?
– É isso aí. É tal direito do cidadão, ou melhor, do cidadão criminoso brasileiro.
SOLENIDADE
Amanhã, três de maio, às 19 horas, a Academia Paraense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico do Pará vão realizar sessão solene para comemorar 110 anos de fundação das duas importantes instituições culturais.
Além da comemoração do aniversário, haverá posse da nova diretoria da Academia para o biênio 2010-2012 e também a entrega do prêmio anual Barão de Guajará, desta vez no gênero crônica.
Edy-Lamar D’Oliveira discursará como oradora oficial da sessão de segunda-feira.
A solenidade será no prédio da APL à Rua João Diogo, 235.
O convite traz as chancelas de Alonso Rocha (presidente da Academia) e Guaraciaba Gama (presidente do Instituto).
P. S.
Folheio – com meus já fatigados olhos – as páginas de diversos jornais. Hábito antigo de quem acha que nasceu para o jornalismo, mas a vida, também, o carregou para outras aventuras. Estranho um título perdido no meio daquelas páginas: “Las Travessuras de Naricita”. Tenho a impressão de ser a livro “As Reinações de Narizinho” de Monteiro Lobato, mas na língua de Cervantes.
Dedico um pouco da minha atenção à notícia e percebo tratar-se realmente do relançamento do livro do escritor paulista na Argentina. O inusitado foi o fato do prefácio da obra ter sido escrito por Cristina Kirchner, presidenta daquele país.
A explicação para isso era singela: Cristina era fã, na infância, das aventuras de Narizinho, Pedrinho e de todo o mundo do Sítio do Pica-pau Amarelo. Ela quer que seus filhos e netos não deixem de lado os livros para ficarem apenas na internet. “Sem o livro – diz Cristina – se perderia o prazer indescritível de abri-lo sem saber o que vai encontrar, imaginar, fantasiar. Perder-se-iam, também, as sensações que significam atravessar essa vida construindo utopias e caminhos que pareciam fechados para o nosso país e continente”.
Eu tenho um filho que aprendeu a amar os livros lendo “Las Doce Hazanas de Hércules”, perdão, “Os Doze Trabalhos de Hércules”. Até hoje ele gosta da mitologia grega, de seus poetas e filósofos. Pena que as crianças não possam mais, no Brasil, ler Monteiro Lobato. O mundo seria outro.
Torcedor brasileiro, ávido por ir assistir à Copa nos gramados da África do Sul, mas sem dinheiro no bolso, chega para um amigo e fala:
– Eu fiquei sabendo que o trecho sul do Rodoanel de 61 quilômetros, com 2 pistas e 6 faixas de rolagem, da cidade de São Paulo, recentemente inaugurado pelo Serra, custou R$5,1 bi, sendo R$3,24 bi de construção civil e o restante foi despendido em desapropriações e compensações ambientais, seja lá o que isso quer dizer...
– E o que é que isso tem a ver com o futebol? – indaga o amigo.
– Ouvi, também, falar que as empreiteiras estão achando pouco e querem mais 600 milhões, pois alegam ter perdido dinheiro devido à obra ter seu preço reduzido R$ 359 mi por superfaturamento apontado pelo TCU.
– E o futebol...
– O que eu quero saber mesmo é por que todo mundo fala que construir estádios para a realização da Copa em 2014 no Brasil – quando eu poderei assistir aos melhores craques do mundo – é um desperdício de dinheiro, se todas essas obras juntas, para todo o povo brasileiro, não irão custar 61 Km do trecho sul do Rodoanel de São Paulo?
LEMBRANÇA
Passageiro da linha de Icoaracy, enquanto demora a viagem, bota em dia o papo com o colega de assento:
– Fiquei sabendo que o Serra vem aqui no Pará nas próximas semanas. Ele está fazendo um périplo pelo país como candidato à Presidência da República.
– É mesmo?! Por falar em Serra, eu fiquei surpreso com o desconhecimento dele sobre o Simão Jatene.
– Como assim? São amigos. O Jatene chegou até a arrumar uma boquinha lá em São Paulo oferecida pelo Serra após a perda do governo do Estado pelo PSDB.
– Era o que saía aqui na imprensa. Mas, pelo visto, o Serra não tem a mínima ideia de quem seja Simão Jatene. O Jatene que ele conhece é o cardiologista...
– Não exagera...
– Só assim se pode explicar o fato de durante o lançamento da pré-candidatura em Brasília – engraçado como a Justiça não considerou isso propaganda fora da época – dele ter se referido ao Jatene, quando olhou o nome do ex-governador em faixas de apoio à sua candidatura, como sendo de Rondônia.
– Bem... Eu só espero que agora ele não pense estar vindo visitar Rondônia.
COINCIDÊNCIA
Empresário radicado anos no Pará e que desenvolve seus negócios exclusivamente em Belém, mas mantém contato com sua cidade natal no sul do país, foi procurado por um empresário de lá, que lhe propôs:
– Eu tenho um negócio sensacional para você. Quero participar de uma licitação e sei que você tem know-how no assunto. O caso é o seguinte: eu entro com o local e instalações, e você com os equipamentos e a mão de obra.
– Do que se trata realmente? – perguntou o empresário radicado no Pará.
– Para melhor explicar, eu trouxe o meu computador portátil. Começou, incontinenti, a mostrar fotos do local e as instalações onde iriam trabalhar lá no sul do país.
– Esse lugar me parece familiar – observou o empresário radicado no Pará, que continuou a olhar atentamente as imagens que iam se sucedendo. Até que irrompeu num brado: – Meu amigo, esse local e essas instalações são minhas, lá do meu negócio no Pará.
A reunião acabou aí.
Aqui para nós, foi muito azar do espertalhão. Escolheu um local tão longe e se deu mal. Ou será que foi a providência divina?
KUIKURO I
Diante de artigos e mais artigos, principalmente da imprensa paulista, que atribuem o possível fracasso da candidatura Ciro Gomes à falta de apoio do Palácio do Planalto, um índio da tribo Kuikuro, do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– O Ciro Gomes não é do PSB, enquanto o governo que se encontra instalado no Palácio do Planalto não é do PT, devendo, portanto, dá sustentação somente à candidata do PT, no caso a Dilma Rousseff?
KUIKURO II
Diante das imensas manifestações de movimentos sociais – algumas com sinais de intolerância – que utilizam o dia 17 de abril, data do Massacre dos Sem Terra em Eldorado dos Carajás, para fazer suas reivindicações, um índio da tribo Kuikuro, do Alto Xingu, que não conhece muito bem o homem branco, pergunta:
– Por que o Congresso Nacional não torna o dia 17 de abril como a data da luta pela Reforma Agrária e passa a promover discussões sérias sobre o tema, estabelecendo uma política de assentamento consistente e, principalmente, de incentivo à produção agrícola?
BOBOCAS
Bobloga, uma loura sarada, que odeia óculos por achar que lhe dar um ar intelectual mas os usa por não se adaptar às lentes de contato, confidencia a uma colega na academia de ginástica:
– Eu odeio, tanto quanto os meus óculos, as notícias econômicas. Mas depois que perdi minhas economias na bolsa, não a Prada, mas a de valores, acompanho tudo. O Goldman Sachs, maior banco de investimentos do mundo, pegou o dinheiro do governo americano e gastou $15,3 bilhões em bônus para seus executivos, no ano passado, em plena crise mundial. Agora já pagou, nesse 1º trimestre, $5,3 bilhões aos mesmos executivos.
– Querida, – fala a companheira de academia – eu não entendo nada de economia.
– Não é só, diz Bobloga sem se importar com o comentário. – Vendeu produtos, principalmente para bancos do Reino Unido e Alemanha, sabendo que fracassariam se a bolha no mercado imobiliário explodisse. Apostaram no fracasso dos papéis. Os governos desses países, depois de injetarem bilhões, ameaçam processar o Goldman Sachs, mas não fazem nada. Só pagam.
– Querida, eu não entendo...
– O que eu quero que tu me respondas – diz Bobloga – é por que eu que sou a loura burra?
– Ah! Isso eu não sei. Agora o que eu sei é que todos nós do mundo inteiro, para esses executivos, somos bobocas.
FRAGMENTO
Meu pensamento torto Me permite fazer comentários tortos Sobre coisas tortas, sempre tortas Que querem me fazer crer Retas, corretas, certas, Mas, no fundo, são tortas, Tortuosamente tortas, Irremediavelmente tortas, Sempre tortas, tortas, tortas...
CONSÓRCIOS
Um madrugador da Doca, crente na palavra de seu médico que garante ser o jogging uma maneira eficaz de evitar problemas cardíacos, conversa com amigo sobre o leilão de Belo Monte:
– Essa eu não entendi! Todo mundo falava que só haveria um consórcio. Chegou na hora, não só apareceu um outro formado às pressas, como levou a parada.
– Isso me chamou a atenção, diz o amigo. – Mas parece que ninguém mais notou.
– Há uma diferença entre os consórcios, reparaste? O primeiro, chamado de Belo Monte Energia, era bancado por Furnas com 24,5%, Eletro-Sul com 24,5% e a principal empresa da iniciativa privada era a Andrade Gutierrez. Já o consórcio vencedor, denominado Norte Energia, possuía à frente a Cia. Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) com 49,58% e o sócio privado principal é a Queiroz Galvão.
Dá para entender?
– Não. Até falaram que a Queiroz Galvão havia desistido, mas ela desmentiu as notícias. Parece que há uma briga entre as estatais de energia do Sul e as do Norte.
– Concordo. E o governo do presidente Lula ficou com as do Norte, já que foi o maior incentivador desse consórcio vencedor. Mas por quê?
ESTUFADINHOS
Participante de uma mesa formada na Assembleia, o clube, indaga aos outros amesendados:
– Vocês souberam da pesquisa que mostrou que os empresários, apesar de nunca antes na história recente desse país terem ganhado tanto dinheiro, continuam majoritariamente apoiando o candidato contrário ao atual governo?
– A candidata do presidente Lula – diz outro participante – chegou a cunhar uma expressão interessante para designar esses empresários: estufadinhos. Estão tão cheios de encomendas que se dão ao luxo de esnobar Belo Monte, por exemplo.
– Realmente, política é paixão. Não é de se estranhar, portanto – acrescenta o primeiro – um lado, um partido, principalmente quando se é politizado. É igual ser Remo ou Paysandu, não há meio termo.
– É verdade, diz o primeiro. – No caso específico, o PT assustou durante muitos anos os empresários, agora, ainda que estes admitam que a economia está melhor, ficam do lado de quem nunca os assustou...
– Eu não sei quanto ao resto do Brasil, – interveio outro amesendado – mas em termo de Pará desde os governos militares não há um impulso tão grande na economia local. Destaque absoluto para a construção de Belo Monte e, por que não dizer, a ajuda fundamental à governadora para verticalizar a produção do minério de ferro com a nova siderúrgica Aços Laminados do Pará. Essas obras mudarão a cara do Pará. Eu que sou um estufadinho, mas reconheço esse mérito ao presidente Lula.
EMBATE
No chá promovido pela sociedade beneficente “Dissipa Minha Dor”, sempre para conseguir angariar fundos para o desenvolvimento de suas obras sociais, a socialite insiste na conversa de outras ocasiões sobre os institutos de pesquisa e diz à amiga:
– Querida, eu sei que já não deves aguentar minha conversa. Eu garanto que só continuo querendo saber de modas, maquiagens, balangandãs. Mas eu li, de novo, uma notícia – e não entendi muito bem. Você, por ser casada com um político, talvez possa me explicar.
– Do que se trata, querida? – Continuo interessada nessa campanha presidencial e sigo me interando dos números dos institutos de pesquisa. Desta vez o resultado divulgado foi o do Ibope. Ele se manteve equidistante da briga entre a Data Folha contra a Sensus e a Vox Populi. Detectou, é verdade, na pesquisa um leve aumento de votos para o Serra, mas ficou dentro da margem de erro de sua última pesquisa.
– É que o Ibope tem uma reputação a zelar, responde a amiga.
– Quer dizer que os outros não têm?
– Não disse isso. O Ibope tem mais experiência nessa área, por isso apresenta resultados mais plausíveis... Pesando bem, eu posso estar falando muita besteira. Não entendo nada disso, vou perguntar para o meu marido e te respondo depois... Mas, mudando de assunto...
SUBLIMINAR
Em uma roda formada no átrio do Fórum Cível, um advogado comenta:
– Vocês viram a propaganda dos 45 anos da Rede Globo?
– Não, responde um dos participantes da roda.
– Então, não vai mais ver.
– Do que se tratava?
– Aparecia o número 45 e uma série de pessoas falando que o Brasil pode mais isso, pode mais aquilo. Vocês sabem que 45 é o número de um candidato à Presidência da República, e “o Brasil pode mais”, seu slogan.
– E isso pode?
– A própria Rede Globo retirou a propaganda do ar depois dos protestos. Mas não é isso que eu acho importante.
– E o que é importante para ti?
– Importante para mim é que a Justiça insiste em proibir e impedir um outdoor, uma inauguração, dizendo tratar-se de abuso do poder econômico. Mas uma propaganda subliminar como essa, quanto deve ter custado? Isso sim é abuso do poder econômico. Mas contra o real poder econômico ninguém pode nada.
P. S.
Brasília fez 50 anos. A ideia toda de Brasília, uma cidade no cerrado inóspito do Brasil central, exigia um milagre para dar certo. Mas Brasília, forjada no suor e sangue dos candangos, foi como os retirantes nordestinos, tinha tudo para não vingar, mas vingou e é pujante. A primeira e única rica cidade do sertão brasileiro, com 2,5 milhões de habitantes. Tantos detratores. Antes: “Este lago jamais encherá”, disse um; “É impossível o telégrafo funcionar nessa região”, disse outro. Hoje: “cidade sem esquinas”; “cidade da corrupção”. Bobagens. As pessoas de Brasília são brasileiros como todos nós. Nem mais, nem menos, apenas brasileiros, que levam o progresso a todo Brasil.
Como houve uma melhor distribuição da riqueza nacional depois de Brasília! Brasília é também um exemplo à ecologia mundial, como observava o Benedito Monteiro. Onde a vida era um suspiro, o homem a fez vicejar. Transformou o seco, o gélido, em um local aprazível para se habitar. As pessoas vivem bem em Brasília, quer dizer, melhor que em outras grandes metrópoles brasileiras. Terra da esperança.
O Pará de hoje vive seu momento de Brasília. Um momento de esperança no desenvolvimento com a construção de Belo Monte e na transformação do minério. Como Brasília há 50 anos, também temos nossos detratores. Bobagens e bobagens são ditas para impedir o desenvolvimento desta região. Deus, vendo a aflição que o povo de Israel passava no Egito, prometeu “uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel; o lugar do cananeu, do heteu, do amorreu, do ferezeu, do heveu, e do jebuseu”. Não mandou o povo de Abraão deixar a terra intocável, contemplando-a, sem dela tirar seu sustento e seu abrigo.
O Pará é uma terra abençoada, é a nossa terra prometida. Não podemos ficar contemplando a natureza, enquanto a maioria do povo sofre e padece. Aqui há riqueza para distribuir com todo mundo, com o branco, com o negro, com o índio. Não precisamos fazer guerra. Aproveitemos o que Deus nos deu e daqui a 50 anos, com certeza, nossas gerações estarão melhores. Como as de Brasília.