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07/09/2009 - 11:57:11
APESAR DOS PESARES, AINDA HÁ COISAS BONITAS ACONTECENDO NA POLÍTICA



heliogueiros@uol.com.br

Há 4 dias, conversava com o Frederico (Frederico Coelho de Souza) e no meio da conversa, por algum motivo, ele me lembrou de uma carta que o senador Jarbas Passarinho me endereçou há 4 anos passados. E me mostrou uma cópia dela que reli, me comovi e resolvi publicá-la. Na hora em que recebi o original, recordei que me achei herói, o máximo. Agora, na relida, vi que o personagem maior não é o seu destinatário HG mas o subscritor JP.

Vejam:

“Brasília, 08 de agosto de 2005

“Doutor Hélio Gueiros,

“Lendo-lhe o artigo que publicou no Diário do Pará, no dia 24 de julho do corrente ano, soube que a douta Comissão que analisa o processo de indenização a que faz jus, deu-lhe um prazo de 30 dias para informar porque teve seu mandato cassado. Já eu, de moto próprio, me oferecera como Ministro de Estado do Trabalho e Previdência Social do governo do Marechal Costa e Silva, na reunião do Conselho de Segurança Nacional, a prestar a informação de como o senhor, então deputado federal no Pará, foi objeto da punição revolucionária com a perda do seu mandato.

“Sem me ater a comentar o que tenho lido a respeito das indenizações que se seguiram à lei de anistia, relato o que se deu reunido o Conselho de Segurança. Como de praxe, ao general Jayme Portela, ministro chefe do Gabinete Militar, determinava o Presidente Costa e Silva, que lesse o prontuário da pessoa sobre a qual o Conselho decidiria pela punição ou não. O SNI não procedia como promotor, mas como juiz, uma vez que teria feito todas as averiguações devidas. Ao acabar, o general, de ler o que se referia ao senhor, o Presidente, como de hábito, perguntava a opinião dos membros do Conselho. Pedi a palavra começando por divergir da suposta acusação que o Cenimar o dava como comunista. Olhando para o ministro almirante Rademark disse que o Cenimar, nada obstante o seu valioso trabalho, equivocara-se, pois o senhor nem comunista nem esquerdista era. Conhecera-o em viagem ao Amapá, jovem jornalista, parte da equipe do governador Magalhães Barata, um anticomunista. Acrescentei que conhecia a reputação de idoneidade de seu pai, respeitado pastor protestante, religião que o senhor professava. O almirante Rademaker, que tinha grande apreço por mim, silenciou, não defendendo o Cenimar. Então foi lembrado que no seu currículo, que acabara de ser lido, o senhor, deputado estadual, era líder do governador Aurélio do Carmo, que fora deposto por corrupção pelo presidente Castello Branco, que o conhecia bem, pois fora Comandante Militar da Amazônia e estava convencido da corrupção de seu governo e até de ligação não ostensiva com os comunistas do Pará. Novamente, retruquei. Lembrei que eleito governador pela Assembleia Legislativa do Pará, criara a Comissão de Investigação Sumária, nos termos do Ato Institucional, que nada encontrara que o comprometesse com corrupção ou contrabando, duas chagas que feriam o Pará. O senhor fora um dos investigados pela CIS estadual até porque era o líder da bancada do PSD na Assembleia, mas nenhum indício fora colhido de comprometimento com corrupção. Isto nada obstante, o general Emílio Médici, chefe do SNI, abriu uma pasta e leu todos os votos do senhor, na Câmara Federal, sempre contrários às propostas do governo. Disse eu que seu estilo como jornalista era ferino, que o senhor não tinha nenhuma razão para nos admirar, mas isso era o papel de um oposicionista. Ainda assim o Conselho de Segurança, por maioria, votou pela cassação de seu mandato, decisão que todos referendávamos.

“Mais tarde, devido a uma Ação Complementar que impedia os cassados de exercer sua profissão, o senhor foi uma segunda vez punido, impedido de assinar matéria no jornal O Liberal. “Sempre estivemos em trincheiras partidárias opostas, mas dou este testemunho por achá-lo justo e porque pessoas, talvez menos atingidas materialmente pela Contra-revolução de Março de 64 do que o senhor, receberam indenizações, por vezes vultosas, a ponto de José Genoino, meses atrás, ter dito que ‘indenização é reparação e não negócio financeiro’.

“Cordialmente, seu adversário político,

“Jarbas Passarinho”.

Senador Passarinho: depois de reler sua mensagem para mim e relembrar todo o nosso passado, só tenho de dar graças ao bom Deus por ter escolhido, como adversário político, um grande irmão e companheiro na luta em favor do Pará e de sua grande gente.

Acho que estamos escrevendo um bonito capítulo da história do Pará. Desculpe-se a imodéstia.

CELEBRAÇÃO

O pastor e professor Salomão Azulay estará completando na próxima sexta-feira, dia 11, setenta anos de idade e quarenta anos de ordenação ministerial.

Haverá uma celebração litúrgica de ações de graças no templo da Igreja Presbiteriana de Belém na Avenida Magalhães Barata, da qual Salomão é Pastor Emérito. Salomão tem uma biografia destacada e brilhante tanto nas suas atividades eclesiásticas como nas seculares. É bacharel em teologia, bacharel em filosofia, pós-graduado em filosofia do direito, psicologia social e teoria do conhecimento, bacharel em psicanálise clínica, professor aposentado da Universidade Federal e oficial reformado e anistiado da Aeronáutica. Casado há 45 anos com Nilza Azulay, com 6 filhos e 11 netos. E relembra que, quando se encontrava na prisão, punido sob acusação de atividades subversivas, recebeu o chamado divino para a missão ministerial.

O culto começará às 7 da noite. A entrada é franca.

PERGUNTA

– Por que os homens gostam de mulheres inteligentes?

– Porque os opostos se atraem...

CUMPRIMENTOS

Semana passada, o senador Eduardo Suplicy encontrou-se com o presidente do PT Ricardo Berzoini na festa de lançamento da candidatura de José Eduardo Dutra à presidência do PT.

Suplicy, que pode ser um chato mas é educado, estendeu a mão para cumprimentar Berzoini. Ficou com a mão no ar porque o dirigente petista recusou a mão e virou-lhe as costas.

Conta o jornalista Augusto Nunes que, nos anos 70, Leonildo Pessoa e Miguel Rodrigues eram editorialistas do “Estado de S. Paulo” mas não se falavam. Numa tarde o elevador que subia com Leonildo fez escala no andar em que Miguel esperava e os dois se viram frente a frente.

– Boa tarde, – cumprimentou Leonildo.

– Eu não cumprimento filho da p... – respondeu Miguel.

– Pois eu cumprimento, – encerrou a questão Leonildo.

PERGUNTA

– Por que os homens têm a consciência limpa?

– Porque nunca a usam.

BIGODE

Leio nos jornais a informação de que o cantor Belchior estava desaparecido há quase dois anos.

Foi achado há quinze dias.

Como Belchior exibe na cara um bigode inimitável, achei que ele havia raspado o bigode e por isso não era identificado. Agora os jornais mostram foto recém-tirada de Belchior exibindo o mesmo bigode. Ele nunca tirou, nunca raspou e nunca mexeu no bigode, que não é um bigodinho mas um bigodão.

Conclusão: na verdade Belchior nunca foi procurado. Ninguém sentiu sua falta ou, se sentiu, não o procurou. Seria o caso com o ex-presidente Sarney. Ele pode esconder ou se disfarçar sem tirar o bigode da cara?!

Outra maluqueira da chamada “grande imprensa” brasileira: que que interessa ao Brasil e a mundo saber se dona Dilma teve encontro com a ex-secretária da Receita Federal?! Por mim, as duas podem se encontrar uma, duas, dez vezes num dia que eu estou me lixando... E como eu, toda população de mente sadia do Brasil. E mais: elas podem se encontrar no claro ou no escuro que a minha indiferença é a mesma.

Arre! A “grande imprensa” gosta de encher o saco...

PERGUNTA

– Como se chama um homem interessante no Brasil?

– Turista.

RECORTE

“Continua preso incomunicável (quinto dia) o nosso confrade Hélio Gueiros, diretor do vespertino “O Liberal”. A classe jornalística espera que, com a chegada do novo Comandante Militar da Amazônia, general Jurandir Mamede, seja resolvida a questão, voltando Hélio Gueiros ao convívio de seus colegas da imprensa paraense”.

Mergulho no passado através do recorte do jornal “A Província do Pará” de 06 de junho de 1964, uma sexta-feira.

PERGUNTA

– Quando é que um homem perde 90% da sua inteligência?

– Quando fica viúvo.

LIXO

Com o título “Tráfico de lixo”, o jornalista Pierre Beltrand comentou no domingo passado que os países do primeiro mundo estão mandando lixo para o Brasil. O abuso maior é da Inglaterra, mas o Brasil está devolvendo o que Pierre chamou de “presente de grego”. O caro jornalista aproveitou a ocasião para relembrar meu período como governador do Estado quando não permiti que o Pará recebesse lixo atômico.

Quero também aproveitar o gancho para transcrever um parágrafo do relatório feito ao final do meu governo em março de 1991, quando mandei imprimir o livro “Pará – Caminhos para o futuro”, naquele momento uma espécie de prestação de contas para o povo paraense:

”Creio caber, afinal, o registro de duas arriscadas, mas indispensáveis atitudes, tomadas ao longo do meu Governo. A primeira, quando tive de me insurgir, com determinação e desafio, contra anunciada decisão do Governo Central, de transformar o território paraense em depósito de lixo atômico brasileiro. A segunda, quando em defesa do patrimônio paraense, tive de enfrentar o poderio de Brasília, no ato de intervenção e ameaça de fechamento do Banco do Estado do Pará. Graças a Deus, à solidariedade do povo paraense e, – por que não reconhecer – à correção da disposição do Presidente José Sarney, vencemos as batalhas. O lixo não veio para cá e, com relação ao Banco do Estado do Pará, transformamos a entidade interditada, falida, desacreditada, em um estabelecimento saneado, vitorioso, equilibrado, atendendo, agora, a mais de 16 municípios no Estado e apresentando, ano passado, um lucro líquido de um bilhão de cruzeiros. Valeu a pena a resistência”.

ELEIÇÃO

De um advogado militante na Justiça Eleitoral sobre as novas normas que disciplinam o uso da internet na eleição: – Seguindo a jurisprudência dominante, o Senado disciplinou a propaganda na internet para as futuras eleições, ou seja, não se pode fazer propaganda na internet.

Bem Brasil.

SAL

Em uma roda formada por empresários, um deles diz que o sal está na moda de novo.

– Salinas voltou à moda? Eu acho que nunca saiu, – diz o primeiro, sem nada entender.

– Não é isso.

– Sal... Salário... O sal já foi moeda na antiguidade, daí designar-se salário a renda do trabalhador, . – especula outro em tom professoral.

– Deixem disso, interveio o primeiro. Estou me referindo ao petróleo do pré-sal brasileiro que parece ser a solução para todos os males do país. Vai se criar até uma nova estatal – a Petro-Sal – só para gerir toda essa riqueza. Um desperdício.

– Não é bem assim, diz empresário que até então ficara calado. A verdade é que durante o governo do FHC o monopólio do petróleo, embora exista formalmente na Constituição, foi quebrado. O governo do presidente Lula quer retomar, pelo menos no que tange ao pré-sal, este monopólio. Para isso vai instituir o regime de parceria já adotado por todos os países exportadores de petróleo, no qual obrigatoriamente a Petrobras irá ficar com cerca de 1/3 do óleo descoberto. O Lula chegou a dizer: “O país precisa dizer se esse lucro vai ficar com as empresas ou será usado para reparações históricas”. Apesar dos exageros, é o primeiro ataque do presidente Lula, tido como socialista nos tempos de oposição, aos conceitos neo-liberais.

– Meus amigos – pede a palavra para encerrar o assunto outro empresário – eu não sei se sal é uma benção ou uma maldição. Assim como Cristo disse que os cristãos seriam o sal da terra, o que é uma coisa muito boa, a mulher de Ló, que desobedeceu a Deus, virou uma estátua de sal. No caso do pré-sal devemos aguardar para saber no que vai dar.

PERGUNTA

– Qual a semelhança entre o homem e o caracol?

– Ambos se arrastam, têm chifres e acreditam que a casa é dele.

URIBE

Hipocondríaco assumido, esperando sua vez de ser atendido no posto de saúde do Guamá, desabafa com paciente do lado:

– Eu já tinha até desistido dessa gripe suína, estava pronto para começar a sentir os sintomas da dengue. Mas eis que surge o presidente da Colômbia com a tal da gripe, não resisti, voltei a sentir os sintomas da doença.

– Eu vi que os jornalistas brasileiros demonstraram-se indignados com o fato do Uribe ter participado de uma reunião com vários presidentes, inclusive o Lula, e não ter dito nada.

– Pois é, retoma o hipocondríaco, já esquecido dos sintomas da doença suína. Mas absurdo mesmo é ele fazer um plebiscito, tal qual o Chavez da Venezuela, para continuar no poder. Vai ser pela terceira vez. Além do mais, abriu mão da soberania colombiana, ao permitir a instalação de 3 ou 4 bases norte-americanas em seu país, com a desculpa de combater o narcotráfico. O engraçado é que todo mundo no Brasil acha que isso é democracia. O que faz Chavez ser um demônio e os outros ditadores latinos, como o Uribe, serem santos?

– Não sei, meu amigo, diz o outro paciente. Agora garanto que se o Uribe não ganhar no primeiro plebiscito, vai adotar, tal qual o Chavez, a urna eletrônica brasileira. Ela é a garantia das democracias latino-americanas.

LUGAR

Coração de mulher é igual a circo.

Sempre tem lugar para mais um palhaço.

P. S.

A chacina que, em Brasília, vitimou o advogado José Guilherme Vilela, sua esposa e sua empregada, merece registro desta página, não só pela repulsa que a barbárie causa ao colunista, como pelas circunstâncias especialíssimas que me ligaram a ele.

Quando, em 1991, postulei candidatura à Prefeitura de Belém – eleição que, afinal, ganhei no primeiro turno – o Tribunal Regional Eleitoral, surpreendentemente, negou o registro do meu nome, poucos dias antes da eleição.

Na oportunidade, aconselhado pelo amigo e advogado Frederico Coelho de Souza, constituí o Dr. Vilela para patrocinar-me o recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.

O TSE deu provimento ao meu recurso, graças à competência jurídica e à defesa apaixonada do Dr. Vilela, que demoliu, ponto a ponto, as acusações que me foram feitas. Posteriormente, defendeu-me, com igual êxito e dedicação, de todas as denúncias feitas ao Tribunal de Contas da União, que, diante de sua defesa, nem mesmo se converteram em processos formais.

Ressalte-se que, no Tribunal Superior Eleitoral, o Ministro Sepúlveda Pertence, além da questão jurídica, deu um testemunho pessoal que não é comum nesse tipo de julgamento.

Ainda: o então Procurador-Geral da República, Aristides Junqueira, que na véspera havia logrado, contra o mesmo Vilela, em julgamento político do Senado, o afastamento do Presidente Collor, encontrou-se com ele e com Frederico, quando estes entraram no elevador do TSE – e ele saía – dizendo que não iria participar do julgamento; o reconhecimento, quem sabe, à bravura de Vilela.

O certo é que de todos os pareceres assinados pessoalmente pelo então poderoso Procurador-Geral Junqueira – mais de 100 – apenas este, que me foi contrário, foi rechaçado pelo Tribunal. Mais recentemente, o Dr. Vilela patrocinou a Assembleia Legislativa do Estado na ADIN referente à ordem de provimento dos cargos do TCE e do TCM, mais uma vez com sucesso, sendo interlocutor frequente e tornando-se amigo da Procuradora-Geral da Alepa, Maria Eugênia Rios.

– Olha, Vilela, (não liga para o tratamento íntimo deste recado) a vida aqui na terra tem coisas inexplicáveis e misteriosas. Nunca te vi e nunca falei contigo pessoalmente. Mas quando soube da tua partida inesperada e trágica, tive a sensação de ter perdido um amigo mais chegado que um irmão, para usar a comparação da Bíblia Sagrada. E mais: quando vi no jornal uma foto sua – alegre, jovial e simpático – nem sabia que eras tu.

Tenho uma para te contar. Ainda te lembras da razão da inelegibilidade inventada contra mim há quase vinte anos? Pois olha, agora em 2009 estão repetindo a dose. Diz-que, com base numa decisão do TC desaprovando as contas do PFL (que nem existe mais) ao tempo em que fui seu eventual presidente, porque não juntei nota fiscal do açaí e farinha comprados e comidos por funcionária em missão no interior, outra vez decretaram minha inelegibilidade pelos próximos oito anos! Só estou te informando, meu caro Vilela, porque de jeito nenhum eu iria te pedir para discutir na justiça preço de pirão e de macaxeira comidos por um empregado do partido.

Não me presto a esse ridículo. Nem tu.

Até aí... / HG








31/08/2009 - 16:32:42
BRASIL ESPANTA O MUNDO: CRIMINOSO ASSALTA E MATA DE DIA; DE NOITE VAI DORMIR NA CADEIA



heliogueiros@uol.com.br

Militante dos direitos humanos regozijava-se diante da notícia que a Escócia soltou o terrorista responsável pela explosão de um avião da Pan Am que vitimou mais de duzentos inocentes.

– Agora eu quero ver falarem que somos uns irresponsáveis por defender um tratamento mais humano para as pessoas que cometem delitos. Está aí o exemplo da Escócia. Soltaram esse monstro, perdão, esse ser capaz de tal barbaridade.

– Não é bem assim, diz o amigo que a tudo escutava. Ele foi condenado à prisão perpétua, e preso se encontrava, diferentemente daqui que ninguém fica preso. Os médicos escoceses diagnosticaram um câncer terminal, deram mais 3 meses de vida. Lá eles são civilizados e práticos. Como o terrorista está morrendo, pode ir para junto da família e ainda livra o estado escocês de gastar uma fortuna no seu tratamento.

– Falaste, falaste... E o fato é que soltaram um bárbaro terrorista.

– Para falar a verdade, – diz o amigo do militante – eu não sou tão civilizado para aceitar a concessão de liberdade para quem matou mais de duzentos seres humanos. Mas aqui a atuação de vocês e as leis carcerárias brasileiras, me desculpe, permitem que os criminosos, durante o dia, assaltem, estuprem e matem, para retornar, à noite, à cadeia. Belém e o Brasil, paralisados, assistem à banalização da violência. É triste.

PERGUNTA

– Por que Deus criou primeiro o homem e depois a mulher?

– Porque as experiências são feitas primeiro com animais e depois com humanos...

DISCORDÂNCIA

Lamentável, imbecil e idiota – me manda dizer um internauta aborrecido, aliás, indignado com minhas observações a propósito da investida do Ministério Público sobre a Igreja Universal que tem como Papa o Bispo Macedo.

Surpreendentemente, logo depois da imprecação inicial, o internauta admite uma disputa comercial entre duas televisões brasileiras, com uma tentando barrar a crescente audiência da outra. De repente – não mais que de repente – e sem explicar a mudança repentina de suas observações, o malcriado inter exclama que “a Igreja Universal pratica extorsão contra os seus fiéis, usando a boa fé dos mesmos para arrecadar dinheiro e por isso os seus líderes devem ser condenados pois, cristalinamente, são todos culpados”.

A não ser o tom desaforado, não há nada a destacar no desabafo do internauta. O que eu disse – e repito – é que a Igreja Universal arrecada suas contribuições da mesma forma que a Igreja Católica e todas as igrejas protestantes também arrecadam. Se estas denominações arrecadam e gastam como lhes convêm, por que a Universal não pode fazer o mesmo? Por que os bispos e pastores arrecadam e gastam livremente mas o Bispo Macedo e sua Igreja Universal não podem?

Assim como a lei é para todos, os dízimos e ofertas são para todas.

Submeti a radical posição do internauta ao estudo e parecer da assessoria da página para assuntos religiosos. Em menos de 24 horas recebi o douto parecer. – O problema é que, no momento, a igreja que mais cresce no Brasil é a do Bispo Macedo e aqui, quando alguém cresce muito, é logo amaldiçoado por quem não cresce ou quem cresce menos. Trocando em miúdos: quem cresce e aparece, é invejado, – cristalinamente resume o parecerista.

PERGUNTA

– Qual o nome da doença que paralisa as mulheres da cintura para baixo?

– Casamento.

TANGO

As agências de notícias informam que a Argentina atravessa forte crise no setor de turismo. Propagam que o número de visitantes das terras portenhas vem caindo por causa da crise econômica e dos muitos casos de vítimas da gripe suína.

Por esse motivo foi criado um “Festival Mundial de Tango” como tentativa para salvar o turismo argentino. Assim, Carlos Gardel volta à ordem do dia. E também o nosso poeta pernambucano Manuel Bandeira: “A única coisa a fazer é tocar um tango argentino”.

Afinal, a vida imita a arte, mas a arte também imita a vida. Com música, dança e poesia.

ÁGUA

Paraense, quando vai passear no exterior, sempre encontra outros paraenses nos países mais visitados pela nossa gente.

Assim é que duas irmãs paraenses curtiam Paris – “a preços promocionais”, elas fazem questão de dizer –, quando encontraram, na terra do charmoso Sarkosy, um médico daqui de Belém que então chegara de Veneza para aproveitar na capital parisiense mais um ponto da excursão.

Depois de interjeições, que revelavam a surpresa do encontro, e da sessão de beijinhos e abraços, o médico perguntou: – Qual é o programa para hoje?

Uma delas respondeu: – Vamos passear pelo Sena. Queres ir conosco?

O médico não pestanejou: – Não aguento mais água! Eu vim de Veneza, repito... Aqui, prefiro me perder nos museus, mas na terra e com os pés no chão.

RECORTE

“Nota Oficial: O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Pará vem de público expressar sua estranheza ao fato de haver sido preso pelas forças militares, sem culpa formada, seu companheiro Hélio Gueiros, jornalista que da sua profissão e pena nada há praticado nesta terra senão o bem coletivo, amante da concórdia e excelente amigo de toda a imprensa regional.

Nessa nota nenhuma eiva de crítica ou menosprezo a quem quer que seja, senão a estranheza, repetimos, ao que nos parece gesto de violência a quem menos indicado recebê-la. Assinado: A Diretoria.”

Mergulho no passado com o recorte do jornal “A Província do Pará” de 2 de junho de 1964, uma terça-feira.

PERGUNTA

– Por que os homens na cama são como comida de micro-ondas?

– 30 segundos e já está pronto! O pior é que mais 30 segundos e já esfriam novamente...

OTTO

No Campus do Guamá, estudantes de jornalismo trocam impressões sobre os meios de comunicação e as notícias.

– Cara, andei navegando pela internet. Ela é fundamental para nós. Você sabe tudo do mundo inteiro, no mesmo instante. Está transformando o globo. Não sei se é bom, pois o que noticiam na França, noticiam no Brasil, o que comove nos Estados Unidos, comove na China. A terra fica igual.

– Concordo, diz o outro. Por falar nisso, sabes o que deu no New York Times?

– Não.

– Uma reportagem imensa sobre um tal de Otto Maximiliano Pereira de Cordeiro Ferreira. O título era: “Brasileiro, mas com uma batida diferente”. Já ouviste falar?

– Não, o que dizia?

– Que se trata de um músico de Pernambuco. Mistura música eletrônica com pandeiro. Está criando uma coisa diferente no meio musical. Quase chamam o cara de gênio. Deram um espaço que poucos artistas brasileiros já tiveram naquele jornal e eu nunca ouvi falar...

De repente um outro estudante, que espichava o ouvido para escutar a conversa, disse:

– Vocês conhecem, sim. É aquele músico forte que casou com a gata da Alessandra Negrini, atriz até outro dia bem requisitada pela Rede Globo. Foi notícia quando tatuou o nome dela no corpo como prova de amor.

– Ah, é ele?! Está vendo só... Para os críticos nos Estados Unidos, um grande músico. Para nós, o marido da Alessandra Negrini.

BALBÚRDIA

– Outro dia o Ricardo Teixeira, presidente da CBF, deu uma entrevista garantindo que a bagunça da Copa de 2006 não se repetirá na de 2010, comentava um frequentador da praia da Água Boa no Outeiro para um colega de curtição. E acrescentou: – Dias depois, o Dunga convoca o Adriano, que não treina, não joga, e foi um dos principais responsáveis por aquela balbúrdia na Copa de 2006. Dá pra entender?

– Dá, – responde o colega. É que dessa vez a bagunça vai começar muito antes da Copa. Eles podiam até vir para cá conosco curtir essa cervejinha, a praia e as mulheres.

PERGUNTA

– Qual a diferença entre homens e porcos?

– Porcos não viram homens quando bebem.

ALONSO

“A poesia como eu entendo / é milagre de escrever: / quase dizer, não dizendo / ou não dizendo, dizer”.

Poesia de Alonso Rocha – nosso Príncipe dos Poetas – que faz parte de “O Tempo e o Canto”, livro lançado na última quarta-feira na Academia Paraense de Letras pela Editora da Unama. A apresentação de Edson Franco tem o seguinte começo: “Apresentação, para quê? Alonso Rocha não precisa de apresentação e sobretudo apresentação de um aprendiz das letras”.

Vale a pena conhecer a poesia reunida em “O Tempo e o Canto”.

PERGUNTA

– Por que os homens querem casar com virgens?

– Porque eles não suportam críticas...

FIM

Numa roda formada na Assembleia, o Poder, deputado puxa conversa com colegas para passar o tempo, já que o pagamento do mês não saiu no dia previsto.

– É meio irônico o que está acontecendo com o PT, – dizia um. – Enquanto o Partido dos Trabalhadores era oposição, vivia unido e coeso enfrentando todas as adversidades, sem se dividir nem subdividir. Bastou começar a vencer eleição, começou a se desmilinguir. O PSOL saiu das entranhas do PT e agora a senadora Marina Silva e o senador Flávio Arns pediram o boné e largam também a legenda do partido de Lula. Dois senadores de uma só vez. Vocês acham que, em 2010, haverá outros desfalques?

Houve um participante da roda que fez um lamento: – Eu tenho pena da Dilma (Rousseff). Ela vai ter de segurar a alça do caixão...

PERGUNTA

– Por que as pilhas são melhores que o homem?

– Porque elas, pelo menos, têm seu lado positivo.

FORÇAS

Sentado no banco do ônibus, passageiro é cutucado pelas costas. Vira-se:

– Olha ali aquele cartaz! “Sexo, Paixão e Amor: As Três Forças do Ser Humano”. É o tema de uma conferência que ilustre visitante está oferecendo à população de Belém. Qualquer pessoa pode ir mas tem de comprar ingresso...

O cutucado pergunta para o cutucador: E tu vais? Vinte pratas, não é?

– Acho que vou. Para mim o homem não é movido só por sexo, paixão e amor... A inteligência, o trabalho e a honradez não valem nada?!

PERGUNTA

– Por que só 10% dos homens vão para o céu?

– Porque se todos fossem seria o inferno!

PSICOLÓGICO

Ao caminhar pela João Alfredo, voltando do Fórum, advogado reconhece amigo que há muito não o via. Estranha, contudo, a maneira de andar do amigo, de vez em quando ele parece tomar um choque. Toma a iniciativa da conversa:

– Oi! Há quanto tempo?! Desculpa perguntar, mas o que houve? Pareces não estar bem.

– Ah, não é nada, – diz o amigo. Foi que eu me mudei...

– Te mudaste, não sabia...

– Não, não. Eu me mudei há quinze anos para um desses edifícios que entregam na casca, sem nada. E durante todo esse tempo, eu fiquei escutando o insuportável barulho da obra dos outros apartamentos. Para minha surpresa, faz um mês que não escuto nada.

– E o que tem isso a ver com esse choque que pareces ter quando andas?

– Meu amigo, depois de 15 anos levando porrada na cabeça, o meu corpo se acostumou com a tortura. Agora, minha cabeça cria o barulho que não escuto e eu tremo todo.

SANTA

A Irmã Serafina Cinque, nascida Noemy Cinque em Urucurituba no Estado do Amazonas, de pais italianos que chegaram ao Brasil em 1906, está sendo alvo de um processo eclesiástico visando a sua canonização em face de sua miraculosa ação na Amazônia, na área hoje batizada de Transamazônica.

Ela já é conhecida como o “Anjo da Transamazônica” e a paraense Irmã Marília Menezes é a responsável no Brasil pela organização do processo. Já foram ouvidos 52 testemunhos durante 12 anos de pesquisas e investigação da Irmã Marília.

Adoradora do Sangue de Cristo, Marília escreveu e desenhou uma história em quadrinhos da vida da Irmã Serafina que será lançada, em forma de revista, na próxima quinta-feira, dia 3, na sede da Academia Paraense de Letras, na João Diogo 235, das 17 às 19 horas. Adquirindo a revista por 20 reais, o comprador estará colaborando com as Obras Sociais das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo na Amazônia.

HOMENAGEM

Os pastores da Igreja Quadrangular vão homenagear dia 3 de setembro o deputado Martinho Carmona pela passagem do seu aniversário.

Sabem quantos pastores a Quadrangular tem em todo o Estado? Dois mil!

APROVAÇÃO

A Assembleia Legislativa deu um susto mas acabou aprovando as contas da governadora Ana Júlia. Observador veterano comentava numa roda na Assembleia, o clube, que enquanto a governadora estiver no exercício do seu mandato, pode haver susto mas, no final, haverá a aprovação. Quando deixar o governo, não haverá só o susto. As contas remanescentes não serão aprovadas. Querem apostar?

Ninguém ousou.

FÓRUM

A Delegada da Receita Federal Maria Helena Ponte criou um fórum com os usuários do atendimento da Receita.

Dele participam a Junta Comercial, classes empresariais, Conselho de Contabilidade, Secretarias da Fazenda Estadual e Municipal, Sebrae, além de outras representações.

Esse fórum se reúne regularmente com os encontros ocorrendo dentro da maior cordialidade e descontração. Numa das reuniões, os empresários, em tom de brincadeira, perguntaram se, agora, o “Leão” ficou manso... A Delegada respondeu que a Receita continuará cobrando o que é devido, mas com atenção e respeito a todos os contribuintes.

Os empresários ficaram bem impressionados com a postura elegante da Delegada porque não guardam boa impressão de autoridades empavonadas com as quais são obrigadas a tratar.

P. S.

Ana Lídia, nora minha, me fala: – Sabe o que eu ouvi hoje pela cidade? Que o doutor Almir vai se casar com uma namorada trinta anos mais nova do que ele e o Hélio Gueiros fez uma operação plástica no rosto na clínica do cirurgião Barros no Umarizal...

A notícia sobre o Almir é com o Almir mas a notícia sobre mim é comigo mesmo. De fato, eu tive de me submeter a uma pequena plástica no rosto para eliminar um troço que me apareceu do lado direito, à altura da sobrancelha. Não sei se era espinha inflamada ou quisto qualquer, mas o troço inchou, não cedeu à terapia caseira, pelo contrário cresceu, e não tive saída a não ser cortar o mal pela raiz. Vai daí, saí de lá com o rosto todo esparadrapado surpreendendo ou assustando muita gente que passava na rua na hora em que eu deixava a clínica.

É por isso que resolvi aproveitar o gancho da Ana Lídia e uso deste espaço dominical para tornar pública e notória a razão de estar com a cara toda lembrando uma múmia egípcia.

Eu me lembro de que, muitos anos atrás, quando não se falava muito em Belém em operação para reduzir a gordura do corpo, um jovem muito gordo fez a cirurgia e ficou bem magro. Como tinha de gastar meia hora para explicar para espantados amigos a razão do brusco emagrecimento, ele mandou imprimir o relatório médico da operação explicando tintim por tintim a intervenção a que se submeteu e entregava uma cópia antes que fosse interpelado pelo amigo ou conhecido.

Imito o exemplo e dou a explicação prévia a quem interessar possa. E mais: peço desculpas por qualquer errinho nesta página. Não é mole bater máquina com um olho só... / HG








24/08/2009 - 11:46:44
MP SE METE ONDE NÃO DEVE E NEM PODE: PROBLEMAS INTERNOS DA IGREJA SÃO COM FIÉIS



heliogueiros@uol.com.br

Desculpe-se a opinião aqui do macaco, como dizia o humorista da televisão, mas a campanha desfechada contra a Igreja Universal do Reino de Deus e seu Bispo Macedo não tem nada a ver com o suposto mau uso do dinheiro arrecadado entre os seus fiéis. A Igreja Universal arrecada ofertas dos seus fiéis como a Igreja Católica também arrecada e como todas as igrejas evangélicas, chamadas coletivamente de protestantes, fazem essa coleta – diária, semanal, mensal ou anual – nos seus templos.

Ninguém também discute ou põe em dúvida o que o Vaticano gasta, como também em que gastam todas as numerosas igrejas protestantes espalhadas pelo mundo e pelo Brasil. O Estado não mete o bedelho em nada e até dá a sua parcela de colaboração a todas, isentando-as de qualquer tributo para o erário. Quem julga e avalia a aplicação dos recursos obtidos dos seus fiéis são estes mesmos fiéis.

Eles contribuem, eles avaliam, eles julgam. Se acham que as igrejas são corretas e sábias no uso das contribuições, eles mantêm a sua mensalidade. Que pode ser o dízimo – dez por cento do que recebem. Ou podem dar mais ou dar menos. Se acham que os recursos estão sendo mal aplicados, eles simplesmente suspendem a contribuição e pronto. Não precisam consultar ninguém, nem delegado de polícia, nem magistrado, nem coisa alguma. O fiel é dono do seu nariz e do seu dinheiro. Se quiser dar, dá; se não quiser dar, não dá.

Tenho mais de 80 anos e sempre foi assim ao longo de quase um século. Como a Igreja Católica construiu sua Basílica em Belém? Como a Assembleia de Deus construiu seu majestoso templo na 14 de Março? Como os espíritas construíram seu tabernáculo na Conselheiro Furtado? Como a própria Igreja Universal construiu sua Catedral no Entroncamento?

Tudo por obra e graça dos seus fiéis.

Surpreendo-me, agora, ao ver o zeloso e atento Ministério Público Estadual – ao qual, para honra minha, pertenci no início de minhas atividades profissionais – se intrometer na intimidade de uma igreja legalmente constituída para vasculhar o que ela faz da coleta entre os seus membros. E o faz “ex officio”, quer dizer, sem que nenhum grupo ou seguidor tenha solicitado essa devassa indevida. – Fi-lo porque qui-lo, – como diria o extravagante e autoritário Jânio Quadros.

Com todo o respeito, – inalterado respeito – que tenho pela ação patriótica e vigilante do Ministério Público, peço licença para discordar da sua intromissão institucional nos gastos e recursos da Igreja Universal. – Ah! Mas ela está arrecadando muito e faz o pedido de ofertas pelo rádio e televisão e não somente nos seus templos. – E o “Criança Esperança” também não faz pela televisão? E Sílvio Santos também não usa a televisão? E a Legião da Boa Vontade também não apela para a televisão?

Na verdade, o Ministério Público está se metendo numa disputa de audiência entre duas redes de televisão no Brasil. A TV Globo, sem dúvida alguma, é a preferida disparada dos telespectadores brasileiros. Primazia absoluta para ela em qualquer horário durante as 24 horas do dia. Mas a TV Record, antes lá por baixo, dia a dia, está crescendo ameaçadoramente e já está assustando a líder que parecia inalcançável e inatingível. Como os números dos ibopes nem sempre se mantêm intransponíveis, a Globo começa a temer e, para não perder a folgada liderança, apela para o golpe hipócrita de estar zelando pelas tradições católicas do paraense.

Uma parte da população percebe que, no fundo, a briga de foice na mídia é guerra entre duas empresas comerciais, uma não querendo perder a sua freguesia e a outra pretendendo subir mais na avaliação dos ibopes. Já outra parte, mais ingênua e mais devota, como as velhinhas que acordam de madrugada para não perder a primeira missa do dia, acha que o Bispo Macedo é a encarnação do Satanás e quem o seguir vai direto para o inferno onde só há choro e ranger de dentes! Mas o Ministério Público se meter de boa fé na confusão para processar e condenar uma denominação cristã espalhada no Brasil e 172 países deste mundo, isso, sim, parece arte do Diabo! T’esconjuro!

VIZINHA

“A vizinha quando passa / com seu vestido grená / Todo mundo diz que é boa / Mas como a vizinha não há / Ela mexe com as cadeiras pra cá / Ela mexe com as cadeiras pra lá / Ela mexe com o juízo / Do homem que vai trabalhar”

Dorival Caymmi gostava muito do mar, mas também gostava do requebrado da vizinha.

CENTENÁRIOS

Em setembro próximo, a Academia Paraense de Letras vai realizar duas sessões especiais em comemoração ao centenário de dois grandes vultos das letras brasileiras.

No primeiro dia de setembro, a sessão será dedicada à memória de Sylvio Hall de Moura, com o acadêmico Júlio Victor Moura encarregado de relembrar a vida e a obra do escritor paraense. No dia 17, a homenagem será a Euclydes da Cunha com o “imortal” Agildo Monteiro Cavalcante dissertando sobre o tema “Euclydes da Cunha. Teoria da Bifurcação: o Homem e a Obra”.

As palestras serão na sede da APL às 19 horas e a entrada é franca. Convém esclarecer que, de Sylvio Hall de Moura, o centenário é de nascimento e o de Euclydes da Cunha é do seu assassinato. Ainda a propósito de Euclydes da Cunha. Criança, comecei a notar que meu pai, pastor evangélico e colaborador de jornal no Maranhão e no Pará, tinha uma admiração especial pelos escritos de Euclydes. Procurei ler também Euclydes mas não entendia nada. Seu vocabulário era cheio de palavras que eu nunca tinha antes lido ou ouvido. Já maiorzinho, comecei a reparar que meu pai, quando pregava, discursava ou escrevia, usava palavras que eu não sabia o significado. Era a influência do estilo de Euclydes.

Faça um teste. Leia um livro de Euclydes, como “Os Sertões”, e veja se entende sem ir ao dicionário.

RECORTE

“Lamentável a notícia da prisão do confrade Hélio Gueiros, Redator-Chefe de ‘O Liberal’. Não sabemos os motivos que determinaram esse ato, todavia deduzimos resulte da posição assumida pelo órgão que dirige em relação à situação reinante no Estado. Isso para nós é estranhável, sobretudo quando vemos que jornais do Sul, notadamente da Guanabara, como o ‘Correio da Manhã’, ‘O Globo’, ‘Diário de Notícias’ e outros que sempre defenderam a Revolução se desmandam, agora, nas críticas mais violentas contra as forças vitoriosas, sem contudo, serem sequer censurados. O vespertino ‘Última Hora’, que até o momento da queda de Jango era o órgão oficial da subversão no Rio, continua a ‘desancar o pau’ na Revolução e nada lhe acontece, a não ser a intervenção após a Vitória, recebendo liberação imediata. Isso tudo representa que a Liberdade de Imprensa começa a desaparecer no Pará”.

Recorte do jornal “A Província do Pará” de domingo 31 de maio de 1964.

Recebi uma sugestão para criar nesta página um mergulho semanal no passado. Quem me sugeriu escolheu esse aí. Não fui eu.

ALEMÃO

Andou circulando com grande frequência na internet a notícia – com imagens coloridas próprias da mídia nos computadores – de uma associação protetora de animais da Espanha que usa cães em terapias de idosos com Alzheimer. Explicam os fisioterapeutas espanhóis que os portadores dessa doença degenerativa, ao pegarem um cachorrinho, passam a acariciá-lo, exercitando assim mobilidade e comunicação para impedir a evolução do mal.

Um internauta não entendeu bem a notícia e perguntou, teclando no computador, para o colega com o qual “conversava” no site do “MSN” na internet:

– O que faz uma pessoa ter doença de Alzheimer?

Recebeu a resposta com rapidez da tecnologia de “banda larga”:

– Acontece quando um alemão entra na cabeça dessa pessoa...

O gaiato tinha visto na própria internet que Alois Alzheimer foi um psiquiatra alemão – estudou e descreveu a doença que leva o seu nome.

Parece que as novas gerações aprendem muita coisa. Mas os caminhos são bem diferentes dos trilhados pelos idosos de hoje que, muitas vezes, já são portadores de Alzheimer.

DOÍDO

Um pessimista bicolor, enquanto esperava ser servido o seu açaí com peixe frito na Feira do Ver-o-Peso, conversava com o amigo de desdita, este ainda otimista, sobre o futuro do Paysandu, depois da vergonhosa derrota para o Icasa:

– Apanhar de 6 a 2 para um time rebaixado para a 2ª divisão do campeonato cearense, dói. É melhor fechar, não temos futuro.

– Deixa disso, diz o outro mais otimista. Veja bem, há 3 anos nós fomos o antepenúltimo colocado da série C. Ano passado não passamos da 1ª fase, mas não caímos como o Remo. E agora, passamos da 1ª fase, apesar de não nos classificarmos. No próximo ano vamos nos classificar, a competição vai ser no mesmo molde. Uma moleza.

– Mas 6 a 2 dói. E que moleza é essa? Quase caímos.

– Olha, o nosso presidente e atual técnico explicaram que se quis contratar, mas o que impediu foi o antigo e truculento técnico que vetava, sistematicamente, os jogadores almejados por serem, na opinião dele, problemáticos.

– Mas 6 a 2 dói... Peraí... Como é que é? O Paysandu quis contratar Adriano, o Imperador, o Fofômeno do Ronaldo, o...

– Não, não. Era o Alex Oliveira, o Landu, o...

– Tá bom, tá bom. Quer dizer que o antigo técnico vetou esses, mas aceitou a pérola de um Jucemar, o amarelão do Rogério Correa, os inexpressivos Thiago Silva e Leandrino... Deixa para lá porque, meu amigo, 6 a 2 dói...

– A única coisa que concordo contigo – diz o torcedor otimista – é que no ano que vem não quero o atual técnico. Ele adora apanhar de 6 a 2. Já tinha levado duas goleadas aplicadas pelo próprio Paysandu de 6 a 2 quando ainda dirigia o São Raimundo no campeonato paraense e ... 6 a 2 dói...

PRECONCEITO

– Só uma palavra – dizia um professor de etnografia – explica a atitude da elite sulista em relação ao Sarney: racismo. Em princípio pensei se tratar do jogo político para as próximas eleições presidenciais. Mas não, é pessoal.

– Quer dizer que o Sarney não exagerou quando comparou os ataques que sofre à perseguição feita por Hitler aos judeus? – pergunta um atento aluno.

– Claro que há exagero se considerarmos os campos de concentração, mas o desdém é o mesmo, os insultos, as mentiras repetidas à exaustão, tudo é igual. Tiraram o Jader, o Severino, agora é a vez do Sarney. Os brancos ricos sulistas não concebem um nortista como presidente do Senado, ou nortista, ou qualquer pessoa da classe mais baixa, o Lula por exemplo.

– Mas o Lula é o Presidente da República – observa o aluno – e apesar dos pesares, das crises, dos escândalos, o índice de aprovação dele é fabuloso.

– O Lula, além de ter vindo da classe mais baixa, é nordestino. Isso é imperdoável, atiça mais o desejo desses brancos ricos de suprimi-lo do espaço político brasileiro. A eleição da Dilma seria a consagração do governo Lula, e, evidentemente, o pior dos cenários para essas pessoas, apesar delas – para plagiar nosso presidente – nunca dantes na história desse país terem ganho tanto dinheiro.

– Mas o PT, que é um partido essencialmente paulista, defende o Sarney?

– O PT sindicalista, o PT do Lula, por pragmatismo, sim. O PT dos brancos Mercadante e Arns, não! Basta examinar o posicionamento deles em todo esse imbróglio. Parecem da oposição. Eles lutam contra o Sarney, mesmo que isso signifique o enfraquecimento da candidatura da Dilma. São preconceituosos e preferem um representante da elite à frente do governo brasileiro.

CONTROLE

Técnicos de Controle Interno de todos os municípios paraenses têm encontro marcado de 29 de setembro a 1º de Outubro. Será em Ananindeua e o objetivo é promover troca de experiências para maior integração entre todos os sistemas e maior interação com os tribunais de contas.

Entre os palestrantes, a palavra do vice-presidente do TCM, conselheiro José Carlos Araújo, e do prefeito Helder Barbalho, anfitrião da reunião.

CONCURSO

Durante a semana os jornais noticiaram que está havendo um problema no edital de um concurso em repartição pública. Pelas informações publicadas, o concurso será interno, isto é, só participa quem já está no cargo.

Para um advogado, não é só o edital que tem de ser consertado em suas exigências técnicas. Nenhum concurso público hoje pode ser restrito a quem já está no exercício do lugar. Tem de abrir oportunidade para todos. Concurso interno é inconstitucional, não vale nem valerá. Concurso interno é uma farsa.

A opinião para quem interessar possa.

POSE

– Essa pose do Mercadante me irrita, – dizia um petista para seu correligionário de legenda – só ele é santo, puro, imaculado... E a única opinião que deve prevalecer é a dele e de mais ninguém. Como parlamentar, pode ter sua opinião, mas como líder tem de acompanhar a decisão da maioria da bancada. Para mim, ele não passa de um fascista.

E faz uma comparação: – Ele devia imitar a Marina. Discorda do partido, deixa a legenda. Ela saiu com dignidade. Por que o Mercadante não imita a acreana?! Dá no pé e vai cantar noutra freguesia...

E no final, uma sugestão: – Tu não achas que o nosso partido deveria dar um pontapé no traseiro do faroleiro?!

O correligionário não falou, mas levantou o polegar da mão, com a mímica substituindo a palavra.

CHACRINHA

Com o jornal na mão, passageiro comenta com seu vizinho de banco de ônibus:

– Olha, gostei da pilhéria do nosso senador Flexa: O ministro Carlos Minc parece que quer substituir o Chacrinha...

– Parece não. Ele já substituiu, – comenta o outro dando a sua flechada. Mas flechada com “ch” e não com “xis”.

INSEMINAÇÃO

A conversa corria livre e variada numa roda da Assembleia, o clube, quando um dos participantes puxou um tema novo: – Vocês viram? Esse doutor Roger preso porque é suspeito de ter “faturado” 50 seletas madames que buscavam tratamento para ter filho. Ele tinha fama de usar processos e técnicas diferentes do processo que vem desde os tempos do Jardim do Eden... Parece, porém, que ele não desprezava o método descoberto por Adão e Eva, tanto que está passando uma temporada no xilindró por ter enganado, pelo menos, 50 pacientes... Em vez do processo novo, aplicava, pessoalmente, o método tradicional... – Ah! sim, – disse dirigindo-se diretamente para um dos amesendados – tua mulher fez tratamento com ele, não é? Ela se queixou de alguma saliência dele?

O interpelado tranquiliza seus ouvintes: – Não, não se queixou de nada. Aliás, ela me explicou que, quando o médico vai proceder à introdução do sêmen colhido do marido no ovário da mulher, ele, antes, anestesia a mulher que não sente nada no ato de fecundação. Leva uns 40 ou 60 minutos e ela, então, desperta e fica sabendo que o processo se consumou durante o tempo em que ela dormia.

– E quando ela despertou, se lembrava de alguma coisa que tinha acontecido com ela? – quis saber outro interessado ouvinte.

Pergunta respondida em cima do lance: – Não, nadinha... O tempo todinho em que ficou dopada, não sentia nada, não notou nada. Só fazia sonhar... Sonhava o tempo todo... E interessante. Ela não se lembrava exatamente do sonho mas deu para notar uma coisa... Quase todos eram sonhos meio eróticos.

Mas isso era natural... Se ela estava se submetendo a um tratamento para ter filho, é lógico que a sua cabeça devia estar cheia da lembrança do ato físico que engravida as pessoas férteis... Vocês não acham?

– Tem pai que é cego, – cochicha no ouvido vizinho um participante da roda que acrescenta: – E quem não é pai também é cego...

P. S.

Durante a semana, nessa novela do Senado, ao negar as irregularidades das quais vem sendo acusado, José Sarney se declarou vítima de um processo kafkiano, fazendo referência ao livro “O processo” de Franz Kafka – um dos maiores romances da história da literatura. A obra citada por Sarney começa assim: “Alguém certamente havia caluniado Josef K. pois uma manhã ele foi detido sem ter feito mal algum”.

O senador José se comparou ao personagem Josef. Num voo de Brasília para Belém, o assunto era comentado por dois políticos e um deles gracejou:

– É o que dá a gente ter um imortal da Academia Brasileira de Letras na presidência do Senado! Bonito pra nossa cara... Sei lá que diabo é esse K...

A passageira do banco de trás da aeronave e informante erudita desta página, que ouvia tal conversa em voz alta, pensou com os seus botões:

– E agora, José!? Mas isso já é Carlos Drummond de Andrade... / HG








14/07/2009 - 10:54:13
MENORES CONTRATADOS PARA O CRIME PORQUE LEI NÃO PERMITE CADEIA PARA ELES



Numa festa de aniversário, convidado despontava. Era mais uma vítima de assalto a contar o ocorrido:

– Eu vinha do trabalho, tive de parar em um sinal. Um grupo de três menores, um deles armado, me rendeu. Mandou-me ir para o banco traseiro. Começamos a rodar a cidade. Não conheciam as ruas. Eu os guiava. Disse para se acalmarem que eu daria minha senha do banco e eles poderiam retirar o dinheiro.

– Não ficaste nervoso? – diz um atento ouvinte.

– Um pouco, mas as coisas se acalmaram. Durante a conversa, o motorista do carro passou a me tratar por doutor e chegou mesmo a pedir desculpa pelo assalto, que só realizava, segundo penitenciava-se, por precisar muito do dinheiro. Como sói acontecer nesses momentos, um indesejado carro de polícia passou por nós e, desconfiando de assalto, começou a nos perseguir.

– Meu Deus!!! – diz outro ouvinte. Que perigo!!!

– A polícia agiu com cautela, tanto que o menino que guiava conseguiu despistá-los. Como já tínhamos nos tornado amigos, mandou-me descer do veículo. Para o azar dele, meu carro é bem moderno e a chave eletrônica não fica na ignição e sim no meu bolso. Cerca de 500 metros adiante, o carro parou e a polícia conseguiu prender um dos assaltantes.

– Poxa, que história!!! Te soltaram. Incrível! – diz o atento ouvinte.

– Incrível? – retoma o narrador. Incrível foi o que eu presenciei na delegacia.

– Como assim?

– Enquanto eu estou lá para receber o carro de volta, ouço: – Alainzinho. Tu de novo aqui. Já é a quarta vez. Não falaste que não ias mais fazer isso?!

– Quem era?

– Um menino de 13 anos, que tinha sido mais uma vez preso quando tentava assaltar um micro-ônibus. A delegada dizia que não aguentava mais o menino, e que a mãe ia já aparecer com o “Kit Assalto”.

– “Kit Assalto”?

– Foi como eu denominei quando uma mulher apareceu com uma pasta, celular com o número de telefones de pessoas da comissão de proteção do menor infrator, da comissão da infância e juventude, direitos humanos, juiz da vara de menor, enfim tudo para saltar o menino naquela hora mesmo, como se nada tivesse ocorrido. Dito e feito. Logo ele foi solto.

– Ora, disse o ouvinte, se eu fosse a delegada mandava comprar um sorvete de açaí bem gostoso para o menino. Enquanto ele saboreava, ensinava sua mãe a cuidar melhor do filho.

P. S. – O leitor pode pensar que essa novelinha barata seja uma mistura de fatos reais e não tão reais. Mas quero confirmar que tudo aconteceu numa noite da semana passada com um filho meu, paraense, casado, engenheiro naval, residente e domiciliado no Umarizal. Mais um adendo: ele suspeita que a zelosa mulher, que surge na delegacia logo após a prisão dos menores, já munida de todos os documentos necessários à soltura imediata dos delinquentes mirins, é a mãe dos meninos que acumula também a chefia da quadrilha sob cujas ordens as crianças trabalham.

DOÇURA

– É doce morrer no mar / Nas ondas verdes do mar...

Dorival Caymmi cantarolando no Além a música que compôs no Aquém.

EMPATE

A serviço de seu escritório, advogado paraense esteve semana passada no Rio. Como de praxe, todo paraense que vai ao Rio a serviço aproveita uma noite de folga para circular pelas atrações das noites cariocas.

Foi o que fez o turista acidental. Entrou num refinado restaurante à beira-mar e, para surpresa sua, já encontrou amesendado um velho amigo em companhia de dois na mesa. O amigo fez uma festa ao avistar o advogado, praticamente forçando para ele também sentar-se à sua mesa.

No meio do bate-papo a quatro, alguém puxou conversa sobre a telenovela “Caminhos da Índia” e, antes que o paraense se manifestasse sobre o teledrama, o amigo comum informou que estava ali presente um diretor da televisão. A precaução foi tomada para evitar que o paraense desavisadamente metesse o pau na novela que mistura cenas no Brasil e na Índia de minuto em minuto, com a única diferença do vestuário porque seja na Índia, seja no Brasil, todo mundo só fala português. Mas, pela vestimenta, o telespectador já deduz em que país a cena se desenrola. Quando é na Índia, a personagem feminina só começa a falar depois de uns oito ou dez passos de dança de véu. Se não dança antes, a cena é no Brasil.

Mas o nosso conterrâneo não deu vexame. Conversou, opinou, elogiou, com o ambiente sempre alegre e agradável. No fim, pretendeu invejar a sorte do interlocutor e arriscou: – Agora, vocês é que são os grandes felizardos... Podem escolher à vontade para eventuais parceiras só gente muito bonita e muito “sexy”...

– Nem pense, meu amigo, nem pense, – esclareceu o homem da televisão. – Quase todas são lésbicas. Não querem saber de homem...

O paraense arriscou: – E os galãs? Os homens? Cada homão!...

– Xi, amigo... É quase tudo “bicha”... Não querem saber de mulher...

O turista acidental comentou baixinho: – Viva o meu Pará... Lá homem só gosta de mulher e mulher só gosta de homem... Para “aquilo”, né?!

ISENÇÃO

Nas contas mensais de energia elétrica, o consumidor verifica que um item que pesa no cálculo é o ICM cobrado pelo Estado.

Os templos religiosos agora estão dispensados desse tributo. O deputado Martinho Carmona apresentou projeto de lei concedendo a isenção. O Legislativo aprovou, a governadora sancionou e as igrejas e templos não pagam mais o ICM no Pará.

CANTO

Durante a semana o Presidente Lula implantou coluna diária em quase todos os jornais brasileiros. Nela Lula responde às cartas recebidas.

Advogado conversava numa roda de colegas sobre a iniciativa de Lula e fazia uma sugestão: – Olhem, meus amigos, quem deveria ter uma coluna diária nos jornais era o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal. Todo santo dia, inclusive sábados, domingos e feriados, ele está no noticiário da imprensa, falando sobre alguma coisa. E algumas vezes fala de manhã, de tarde e de noite. Não era mais fácil e mais racional Gilmar ter uma coluna diária nos jornais, como Lula? Um participante do grupo fez uma ressalva: – Nos meus tempos, magistrado, quando eventualmente era procurado por algum jornal, recusava falar alegando que “magistrado só fala nos autos dos processos”. Agora, tenho a impressão que o ministro Gilmar só não fala no processo...

Todo o grupo concordou com a sugestão, inclusive o advogado de porta de xadrez que não estava aparecendo há umas três semanas.

ESTÁGIO

Folheando o relatório da Assembleia Paraense, o clube, deputado comenta com seu colega de outra Assembleia, a Legislativa:

- Olha, meu amigo, li alguma coisa sobre a nossa outra Assembleia, que é o clube, e estou convencido de que qualquer pessoa que desejar ser prefeito de Belém deveria fazer um estágio como presidente da Assembleia, o clube.

O outro se surpreende: – Que que é isso, meu amigo? Que que nós temos que tenha semelhança com a Prefeitura?

– Leia aqui, companheiro, – diz o que estava folheando o relatório do clube dos últimos dois anos. – Sabes com quantos diretores ou secretários o nosso presidente trabalha? Estão aqui os nomes de todos eles. Eu tive paciência de contar e sabe quantos diretores o nosso clube tem, todos subordinados ao presidente?! 87!!! Oitenta e sete!!! E sabes quantos secretários o Duciomar tem? Dez ou doze! Ou seja, o prefeito trabalha com um décimo do que trabalha o nosso presidente! Já pensaste a moleza que seria para um ex-presidente nosso ser prefeito de Belém?!

BANHÓDROMO

Dois amantes das praias de Mosqueiro conversavam:

– Essa falta de água em Belém foi muito chata.

– Eu não achei. Descobri até que Belém tem praia.

– Deixa de ironia, foi muito desagradável a situação. Ninguém esperava. Fiquei sem banho...

– Olha, meu amigo. Para ti deve ter sido muito ruim, mas eu e todo mundo que mora ali nas imediações do Portal da Amazônia, não tivemos dúvida: como a água não voltava, tomamos banho ali mesmo na Baía do Guajará. Não quero repetir, mas que quebrou o galho, quebrou.

O amigo ficou em dúvida se aquela foi uma decisão acertada, mas teve que reconhecer que agora Belém tem praia, ou melhor, banhódromo.

DOIS

Conversa entre dois, juntos ao dicionário:

– Bissexual tem atração pelos dois sexos.

– A grafia acompanha essa duplicidade: bissexual também tem dois esses.

NIEMEYER

Na entrevista veiculada semana passada no jornal “O Estado de São Paulo”, Niemeyer passou dois conselhos para os jovens arquitetos: desenvolver projetos ousados e ler muito, sobretudo os clássicos, porque “tudo se entrelaça neste mundo perverso em que vivemos, e a leitura pode nos levar a entendê-lo melhor e fazer-nos mais simples e generosos”.

Para Oscar Niemeyer, quem se forma em Arquitetura não pode se limitar a estudar assuntos da profissão, mas deve procurar compreender, através da leitura, o que caracteriza este “mundo estranho”. Se não fizer isso, o arquiteto “poderá se transformar num excelente especialista na área escolhida, mas sem condições de participar da luta por um mundo melhor”.

Falou a voz da experiência.

Um detalhe que pode fundamentar essas declarações do artista de Brasília: Niemeyer, com 101 anos, faz parte de um grupo que continua estudando rotineiramente filosofia e cosmologia.

COR

– Se você é branco, cuide-se!

É o que aconselha atenta leitora remetendo inteiro teor de um estudo do jurista Ives Gandra no qual ele mostra que, no Brasil de hoje, “o cidadão comum branco é agressivamente discriminado”, a não ser que seja um “veado”, um homossexual, porque, nesse caso, desfrutará de uma proteção especial que lhes é garantida pelo governo de Lula e de dona Dilma Rousseff.

Pelo estudo, outras minorias protegidas são a dos índios e a dos negros para os quais o branco perde a preferência ou a vaga, se ficar em igualdade de condições com eles. Há alguns casos, entretanto, em que o branco é privilegiado. Se ele é, por exemplo, um invasor de terra, um desertor, um assaltante de banco ou um assassino mas cometeu os delitos ao tempo dos governos Castelo Branco, Costa e Silva, Junta Militar, Emílio Médici ou João Figueiredo, ele – como também os seus descendentes – tem direito a uma polpuda indenização em dinheiro vivo. Por sinal, as reparações pagas já chegaram a muitos bilhões de reais mas há, ainda, muito para ser pago porque o direito da indenização é imprescritível.

Por outras palavras, branco só é bem tratado quando vira bandido ou marginal.

Faço o registro da posição e da opinião da leitora, mas aviso que não me meto em briga de branco.

LIMITE

Parenta minha foi fazer compras do mês no supermercado.

Pegou um carrinho e saiu colocando nele a mercadoria escolhida. Tentando comprar coisa mais ou menos boa, mas também mais ou menos barata, gastou perto de duas horas para lotar o carrinho. Como ainda faltava alguma coisa para comprar, apanhou outro carrinho deixando o já lotado nas imediações do caixa. Uma hora depois, encerra as compras e se dirige ao caixa querendo conduzir também o primeiro carrinho que deixou à espera.

Conduziu, não! Procurou o carro e não o encontrou no local deixado. Catou pelos arredores e também nada. Foi então ao subgerente e tomou conhecimento que os funcionários do supermercado haviam reposto o conteúdo nas respectivas prateleiras pensando que se tratasse de mercadorias abandonadas pelos clientes.

A parenta teve vontade de fuzilar o zeloso funcionário. Duas horas de paciente e cansativa seleção e mais de duzentas prateleiras e tudo jogado fora em dois minutos! Conteve-se, porém. Afinal, o empregado estava cumprindo o seu dever de manter limpos e transitáveis os corredores do supermercado. É para fazer isso que ele é pago.

Gastou mais de duas horas e encheu de novo o carrinho. Mas, desta vez, ficou empurrando os dois carrinhos ao mesmo tempo. Resultado: gastou cinco horas seguidas no supermercado. Quando, afinal, chegou em casa, a filha reclamou: – Ah! Mamãe! A senhora disse que ia só ao mercado mas foi também ao cinema!... Eu tava doida para ver o filme que está passando no cinema de lá...

As aparências enganam.

INCLUSÃO

Outro dia, a propósito da decisão do Supremo não exigindo diploma para o exercício do jornalismo, relembrei os nomes de vários astros da imprensa diária no Pará que não tinham diploma. E citei o quarteto Paulo Maranhão, Frederico Barata, Santana Marques e Cláudio Sá Leal. Recebi recorte de jornal em que o jornalista Linomar Bahia, com quem trabalhei no começo de nossas atividades na imprensa, abordou o mesmo tema. E ele também alinha nove nomes que, sem diploma, marcaram presença no jornalismo paraense. E, entre os 9 relembrados por Linomar, está o meu nome. Com um detalhe. Eu sou o único vivo ou sobrevivente. Os outros já se foram.

Obrigado, Linomar. Muito obrigado.

P. S. Recebo curto e grosso bilhete de um internauta: “Na edição de domingo, falaste dos senadores do Pará que não sujaram as mãos com a imundície do Senado. Até aí, tudo bem. Pô! Mas dizer que os três foram eleitos e que ainda receberam votos teus! Oh! Véio... Te liga. Gosto de ler teus artigos mas, dessa vez, prove o que mandou para os seus leitores, ou tá reprovado!”.

Vamos por parte, meu decepcionado internauta.

Em primeiro lugar, minha nota não pode ser tomada ao pé da letra pelo simples fato de que só o senador Mário Couto é que foi eleito diretamente pelo voto dos eleitores. Flexa Ribeiro e José Nery não foram votados. Quem foi votado e eleito foi o Duciomar, mas ele preferiu ser prefeito de Belém e deixou a vaga no Senado para o suplente Flexa Ribeiro, que não recebeu um voto sequer. Já Ana Júlia, eleita senadora, preferiu ser governadora abrindo sua vaga no Senado para José Nery, que também não recebeu voto mas foi registrado como suplente da Ana Júlia. Assim, dois dos três senadores em exercício não receberam um voto popular mas estão no pleno e constitucional desempenho do mandato de senador. Presume-se, porém, que quando o eleitor elegeu o senador de sua preferência, ele, também, sabia e concordava com o suplente. Creio, assim, que os três foram eleitos pelo voto popular e minha observação de que o trio foi eleito é rigorosa e constitucionalmente fiel.

Na parte final da minha nota, execrada pelo ilustre internauta, de que não só eu mas todos quantos votaram nos três senadores apóiam e se envaidecem do comportamento dos seus representantes na Câmara Alta, é a dedução mais natural e razoável. Não acho que, para elogiar alguém, eu tenha primeiro de ter votado nesse alguém, posso ter votado contra, mas isso não me impede de apoiar e louvar quem se comporta com dignidade e honradez. Colocando em termos futebolísticos, sou Papão da Curuzu, mas se num Re X Pa o Leão de Antônio Baena jogar melhor e vencer, rendo as minhas homenagens sinceras ao rival. Ganhou, ganhou, tá acabado. Não vou dizer que o Remo ganhou porque o juiz roubou. Sou assim. Como aquela canção de Dorival Caymmi sobre Gabriela, “eu nasci assim...”. /HG








29/06/2009 - 11:20:05
ACREDITE SE QUISER OU SE PUDER: SENADOR FAZ POSE MAS NÃO MANDA NO SENADO



heliogueiros@uol.com.br

Em matéria de mandato eletivo, só não fui vereador e presidente da República. Mas deputado estadual, deputado federal, senador, governador e prefeito foram mandatos exercidos por mim em eleições diretas decididas pelo voto do eleitor paraense. Nunca fui biônico nem ganhei mandato na garupa de outro, como é o caso de um terço dos atuais senadores em exercício, alçados porque foram registrados como suplentes dos que realmente foram escolhidos diretamente pelo eleitorado.

Por isso quero dar testemunho de que nunca vi nem ouvi falar antes de um Senado tão enlameado e desclassificado como este que está aí nesta primeira década do século XXI. A começar pelo presidente José Sarney, todos os senadores estão sendo diariamente expostos à execração e à maldição do povo brasileiro e nenhuma voz nenhuma pena ousa discordar da condenação implacável dos senadores. Não escapa um sequer, não se aproveita um. Todos – todos, viram? – são pilantras, safados, cafajestes, e merecem o fogo eterno, nada de purgatório para eles.

Como tenho o defeito ou instinto de contrariar e não me submeter à suposta sabedoria e infabilidade da chamada opinião pública, vou discordar desse linchamento a que estão sendo submetidos os três senadores de cada Estado. Não vou dizer que as excelências sentadas no plenário da Câmara Alta são todos gente fina e acima de qualquer suspeita. Tem gente imprestável mas tem também gente séria e digna como em qualquer outra atividade humana. No sacerdócio eclesiástico, há líderes sérios, mas há também quem não é sério. Cristo, que era onipotente, onipresente e infalível, escolheu doze para o seu colégio apostólico, mas no meio entrou Judas Iscariotes, traidor e venal.

Quando senador em Brasília, conversava com uma funcionária da Casa quando ela me disse, não me lembro a propósito do quê: – Sabe, senador, o que o funcionalismo diz aqui? E sem esperar meu palpite, revelou: – O Senado não é dos senadores. Senador é hoje, mas amanhã não é mais. Mas os funcionários, são diferentes. Os senadores, mais cedo ou mais tarde, vão embora. Mas nós ficamos. O Senado somos nós e não os senhores. Concordei. Quando eu cheguei, ela já estava. Quando eu saí, ela ficou.

Nessas embrulhadas que estão sendo reveladas agora, toda tramoia e patifaria foram praticadas e executadas por funcionários. Os bestalhões dos eventuais senadores apenas assinaram ou referendaram o que foi decidido pelo funcionalismo. Mas os Pais da Pátria é que estão pagando o pato.

– Mas por que não se abre um processo sério para apurar os verdadeiros culpados? – alguém pode sugerir. E o assessor especial da página para as mazelas da vida pública brasileira me opina que não vai adiantar nada. E explica: – Todo funcionário a ser ouvido no inquérito vai declarar que praticou a imoralidade ou ilegalidade porque o senador mandou... E quem é que não vai acreditar no coitadinho do “barnabé” ou da “barnabeia”?!

– A vida pública no Brasil não é uma comédia nem uma tragédia. É uma farsa, – arremata o assessor.

DÚVIDA

Casal em evidência na sociedade continua estremecido. Segundo uma amiga e confidente dela, tudo começou na última viagem dele a São Paulo. Ele é empresário paraense bem sucedido e faz constantemente, por força dos negócios, viagens à capital paulista. Como os negócios são resolvidos nos chamados dias úteis, sempre que ele viajava, estava de volta na sexta-feira à noite para o aconchego do lar e os braços da esposa amada em Belém.

No entanto, na ida recente a São Paulo, uma novidade: ele não voltou na sexta. Usando o telefone, explicou à mulher que precisava fazer contatos importantes no final de semana e que só retornaria na segunda-feira. O casal ainda trocou palavras de amor pelo celular.

Sozinha em Belém, a carente e saudosa mulher ficou em casa, alternando banhos, geladeira, internet e televisão. Até que, numa cobertura da estrondosa “Parada Gay” em São Paulo, ela avistou, na multidão, uma pessoa muito parecida com o marido. Como a passagem das câmeras televisivas foi muito rápida, ficou a dúvida: – Meu Deus, será que é ele?!

A amiga do casal, que relata os fatos sem citar nomes, tira suas conclusões:

– Eu não teria dúvidas. Pra mim, ele já tinha uma certa tendência, já vivia um certo drama shakespeariano. Ser ou não ser?! Finalmente, decidiu ser em São Paulo. Eis a questão: saltou a franga fora de Belém...

AGENDAMENTO

Com as recentes trocas ocorridas no staff da Secretaria do Meio Ambiente, os processos de licenciamento que dormitavam sem solução nas gavetas dos exigentes burocratas do órgão, agora estão caminhando regularmente através do agendamento eletrônico.

A fonte que informa o aceleramento da marcha dos processos comunica, também, que não é mais necessário fazer agendamento eletrônico para se ir aos sanitários da repartição, como era obrigatório na gestão passada. Agora o necessitado pode dirigir-se diretamente ao WC sem precisar inscrever-se previamente na agenda eletrônica dos sanitários.

HADDAD

– Eu tenho duas opiniões sobre o desempenho do ministro Haddad em sua visita a Belém na semana, – dizia um professor da UFPa em conversa com um colega. – Uma boa e outra não tão boa, – acrescentou.

O colega ouvinte sugeriu: – Comece pela boa...

– A boa foi na reunião no campus da Universidade. Enquanto o ministro falava, uma turma de estudantes circulava na sua frente com cartazes denunciando problemas e carências da Universidade e o ministro ia lendo e respondendo a cada cartaz na hora...

– E a não tão boa?

– Uma entrevista que ele deu ao DIÁRIO na qual afirma que, no Brasil, só se começou a cuidar da educação com a posse do companheiro Lula na Presidência. De Pedro Álvares Cabral até Lula, ninguém fez nada pela educação. E é compreensível, assim, que dezenas ou séculos de abandono não podem ser compensados em dois ou três anos pelo Lula e naturalmente por ele, Haddad...

– Pelo amor de Deus! – exclamou o colega ouvinte. Incrível! Fantástico! Extraordinário! Como é que uma azêmola deste chega a ministro!

– O colega me desculpe. Mas o que é azêmola?

– É uma besta quadrada! – decifrou.

– Concordo. O ministro é uma azêmola!...

TRIBUTO

Com a conclusão do mandato do atual reitor da UFPa, professor Alex Fiúza de Melo, no próximo mês dia 3 de julho, destacam-se três homenagens da comunidade universitária a vultos marcantes de sua história: José da Silveira Neto, Daniel Coelho de Souza e Benedito Nunes, os dois primeiros já falecidos.

O Campus da Universidade foi denominado de José da Silveira Neto, em reconhecimento à iniciativa e à realização das obras de construção desse polo de ensino e pesquisa, o maior de toda a região norte do país.

O nome do professor Daniel Coelho de Souza será atribuído ao prédio da Reitoria, no qual será fixado o seu busto em metal, com o registro de que a homenagem é feita ao reitor que promoveu a redemocratização da UFPa. Aliás, na cerimônia de aniversário da instituição, a governadora Ana Júlia Carepa, em seu pronunciamento, relembrou que o reitor Daniel Coelho de Souza, pelas suas posições junto às lideranças estudantis, recebeu destas o codinome “Companheiro Queima”, o que é uma óbvia referência ao sobrenome Queima, que poucos relacionam com o professor Daniel.

O professor Benedito Nunes, filósofo e crítico literário, já consagrado com vários títulos e homenagens em todo o país, foi distinguido com a denominação do grande auditório da UFPa inaugurado na semana passada. O espaço, com mil lugares, integra o imponente Centro de Convenções. Na ocasião, o professor Benedito ministrou conferência sobre Dalcídio Jurandir e Paulo Plínio Abreu.

Trata-se, como se vê, de louváveis iniciativas que recuperam a memória da Universidade, trazendo às novas gerações nomes de significativa importância em momentos especiais da cinquentenária instituição paraense.

NEVOEIRO

– Faça como o velho marinheiro / Que durante o nevoeiro / Leva o barco devagar.

Conselho do Paulinho da Viola cantando.

MATANÇA

Viajando em pé, no ônibus superlotado e espremido pela direita, pela esquerda, pela frente e por trás, por passageiros que não conseguiram banco livre para sentar, meia idade comenta com companheiro de idade inteira:

– Escuta, companheiro, quem é esse Curió que está dizendo pelos jornais que os militares mataram 41 pessoas que participaram de uma tal guerrilha no Araguaia?! Curió, para mim, é nome de bicho, uma avezinha que gosta de dar uns pios muito apreciados. Mas esse Curió do jornal é gente! E fala, com autoridade, em suposta carnificina praticada por militares no Araguaia...

O idade inteira esclarece ao meia idade: – É, eu era rapazola mas me lembro. Curió era um major que bateu com os costados em Serra Pelada na hora em que se descobriu muito ouro na Serra. Parece que o governo mandou o major para manter a ordem entre os garimpeiros porque o major já conhecia bem a região porque participou da operação contra os guerrilheiros do Araguaia. Ele, assim, tem todas as condições para afirmar que os militares, em vez dos 21 mortos admitidos pelo Exército, mataram o dobro, ou seja, 41 guerrilheiros.

O meia idade arriscou: – Mas o major confessou que eliminou algum ou alguns desses 41?

– Olha, – responde o idade inteira – não sei se ele pessoalmente selou a morte de algum. Mas, se ele contou 41 guerrilheiros mortos, é porque viu os 41 guerrilheiros mortos e tem condições de retificar os números oficiais.

O meia idade fez uma dedução: – Ah, então foi para homenagear o Major Curió que atuou no Araguaia e em Serra Pelada que Belém deu o nome de Curió a um bairro da cidade?

– Não, nada disso, – esclareceu o idade inteira. – Curió é um bairro de Belém porque havia muitos curiós nas suas matas.

Outra conclusão apressada do meia idade: – Já vi... Já vi... Então o município de Curionópolis é assim chamado porque tem muitos curiós nas suas matas...

– Não, meu amigo, o município tomou o nome de Curionópolis para homenagear o Major Curió pelos relevantes serviços prestados à área. E outra coisa: o Major Curió não nasceu com esse nome... Ele se chamava na realidade Sebastião mas, como pegou o apelido de Curió, alterou o seu registro de nascimento para Curió...

METROLOGIA

O jornalista Júlio Saraiva foi indicado pelo seu partido, o PMN, para ocupar a presidência do Instituto de Metrologia do Estado.

Faz parte do acordo entre o PT e o PMN.

MOSCA

Dois amigos conversam sobre a recente proeza do presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, que conseguiu – com uma destreza impecável e uma elegância impar – abater uma mosca durante uma entrevista a um jornalista. O primeiro deles diz:

– Viste só a última do Obama, me lembrou o Kung Fu.

– Quem?

– O David Caradine, aquele ator recentemente falecido, que interpretava um personagem chamado Kwai Chag Caine, mais conhecido como gafanhoto, na série Kung...

– Gafanhoto? Interrompe o amigo. Por quê? Ele também matou um gafanhoto.

– Não! Não! Na realidade era seu apelido dado ao “Kung Fu” pelo Mestre Pô, mas isso não importa. O que importa é que o “Gafanhoto” só se encontrou preparado para seguir seu caminho quando conseguiu ser mais ligeiro que seu mestre.

– Não entendi, disse o amigo.

– O que eu quero dizer é que a destreza do Obama mostra que ele está preparado para enfrentar os problemas do mundo como o Kung Fu fazia.

– Olha, meu caro, se queres comparar, acho que o Obama está mais para mosca. Aquela do Raul Seixa que dizia: – Eu sou a mosca que posou na sua sopa / Eu sou a mosca que pintou para lhe abusar.

EXPORTAÇÃO

– Todo país deve exportar, aprendi isso com o emérito professor Delfim Neto, ex-ministro da fazenda do Brasil na época do milagre econômico. A pujança de uma nação está baseada no seu desempenho na venda de produtos para o exterior. Cada país exporta aquilo no que possui maior know-how.

O caso da Coreia do Norte, por exemplo, trata-se da maior exportadora de dólares falsos que existe no mundo. Este comentário era feito por um economista formado há pouco na fila de inscrição de um curso de doutorado de uma faculdade paraense.

– Agora – continuava o novato economista que conseguira a atenção dos colegas – o Brasil parece que começa a exportar assalto a banco com sequestro de gerente, pelo menos é o que se deduz da prisão noticiada de três brasileiros na Espanha armados e vestidos de pintores pela polícia daquele país.

– Só não entendo – arrematou o gaiato – a perseguição a imigrantes brasileiros por aquele país da Península Ibérica, se a gente exporta o que faz de melhor.

GREVE

Advogado, que não é de porta de xadrez nem de porta da Justiça do Trabalho, participava de uma roda de colegas que conversavam sobre os acontecimentos da semana no Brasil e no Pará, especialmente sobre os movimentos grevistas dos servidores públicos.

– Não sou contra greve dos funcionários públicos, como vocês também não são, – dizia ele – mas acho que está havendo exagero nos movimentos grevistas e é preciso uma ação mais enérgica das autoridades contra o abuso. É greve dos professores, é greve da Previdência, é greve dos fiscais, é greve da saúde pública, todo mundo faz greve e o governo só faz assistir a tudo de braços cruzados...

Um agrupado intervém: – O colega está sendo injusto, pelo menos com relação à governadora. Ela se manteve firme e decidida contra os grevistas, não cedeu em nada e os grevistas estaduais voltaram a trabalhar. Não acham que foi uma grande vitória da governadora? Não cedeu em nada e os grevista entregaram os pontos!

– Quem disse que eles não levaram nada, colega? – responde o interpelado. – Levaram, sim. Os jornais informaram que os grevistas voltaram porque a governadora não cortou ponto de ninguém. Fizeram a greve, a greve foi considerada ilegal pela justiça, os grevistas disseram que não cumpririam a decisão da justiça, não cumpriram, mas depois que o governo lhes garantiu o pagamento integral dos seus vencimentos mensais, resolveram voltar ao trabalho. Passaram mais de um mês sem dar aulas mas vão receber os vencimentos como se não tivessem faltado um dia! Vocês acham isso certo, justo e legal? O cara fica na vadiagem mais de um mês e não vai perder um centavo pelas faltas! O governo vai lhe pagar como se ele não tivesse faltado um dia sequer! Acho um absurdo e uma ilegalidade criminosa. O governo não pode pagar funcionário que não trabalhou. Se o dinheiro fosse dele, não teria nada demais. Mas o dinheiro não é dele. O dinheiro é do povo e o governo só pode gastar dinheiro do povo dentro das cautelas legais. Se gasta os recursos públicos sem observância das condições legais, comete crime e tem de devolver aos cofres públicos a quantia desviada. É por isso que eu quero comunicar aos colegas que vou entrar com uma ação popular para que os cofres do erário público recebam de volta a quantia paga ao servidor que não trabalhou mas recebeu seu vencimento integral.

No grupo de ouvintes, só um discordou da ação popular. Foi o advogado de porta de xadrez que chegou no meio da conversa.

P. S.

No meio da semana, a Therezinha viajou até São Paulo para a anual vistoria de sua operação nos olhos. No aeroporto, se encontrou com a Elcione que ia no mesmo avião. Logo depois aparece o deputado Vic Pires Franco e, em seguida, o deputado Lira Maia.

Lira Maia, ao chegar, viu Elcione e Therezinha conversando um pouco afastadas dos demais e perguntou para o Vic: – Dona Elcione e dona Therezinha estão viajando para onde? Em cima da bucha, Vic informou: – Elas vão a um encontro das ex-primeiras damas em São Paulo. Lira Maia então se aproxima das duas e, depois de cumprimentá-las, pergunta: – O encontro vai ser demorado? As duas arregalaram os olhos: – Que encontro?!

Quando olham em direção ao Vic, ele está contendo o riso e as duas entendem que foi brincadeira dele. Mas Lira Maia ficou sem entender por que as ex-primeiras damas arregalaram os olhos quando ele fez uma pergunta inocente./HG








15/06/2009 - 11:15:17
FIM DA PICADA: JATENE, QUE NÃO QUIS REELEIÇÃO EM FAVOR DE ALMIR, É TACHADO DE DESLEAL...



heliogueiros@uol.com.br

– Olhem, meus amigos, eu considero o fim da picada o Almir, que parecia que tinha encerrado a sua carreira política no Pará, tanto que se mudou com armas e bagagens para uma cidadezinha do interior de São Paulo, – dizia aquele frequentador da sede da Assembleia, o clube, amesendado com outros associados – me vem agora com uma inacreditável entrevista ao DIÁRIO tachando o Jatene (ex-governador Simão Jatene) de desleal, mau caráter, indigno, único responsável pela derrota de Almir nas últimas eleições para governador...

Um amesendado interrompe: – Mas o Jatene não apoiou o Almir quando ele tentou voltar a ser governador do Pará pela terceira vez?!

– Claro, meu chapa – continua o expositor – o Jatene apoiou incondicionalmente o Almir, tanto que abriu mão de uma reeleição garantida para dar oportunidade para o retorno de Almir ao governo. Por isso é que eu disse que considerava o fim da picada o Almir jogar nas costas de Jatene a responsabilidade pelo seu fracasso. Ninguém obrigou o Jatene a apoiar o Almir. Jatene apoiou porque quis, porque decidiu espontaneamente a apoiar Almir. Abriu mão de uma reeleição fácil, tranquila, para dar passagem a Almir... Não conheço caso igual na política paraense, nem na brasileira...

O falante bebe mais um gole da sua “H2O” gasosa (os seus companheiros de mesa, cada um com sua garrafa de cerveja do lado, cada um mostrando os efeitos da civilizada bebida) e prossegue a sua dissertação.

– Aliás, eu pergunto para vocês: quem botou na cabeça do Almir que ele deveria ocupar pela terceira vez a cadeira que antes era no Palácio “Lauro Sodré” e hoje é nas matas do Tenoné? O que ele tinha ou queria fazer pelo Pará, fez em dois mandatos. Para mim, Jatene tinha mais direito de ser reeleito do que Almir de querer um terceiro mandato. Vocês não acham? Se Almir não ganhou o terceiro mandato é porque o povo não quis mais. O povo é mais sábio do que se pensa. Deu dois mandatos para Almir, acha que ele fez o que devia e podia fazer, mas chega! Outros também devem ter a oportunidade e o direito de ocupar o cargo. E o Almir no governo não dizia que estava doido para cuidar das flores do seu sítio?!

– Além do mais...

O expositor não pôde ir além. Ouviu-se um grito: – Olhem, caiu mais um Airbus. Tá aqui na televisão!...

Todo mundo correu para frente da TV. Até o expositor.

MOMENTO

Não sei se é revista ou se é livro, mas o jornalista Ferreira da Costa me remete um exemplar de “Memorial” contando a história dos 40 anos de vida da Aclep, que é a sigla da Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos do Pará. Em 200 páginas, 33 membros da Associação contam detalhes das atividades esportivas de Belém ao longo do tempo, juntando, também, testemunhos e depoimentos de 16 outros que já se foram para os tabernáculos eternos mas deixaram uma memória viva da sua atuação na terra.

Sempre recebo distinções e reverências dos dirigentes atuais e passados da Aclep mas talvez muitos não saibam que eu já fui, também, cronista esportivo. Quando fui cassado e tive suspensos por 10 anos os meus direitos políticos, fui proibido pelos prepostos do golpe de 1964 no Pará de escrever em jornal. – Mas o jornalista Hélio Fernandes, também cassado, escreve todo dia na “Tribuna da Imprensa” do Rio, – argumentei com o militar que me comunicou o veto. E ele, sem alterar a voz, me responde: – No Rio o Hélio Fernandes pode escrever, mas aqui o Hélio Gueiros não pode escrever...

Foi aí que o Rômulo Maiorana, dono e diretor de “O Liberal” onde eu trabalhava, anotou na minha carteira de trabalho: “Cargo: Chefe do Departamento de Esportes”. E, de fato, eu passei a dirigir as páginas esportivas do jornal, mas escrevia também a metade do “R-70” com o Newton Miranda, outro cassado, escrevendo a outra metade, e o Rômulo redigindo “Em Poucas Linhas” num estilo rápido e saltitante, que só ele era capaz de fazer.

Ao receber, agora, a publicação da Aclep, relembro que foi a crônica esportiva que me quebrou o galho oferecendo um escudo seguro que me protegeu na travessia de um instante difícil da minha vida. Parabéns e muito obrigado, Aclep!

RESPEITO

– Respeite quem pôde chegar aonde a gente chegou.

Jorge Aragão no seu samba gostoso.

JACUZZI

Conversa no ônibus:

– Você viu, companheiro? Em Redenção, a sala de sessões da Câmara virou salão de gafieira...

– E na Itália, meu amigo? A residência oficial do chefe do governo italiano virou palco de festa mas com todo mundo nu...

– Até o primeiro ministro?

– Claro... Então você acha que o dono da casa ia ficar vestido vendo todos os convidados e convidadas nus?!

– Sei não... Há algum tempo li uma peça do falecido Nelson Rodrigues que tinha como título “Toda nudez será castigada”.

– Pois sim... O Berlusconi acaba de vencer, disparado, as eleições italianas semana passada! E disse que a suposta orgia não tem nada demais. É só um “jacuzzi”...

HOLANDESA

– Com todo o respeito – me manda dizer pela internet o atento leitor Humberto Miranda a propósito das opiniões de uma escritora holandesa em passeio pelo Brasil–, não será que essa holandesa é algum ministro dentre os 40 que o Lula tem?

E, sem esperar a minha opinião, atira: – Pela quantidade de bobagens que fala, dá para desconfiar. Digo isso porque ela passou pelo Brasil e não viu nada, assim como o Lula está passando e não vê nada! Se ela tivesse prestado mais atenção para a Segurança, a Saúde e a Educação brasileira não teria feito a gente perder tanto tempo lendo abobrinhas. Por favor!

CONSELHO

Viva todos os dias como se fosse o último.

Um dia você acerta.

Conselho do Luis Veríssimo.

MALANDRAGEM

Tratando este rabiscador de “nobre” e depois de desejar saúde e paz – o que agradeço –, severo leitor me diz que “finalmente o Brasil começa a criar vergonha, pois, de acordo com a internet, cerca de 65% dos legisladores brasileiros (já pensou?! Mais da metade dos senadores e deputados federais...) respondem a algum tipo de processo criminal. A brecha em nossas leis de que um cidadão só perde seus direitos políticos depois de julgado, transitado em julgado e condenado, é, na verdade, mais uma “malandragem” brasileira para permitir que esses indiciados virem políticos e aí gozem de outra malandragem que se chama “imunidade parlamentar” que precisa urgentemente ser extirpada de nosso país!

O severo leitor é o mosqueirense Armando Amarante Filho que, no final da mensagem, me parabeniza “pela sua responsável coluna”.

MINC

No plenário da Assembleia – o poder –, deputado puxa conversa com seu vizinho:

– Aqui no jornal tem uma declaração do Altair Vieira, presidente da Associação Comercial, que eu assino embaixo também...

– Que é? Ele está querendo reduzir os impostos?

– Nada disso. Ele diz que o ministro Minc é um maluco! Concordo. Antigamente, doido era doido.

Fosse rico, fosse pobre. Fosse importante ou desimportante, doido era doido. Agora, não. Se o doido é rico ou ganha importância, ele é um geniozinho, é um extravagante, tem uma cuca privilegiada, avançada, incapaz de ser entendido pelos outros... Agora, Altair falou curto, grosso e sem frescura... O Minc é maluco! Grau 10 para o Altair!

PARQUET

Advogado encontra colega do Ministério Público nos corredores do Fórum e vai logo cutucando:

– Meu amigo, vocês do Ministério Público estão demais. A maneira que agem parece ser inspirada no SNI dos anos 70 em plena ditadura...

– De jeito nenhum – irrompe bravo o ilustre membro do “parquet” paraense–, nós representamos a democracia, agimos dentro da lei e da justiça, jamais utilizaríamos métodos nefandos...

– Calma – interrompe o advogado com um sorriso – não é a isso que me refiro e sim ao fato de naquele tempo todos nós dizermos que os arapongas brasileiros só sabiam o que liam nos jornais. Todos seus dossiês secretos não passavam de recortes de jornais...

– Mas o que tem isso a ver com a atuação do Ministério Público?

– É que eu ando reparando que só ouvimos falar na ação do Ministério Público depois de alguma coisa sair nos jornais. Onde há uma manchete, o MP vai atrás. Olha agora o caso desse desastre do Airbus francês... Os teus colegas do sul leem na mídia sobre as possíveis causas especuladas por toda sorte de pessoas e exigem, da empresa sediada na Europa, um cronograma para troca de sensores dos aviões.

– Claro – aprova o representante do MP–, não podemos nos quedar inertes diante de tamanha catástrofe.

– Bem – finaliza o malicioso advogado–, os teus colegas se lessem também os jornais franceses saberiam que a Airbus já divulgou que a troca dos sensores nos seus aviões terminará no final do mês.

EMPRÉSTIMO

Nosso companheiro presidente anunciou que o Brasil emprestará 10 bilhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Sinal dos tempos, o Brasil será credor, pela primeira vez na história, desse organismo internacional.

Um professor de economia – que se lembra da venda (doação) de 30 bilhões de dólares de ajuda ao Brasil que o governo norte-americano fez no começo da crise – quer saber:

– Este empréstimo sairá desse dinheiro norte-americano ou de nossas reservas?

ÍNDIA

Passageiro de ônibus comenta com seu vizinho de banco:

– Olha, não sou muito ligado em telenovela, mas me passo para essa novela...

O vizinho arrisca: – É... Aqueles cenários indianos são muito interessantes...

– É... Mas eu me passo para o fundo musical... Tudo acontece na Índia, mas o fundo musical é música popular brasileira: “Onde você estiver não se esqueça de mim”. Como é que pode?! E achei formidável... Acho um barato... Melhor que a novela...

ASSEMBLEIA

– Sabes que a Assembleia está sem acento?

– Como!? O clube? Ou a Casa dos deputados?

– Os dois... Acredite se quiser...

Ao opinar sobre o diálogo acima – com ambígua interpretação–, o assessor desta página para questões ortográficas explica que a recente reforma tirou a acento da palavra “assembleia”. Explica também que a Assembleia Paraense – o clube – e a Assembleia Legislativa perderam acento (escrito com cê), mas continuam com seus muitos assentos (escrito com dois esses).

Uma coisa é certa: deste ano em diante, quando eu escrever nesta página sobre fatos ocorridos no clube ou no legislativo paraense, vou economizar batidas no teclado.

SAÚDE

Um era moderno. O outro, conservador. O moderno aplaude a iniciativa do governador paulista:

– Viste só!? O Serra inaugurou em São Paulo, Capital, uma clínica exclusiva para público gay. Acudirá apenas homossexuais, travestis e transexuais.

O conservador replica:

– Só faltava essa. Depois da cota na educação para negros, índios, alunos de escola pública, criou-se na saúde pública a cota para homossexuais. Onde vamos parar...

– Deixa de ser ranzinza, diz o moderno, faz-se necessário. Há diferenças que devem ser respeitadas no atendimento. Esta clínica terá profissionais nas áreas de medicina, enfermaria, psicologia, nutrição e fisioterapia, especializados em atendimento gay.

– O que quer dizer “especializado em atendimento gay”? Diz o conservador. – Será que é que os profissionais devem ser gays também?

O moderno preferiu mudar de assunto, pois não soube responder.

P. S.

A revista “Veja” da semana inseriu matéria sobre o desastre do Airbus da Air France que matou 228 pessoas, ou seja, toda a tripulação e todos os passageiros do voo iniciado no Brasil em direção a Paris mas que não chegou a percorrer nem um terço da rota programada. A aeronave mergulhou nas profundezas do Atlântico e não sobrou ninguém para contar detalhes do pavoroso acidente.

No meio dos fatos conhecidos e das hipóteses levantadas para explicar a tragédia, houve um detalhe que me surpreendeu e estarreceu. Se a reportagem do semanário brasileiro só usou informações técnicas comprovadas, o comandante e os pilotos de um Airbus são meras figuras decorativas. Quem pensa, quem decide, quem manda na cabine é o sistema de três computadores, cada um tomando conta de um setor da aeronave, com total autonomia e soberania, não permitindo qualquer controle ou interferência dos pilotos que, por muito favor, podem ficar simplesmente olhando o que os computadores decidem e mandam a aeronave cumprir. Ainda segundo a reportagem, quando os computadores se convencem de que nada mais podem fazer para salvar o avião, eles largam o controle da aeronave e entregam a máquina moribunda aos pilotos como se dissessem: – Tomem que o filho é de vocês. E é sob o comando exclusivo dos pilotos humanos que a aeronave francesa se desintegra.

De minha parte, não vou nunca admitir que uma máquina, um computador, pense e decida melhor que um cérebro humano. Quem fez a máquina? Quem fez o computador? Quem é o maior? O criador ou a criatura?

Tenho a impressão que vou pensar duas vezes antes de entrar para viajar num Airbus./HG








22/12/2008 - 11:32:08
SUPREMO TRIBUNAL USURPA COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO CONGRESSO NACIONAL



Além de parlamentar federal e estadual, exerci na minha vida pública mandato de governador do Estado e mandato de prefeito da capital. Nunca – nunca mesmo – deixei de cumprir uma decisão judicial fosse ela qual fosse e nunca – nunca mesmo – fiquei inventando pretextos para retardar o cumprimento de decisão de juiz singular ou de instância superior. Intimado ou notificado de uma decisão judicial, cumpria imediatamente o mandamento, muito ao contrário do que fazem muitas autoridades que, em vez do cumprimento imediato da ordem judicial, procuram tão somente ganhar tempo para interpor recurso ou reclamação à instância superior. Por outro lado, só faço ou deixo de fazer alguma coisa por força de uma lei anterior e quem faz lei no Brasil é o Poder Legislativo. Em algumas situações, o Poder Executivo pode impor uma lei provisoriamente enquanto o Legislativo cumpre os trâmites processuais e regimentais que demandam algum tempo. Mas lei definitiva no Brasil só através do Poder Legislativo. Aprendi isto como cidadão e também como aluno do curso de Direito que me outorgou um diploma de bacharel com o qual trabalhei como promotor e advogado. Por isso fico escandalizado com a impostura do Supremo Tribunal Federal, o órgão máximo do Poder Judiciário, assumindo ou usurpando atribuições exclusivas do Poder Legislativo. Quem faz lei é o Poder Legislativo. O Poder Judiciário não faz lei. O Poder Judiciário zela e vela pelo cumprimento da lei votada pelo Legislativo. Mas ele não substitui nem se sobrepõe ao Poder Legislativo. Nesse caso, agora, do tal de nepotismo (parente nomear parente), pratica uma impostura inconstitucional. Se o Supremo acha que parente não pode nomear parente, que faça uma proposta ao Poder Legislativo para votar uma lei. Mas não usurpe atribuições privativas do Poder Legislativo. Sei que a opinião pública muitas vezes não dá muita importância ao exato cumprimento das formalidades constitucionais ou legais para se chegar a um resultado. Os fins nobres estão acima dos meios não muito nobres. No caso desse vício de parente nomear parente, grande parte da opinião pública apóia o saneamento mesmo à custa da farsa e da impostura. E tolera e permite o Supremo meter os pés pelas mãos sob o pretexto de acabar com o nepotismo. Os fins nobres justificam o uso de meios sórdidos?! Preferiria que o Congresso Nacional votasse uma lei proibindo o nepotismo no serviço público brasileiro mas nunca se deveria admitir nem tolerar que o Supremo Tribunal usurpe a competência privativa do Poder Legislativo e edite lei apócrifa embora com a boa intenção de moralizar a vida pública. Nunca é demais lembrar que o inferno está cheio de boas intenções. Tenho o maior respeito e admiração pelo Poder Judiciário, mas se fosse governador ou prefeito não cumpriria lei parida ou inventada pelo Supremo. E tenho absoluta certeza de que, no final da minha suposta insubordinação, o próprio Supremo me daria ganho de causa.

AZUL Pretendendo concorrer com a TAM e a GOL na exploração de linhas aéreas regulares nos céus brasileiros, está surgindo uma nova sigla que tem nome colorido, a Azul. Se vai dar certo, só o tempo dirá. Mas, de uma coisa, eu gostei. Aliás, de duas. A nova empresa anuncia que as poltronas para os passageiros guardam uma distância decente e folgada, umas das outras, de modo que o passageiro – tenha pernas curtas ou compridas – vai poder cruzá-las facilmente. Além disso, passageiro vai poder escolher se viaja perto da janela ou do corredor. As fileiras só têm dois lugares, janela ou corredor. Ninguém será mais sanduichado na cabulosa poltrona do meio. As novas gerações talvez não saibam. Mas era assim que se viajava no passado. O passageiro só tinha um vizinho. Incrível, né?!

PROBIDADE Toda probidade é 100% suspeita. Observação de Millôr Fernandes.

PUBLICIDADE De vez em quando, revista semanal que circula em todo o Brasil traz várias peças publicitárias de empresas paraenses, mas todas com um esclarecimento. A matéria publicada na revista não tem circulação nacional. Ela só aparece nos exemplares vendidos no Pará. Fico intrigado. Se só circula nos exemplares vendidos em Belém, por que as empresas paraenses fazem publicidade em órgãos impressos em São Paulo?! Parece que se a revista é de circulação nacional, a propaganda paraense deveria estar inserida em todos os exemplares espalhados pelo Brasil. Se só é incluída nos exemplares vendidos no Pará sai muito mais penetrante e vantajoso fazer a publicidade nos órgãos paraenses. Tem milhares de vezes maior penetração que uma revista paulista.

OBESIDADE Pesquisas realizadas no Reino Unido concluem o que não chega a ser surpresa: na grande maioria dos casos, a obesidade é definida na infância. Lá mesmo na Inglaterra, a maior parte das crianças de 4 a 5 anos está acima do peso. Dizem os cientistas que, antes de uma menina obesa alcançar a idade escolar, ela já terá acumulado cerca de 90% do excesso de peso que carregará durante toda a infância. Para os meninos, esse acúmulo é de 70%. Alertam os especialistas de Plymouth que encabeçaram os estudos: a causa principal da obesidade das crianças está relacionada a hábitos alimentares inadequados em casa. É preciso agir mais cedo e apelar para o antigo provérbio: de pequenino é que se torce o pepino. Tanto quanto os pesquisadores, parece ter razão o jornalista Luís Fernando Veríssimo para quem toda a sabedoria do mundo está nos velhos provérbios com suas frases curtas.

COMPARAÇÃO “Lula da Silva prossegue apenas discursando, gracejando, proferindo impropérios para o gáudio da platéia de bajuladores. Perto dele Dercy Gonçalves é santa”. Pedaço do artigo “Lula da Silva e Dercy Gonçalves” veiculado no “Jornal do Brasil” e assinado por Maria Lúcia Victor Barbosa, cientista política formada nas universidades federais de Minas Gerais e de Brasília.

CRISE Em reunião da Confederação Nacional de Agricultura, o presidente do Banco Central Henrique Meirelles foi ovacionado após declarar que a crise aqui será mais curta e que sairemos mais fortes dela. O que quer dizer isso? Certo está o Millôr quando diz que mais difícil do que interpretar a atual situação financeira é interpretar uma interpretação dos economistas sobre a atual situação financeira.

PALESTRA A Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil / AJEB, dirigida no Pará pela acadêmica Sylvia Helena Tocantins, realizou seu encontro natalino em jantar na residência da escritora Mizar Bonna. Dom Vicente Zico, convidado especial das ajebianas, foi o ilustre palestrante da noite.

CONGRAÇAMENTO Os cronistas esportivos paraenses festejam no domingo 11 de janeiro de 2009 os 40 anos da fundação de sua associação (Aclep) em sua bela sede em Ananindeua. Na ocasião haverá entrega de medalhas aos fundadores e aos associados com 30 e 20 anos de filiação, além de sorteios de brindes e prêmios. Também o jornalista Ferreira da Costa, que preside a Aclep, lançará o seu livro “Memorial da Crônica Esportiva Paraense” com 200 páginas. Já a Academia Paraense de Letras realizou almoço de confraternização natalina na quinta-feira passada reunindo acadêmicos e amigos da Academia em um almoço no Baú Bistrô.

NATAL Embora admitindo que Cristo não nasceu exatamente no dia 25 de dezembro mas mais provavelmente em outubro, Salomão Azulay, pastor emérito da Igreja Presbiteriana de Belém, remete para esta página uma cópia do seu artigo “Natal Numa Belém Imaginária” em que focaliza “o espírito misterioso do Natal” neste 2008. Ao final, faz uma sugestão aos leitores: “Reúna toda a sua família, seus irmãos na fé e celebre esse maravilhoso Presente, Jesus, que Deus nos deu, com louvor e ação de graças por tudo o que Ele é, e tem feito na sua vida, ajudando a vencer as lutas experimentadas no ano que está findando e tenha fé que Ele há de continuar ajudando a realizar aqueles sonhos projetados para todos os dias do ano que se avizinha”.

INTERROGATÓRIO Advogado: Aqui na justiça, para cada pergunta que eu lhe fizer, sua resposta deve ser oral, certo? Que escola você frequenta? Testemunha: Oral.

CINISMO De jornal aberto, passageiro de ônibus mostra para o seu vizinho: – Olhe a cara desse “cara”... O outro olha: – Que foi? Ganhou na loteca?! – Nada disso. Tá confessando que ajudou a matar o médico Nahmias! Parece que a pena de morte ainda seria pouco para ele!

FORÇA Para um observador político, a invejável e inédita posição de Lula desfrutando de mais de 70% de aprovação popular não implica obrigatoriamente na eleição do seu candidato à sua sucessão, aliás a candidata. – Uma coisa é Lula – dizia ele para um grupo que o ouvia. – Ele tem força, prestígio e não teria para mais ninguém se ele pudesse ser candidato mais uma vez. Mas não pode. Tem de indicar alguém, ao que parece a ministra Dilma Rousseff que, por sinal, já cumpriu a única exigência de Lula, que era não usar mais óculos de grau. Mas Lula é um fenômeno individual, pessoal, muito dificilmente terá condições de transferir o seu carisma para outra pessoa. Lula pode se meter em mil trapalhadas como o “mensalão”, mas nada cola nem respinga nele. Ele pessoalmente é imbatível. Essa história de dizer que ele elege até um poste, é exagero e muito. Não acho que Dilma seja um “poste”. Para mim, ela tem talento e presença, mesmo de óculos. Mas não herda a popularidade e o carisma do Lula. Quem quer apostar? Ninguém quis.

SILOGISMO Penso, logo existo. Louras burras não pensam, logo louras burras não existem. Meu amigo diz que não é veado porque namora uma loura inteligente. Se uma loura inteligente namorasse meu amigo seria burra. Como louras burras não existem, meu amigo não namora ninguém. Conclusão: meu amigo é veado mesmo. Colaboração de um internauta.

MÃE Segundo o IBGE, o Pará é o estado brasileiro campeão de mães solteiras. Estatística do ano passado. Eu me lembro que em 1940, quando houve o primeiro recenseamento no Brasil, o Pará foi o primeiro colocado no “ranking” das mães solteiras. Eu estava em Fortaleza e a brincadeira comigo era assim: Ei, tu que és filho de paraense... Naqueles tempos, ser filho de mãe solteira não era boa credencial... Hoje tanto faz como tanto fez.

CHINA – Não se pense que o Carmona (deputado Martinho Carmona) arrefeceu seu entusiasmo pela parceria Belém / Beijing, – dizia aquele deputado para seu colega, ambos frequentadores das noites da Assembléia Paraense, o clube. – Ele hoje está em São Paulo tendo um encontro com o dr. Charles Stang, que é o diplomata encaregado dos assuntos comerciais com o Brasil. Carmona pretende, de volta a Belém, ter uma reunião com os produtores, exportadores e importadores paraenses interessados no comércio com a China. Carmona faz fé nesse intercâmbio.

PRINCÍPIO Psiquiatra incentiva paciente na primeira consulta: – Pode me contar desde o princípio... – Pois bem, doutor... No princípio eu criei o céu e a terra...

REPERCUSSÃO A morte do médico Salvador Nahmias em Belém, assassinado no meio da rua, repercutiu na Câmara Federal. O deputado Wladimir Costa exige a exoneração do delegado geral Justiniano Alves enquanto o deputado Wandenkolk Gonçalves pediu intervenção federal no Pará. Para ambos os parlamentares, o governo só faz comprar carros e mais carros, motocicletas e mais motocicletas, mas essas máquinas não são usadas no policiamento da cidade.

P. S. A prefeita Maria do Carmo, de Santarém, reeleita para mais um período, teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral. O pretexto é que a gestora, que há quatro anos está no comando do município, não se afastou de uma vez, para sempre, do seu cargo no Ministério Público. Ela, apenas, se licenciou da promotoria pública para onde voltaria quando terminasse seu mandato de prefeita. O TSE aplicou-lhe um pontapé e Maria do Carmo terá de ir cantar noutra freguesia porque para o seu canto no MP ela não volta mais. A decisão do despejo da prefeita do seu cargo no Ministério Público foi tomada por quatro votos a três, o que é sinal de que o tribunal se dividiu meio a meio na hora da aplicação da pena e é sobre esse desconcertante escore que quero opinar. Cassação de mandato pela justiça é uma coisa muito séria, muito grave. Cassação de mandato pela própria casa legislativa não é tão séria porque é uma decisão política. Parece-me exagero injusto um mandato popular ser invalidado pela diferença de um voto em um colegiado de sete juízes. Deveria ser exigido um quórum qualificado para decretação de perda de mandato popular. Maioria simples não deveria ter tanto poder. Nos Estados Unidos há uma fórmula interessante para as decisões dos tribunais de juri. Qualquer decisão final tem de ser dada por unanimidade. Isso não quer dizer que a votação secreta tenha sido por unanimidade. Mas ela só pode ser anunciada quando os votantes derrotados na eleição secreta se conformarem com a decisão da maioria. Parece que no Brasil se deveria exigir esse detalhe nos casos de cassação de mandato popular. Sem unanimidade, nada feito. / HG

P. S. do P. S. Um Feliz Natal para todas as minhas fiéis leitoras de todos os domingos e um Feliz Natal para os meus pontuais leitores de todos os domingos. E também para quem não é fiel e nem pontual. Feliz Natal para todas e todos.




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15/12/2008 - 12:34:57
– BRASIL NÃO FICA ATRÁS DOS ESTADOS UNIDOS : LÁ PRENDEM GOVERNADOR, AQUI SE PRENDE MAGISTRADO



– Vocês viram?! – começou dizendo aquele frequentador habitual das sextas-feiras do restaurante da Assembléia Paraense, – o clube. Eu sabia que o Brasil não iria deixar os Estados Unidos deitarem e rolarem sozinhos com essa história do governador de Illinois vendendo a vaga de senador que era do Obama. Fez uma espécie de parêntese oral para explicar a situação: – Não sei se todos vocês sabem, mas nos Estados Unidos senador não tem suplente. Quando acontece uma vaga, quem nomeia o sucessor é o governador do Estado. Lá o senador não representa propriamente o povo, mas as unidades estaduais. Por isso, o governador é quem indica livremente o novo ocupante para concluir o mandato do que saiu. Retoma o fio da meada: – Pois é... Era só o que faltava o Brasil deixar os americanos sozinhos na crista da onda... Nossa intervenção veio quase no mesmo dia do caso de Illinois. Lá eles pegaram o governador, aqui nós pegamos o maioral da justiça do Espírito Santo, o chefe do Poder Judiciário capixaba, e botamos na cadeia! O magistrado e seus colegas, também presos, estavam acostumados a trancafiar ou soltar os membros dos outros poderes. Aqui no nosso Brasil a Polícia Federal prendeu e enjaulou sem processo nem coisa nenhuma os magistrados capixabas. Vejam se alguma outra polícia de qualquer parte do mundo teria coragem de fazer isso. Duvide-ó-dó... Estou de peito lavado. O Brasil e especialmente o Brasil de Lula não poderia ficar atrás. E todos os amesendados resolveram comemorar o episódio com uma talagada. – Mas não de “John Walker” – propôs um. – Vamos beber à legítima moda brasileira. E todos pediram e beberam excitante caipirinha nacional. Cachaça com limão.

INFORMÁTICA O Núcleo de Informática Educativa da SEMEC encerrou com louvor a sua programação de 2008. Realizou seminário interno com mais de 40 apresentações de trabalhos feitas pelos professores da rede municipal que desenvolveram suas atividades educativas com crianças e jovens, usando o computador como recurso de aprendizagem. A coordenação do encontro esteve sob a orientação da professora Isabela Faciola Pessôa. Os trabalhos percorreram diferentes áreas do conhecimento e fizeram o computador aproximar literatura, história, folclore, matemática, música, alfabetização, internet, artes visuais, meio ambiente e cinema. A mostra da SEMEC provou que, na gestão do prefeito Duciomar Costa e da secretária Therezinha Gueiros, usar a informática nas escolas públicas não significou apenas comprar computadores, mas sobretudo partiu da formação continuada de professores para bom uso da tecnologia. Como passo do programa, os prédios das escolas públicas de Belém precisaram passar por reformas – muitas vezes, construção de ampliações – e, assim, puderam receber salas refrigeradas e mobiliadas com 10 a 20 computadores. Um detalhe. A bonita casa de dois pavimentos na Padre Eutíquio, onde funciona o Núcleo de Informática Educativa, foi adquirida em 1996, no último ano da minha gestão como prefeito de Belém. Outro detalhe. Quando fui governador, instalei na SEDUC o primeiro centro de informática para escolas estaduais no Brasil. Ficava na Almirante Barroso e estendeu suas ações até mesmo para alguns municípios do interior. Em 1989. Aqui, a informática voltada para a educação tem uma longa história ponteada de êxitos.

TEMPO Chefe de departamento de repartição pública em Belém, preocupado com o cumprimento dos horários dos funcionários, mandou instalar um relógio digital de parede. De hora em hora, o relógio marca a hora com a emissão de som característico de gorjeio de passarinho. Logo depois, na mesma repartição, mas em outro setor e outra sala, os servidores instalaram outro relógio digital. O som a cada hora é o miado de um gato. Com tanta onomatopéia nas paredes, só uma coisa precisa ser evitada a todo custo naquele órgão público: colocar os dois relógios lado a lado. Deve acabar em morte. Do passarinho, é claro.

>b>MODA Em animado ágape, jovem rapaz integrava grupo de maduros. Os mais velhos jogavam conversa fora e falavam coisas como “engolir a agulha da vitrola” e orientação por “bússola”. O jovem rapaz achou tudo muito estranho, mas escutou pacientemente os relatos. Entretanto, a certa altura, ele puxou do bolso um pequenino computador com som, imagem, telefone e GPS (para quem não sabe, substitui a bússola). Uma senhora madura, boquiaberta, exclamou: – Como estou “démodée”! Tão “démodée” que nem se deu conta que o francesismo está totalmente fora de moda.

RECEITA Televisão entrevista um casal com mais de 50 anos de convivência. – Mas vocês nunca discutiram? – pergunta o repórter. O marido explica: – Tivemos um pequeno desentendimento logo no início, mas depois nunca mais. – Como? Impossível! O senhor pode nos explicar? O marido explica: – Quando casamos, minha mulher tinha uma gatinha de estimação que ela amava muito. Fomos para a lua-de-mel e minha mulher fez questão de levar a gatinha. Andamos, passeamos e a gatinha sempre conosco. Mas, certo dia, a gatinha mordeu sua dona. Minha mulher olhou bem para a gatinha e disse: – Um! Alguns dias depois, a gatinha voltou a morder minha mulher. Ela olhou para a gatinha e disse: – Dois! Passados mais alguns dias, a gatinha mordeu-a de novo. Minha mulher sacou uma espingarda e deu cinco tiros na bichinha. Fiquei apavorado e gritei: – Mulher ignorante e malvada. Por que você fez uma coisa dessas? Minha mulher olhou para mim e disse: – Um! Desde esse dia nunca mais discutimos.

BARALHO Converso com neta minha a propósito do ano letivo que está terminando: – Como é, minha filha? Estás gostando do colégio? – Tô, vô. Só acho chato duas coisas. Há professores que passam a aula fazendo pregação e profissão de fé no Marx. E há outros que na hora da aula permitem três ou quatro alunos lá no fundo da classe jogando baralho. – Mas durante a explanação da matéria?! – É, vô... Ele falando e uma turma jogando baralho...

EDY Edy Lamar, cujo ingresso no panteon da imortalidade da Academia Paraense de Letras foi objeto de uma nota desta página, me agradece o registro em carta do próprio punho. Na carta, Edy relembra detalhes de sua caminhada literária até o pináculo do ingresso da APL. – Venci, meu mestre! Estou feliz, dr. Hélio! Considero tudo uma dádiva de Deus, “que me abençoe com inegáveis sinais”, - me diz ela. No final, um P.S.: “Já escrevi 26 livros mas só consegui publicar um – “Devaneios Tocantinos”. Os outros 25 continuam inéditos”. E faz a relação deles: São 5 de poesias, 2 de contos, 10 de ensaios, 3 romances, 2 de crônicas, 2 infantis e 1 de teatro. Será que Edy vai encontrar um Mecenas que a ajude?

VOTOS Entre as mensagens de fim de ano, recebi uma que me chamou atenção especial. Vou transcrevê-la na íntegra: “A todos meus amigos, familiares e conhecidos... Para todos aqueles que em 2008 continuam me passando as mesmas correntes de 2005, 2006 e 2007 dizendo que se eu repassar vou ficar rico ou milionário, milagres iriam acontecer, além de outras coisas mais... Aviso que não funcionou!!! De agora em diante, se querem ajudar, por favor, mandem dinheiro, presentes ou vales gasolina, gás, refeição, etc. Me liga que eu passo o número da minha conta. Obrigado e Deus abençoe a todos.”

MEMÓRIA “Rio Memória” é livro de crônicas da coleção “Ler é Prazer”. Será lançado amanhã, dia 15, às 19 horas, na sede social da Assembléia Paraense. Os autores são os acadêmicos João Carlos Pereira e Denis Cavalcante. Quando lerem o livro, observem também a capa, com reprodução de fotografia da cidade de Belém dos velhos tempos.

DIFERENÇAS O clínico sabe tudo e não resolve nada. O cirurgião não sabe nada mas resolve tudo. O psiquiatra não sabe nada e não resolve nada. Colaboração de um internauta.

TAYANA Não sei se todos prestaram atenção aos dados biográficos da Tayana, a brasileira paraense vencedora do título de “Supermodels Brazil 2008”. Ela concorreu com 700 mil – repito 700 mil – candidatas. Ela nasceu em Belém, mora em Paraopebas e sabe falar italiano e francês. É por isso que eu sempre digo: a mulher paraense é bonita, tem charme e graça. Já pensou? Tayana venceu 699 mil 999 outras candidatas! Nunca antes ouvi falar de concurso com 700 mil candidatas. Merece ser incluído no Livro Guiness de Recordes!

ELEVADO Vocês não acham que um elevado no Entroncamento tem mais urgência do que lá no Coqueiro? É bem verdade que já fizeram uma maluquice no Entroncamento, um mergulho em vez do elevado. Parece que vale a pena tapar o buraco e erguer um elevado. QUADRANGULAR O alvo de 35 mil novos batizados para o ano de 2008 que a Igreja Quadrangular mirou já foi alcançado. Para aproveitar o embalo, a Igreja espera chegar até o próximo dia 28 nos 40 mil novos batizados. O pastor Josué Bengston, que superintende todo o trabalho no Pará, está todo engatilhado para se reeleger deputado federal em 2010.

PREVENÇÃO Companheiro de banco no ônibus que o levava para o trabalho, passageiro puxa conversa com o vizinho expressando o seu temor que a atual crise que abala o mundo todo possa terminar por atingi-lo aqui em Belém e ele seja despedido do emprego. – Você não tem medo disso, meu amigo? – Eu já estou tomando as minhas providências para não ser atingido por essa onda de demissões, – replica o vizinho. E dá detalhes: – Os jornais estão informando que o Congresso Nacional está aprovando um projeto de lei que garante estabilidade de um ano de emprego para quem vai ser pai. E pai tanto em conseqüência do casamento legal como pai sem qualquer prévia formalidade legal. Quero dizer ao amigo que eu tenho uma “matriz”, legal, e outra “filial” não tão legal. Já acertei com as duas que vamos ter filhos mas cada uma no calendário diferente da outra. Resultado: vou ter dois anos de estabilidade no meu emprego. – Só tem uma coisa. Se muitos pensarem como você, a população do Brasil vai dobrar pé com cabeça... – observou o vizinho. Em solução quebra-galho, ninguém supera o brasileiro.

REFORÇO Para um desportista, Remo e Paysandu deveriam acabar com essa história de contratar técnicos de fora que só querem vir trabalhar em Belém se puderem trazer seis ou sete jogadores com ele. Alguns não trazem logo a cambada. Mas 2 ou 3 dias depois da chegada, vão logo dizendo que só podem endireitar o time se a cambada dele também for contratada. O pior é que a cambada deles não é melhor que os paraenses. Muitas vezes os daqui são bem melhores mas o novo técnico não escala nenhum deles porque precisa mostrar que a cambada importada é melhor. Não é, mas ele escala a cambada. E termina perguntando para os seus ouvintes: vocês não acham que o novo técnico leva uma “ponta” da cambada?

REVISÃO Internauta remete o novo significado de vocábulos da língua brasileira: – Cálice – ordem para ficar calado – Catálogo – ato de se apanhar coisas rapidamente – Combustão – mulher com peito grande – Razão – lago muito extenso porém pouco profundo – Rodapé – aquele que tinha carro mas agora roda a pé – Sexólogo – sexo apressado – Unção – erro de concordância muito freqüente. O correto seria um é – Vatapá – ordem dada por prefeito de rua esburacada – Viúva – ato de ver uva E vai por aí...

P. S. Afora os jornais de Belém, só há um que leio, desde quando me entendo, todos os dias. É a “Tribuna da Imprensa” do Rio de Janeiro, fundada por Carlos Lacerda, que, depois, passou para o jornalista Hélio Fernandes. Quando os exemplares eram vendidos nas bancas de Belém, lia. Quando deixaram de ser oferecidos nas bancas de Belém, também lia porque tinha sempre alguém no Rio que me remetia via aérea. Com o advento da internet, pedia para Eunice, minha cunhada, tirar para mim o artigo e coluna diários do meu xará carioca. Não se pense que eu concordo em gênero, número e grau com toda opinião do HF. Discordo e discordo muito até porque o estilo usado pelo jornalista é duro e radical, dadndo a impressão de que ele está sempre com raiva e com a razão. Acho que uma vaselinazinha suavizaria o impacto. Mas HF não vai mudar. Foi, é e será sempre o mesmo Hélio Fernandes. No começo da semana passada, a “Tribuna” não teve mais condição de continuar circulando. Ela se despediu com a promessa de que voltará a circular. Mas não sabe quando. Nem sempre o querer é poder. Não é fácil um jornal voltar a circular. E aqui em Belém se tem muito exemplo. A “Folha do Norte” era o maior jornal do Pará, do Norte e talvez um dos maiores do Norte-Nordeste. Fechou e não abriu mais. “A Província do Pará” era o órgão líder dos Diários Associados de Assis Chateaubriand em todo o Norte. Fechou e não abriu mais. “O Estado do Pará” foi o grande porta-voz da Revolução de 30 em Belém. Fechou, tentou reabrir umas duas ou três vezes, não conseguiu. Foi sepultado para sempre. Não há caso de ressurreição na imprensa paraense. Para mim, a grande virtude do jornalismo da “Tribuna” era que, custasse o que custasse, sofresse o que sofresse, ela não deixava de publicar a matéria incômoda ou controvertida mesmo que o seu diretor pessoalmente não concordasse co ela. A chamada grande imprensa do Sul – que, de certa forma, comanda ou influencia todos os diários do país – repete quase “ipsis litteris” a mesma notícia, seja no Chuí ou no Oiapoque. A “Tribuna” destoava dessa uniformidade e abria espaço para quem não tinha espaço mas tinha opinião e informação diferente. Embora perdendo a sua trincheira no jornal, Hélio Fernandes está aproveitando o advento da internet para prosseguir na sua luta. No dia seguinte ao fechamento da “Tribuna”, HF começou a divulgar na internet o que não pôde mais publicar no jornal. Ele muda de trincheira mas não sai da luta por um Brasil melhor. Deus o conserve sempre assim!




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07/12/2008 - 20:09:34
Três poderes são coisas do passado: hoje são cinco e talvez seis poderes



Vocês devem ainda lembrar da opinião ou palpite que eu dei aqui recomendando que o Carmona não viajasse para a China porque correria o risco de não se eleger presidente da Assembléia – não a nossa aqui, mas a Assembléia Legislativa do Estado, sede de um dos cinco poderes do Brasil – de modo que... Foi interrompido por um ouvinte: – Pera aí, companheiro! Não são cinco poderes. São só três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Que negócio é esse de cinco poderes?! O expositor não se perturbou: – Realmente, meu amigo. Até o começo do século passado era só esses três. Mas hoje surgiram mais dois e agora são cinco. Os três que você mencionou e mais Imprensa, quarto, e o Ministério Público, quinto. E é possível até que alguém acrescente um sexto poder, que é o Tribunal de Contas. O mundo evolui, meu amigo... Tão evoluído está que há alguns estudiosos que admitem que a mídia, a imprensa, não é um poder mas um superpoder, acima de todos os outros. Interrompeu a sua explanação para sorver uma dose do seu “John Walker” selo preto e retomou a palavra: – Eu insisti aqui que o Carmona não deveria viajar agora para o outro lado do mundo porque aprendi desde criança que quem vai ao ar, perde o lugar. Ele desprezou ou menosprezou a advertência e o Juvenil se reelegeu tranquilamente. – Mas o Carmona voltou antes do dia da eleição para a Mesa, – interveio outro ouvinte. O esplanador replica em cima do lance: – Mas o Juvenil já tinha cortado e aparado a ex-quase-candidatura do Carmona que, na volta, se certificou logo que seu nome havia ido para o brejo... Aliás, eu desconfio que a China dá um azar de piteira. Junto com o Carmona, o seu companheiro de viagem ao outro lado do mundo entrou por um cano solene. Saiu daqui calmo e sossegado sem o menor risco de perder sua cadeira na Mesa até porque era o único representante do PTB na direção coletiva da Casa. No regresso da China, o Eduardo (deputado Eduardo Costa) viu que o seu nome não estava cogitado para coisa alguma. E mais: até o seu partido, o PTB, que ocupava a primeira vice-presidência da Mesa, foi defenestrado. Não tem nenhum petebista na cúpula do Poder. Ao final, todos os agrupados chegaram à conclusão de que viagem à China dá azar. – Taí o Carmona e o Dudu (deputado Eduardo Costa) que não nos deixam mentir... Moral da história: quem tiver pretensão e projetos na política não caia na besteira de viajar para China.

MACUMBA – O PTB foi o grande derrotado nas eleições para a Mesa da Assembléia Legislativa. Tinha a 1ª Vice-Presidência nos últimos dois anos. Agora não tem nada embora tenha uma bancada de quatro deputados. Quem comentava o fiasco trabalhista lembrava que o PTB é o partido do prefeito Duciomar Costa que acaba de alcançar uma grande vitória ao reeleger-se prefeito derrotando duas vezes seguidas quatro concorrentes. Tem prestígio pessoal perante o povo mas não desfruta de apoio no plenário do Legislativo estadual. – Olhem, para mim – interveio um ouvinte – o Duciomar está pouco se lixando com eleições no legislativo estadual, que interessa mais à governadora. Duciomar tem interesse na eleição para a Mesa da Câmara Municipal de Belém que é o legislativo com quem ele trabalha. Já outro participante da roda de conversa disse que tinha ido ao plenário da Assembléia Legislativa no dia da reeleição do Juvenil e ficou surpreso com o que viu nas galerias. Estava tudo lotado de macumbe, filhos e pais de santos. – Só faltava o Belzebú... – frisava. Procurou saber o motivo da movimentação macumbeira e foi informado que eram os adversários da candidatura do Carmona. – Você acha que foi por isso que o Carmona perdeu?! – Não vou dizer que sim, nem vou dizer que não, – respondeu. – Sou como aquele espanhol desbravador de florestas: – Eu não creio nas bruxas, mas que elas existem, existem...

PÉROLAS Pérolas extraídas do último Exame Nacional do Ensino Médio / ENEM. – O sero mano tem uma missão... – Não preserva apenas o meio ambiente e sim todo ele. – O cerumano no mesmo tempo que constroi, também destroi pois nós temos que nos unir para realizarmos parcerias junto. – Menos desmaramentos, mais florestas arborizadas. – Vamos deixar de sermos egoistas e pensarmos um pouco mais em nós mesmos. Internauta que manda essas e outras pérolas faz um comentário no final: Com essa turma, o Brasil continuará no terceiro mundo ainda por umas boas décadas! E fecha o e-mail: Meu medo é que se tornem presidentes da República um dia!

QUALIFICAÇÃO Quem me lê aqui todos os domingos já sabe que tenho a mania de olhar para tudo quanto é “outdoor” espalhado pela cidade. Encontrei um agora nas vésperas da eleição para reitor da UFPA que me deixou meio intrigado. O cartaz apontava simplesmente uma qualidade para se preferir determinada candidata. Ela é uma admirável petista! Sei não. Não acho que ser do PT seja a qualidade única exigível de quem pretende ser reitora. Antes da filiação partidária, os eleitores (professores, alunos e burocratas) devem pesar e avaliar as qualidades de cada um dos quatro candidatos sem se preocupar se ele é do PT, do PMDB, PSDB ou de outra das várias siglas ou de nenhuma sigla. A reitoria exige do seu ocupante saber, cultura, equilíbrio, vocação de líder, integridade, caráter. Ser do PT ou do PV é simples detalhe, “que não infloi nem contriboi”... Não acham? Eu acho.

PRÊMIOS Marcílio Benedito Costa, com o seu livro “Celina”, ganhou o “Prêmio Vespasiano Ramos” outorgado pela Academia Paraense de Letras na categoria de Poesia. Já no gênero conto o “Prêmio Terêncio Porto” foi para João Paulo de Oliveira Freitas com o livro “Amaldiçoados Modernos”. No gênero ensaio o “Prêmio Carlos Nascimento” foi para Paulo Maués Correa com seu livro que tem um título rebuscado: “Entre Paixão e Morte: Leitura d’A Viúva, de Eustachio de Azevedo”, todos referentes à produção literária deste 2008. Aurélio do Carmo vai receber a Medalha Comemorativa “José Veríssimo” enquanto Ubiratan de Aguiar, Marcos Valério e o prefeito Duciomar Costa entram para a galeria “Amigo da Academia”. Eládio Lobato, Manoel Azevedo e Joana Pessoa vão receber a Medalha do Centenário da APL. A entrega dos prêmios está marcada para o próximo dia 18, às 19 horas, na sede da APL na João Diogo. O orador da solenidade será o “imortal” Ribamar Fonseca. Tomem nota: dia 18, que é uma quinta-feira.

BASTA Conversa de passageiro de ônibus para o seu vizinho de banco: – O amigo não acha que a Flora (Patrícia Pillar) já matou muita gente na novela das 9? O outro resmunga e dispara: – Olhe, meu vizinho, eu, por mim, ela deveria matar também o autor da telenovela. Nunca vi tanta cretinice... – É... Mas a novela é líder absoluta da audiência. A “Globo” deve estar adorando a cretinice...

ESTATÍSTICA Há de se tirar o chapéu para a precisão das estatísticas sobre problemas da nossa Belém. Durante a semana terminada ontem, as autoridades competentes trombetearam que a velocidade média dos veículos que trafegam pela cidade caiu 28,13%. Não caiu 28% nem 29%. Exatamente 28,13%! Também não informaram a quantos quilômetros corresponde essa queda de 28,13%. Não sei se alguém ainda se lembra mas registrei que a estatística prova que uma pessoa pode morrer afogada nas águas de um rio cuja profundidade média é de trinta centímetros. O azarento caiu num buraco do leito do rio que tinha três metros de profundidade.

CONFUSÃO Após a cirurgia: Doutor, entendo que vocês médicos se vistam de branco. Mas por que essa luz tão forte? – Meu filho, eu sou São Pedro.

NORTE Café com tapioquinha na chapa, cupuaçu, graviola, castanha-do-pará, açaí, pirarucu, pato no tucupi e farinha de tapioca são ingredientes de uma inusitada dieta, para perder peso, recomendada por revista de circulação nacional. O título chamativo da matéria é “Dieta do Norte”. Mas, tirando o Pará do nome da castanha, nenhuma referência à nossa terra. O cardápio só faz alusão a Manaus. Continuamos atrás.

RETINAS Pela sétima vez, a estátua em bronze do poeta Carlos Drummond de Andrade, em banco da praia de Copacabana, é atingida pela ação de vândalos. Há um detalhe curioso: os óculos da escultura são o alvo dos destruidores. Lá no Rio de Janeiro, a rotina vem se repetindo. Uma vez, o Drummond do banco da praia fica sem óculos, que são roubados. Outra vez, os óculos de Drummond são danificados. Isso ou aquilo. Uma coisa ou outra. O fato nos faz lembrar de alguns versos de “No meio do caminho” depois do episódio em que o escritor encontrou a famosa pedra: “Nunca me esquecerei desse acontecimento / na vida de minhas retinas tão fatigadas”. Pobres retinas do Drummond! Se não bastasse a implacável ação do tempo, sofrem também a ação dos vândalos.

VERMELHO Motorista de táxi, quando o veículo passa na pracinha Milton Trindade, puxa conversa com o passageiro: – A decoração da praça pro Natal tá muito bonita. Mas não entendi por que escolheram tanta cor vermelha. Tudo está vermelho, vermelho, vermelho. – Será que o nosso querido Dudu quer homenagear a governadora?! Conversa vai, conversa vem. Nenhuma conclusão líquida e certa sobre a razão da escolha da cor vermelha. Mas o falante condutor do táxi, informante habitual desta página, ficou feliz com os dois dedos de prosa filosófica enquanto faturava os trocados selados no taxímetro e unia, com sabedoria, o útil ao agradável.

POROROCA Pergunta de um admirador do futebol paraense: – Vocês acham que agora o Amaro Klautau vai usar o remo para enfrentar os estrondos e as ondas da pororoca?

SOLIDARIEDADE Marido chega preocupado em casa e diz à esposa: – Tenho um problema no serviço... A esposa: – Não diga tenho um problema, diga temos um problema, porque os teus problemas são meus também. O marido: – Tá bem. Temos um problema no serviço. A nossa secretária vai ter um filho nosso.

SERZEDELLO Fernando Coutinho Jorge, que acaba de ser reeleito presidente do TCE, vai inaugurar na próxima terça-feira, dia 9, o Centro de Memória do TCE-Pará, em solenidade às 17 horas na sede do Tribunal. A cerimônia se encaixa dentro da comemoração dos 150 anos do nascimento de Serzedello Correa, paraense, engenheiro, abolicionista e republicano, e também nome de uma das principais artérias de Belém. Na condição de Ministro da Fazenda, Serzedello foi o grande responsável pela implantação do TC no Brasil, “como instituição imprescindível e moralizadora no controle dos gastos públicos”. Na ocasião, será relançado o livro do falecido conselheiro Clóvis Morais Rego que tem o título de “Serzedelo Correia – Homem de Pensamento”. O presidente do TCU Walton Alencar Rodrigues deverá estar presente.

UFPAP. S. Sempre muito lúcido e atualizado nas suas observações em artigos e entrevistas nos jornais, Raul Navegantes aconselhou as atividades constituídas a ouvir a população antes de tomar decisões importantes. Nenhum reparo ou restrição ao conselho de Navegantes. Apenas me permito lembrar que a população é ouvida constitucionalmente de dois em dois anos por ocasião das eleições federais, estaduais e municipais. Não há hoje no Brasil nenhuma autoridade na área do poder executivo e legislativo que não seja escolhida diretamente pela população dos eleitores. Acabou-se essa história de “biônicos” e indiretos. Todos – todos sem exceção – só sobem à cúpula do poder se o povo escolher o seu nome. Não há outro meio de subir até lá. Com isso, quero dizer que há uma oportunidade constitucional regular para a população se manifestar ao eleger livre e soberanamente Presidente da República, governadores, prefeitos, senadores, deputados federais, deputados estaduais e vereadores. Os eleitos têm todas as condições de expressar a vontade, as prioridades e necessidades de todo o povo paraense e de todo o povo brasileiro. O que pode acontecer – ou está acontecendo – é que o povo talvez não tenha consciência da arma que tem, que é o voto. Só ele tem essa arma, é exclusivamente sua. É insubstituível e soberana. Nada está por cima dela ou mesmo ao seu lado. O voto é poderoso e invencível. É possível que o povo só use essa arma na hora de escolher presidente, governador e prefeito. Quando chega o instante de ele, também, indicar todos os parlamentares, ele não dá bola, não se interessa, vota em qualquer um indicado pela namorada ou pelo noivo ou pelo patrão ou pelo chefe ou por um corrupto ou corruptor. O povo deve ter a consciência de saber que todo o poder para subir ou para descer está nas suas mãos. É o voto de dois em dois anos. Sabendo usar, o Brasil vai ganhar. / HG




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30/11/2008 - 00:47:03
Paraense é radical: combate nepotismo até na direção dos clubes de futebol



– Meus amigos, eu gostaria...

Foi interrompido por um grito vindo da frente de um aparelho de televisão: – Olha pessoal! O assassino do gerente do “Líder” vai dar uma entrevista coletiva e a televisão vai transmitir ao vivo...

Todos os amesendados no restaurante da Assembléia Paraense, – o clube – se levantaram e foram correndo para frente da televisão.

Não se pode calcular exatamente o tempo da sensacional entrevista porque ela terminou mas os telespectadores ficaram conversando entre si sobre o bárbaro assassinato. Mas pouco a pouco a mesa foi se recompondo e o conversador interrompido reiniciou sua conversa:

– Meus amigos, eu gostaria de conversar com vocês sobre um fenômeno que está ocorrendo aqui em Belém. O meu Paysandu e o Remo de vocês estão envolvidos numa situação interessante. Estão falidos e mal pagos (ele usou uma expressão mais grosseira, mas o assessor especial da página que zela pelo asseio vocabular dela sugeriu em seu lugar o termo “falidos”), mas não falta quem queira dirigir os dois clubes.

E especificou: – No meu Papão, apelaram até para a praga mais amaldiçoada hoje, esse tal de nepotismo. Como vocês sabem, na área federal quem praticar o nepotismo, no mínimo, deve ser condenado à prisão perpétua e, depois da prisão perpétua, à forca.

Alguém intervém: – Está certo, companheiro. Mas que diabo é nepotismo? Já ouvi essa palavra mas não sei o que ela quer dizer...

– Eu, também, – contraparteou outro.

Paciente, o expositor traduz: – Ao pé da letra, nepotismo significa o domínio dos sobrinhos sobre o governo do titio. Mas hoje, nepotismo é o governante ajudar qualquer parente ou contraparente, não se estendendo à amante ou concubina a execração. Só atinge a quem tem parentesco legal. Pois bem. No meu Papão, que está falido (a palavra usada não foi “falido”, mas aquela já censurada pela assessoria da página) e mal pago, há quem esteja querendo colocar na cúpula alvi-celeste os seus parentes e aderentes. E não venham me dizer que no Remo de vocês a coisa é diferente. Um candidato a presidente do Remo quis impingir vinte novos “beneméritos” que nem remistas são...

– Já pensou?!... O Remo ser comandado por diretores do Paysandu... – comentou outro participante da conversa.

O expositor ia retomar a palavra mas não conseguiu. Alguém, de longe, gritou: – Olhem! A televisão vai exibir uma nova entrevista com o assassino do diretor do “Líder”. Eles estão anunciando que a entrevista é exclusiva...

Todos os ouvintes debandaram e foram se acomodar perto do vídeo.

MOSTRA

Final de ano é sempre tempo de fazer balanço e mostrar resultados. Esse espírito moveu a Semec para realizar, no último final de semana, a “Mostra dos Saberes do Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos”, coordenada pela professora Odozina Braga.

A abertura do encontro no Centur teve a presença da Guarda Municipal com a execução de hinos acompanhados por todos os participantes de 48 escolas da rede de Belém, que assistiram variadas apresentações culturais. Foi alcançado com sucesso o objetivo de compartilhar e divulgar as experiências desenvolvidas pelos professores e alunos. Cada escola expôs seus trabalhos e, ao mesmo tempo, ficou sabendo o que as outras escolas estão fazendo.

Alguns trabalhos exibidos na “Mostra” municipal: recriação de fábulas; estudos sobre a bacia do Guamá; resgate das comunidades quilombolas; pensamento geométrico a partir de dobraduras; passado e presente de Belém; preservação do meio ambiente; fotografias das ilhas pelos alunos; reservas florestais da Amazônia.

Números da “Mostra”: 277 alunos com apresentações culturais e 199 com exposição de trabalhos; 48 professores com apresentações culturais e 188 com exposição de trabalhos. Está de parabéns a equipe da secretária Therezinha Gueiros que conta com o permanente incentivo do prefeito Duciomar Costa.

BARCO

“Dutra assume barco azulino”.

A manchete no jornal provocou o seguinte comentário do leitor para o companheiro de banco de ônibus:

– É verdade que o clube tem remo, mas o barco tá fazendo água há muito tempo...

BRINCADEIRA

Na última edição da revista “Cultura” – editada pela Academia Paraense de Letras –, o acadêmico João Carlos Pereira, ao relatar a reunião dos “imortais” para um alegre e demorado almoço (por adesão, como está na moda), usou “P. S”. Não satisfeito, usou também “P. S. do P. S.”. Mas fez uma brincadeira com este escriba e observou: “Com a necessária licença do acadêmico Hélio Gueiros, quase proprietário, na imprensa local, da abreviatura P.S.”. Licença concedida.

Vale a pena ler a revista da APL, com distribuição gratuita de 5.000 exemplares, sob a batuta do presidente Edson Franco.

IMORTAL

Na sua segunda tentativa de se tornar “imortal”, a escritora Edy-Lamar de Oliveira foi eleita quinta-feira passada para ocupar vitaliciamente a cadeira 20 da Academia Paraense de Letras, da qual o último ocupante foi Benedicto Monteiro.

Na sua primeira investida para se sentar em uma cadeira da APL, Edy mandou para os “imortais” um currículo singular. Ela já havia escrito quinze livros mas, até então, só havia conseguido publicar um.

Não sei se neste intervalo entre a primeira e a segunda votação, Edy conseguiu editar outro. Creio que sim.

Parabéns Edy, pelo ingresso na “imortalidade”.

UNIDADEPara um observador político, que conversava numa roda da Assembléia, – a sede do Poder Legislativo – “é notável a unidade de pensamento do governo”.

E dava um exemplo do dia: – Enquanto Lula manda o problema da inflação para o raio que a parta, o presidente do Banco Central adverte que o Brasil não pode se descuidar do problema da inflação. E mais: Lula anuncia que a prioridade absoluta do seu governo é o PAC que prevê investimentos maciços no desenvolvimento econômico do Brasil. E o PAC está sendo executado sob o comando único da ministra Dilma Rousseff que deverá ser a sucessora de Lula na Presidência da República.

O falante observador salientava mais que Lula é tão cuidadoso e minucioso na preparação de Dilma para ser a sua candidata que conseguiu que a ministra deixe de usar óculos. – Homem de óculos, vá lá. Mas mulher de óculos de grau, de jeito nenhum. Faço uma exceção: mulher de óculos escuros fica muito insinuante, – admite o nosso preclaro presidente.

Não se espantem se Dilma aparecer de óculos escuros.

RESPOSTA

– Descreva o regime político adotado pelo Presidente Jânio Quadros, – foi a questão escolhida pela professora para os alunos.

Uma discípula respondeu sem precisar gastar muito tempo e espaço: “Professora, eu nasci no ano de 1987 e por esse motivo não poderei responder a essa pergunta. Mas me prontifico a ir à biblioteca para pesquisar qual foi o regime adotado por ele.”

Internauta manda uma xerox da prova com a sincera resposta. Se ela nasceu em 1987, está com 21 anos de idade, pode votar e ser votada, mas não sabe quem foi Jânio Quadros. Imagine-se: e se a mestra fizesse pergunta sobre uns tais de Pedro Primeiro e Pedro Segundo!?

MUNDO

Quando se pensava que essa coisa de piratas dos oceanos era risco de 200, 300 anos atrás, em pleno século XXI eles voltam a operar!

Por ora, estão lá pelo Oceano Índico. Mas como hoje o mundo é uma aldeia global, não se deve estranhar se eles aparecerem em Salinas.

FRAUDE

Passageiro de ônibus, com exemplar de jornal na mão, se vira para o vizinho de banco e comenta: – Olha aqui, o deputado Gerson Peres anunciou e provou que a votação nessas urnas eletrônicas pode ser fraudada e adulterada...

O outro arrisca: – Você quer dizer então que muito deputado e vereador na verdade não foi eleito pelo povo mas simplesmente pela máquina eletrônica?

O primeiro se explica: – Meu amigo, não estou preocupado se dessa turma eleita uns foram pelo voto do eleitorado e outros pela fraude da máquina. O que perturba é que se a máquina pode “inventar” o número do vencedor, ela, também, pode ser manipulada para “sortear” os números da megasena... Já pensou?

– Você quer saber de uma coisa? Eu já andava meio cabreiro porque nunca acertei os números da megasena, – replicou a vizinha. – Vou largar a loteca e voltar para o meu “jogo do bicho”. E desceu bem em frente a uma banca do “jogo do bicho”.

CONTAS

Os jornais informam que o Tribunal de Contas aprovou as contas da governadora do ano passado. Com ressalvas, mas aprovou.

O assessor especial da página para temas ligados à prestação de contas perante os TCs intromete-se nesta nota e recomenda que sua excelência faça tudo para ver suas contas apreciadas enquanto estiver no pleno exercício da governança. Há uma coincidência impressionante. Toda vez que o tribunal retarda o julgamento das contas para depois do mandatário deixar o poder, elas são rejeitadas. Sem ressalvas.

EDUCAÇÃO

O Brasil ocupa o 80º lugar na classificação mundial da educação.

Não digo logo quem é o primeiro para dar oportunidade para o leitor adivinhar quem é o privilegiado. Por isso, informo antes que a Bolívia é a 75ª colocada, o Equador o 74º, a Venezuela a 69ª e o Paraguai o 68º, todos na frente do Brasil.

Já arriscaram quem é o 1º pelos critérios da ONU? Se o seu palpite foi o Japão ou a Alemanha ou a Noruega, errou. Na frente deles, que ocupam respectivamente o 2º, o 3º e o 4º lugares, está o Cazaquistão, que eu não sei nem por onde fica!

Para mim, mas incrível do que o Cazaquistão ser o primeiro, é saber que o Brasil está abaixo da Bolívia e do Paraguai!

P. S.

Não me recordo das exatas palavras usadas mas o senador Jarbas Passarinho declarou certa vez que o Senado Federal é o clube fechado mais gostoso do país.

Acho que posso dizer o mesmo com um detalhe. Na sua carreira parlamentar, Jarbas só foi senador. Eu fui, além de senador, deputado federal e posso comparar por experiência própria um e outro mandato.

Depois de ser expulso da Câmara Federal, não recebi dela atenção ou distinção alguma. Pelo contrário. Fui quase retirado a pontapés do apartamento que ocupava em Brasília, que me foi alugado por um parlamentar paraense que não conseguiu a reeleição. Como demorei em retirar minhas coisas do apartamento – e demorei porque não tinha dinheiro para pagar o transporte para Belém – recebi um ultimato. Ou retirava o que me pertencia até um dia determinado ou tudo seria levado para o depósito público. Não sei como, meu irmão Zoênio e minha cunhada Lindaura souberam da minha agonia e, juntando umas economiazinhas amealhadas ao longo dos anos, me deram tudo que tinham e Therezinha voltou a Brasília para tratar e acertar o transporte para Belém. É a lembrança que tenho da minha estada em Brasília no desempenho do mandato de deputado federal.

Já como senador, até hoje estou sempre recebendo atenções e distinções da Casa onde trabalhei por quatro anos, porque interrompi meu mandato de senador por oito anos para exercer a governança do Estado do Pará. Deixei de ser senador há vinte anos mas continuo a ser lembrado por lá e de lá.

Ainda esta semana recebi medalhas, diplomas e condecorações pela passagem do vigésimo aniversário da Constituição de 1988 de cuja discussão e votação participei juntamente com mais outros 14 parlamentares paraenses.

E na galeria das fotos publicadas, está a de cada um dos constituintes de 1988, entre eles os 14 parlamentares paraenses que discutiram e votaram a atual Carta Magna do Brasil. Pela Constituição, deputado federal é igual a senador. O que um tem direito, o outro também tem, com exceção da duração de mandato, que a do senador é o dobro do tempo do deputado e já aí existe uma diferença bem grande. É a tal coisa: na prática a teoria é diferente.

Da Câmara, não tenho boas lembranças inesquecíveis. Do Senado, só tenho boas lembranças inesquecidas. Da Câmara, só me lembro do pontapé no traseiro para sair do apartamento. Do Senado, tudo que lembro é de bom e de bem.

Faço este registro pessoal das duas situações vividas para que os mais crédulos não fiquem mais pensando que senador é igual a deputado e deputado é igual a senador, como há, também, quem acredite que no Brasil todos são iguais perante a lei... Pois sim!








23/11/2008 - 18:54:32
SE VAI FAZER VESTIBULAR, CANTE E DECORE CAETANO E CHICO



Uma dica para quem está com os olhos voltados para o vestibular nesta época do ano: as letras da MPB (música popular brasileira) são cada vez mais abordadas nos exames, especialmente a vasta criação de Caetano Veloso e Chico Buarque de Hollanda. Teste recente exigiu, com várias perguntas, a interpretação de “Trilhos Urbanos” do Caetano e “As vitrines” do Chico. Outro detalhe destes novos tempos: provas, gabaritos e comentários dos vestibulares das grandes universidades do Brasil estão disponíveis na internet. Com música e internet, há quem diga que estudar para o vestibular no terceiro milênio não deixa de ser uma tarefa agradável. Enfim, a gaia ciência. A propósito da moderna internet, saibam que já mora no ciberespaço o acervo fotográfico da lendária revista “Life”, onde despontam capas famosas com cromos de desejadas estrelas do passado como Grace Kelly, Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Greta Garbo, Gina Lollobrigida e Brigitte Bardot. Todas aparecem com suas belezas exuberantes dos tempos em que muitos vestibulandos e internautas de hoje ainda nem tinham nascido. Às vezes, o novo – como a internet – dá uma colher de chá ao velho.

FILOSOFIA Padre Fabrizio Meroni, diretor do Centro de Cultura e Formação Cristã da Arquidiocese de Belém, já programou com o professor Benedito Nunes as palestras e seminários da agenda do próximo ano. No primeiro semestre, o filósofo desenvolverá o tema “Poesia e Misticismo” visando à reflexão sobre a experiência mística que alimenta a criação poética, com foco nos religiosos espanhóis São João da Cruz e Santa Tereza de Ávila e no alemão Angelus Silesius. No segundo semestre de 2009, as conferências de Benedito tratarão de “Romance, drama e filosofia”, com base em Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Maurice Merleau-Ponty e Machado de Assis. Todos os encontros serão na sede do centro na BR-316 em Ananindeua, ao lado da Granja Modelo.

LOMBROSO Quando entrei na Faculdade de Direito, tomei conhecimento de que um tal Lombroso há séculos pesquisou e descobriu que a simples experiência de uma pessoa indicava logo que se tratava de criminoso. Bastava olhar para a “careta” do cidadão e se sabia logo que era um criminoso. Claro que os meus professores repudiavam a tese. Mas para avaliar se Lombroso tinha feito uma observação procedente, passei a estudar a fisionomia de todo criminoso flagrado praticando delito, com a foto publicada nos jornais que naqueles tempos davam muito destaque ao noticiário policial, aliás como continuam a dar até hoje, com todos os diários trazendo um caderno especial de seis, oito ou dez páginas só cobrindo atos criminosos. Quase sempre, eu concordava com a tese de Lombroso. Todo criminoso tá na cara. Não engana. Hoje já estou achando que Lombroso não tinha razão. Olho para as fotografias dos criminosos flagrados no ato ou indiciados depois, e nenhum me dá a impressão, pela cara, de que é um marginal. Todos têm semblante tranqüilo, sereno, inocente. Podem parecer mais um seminarista do que criminoso. É aí que mora o perigo. Você vai sentado no banco de ônibus tendo ao seu lado um vizinho com toda pinta de um “Filho de Maria”, lendo até um missal. Mas, na verdade, é um facínora avaliando se vale a pena assaltá-lo, pilhar e até matar. Que pena a tese de Lombroso não corresponde à verdade! E o pior é que, ao contrário, as aparências cada vez enganam mais.

HORÁRIO – Por favor – dizia aquele participante de uma roda em que se discutia o horário brasileiro de verão –, por favor, insisto, não me venham dizer que o Pará não está sujeito a ele. Está, sim senhores. Mês passado, me preparei para fazer o exame do Enade e procurei saber o local e o horário das provas. As provas começarão pontualmente às 8 horas da manhã e já às 7:30 da manhã me apresentei no local. Não pude entrar. Fui barrado. – O senhor não pode mais entrar porque o exame já começou há meia hora. E, uma vez iniciado, não entra mais ninguém. – Mas estou dentro do horário. Agora é que são 7:30 e a prova só vai começar daqui a meia hora. – Não pode mais entrar, meu amigo. O horário é o de Brasília... – Mas eu não estou em Brasília. Estou em Belém e rigorosamente dentro do horário. – Não encha... Aqui você não entra e está acabado. Não entrou mesmo. Você está em Belém mas o horário é o de Brasília...

MEDALHA Com o timbre da Presidência da República, recebo um estojo. Abro. É uma medalha que contém gravada: 1988-2008 – 20 anos da Constituição Cidadã – Parlamentar Constituinte. Foi o deputado Ulisses Guimarães quem batizou de Constituição Cidadã a nossa atual Carta Magna. Ganhei a medalha porque participei da Constituinte. Eu era um “broto”: 60 anos.

FÓRMULA – Achei muito interessante a sugestão de um colega, – dizia aquele deputado – propondo que o impasse entre Domingos Juvenil e Martinho Carmona, ambos desejando a presidência da casa em 2009, seja solucionado harmoniosamente. E detalhou: – O Juvenil vai para conselheiro do Tribunal de Contas e o Carmona ocupará a presidência desta Casa. É aparteado: – Mas isso já foi sugerido. Só que o Carmona é que iria para o TC e o Juvenil seria reeleito para a presidência. O outro se conformou: – Então não tem jeito. O voto secreto é que vai decidir. O diabo é que votação secreta aqui é imprevisível. O votante jura por Deus que vai votar em Carmona como também jura por Deus que vai votar no Juvenil... É como canta Nana Caymmi: jurar é seu jeito de mentir... Ou como canta o Chico Buarque: não se sabe por que Deus ela jura... Taí o Luiz Cunha que não me deixa mentir. Todo mundo jurou que ia votar nele para a vaga do TC mas, no fim, quem ganhou foi o Cesar Colares, que seria só uma candidatura simbólica... Eu, por mim, só vou me decidir na hora...

QUADRANGULAR A Igreja Quadrangular do Brasil encerra hoje no “Hangar” a 33ª Convenção de seus pastores. Cerca de 2.000 pastores estão presentes à reunião. A seguir, na Escola de Educação Física, será realizado o Congresso das Mulheres da Quadrangular. Aqui no Pará a Igreja está tendo um crescimento que pode ser classificado de espetacular. No dia 15 foram batizados mais de 10.200 fiéis.

CÔNJUGE Para agradecer o tópico desta página sobre alimentos gravídicos (para quem não se lembra é um novo direito que a lei brasileira garante à mulher grávida para sustentar o embrião que ainda está dentro do seu ventre), o jurista Zeno Veloso manda um novo estudo sobre “Direito Sucessório dos Cônjuges”. Ainda não li mas, pelo uso da palavra “cônjuge”, tenho a impressão que se trata de situações para os casais unidos pelos laços de um casamento legal. Até há pouco a lei brasileira praticamente equiparava, sem diferença, a união de casados de acordo com o ritual legal e a união de quem se juntava sem esse rito. Agora, ao que parece, a lei resolveu dar uma colher de chá a quem se une com a prévia obediência das formalidades legais. Tomara!... O Zeno vai me mostrar.

PROTEÇÃO Três assaltantes invadiram uma residência no Conjunto Bela Vista, mais precisamente na Rua 7 de Setembro. Foram flagrados pelos moradores que decidiram fazer justiça pelas próprias mãos. E partiram para cima dos ladrões que tentaram escapar por cima dos telhados das casas. Um deles foi logo agarrado e recebeu exemplar corretivo. Outro conseguiu fugir. O terceiro se viu acuado e não teve dúvidas. Do telhado de uma casa passou a gritar: Socorro! Chamem a polícia! Chamem a polícia! Moradora do Conjunto narra o fato para esta página porque acha que foi a primeira vez que um criminoso pede a proteção da polícia. E diz também que a polícia não foi chamada porque, nessas horas, quando ela comparece, o bandido já foi dominado e a polícia só faz protegê-lo. Já outro leitor zomba da greve dos delegados de polícia: – Mas eles ainda existem? – pergunta. E complementa: A violência campeia na cidade, os assaltos se sucedem a toda hora aqui, ali e acolá, e a população não vê polícia alguma nas ruas! Podem fazer greve porque não faz diferença...

DICIONÁRIO Dentro de semanas vai sair um novo dicionário no Brasil e será bem específico: Dicionário Brasileiro de Prazos. O objetivo do novo dicionário é esclarecer de preferência os estrangeiros que chegam ao Brasil. Exemplos: A expressão “sem falta”. No Brasil ela só é usada depois do terceiro atraso. No primeiro deve-se dizer: – Fique tranqüilo que amanhã eu entrego. Depois do segundo atraso: – Relaxa, amanhã estará em sua mesa. Só aí é que vem o amanhã sem falta. Outra: “um minutinho”. É um período incerto e não sabido, que nada tem a ver com um intervalo de 60 segundos. É muito usada quando o usuário de serviço público liga para fazer uma reclamação. “Pode deixar que eu já vou fazer”. Traduz-se como “nunca”.

SUCESSÃO Para um político paraense, é uma “maluquice” a decisão da justiça eleitoral na Paraíba destituindo um governador eleito e empossado há dois anos. Acha ele que uma tramitação de mais de dois anos para um suposto delito eleitoral é uma coisa lamentável. Mas o pior – frisa – é a justiça eleitoral mandar empossar o candidato derrotado há 2 anos. Quem ganhou, perde; quem não ganhou, vence no tapetão. Para ele, a solução mais equilibrada e justa seria a realização de uma nova eleição pela Assembléia Legislativa da Paraíba. Dar posse a quem foi rejeitado pelas urnas é uma maluquice, – repetia.

HURRA Um hip-hip-hurra para Jader Filho, escolhido empresário do ano. Não é fácil dirigir e fazer crescer um jornal. E o detalhe quase exclusivo da imprensa escrita é que ela pode ser avaliada 365 vezes no ano. Por qualquer pessoa. Hip-hurra para ele!

VÔO Entra no avião e procura uma poltrona para acomodar-se. Encontra vaga numa cadeira do corredor. Olha e vê que na poltrona junto à janela está uma linda morena e automaticamente bem atraente. Senta-se lá. Com 15 minutos de vôo, puxa conversa com a sua eventual companheira: – Está a passeio ou em serviço? – É viagem habitual. – Ah! Trabalha com moda. – Não. Faço pesquisa. – É escritora, não é? – Não, sou sexóloga. No momento, dedico-me a pesquisar as características do membro viril masculino. – E a que conclusões já chegou? Cruzando as pernas, ela responde: – De todos os pesquisados, conclui que os nossos irmãos índios são portadores de membros com as dimensões mais avantajadas enquanto os descendentes de árabes provocam mais gozo em suas parceiras. Além disso... Oh! Desculpe-me, senhor. Estou aqui falando sem parar e não sei nem o seu nome... – Mohamed Pataxó, às suas ordens!

DIFERENÇA – Qual a diferença do jogo do bicho para a Mega Sena? – Não sei. Qual é? – Nenhuma.

P. S. Há uns vinte anos eu não via nem ouvia falar de um conterrâneo meu dos meus tempos de jovem, estudando e também trabalhando em uma farmácia na famosa Praça do Ferreira em fortaleza. Eu, uns dez anos mais velho. Ele não era exatamente da minha patota mas estava sempre procurando ficar por perto tanto mais porque freqüentávamos a Igreja Presbiteriana, com um detalhe comum: ele era filho de pastor e eu, também, filho de pastor. E, voltando a morar em Belém, fui passar umas férias em Fortaleza quando apanhei um ônibus. Ao entrar vi uma irmã dele e fui me sentar ao lado dela e, de repente, não mais do que de repente, como diz o poeta, iniciamos um namoro quase incrível: ela era muito novinha em comparação com a minha idade. Agora, no começo de novembro, durante quatro dias seguidos, fui procurado por telefonema de Fortaleza, mas, por isso ou por aquilo, não pude ser encontrado. O telefonista do Ceará, aconselhado não sei por quem, contactou com uma cunhada minha, a Lídia, e ela me comunicou a caçada que estavam me fazendo de Fortaleza. Já ia fazendo a ligação para Fortaleza quando o meu celular toca. Era de 083, Fortaleza. Atendo. – Hélio, sabes quem está te falando? É o Helnir Cortez. – Como não sei? Para mim não é Helnir mas o Poné, não é? (Poné era o apelido carinhoso do Helnir). E ficamos proseando até que ele me disse a razão do telefonema: – Estou falando contigo para avisar que o Walfredo morreu... (Walfredo era minha companhia diária nas noites cearenses. Infalivelmente.). Ele chegou do Rio para passar férias aqui, mas teve um problema. Internou-se no hospital, na UTI, mas só levou 24 horas lá. Terminou sua caminhada aqui na terra... Segunda-feira passada Therezinha me diz: – Olha, o Azulay (Reverendo Salomão Azulay) me disse agora pelo telefone que um Cortez, parece que Helnir, acaba de morrer em Fortaleza. Como é que pode, Santo Deus?! Passo 20 anos sem falar com o Poné. Ele passa 4 dias tentando falar comigo e não consegue. Quando falou, no dia seguinte morreu. Parece que ele tinha de dar um alô para mim para poder morrer! Ah! Os mistérios insondáveis da vida!... E da morte!








16/11/2008 - 17:14:02
APRENDA E CONFIRA: LUA DE MEL DURA 2 ANOS, 6 MESES E 25 DIAS



– A gente tem de tirar o chapéu para a precisão matemática dos cálculos dos técnicos e estatísticos brasileiros na investigação de fenômeno da convivência humana, – dizia aquele amesendado na Assembléia Paraense – o clube – para os seus companheiros da direita e da esquerda já que estava sentado bem no centro da mesa. E sem esperar a costumeira intervenção do apressadinho que vai logo querendo adivinhar o que o outro vai dizer, desembucha: – Olhem, acabo de ler em respeitável publicação que a lua de mel de um casal dura exatamente dois anos, seis meses e vinte e cinco dias, contados a partir do dia – ou da noite – em que a união se consumou. O apressadinho não perdeu a oportunidade da tradicional intervenção: – Queres dizer que a contagem começa no dia do casamento, não é? – Eu não disse a partir do dia do casamento, – explica o dissertador – mas do dia em que a união carnal se consumou pela primeira vez. Antigamente – eu sei – a primeira vez era a noite de núpcias mas os hábitos e costumes se alteraram ao longo dos tempos e hoje os casais não têm tempo nem paciência para agüentar castos o dia do casamento legal. Antecipam a consumação do ato sem as bênçãos prévias da Igreja ou dos protocolos legais. Raríssimos são os casos em que a primeira vez acontece na noite de núpcias. Mas tomem nota: a lua de mel dura dois anos, seis meses e vinte e cinco dias, a contar do instante da primeira vez. Lá da extremidade da direita, um comensal, com lápis e papel na não como quem está fazendo conta, pede a confirmação: a lua de mel dura dois anos, seis meses e vinte e cinco dias? E como obteve a confirmação, se levantou pediu licença para se retirar. – Olhem a coincidência – explicou ele – estou fazendo hoje exatamente 2 anos, 6 meses e 25 dias de casado. Vou para casa. Vou ver se ainda dá para aproveitar meu último dia de lua de mel com a Risoleta.

APARÊNCIA – Eu não integrei a comitiva da governadora que está na China, mas gostaria de ter sido convidado, – confessava aquele deputado para um seu colega, que também não foi convidado. Ele opina sobre uma ausência na revoada à China: – Olha, para mim, quem deveria ter ido era o Juvenil (deputado Domingos Juvenil). Ele tem a aparência física que se assemelha ao chinês, com olhos pequeninos e fala pouco. O chinês ficaria com a impressão de que o paraense é muito parecido com ele. O parlamentar vai em frente com uma observação: – Mas quem foi? Martinho Carmona e Eduardo Costa! Os dois parecem muito mais europeu e norte americano do que caboclo paraense. E como o chinês não é chegado nem a europeu nem a americano, não deve estar gostando da “pinta” dos dois.

SANTARÉM De Novembro agora a Maio de 2009, a cidade de Santarém está no roteiro de 35 transatlânticos programados para excursões à Amazônia. Eles estão vindos da Europa e dos Estados Unidos e, em Santarém, o ponto preferido é Alter-do-Chão. Por sinal, dois navios – o “Veedam” e o “Amadea”, de origem italiana – já escalaram em Alter-do-Chão neste mês de Novembro. Em média cada navio conduz ao redor de 900 turistas, o tempo de parada em Santarém é apenas de horas mas dá para os passageiros comprarem uma lembrança do artesanato mocorongo e coisas ao redor de 70 a 100 dólares por turista. Há uma expectativa de 400 mil visitantes estrangeiros descerem em Santarém até Maio próximo.

TRIAGEM Na porta da entrada do céu, São Pedro faz a triagem na fila dos pretendentes. E faz através de um teste rápido. O primeiro da fila é um americano. São Pedro pergunta: O que é mole, mas na mão das mulheres fica duro? – Esmalte, – respondeu o americano. Entra! – liberou Pedro. O seguinte da fila é um francês. – O que as mulheres têm no meio das pernas? – O joelho, – respondeu o francês. – Entra, - sentenciou Pedro. Agora é um inglês. – O que uma mulher casada tem mais larga que a solteira? – A cama. – Certo. Pode entrar. O espanhol é o seguinte da fila. São Pedro faz o teste: – O que é redondo, tem duas letras, um furo no meio, começa com C, quem dá fica feliz e quem recebe muito mais ainda? – CD! – responde o espanhol. – Entra, – São Pedro determina. O brasileiro, que era o seguinte da fila, foi logo saindo de fininho antes de ser interrogado. São Pedro chama: que é isso? Não vai responder à sua pergunta?! – Não tenho chance, São Pedro. Errei todas as anteriores!!!

GRAVÍDICO Leio sempre os artigos do jurista Zeno Veloso no jornal e fico atualizado com as decisões da justiça brasileira em todas as instâncias. Zeno usa o mesmo método de Cristo que apelava sempre para uma historiazinha – que a Bíblia chama de parábola – para revelar e indicar as soluções certas. E o que faz Zeno, 21 séculos depois de Cristo? Lembra ou inventa uma situação de fato e através dela ensina o que a justiça brasileira está decidindo sobre os problemas. Semana passada eu me encuquei com o título do artigo de Zeno. “Alimentos Gravídicos...” Que diabo é isso? Li e aprendi. A lei brasileira sempre protegeu os direitos de quem nasce com via. Mas agora, lei sancionada mês passado, protege o embrião que ainda está dentro do ventre da mãe. A mulher grávida tem todo o direito de cobrar pensão do verdadeiro ou suposto parceiro para as despesas do fruto da união eventual ou permanente do casal. Alimentos gravídicos... Obrigado, Zeno, por mais essa lição.

ACADEMIAS A Academia Paraense de Letras marcou para o próximo dia 27 deste mês a eleição para a vaga aberta com a morte de Benedito Monteiro. Só uma candidata está pleiteando o lugar, a escritora e poetisa Maria Edy-Lamar de Oliveira, mas ela tem de ser sufragada pela maioria absoluta dos “imortais” sobreviventes. Uma semana antes, no dia 21, a Academia Paraense de Letras Jurídicas dará posse a seus dois novos membros: Célio Simões de Souza, que vai para a cadeira n°8 patrocinada por Arnaldo Lobo e qual o último ocupante foi Edgar Olinto Contente; e José Eliziário Bentes, que vai sentar na cadeira 23 da qual o último ocupante foi Itair Sá da Silva. Os novos acadêmicos serão saudados por Eudiracy Silva e o local das cerimônias será na sede da APL na João Diogo, às 20 horas.

JATENE Antes de viajar para a China, a governadora Ana Júlia esteve em Santarém participando de um seminário sobre o plano sustentável para a BR 163. A governadora não poupou críticas e restrições ao ex-governador Simão Jatene acusando-o de nunca dialogar com os chamados movimentos sociais. Também jogou nas costas de Jatene a responsabilidade pelas precárias condições de funcionamento da Universidade do Estado em Santarém. Viu, Jatene?

CURSOCORRUPÇÃO Leio nos jornais: Pará Lidera a Corrupção: 30%. Achei exagerada a estimativa. O Pará responsável por 30% da corrupção brasileira?! Fui ler a matéria. Realmente o Pará não sedia 30% da corrupção nacional. Apenas o praticante da corrupção no Pará cobra porcentagem de 30% sobre o valor da bandalheira. Nos outros estados, a taxa cobrada por fora não passa de 5%; Por outras palavras, o corrupto no Pará é o mais caro do Brasil.

PROJEÇÃO – Eu não entendo mais nada , – me comenta um torcedor. – O Remo e o Paysandu atolados em dívidas, falidos e mal pagos, e aparecem não sei quantos candidatos à presidência de um e outro... Não entendo... Relembro um episódio. – Olha, há alguns anos, quando o Giorgio Falângola, na época, um líder empresarial em Belém dirigindo a principal indústria gráfica da cidade, decidiu aceitar a presidência do Paysandu, eu disse para ele: – Estás doido, Falângola. Vais te meter na direção de um time de futebol... Vais te arrepender... E Falângola me diz em cima da bucha: – Olha, Hélio, como presidente do Paysandu vou ter mais prestígio e influência do que o vice-prefeito de Belém. Teve mas o seu negócio foi para o beleléu.

MARAVILHAS Através de voto popular Brasília escolheu as suas sete maravilhas. O primeiro lugar maravilhoso de Brasília é a Catedral, vindo em segundo lugar o Congresso Nacional e em terceiro o Palácio da Alvorada, que é onde mora Lula. A quarta maravilha de Brasília é o Palácio dos Despachos onde às vezes Lula despacho quando chega de suas viagens turísticas pelo mundo. Em quinto lugar, a Tenda da Boa Vontade, em sexto o Santuário Dom Bosco e a Ponte JK no sétimo. Quem conhece Brasília pode avaliar se concorda ou não com as sete preferências. De minha parte, eu daria um jeito de meter também a Torre no Centro da cidade. Pode ser uma cópia da Torre Eiffel de Paris mas tem uma presença notável na paisagem brasiliense. E o que não é cópia nesse mundo? Chacrinha dizia que no Brasil nada se cria, tudo se copia. Chacrinha se foi mas a frase ficou.

CIDADÃ Não se sabe por que os jornais não deram destaque à “lição de cidadania” dada pelo eleitorado de Bom Jesus de Itabapoana, no rio de Janeiro, nas eleições de outubro. A “lição de cidadania” consistiu na anulação propositada de 89,23% dos votos colocados nas urnas. A população entendeu que os candidatos escolhidos pelos partidos eram o “fim da picada” e por isso resolveram protestar através da anulação. A anulação vai provocar a repetição da eleição. Como os jornais não deram notícia da atitude dos itabaoanos, internauta está enviando mensagens pretendendo que o Brasil adote a postura dos eleitores fluminenses quando repudiarem as escolhas oficiais dos partidos. Esta página colabora com a campanha cívica.

PUQUISTA Silas Negrão cujo brado em defesa da integridade atual do território paraense foi objeto de nota domingo passado, agradece a posição da página mas pede licença para um ligeiro reparo. A matéria cita a criação do Estado de Marabá “quando na minha carta refiro-me ao futuro Estado do Tapajós”. E Silas justifica o reparo: “Conheço o meu povo e sei o quanto são “puquistas”. E traduz o significado de puquista: “No vocabulário abaeteuara é adjetivo que qualifica quem faz pouco caso de seu semelhante, fazer pouco, é mangar, caçoar, malhar. Em suma, não deixar passar em branco quando encontra algum deslize.” Seja feita a sua vontade, Silas.

MINISTÉRIO Está ganhando corpo no Baixo Amazonas a idéia de se criar o Ministério da Amazônia. Para isso, primeiro se extinguiria o Ministério do Meio Ambiente e, em seu lugar, se implantaria o Ministério da Amazônia e Meio Ambiente, com sede em Belém. – Quem sabe – especulam os idealizadores – se o Ministro, saindo do Rio e Brasília para se fixar em Belém, daria mais eficiência à ação dos seus órgãos na região? Ou se o ministro sulista não quisesse vir morar no “Portal da Amazônia” que o presidente da República escolhesse um amazônida que se sentiria em casa trabalhando em Belém, Para os idealizadores do novo ministério, o atual ministro do Meio Ambiente tem pouca afinidade com a realidade amazônica. É, parece boa a idéia. Pretender cuidar da Amazônia morando no Rio ou em São Paulo até agora não deu resultado. Afinal, a sabedoria popular já adverte que longe da vista, longe do coração.

P.S. Pelo telefone, converso com a Stella e, se tem dois “eles”, é a Stella Pessôa, cúmplice desta página. Ela pegou um carro e foi se internar em hospital de Belém. Que foi? Pergunto. Que estás fazendo aí? Stella explica: eu andei sentindo umas dores fortes e resolvi me internar. Pensei que era apendicite, mas os médicos, inclusive os meus irmãos que também são médicos, acham que é diverticulite... Interrompi: – Ihi... Que chique! Estás com a doença do Tancredo... De imediato a Stella me faz a ressalva: É, mas a minha sorte é que eu não estou em Brasília... Estou em hospital de Belém... Para quem não se recorda, Tancredo Neves, já eleito Presidente da República, teve uma crise na véspera de tomar posse. Tem de operar já, – sentenciou a junta médica da capital do país. – Mas eu posso tomar posse e logo depois me operar? – Nem pensar, – outra sentença da junta. Um parente de Tancredo propõe uma alternativa que julgou razoável: – Então a gente pega um avião agora e ele vai se operar em São Paulo. Não se levará nem duas horas... A junta brasiliana se indignou: – Então os senhores acham que os médicos de Brasília não sabem operar uma diverticulitezinha?! Se ele não for operado agora, não chegará vivo ao aeroporto. Tancredo foi operado em Brasília. Foi sua última lembrança do mundo.!!!








09/11/2008 - 20:17:10
ENGATILHADO TERCEIRO NOME PARA PRESIDIR ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA



Desatendendo o prudente conselho do assessor da página para problemas parlamentares que sugeriu a permanência no Brasil e no Pará do deputado Martinho Carmona enquanto o processo da escolha do novo presidente da Casa estivesse em curso, o experiente deputado disse “Bai, Bai, Brazil” e, de São Paulo, onde fora assistir a vitória de Massa, que ganhou mas não levou o campeonato por causa de um ponto, voou para o outro lado do mundo como integrante virtual da excelsa comitiva chefiada pela governadora Ana Júlia.

Não se vai dizer que o deputado Domingos Juvenil, candidato à reeleição de presidente da também excelsa Casa, ficou e ficará de braços e pernas cruzadas aguardando o regresso do seu rival para desfechar o seu bote final.

Mas a verdade é que numa excelsa roda de deputados na aprazível Salinas onde descansavam das canseiras e chatices das rotineiras sessões do plenário, um dos participantes da conversa conseguiu ser ouvido atentamente pelos demais colegas quando fez uma sugestão.

– Olhem, meus amigos, – dizia ele ao sorver seu uísque escocês misturado com água de coco paraense – tenho uma solução para o impasse Juvenil ou Carmona. Nem um nem outro. Vamos eleger o “Tertius”...

Um colega que ouvia a tese e talvez já estivesse sentindo os efeitos da quinta dose do legítimo escocês, aparteou: – Mas eu não consigo me lembrar de qualquer colega chamado Tércio...

– Eu não disse Tércio, colega, – explicou-se o dono da idéia. – Eu falei “tertius” que em latim quer dizer o terceiro. Juvenil é o primeiro, Carmona, o segundo. Nós lançaríamos o “tertius”, o terceiro.

E olhem, acho que teríamos sucesso. O Juvenil é o presidente atual, o Carmona já foi duas ou três vezes. Por que não abrir oportunidade para os outros? Eu, por exemplo, e vocês todos nunca fomos presidente. Já chega de quem já foi. Vamos renovar e abrir espaço para os outros. Vocês topam? Todos toparam. Resta saber se ainda há oportunidade para a terceira via. Durante a semana se saberá.

MARINA

A “Folha de São Paulo” apresentou durante a semana ampla matéria mostrando que as crianças aderem cada vez mais cedo à maquiagem. Freqüentam os salões de beleza desde os cinco anos e exigem batom, brilho, blush, sombra e rímel.

No entanto, a psicanalista entrevistada pelo jornal paulista critica o estímulo dado por pais. Para ela, “a maquiagem vira o prolongamento do ego da criança”. Diz mais: “se a mãe fornece esses apetrechos, eles vão virando uma segunda pele, que a criança julga ser preciso para ser amada”.

Parece mesmo que o amor neste terceiro milênio não tem nada a ver com a inspiração do Dorival Caymmi no milênio passado: “Marina, morena / Marina, você se pintou / Marina, você faça tudo / Mas faça um favor / Não pinte esse rosto que eu gosto / Que eu gosto e que é só meu / Marina, você já é bonita / Com o que Deus lhe deu”.

HORÁRIO

Pesquisadores suecos acabam de concluir que o horário de verão aumenta os riscos de infarto do miocárdio.

Segundo os especialistas, adiantar o relógio em uma hora provoca uma espécie de sensação de perda de tempo com graves distúrbios no sono, o que desencadeia o ataque cardíaco nas pessoas que se situam em grupos de risco.

Com esses estudos já publicados em revista especializada, os cientistas suecos esperam sensibilizar as autoridades do seu país para que repensem a adoção do horário de verão a partir da compreensão sobre os prejudiciais impactos na saúde humana.

Será que o que vale para a Suécia vale também para o Brasil?

De minha parte, sempre impliquei com esse tal horário de verão. Nem mesmo quando passou a vigorar só no Rio e São Paulo e lá pra baixo onde estão os “primos ricos”. Os “primos pobres”, que são os flagelados do Nordeste sem nem água para beber e os “primos pobres” do Norte, que vê suas entranhas serem carregadas sem deixar um impostozinho na terra generosa, são teoricamente poupados do vexame do horário de verão, mas não adianta nada porque tudo no Brasil é ditado e comandado pelos “primos ricos” de horário diferente. E agora ainda vêm os pesquisadores suecos prevenir que horário de verão aumenta o número dos infartos do miocárdio! Arre!

CURSO

Quando pensei que já tinha visto e lido tudo quanto é de “outdoor” afixado nas ruas de Belém, deparei-me semana passada com um inédito.

Era o que oferecia a eventuais fregueses “cursos pós-graduação lato e stricto senso”, com esses três últimas palavras bem destacadas, sublinhadas. SIDERÚRGICA

Confessando que está se dirigindo ao responsável por esta página porque não conseguiu contacto com qualquer deputado para dirigir sua advertência, sofrido mas teimoso internauta lança-se em minha direção colocando logo na frente de sua mensagem um versículo da Bíblia: “Clamei ao Senhor!

Acreditei. Esperei com paciência. Ele atendeu a minha oração”.

O clamor do internauta é sobre a localização da usina siderúrgica da Vale em Marabá. “O Pará está em fase de fragmentação, que começa com a criação do Estado de Carajás (que já tem até Bandeira e Hino) e vai se fragmentar ainda mais com a criação do Estado de Marabá. – E o Pará ficará com quê? – brada o aflito internauta.

Mas o internauta não faz só gritar e lamentar. Ele dá a solução ideal. E a solução ideal será a Vale implantar a sua siderúrgica em Curuçá, “anexa ao terminal do Espadarte, a ser construído na Ponta da Romana, que será a redenção da zona bragantina, estagnada desde os tempos da aposentadoria da Maria Fumaça”.

E, no final, Barnabé Silas Negrão, que se identifica como “paraense legítimo de Abaeté, sim senhor!!!”, dá o seu grito final: “O Carajás (futuro Estado) já nos levou a maior província mineral do Planeta Terra, mas não levará a nossa inteligência tampouco a nossa dignidade!!!”.

POPULARIDADE

Domingo passado na sua crônica do “Estadão”, o escritor João Ubaldo Ribeiro comentou a incrível popularidade do Lula, jamais obtida por nenhum brasileiro:

“A popularidade é baseada no trinômio Asneirol, Mentirol e Calabocol. É o que o povo gosta, porque dá risada com os números dele, curte com a cara de quem ele está enrolando e recebe todo tipo de esmola de nome chique. Não tem mais pra ninguém, é a mesma coisa que, no tempo dele, você querer substituir Oscarito, com todo o respeito. A Oscarito, é claro”.

PIERRE

Na abertura da XII Semana Cultural da Academia Paraense de Letras, Pierre Beltrand lotou o auditório da Rua João Diogo e falou quarenta e cinco minutos sobre “O colunismo social no Pará”. Pierre relembrou diversos fatos da sua atuação nos jornais paraenses desde os anos quarenta. Na reminiscência do orador, alguns episódios do período em que atuamos juntos no jornal “O Estado do Pará” e no “Liberal” do governador Magalhães Barata.

EXÓTICOS

Durante um dos seus últimos programas, Jô Soares abriu espaço na “Globo” para citar e comentar nomes exóticos. Falou, por exemplo, na família do médico e político Epílogo de Campos. Francisco Campos, o pai de Epílogo, batizou suas três primeiras filhas mulheres de Verso, Estrophe (com “ph”) e Poesia.

Quando entendia que esse poema já estava completo, nasceu um menino que o pai imaginava ser fim de safra: Epílogo. Mas depois de Epílogo, uma surpresa: mais uma menina não programada. Foi chamada de Pessoína (talvez Errata) como a essência da família Pessôa (sobrenome de Adelina, esposa de Francisco). Entre tantos esdrúxulos, Francisco teve um filho de nome aparentemente normal: Hermínio. Mas não tão normal assim porque Francisco não quis que Hermínio fosse Campos e o batizou como Hermínio Pessôa em homenagem ao avô materno.

A Stella desta página é filha de Hermínio.

RExPA

Os dois estavam sentados no mesmo banco de ônibus para Salinas. Por aí se pode notar que eram da chamada classe média (no Brasil para ser classe média basta ganhar R$1.050,00 por mês – isto já foi definido pelo IBGE). Os veranistas mais assíduos de Salinas só vão de veículo próprio com ar condicionado e outros apetrechos similares.

– Por que será que os membros dos conselhos do nosso Remo foram tão omissos que jogaram o Leão para a 4ª Divisão do futebol brasileiro?! – pergunta um para o outro.

O outro ajuda o raciocínio pessimista: – Olha, companheiro, outro dia um dos beneméritos azulinos disse à imprensa que tudo de bom que o Remo conseguiu foi nos primeiros 50 anos da vida do clube. Nos outros 50, quase tudo foi destruído. Os dirigentes da segunda fase não sabem quanto devem, para quem devem e por que devem.

– E viste a última? – retoma a palavra o primeiro. – Um dos pretendentes a presidente nas próximas eleições está exigindo título de benemerência para 10 amigos!

O ocupante do banco da frente se vira e fala: – Desculpem me intrometer na conversa de vocês. Não sou paraense mas vim aqui a trabalho e leio nos jornais que os “cardeais” do Remo estiveram reunidos para resolver quem deve ser o novo presidente. Estou interessado em saber quais as exigências para se virar “cardeal”. Será que é preciso antes ser coroinha, ministro da Eucaristia, diácono ou padre?

O ônibus fez uma parada, os conversadores interromperam o bate-papo mas o motorista se meteu: –

Desculpem minha abelhudice, mas o meu Paysandu também está na mesma situação do Remo? E essa tal Federação deixa os clubes paraenses mergulharem no fundo do poço e não faz nada? Mas por que será que em todo o Brasil presidente da Federação adora ser reeleito? O repórter amador que acompanhava o desenrolar da conversa para matéria desta página interrompeu seu trabalho para arranjar lugar mais ao fundo do veículo para onde se dirigiu uma graciosa e bem proporcionada nova passageira que subiu no ônibus e sem querer – ou querendo – dirigiu um olhar meio enigmático para o repórter amador.

COCEIRA

– Não sei vocês, – dizia um amesendado na sede da Assembléia Paraense, o clube, para os seus companheiros – mas eu me passo, eu me invoco, eu fico maravilhado com as descobertas diárias dos nossos pesquisadores e cientistas. São fantásticos...

Um dos companheiros arriscou: – Será que se descobriu o segredo de se acertar os números da megasena? Pra mim, a única coisa que me interessa é ganhar a megasena. E sozinho...

– Nada disso, meu amigo, nada disso, – esclarece o amesendado. – Os pesquisadores acabam de descobrir que para aliviar as tensões basta tirar sapato e meia e coçar o pé! O alívio é imediato...

Um mais afoito avançou: – Olhem, eu vou logo experimentar. Estou muito tenso!

E tirou sapato e meia e começou a coçar o pé. Logo outro acompanhou. Tirou o sapato e começo a coçar o pé. E assim todos os amesendados tiraram sapato e meia e ficaram coçando os pés. Nisso um garçon se aproxima dos descalços e oferece uma alternativa: – Se os senhores querem tirar meia e sapato, por favor se dirijam ao banheiro. Fica chato tirar meia e sapato aqui no restaurante. Foi atendido. Todos os mesários foram se coçar nos banheiros.

COPA

Delegação de deputados paraenses esteve viajando pelo Brasil para conseguir que a nossa cidade e o nosso “Mangueirão” sejam escolhidos para integrarem as sub-sedes da Copa do Mundo de 2014 que será no Brasil.

Um desportista louva e aplaude os esforços dos deputados mas levanta uma preliminar que desclassificaria Belém. – É que – diz ele – para sediar jogos da Copa do Mundo a Fifa exige que o estádio tenha capacidade de estacionamento para 18 mil veículos. E o nosso “Mangueirão” para garantir o estacionamento para 18 mil teria de começar a estacionar desde o Entroncamento.

P. S.

Como já atingi – e ultrapassei – o que se costuma chamar de provecta idade, talvez tenha mais condições de avaliar a evolução ou revolução no tratamento que o norte-americano está dando aos seus compatriotas negros.Uma grande maioria dos brancos, louros e de olhos azuis dos sobrinhos do Tio Sam achava que negro não era gente mas descendente de macaco e gorila, muito parecido com gente mas não chegava a ser gente. Até uns 50 anos atrás, branco não permitia que negro nem chegasse perto devendo guardar uma distância regulamentar do branco, à semelhança da decisão agora de uma juíza carioca que determinou que o Dado Dolabela tem de ficar, no mínimo, 250 metros afastado da sua ex-namorada, sob pena de ir para a cadeia.

Criança negra não podia ir para a escola no mesmo ônibus que a branca. Nem soldado negro poderia ir para a guerra para lutar ao lado de soldado branco. No máximo se admitia que a farda do negro fosse igual à do branco. Mas soldado branco morria ao lado de soldado branco e soldado negro morria ao lado de soldado negro.

Relembro essa situação para mostrar o que de revolucionário e quase incrível foi esta eleição de Obama para a presidência dos Estados Unidos em pleito com a participação record do eleitorado. Para um povo que fazia questão de exibir o seu racismo e de pregar até o extermínio da raça negra através das famigeradas Ku Klux Klan, a elevação de um homem de cor à suprema direção do mais rico e poderoso país do mundo é uma indicação segura de que os tempos são outros e a humanidade caminha para um futuro melhor e mais justo.

Parabéns aos Estados Unidos! Parabéns ao mundo! P. S. do P. S. Além do tabu de nunca ter eleito um negro para Presidente, os Estados Unidos tem outro também secular. Mulher nunca chegou ao alto posto. Aliás, nunca nem sequer escolheram uma mulher como candidata a presidenta. Hillary Clinton chegou perto mas Barrack cortou-lhe o barato. Há quem pense que o tabu contra a mulher é maior do que com relação ao negro. Há algum tempo a juíza que recebeu o juramento de Lyndon Johnson para a vaga aberta com a morte de John Kennedy reconheceu que o norte-americano tem dois preconceitos: contra negro e contra mulher. A juíza que também era negra declarou que se sentia mais discriminada como mulher do que como negra. Será que esse outro preconceito também será derrubado na próxima década? A propósito, o brasileiro, que se gaba de não ter preconceitos, ainda não elegeu nem negro nem mulher para presidente. / HG








02/11/2008 - 11:29:16
FORMADA TRÍPLICE ALIANÇA PARA PROGRAMAR E PAGAR VIAGEM À CHINA



– Não sei quem é mais sovina nos gastos com a viagem da governadora para a China, – comentava aquele deputado com seu colega vizinho. E se justificou: – Em outros tempos, quando se fazia parte de qualquer comitiva oficial, para dentro ou fora do Brasil, o governo pagava todas as despesas. Ou o governo do país que convidava ou o governo do país convidado.

O deputado ouvinte quis esclarecimentos: – E não vai ser assim com a comitiva paraense que vai para o outro lado do mundo?!

Depois de aguardar alguns minutos para o presidente Domingos Juvenil declara aprovado o projeto de resolução que autoriza a viagem dos escolhidos, o deputado esclarece ao seu colega: – Não, meu amigo, é diferente agora. Ao que eu sei, uma tríplice aliança foi formada para arcar com as despesas da intercontinental travessia. O governo do Estado entra com uma parte, as classes empresariais com outra e o Carmona está entrando na “vaquinha” porque o Juvenil jura que o Legislativo paraense neste fim de ano está ruim das pernas e não tem condições de financiar a viagem do parlamentar.

– Foi bom que você me dissesse isso, – voltou a comentar o colega ouvinte. – Você sabe que foram me dizer que o Juvenil, que é candidato à reeleição de presidente da Casa, estava fazendo tudo para o Carmona ir embora para China para ele movimentar-se mais facilmente na sua campanha para ficar na presidência por mais dois anos. Esses nossos colegas são de morte...

O colega ouviu mas observou: – Mas eu, se fosse o Carmona, não viajava. Até porque ele já fez umas dez viagens à China e essa agora não vai lhe acrescentar nada. Não custa lembrar que o Luiz Cunha, na expectativa de ter o seu nome aprovado para o TC, passou quase um mês morando aqui na Assembléia e, no fim, não adiantou nada. Entrou pelo cano...

O bate-papo foi suspenso porque a sessão terminou. Mas o deputado Domingos Juvenil permaneceu no plenário conversando e rindo com todos os parlamentares. Só foi embora quando o Carmona saiu.

GAY

Li notícia de jornal informando aos leitores interessados que nas sextas, sábados e domingos o ingresso para certo espetáculo tem um abatimento de cinqüenta por cento para os integrantes da família “gay” de Belém. Nada contra o reconhecimento do direito a essa minoria (se bem que hoje em dia parece que não é tão minoria assim) mas não sei como na bilheteria o indigitado vai se identificar como merecedor do abatimento. Estudante e velho mostram a “carteirinha” e, com ela, comprovam que têm direito ao abatimento. Mas o “gay”, como irá provar que é “gay”?

– Não precisam provar, – me adverte o assessor da página para problemas de discriminação sexual. –

Basta dizer que é “gay” e pronto.

Aceito o parecer do competente assessor, mas faço uma ponderação: se basta dizer que é “gay” sem necessidade de comprovante, é claro que todo mundo vai se confessar “gay” na hora de comprar o seu ingresso.

– Mas o “gay” tem um jeitinho, um trejeito especial que dá para identificá-lo. Tá na cara. – outra vez o competente assessor interfere e faz um adendo ao seu parecer inicial: – O problema é que hoje se precisa ter bastante cuidado com os riscos de se confundir os verdadeiros “gays” numa apreciação rápida e descuidada. É que é comum demais o suspeito parecer que é, mas não é, como também pode parecer que não é, mas é.

BLITZ

O traçado espaçoso da rua que margeia a Praça Amazonas sempre propiciou a realização de batidas policiais em frente ao Presídio São José.

No entanto, há algum tempo o Presídio não existe mais e sim um belo prédio de atração turística onde são oferecidas peças de artesanato e outras lembranças da terra.

Quem faz essa observação reclama que, na última semana – ao visitar o “São José Liberto” acompanhando hóspede que passava o mês do Círio em Belém –, ficou acanhado quando se deparou com uma blitz na porta do endereço turístico.

– Será que o governo não deveria olhar isso? Parece que não é bom atrair turista e fazer blitz no mesmo local!

O belenense completa: – Ainda mais agora que o “São José Liberto” está tão bonito porque foi novamente pintado pela administração estadual, assim como as praças do entorno são muito bem cuidadas pela Prefeitura de Belém. A blitz quebra essa harmonia da paisagem.

POESIA

“No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / tinha uma pedra / no meio do caminho tinha uma pedra. / Nunca me esquecerei desse acontecimento / na vida de minhas retinas tão fatigadas. / Nunca me esquecerei que no meio do caminho / tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / no meio do caminho tinha uma pedra.”

Há poesia brasileira mais conhecida do que esse legado de Carlos Drummond de Andrade?

Nas manhãs do próximo final de semana (sábado e domingo), haverá palestras sobre o poeta no Centro de Cultura e Formação Cristã (BR 316 – Km 6). O palestrante será Benedito Nunes e a programação prevê a abordagem da poesia moderna com base em análises literárias, históricas e filosóficas.

Um detalhe: Drummond entendia a literatura como “uma grande consolação da vida e modo de elevação do ser humano sobre a precariedade da sua condição.”

Outro detalhe: a programação do Centro terá entrada gratuita nesses próximos dias 8 e 9.

CULTURA

Como acontece anualmente, paraense que não é católica fazia sua severa crítica às cenas dos fiéis em adoração à imagem da Santa durante a procissão do Círio de Nazaré. Com fundamentos que se baseiam na sua crença evangélica, a comentarista se dizia inconformada com tal postura. Depois de falar, falar e falar, a queixosa observou:

– Mas no almoço do domingo do Círio, lá em casa, reuni toda a família e teve pato no tucupi e maniçoba...

BRIGA

Turco pegou dinheiro emprestado de um judeu. O turco se gabava de nunca ter pago uma dívida sequer. E o judeu de nunca ter perdido um centavo.

Passa o tempo, o turco não paga e fica se escondendo do judeu. Até que um dia, por acaso, se encontram no bar de um português e passam a discutir. À certa altura, o turco encurralado não encontrou outra saída, pegou um revólver, encostou na própria cabeça e disse: – Eu posso ir para o inferno mas não pago essa dívida. E puxou o gatilho caindo morto no chão. O judeu não quis deixar por menos, pegou o revólver, encostou em sua própria cabeça e disse: – Eu vou receber essa dívida, nem que seja no inferno. E puxou o gatilho, caindo morto no chão. O português, que observava tudo, pegou o revólver do chão, encostou na sua cabeça e disse: – Essa briga eu não perco por nada! E estourou os miolos.

O problema é que não se sabe se os três foram para o mesmo lugar.

CONSELHO

– Se beber, não dirija. Nem governe.

De Joelmir Betting.

NOME

Sentado no banco de ônibus, passageiro, lendo o jornal, comenta com o vizinho: – Olha aqui, companheiro. O nome do novo secretário da Receita Federal em Belém é Esnarriaga Júnior. Júnior, eu conheço muitos. Mas Esnarriaga é a primeira vez que vejo um...

– Eu, também, – concorda o vizinho. E propõe um teste: – Vamos ver se algum de nossos companheiros de viagem conhece outro Esnarriaga.

O teste foi feito. Ninguém conhecia.

TATUAGEM

Trecho de meditação diária de uma publicação da Igreja Batista na sexta-feira passada: “O mundo tem ensinado prática diferente para o uso do nosso corpo. Ele se torna embrutecido por tatuagens, muitas vezes usando temas místicos e deprimentes... fazendo com que o mundo se torne grotesco e irreverente.”

Marinheiro e índio sempre gostaram de imprimir tatuagens no corpo. Vá lá. Mas delicadas e formosas donzelas deixarem marcar e manchar seu corpo – bonito pela própria natureza – com usos e costumes selvagens, não consigo entender. Sou quadrado mesmo.

EPITÁFIO

Quem tem dúvidas sobre o que escrever no túmulo, dependendo do que você é, eis algumas sugestões mandadas por um internauta:

Espírita – Volto já.

Agrônomo – Favor regar o solo com Neguvon. Evita vermes.

Alcoólatra – Enfim sóbrio.

Arqueólogo – Enfim fóssil.

Brother – Fui.

Cartunista – Partiu sem deixar traços.

Delegado – Tá olhando o quê? Circulando, circulando...

Ecologista – Entrei em extinção.

Funcionário público – É no túmulo ao lado.

Herói – Corri para o lado errado.

Hipocondríaco – Eu não disse que estava doente?

Judeu – O que está fazendo todo mundo aqui? Quem ficou tomando conta da loja?

Pessimista – Aposto que está fazendo o maior frio no inferno. Viciado – Enfim pó.

INUTILIDADE

Para um habitual freqüentador da sede da Assembléia Paraense, o clube, que gosta de se distrair batendo papo no seleto ambiente, de preferência sobre fofocas – novas ou repetidas – da chamada alta sociedade de Belém, está mais do que provado que segundo turno em eleição não adianta nada porque não muda o resultado do primeiro turno. Só faz confirmar.

– Aliás – ponderava –, não sei por que o segundo só é exigido para os municípios com mais de 200 mil eleitores. Quem tem menos de 200 mil eleitores não tem direito ou obrigação de repetir a eleição.

Ora bolas, se o segundo turno é exigido para redutos com mais de 200 mil eleitores, por que não cobrar também de quem tem menos de 200 mil? A razão que justifica o segundo turno para alguns municípios deveria ser extensiva a todos. Ou então não ser exigida de ninguém.

E concluiu: – Afinal está provado que quem ganhou, ganhou. Quem não ganhou, não ganha mais mesmo que haja dez turnos.

Ninguém discordou.

ALTERNATIVA

Paraense que acaba de chegar de uma viagem aos Estados Unidos diz que é muito difícil se prever o resultado da disputa entre Obama e McCain.

E explica: – Um é negro e o outro é velho. O norte-americano não é chegado nem a negro e nem a velho. A escolha vai ser feita na base do “menos pior”. E o americano ainda não decidiu se o pior é Obama ou se o pior é McCain.

Mas nesta semana vai se saber.

REVOGAÇÃO

Magoados com o comportamento de Ibrahim Rocha, procurador geral do Estado, que não concorda com a equiparação dos salários dos delegados de polícia aos dos procuradores, a Associação dos Delegados está querendo revogar a concessão da Medalha Amigo da Polícia Civil outorgada a Ibrahim tempos atrás.

Não está encontrando o meio estatutário de fazer essa revogação. Alguém está sugerindo que os delegados adotem o procedimento do falecido vereador Gonçalo Duarte, do Jurunas. Ele votou em plenário contra um projeto enviado pelo prefeito Alacid Nunes. Pressionado depois, Gonçalo na sessão seguinte subiu à tribuna e declarou que “desvotava” o seu voto.

Valeu. O projeto do prefeito foi declarado aprovado.

P. S.

Hoje, 2 de novembro, é o Dia de Finados, momento de relembrar figuras que, em vida, gozaram da admiração e do respeito do povo paraense pelas emoções e alegrias que provocaram e proporcionaram a todas as pessoas, fossem elas ricas, remediadas ou até muito pobres. Nobres ou pobres, todas eram envolvidas por uma espécie de paixão que não aferrecia um só instante mesmo enfrentando sol, chuva, fome, sede, o escambau.

Já há algum tempo o estado de saúde de ambos vinha sofrendo crises muito sérias mas neste ano não suportaram a repetição interminável delas e o desenlace aconteceu.

Mas deve-se aproveitar o 2 de novembro de hoje para relembrar os finados Remo e Paysandu e também uma finada mais antiga, a Tuna, que durante quase cem anos encheram de alegrias e grandes emoções o coração dos paraenses.

De uns tempos para cá, os jornais, que só publicavam missa do sétimo dia do defunto, agora estão publicando Missa da Ressurreição, o que pode significar que a morte é passageira e os mortos hão de ressurgir.

Oxalá Remo, Paysandu e Tuna também ressuscitem.








26/10/2008 - 11:15:29
TESTE: QUEM VAI AO AR PERDE O LUGAR; E QUEM VAI À CHINA, PODE PERDER O QUÊ?



– Quem vai ao ar, perde o lugar, – dizia aquele deputado para um grupo de colegas que o ouviam na sexta-feira de noite no Largo de Nazaré um pouco antes do início da pregação do sacerdote. – Tudo bem. Agora me digam uma coisa: E quem vai para China, vai perder o quê?!

Um grupo arriscou: – Captei... Captei... Você acha que o Carmona (deputado Martinho Carmona), que só pensa naquilo, pode entrar pelo cano nessa tentativa de voltar à presidência da Assembléia, o poder, o poder e não o clube? Mas ele tem a promessa dos colegas de que a Assembléia, o poder, o poder, fica embromando até a volta dele da China. Ele pode ir sossegado na comitiva da governadora e a gente fica esperando por ele...

O outro vai em frente: – Olhem, meus amigos, vocês sabem que o Juvenil (deputado Domingos Juvenil) quer se reeleger presidente. E quem marca o dia da eleição é o Juvenil. Ele marcou, tá marcado. Era só o que faltava o Juvenil ficar esperando a volta do Carmona da China! O Juvenil não é assim tão juvenil para ficar esperando pela volta do rival...

– Vou dar um exemplo recente para vocês da precariedade de promessa de parlamentar, – continuou. – Há alguns dias, o nosso plenário votou para eleger o novo ministro do Tribunal de Contas.

Ministro... não, me desculpem... O novo conselheiro do TC. Pois bem, o nosso colega Luiz Cunha passou praticamente quinze dias morando dentro da sede do Legislativo. Pelo que eu soube, todos os colegas garantiram que iriam votar nele, menos o Cesar Colares. E ao sair da cabine, o votante fazia um sinal levantando o polegar para o Luiz Cunha que chegou a pensar que só não teria o voto do Cesar Colares. Seria eleito quase por unanimidade. Resultado: o escolhido foi Cesar Colares. Como, agora, o Carmona pode pensar que lá da China ele pode controlar o voto em Belém! Pois sim! Se ele viajar, pode ficar por lá cumprindo todo o programa da governadora porque ninguém vai ficar esperando por ele para eleger o próximo presidente do Legislativo.

Respirou fundo e prosseguiu: – E mais uma coisa, meus amigos...

Teve de interromper a conversa e ninguém ficou sabendo a coisa a mais que ele iria dizer. É que o sacerdote deu início à sua pregação e o grupo todo persignou-se, fez o sinal da cruz e até um deputado que tira onda de não acreditar em nada, se ajoelhou no meio da praça. Em matéria de religião, só faz fé na Virgem de Nazaré.

ELEIÇÃO

Vinte e sete siglas partidárias concorrem às eleições para prefeito em mais de cinco mil municípios brasileiros.

Dessas 27 legendas, só quatro não conseguem eleger um só prefeito. Entre os 4, o PSOL, que não elegeu nenhum.

Há quem admita que o PSOL em Belém teria alguma chance se o ex-prefeito Edmilson Rodrigues tivesse aceito o apelo para concorrer. Não aceitou. Ficou no zero em toda parte.

LÍNGUA

Parente meu fez concurso para a Vale no Maranhão.

O detalhe inesperado é que as questões foram todas redigidas em inglês. Nenhuma palavra em português, a não ser o nome do candidato.

Meu parente foi menino na África do Sul e lá só se falava o inglês. Não teve problema de ler e redigir toda a prova na língua de Shakespeare.

Mas fico meio indeciso se é justo ou adequado se redigir uma prova de concurso no Brasil em língua estrangeira. Se a prova fosse exclusivamente para avaliar o conhecimento do candidato no inglês, vá lá que seja. Mas em todas as áreas de conhecimento, tudo em inglês e não no português, tenho minhas dúvidas.

Sei que não adianta o meu lamento. O dólar já é a moeda universal. Está aí a crise financeira que não me deixa mentir. Agora o inglês é a língua de todo mundo. Quem não souber inglês pode se considerar analfabeto.

CÂNCER

Hoje no Brasil, um em cada três pacientes em tratamento contra o câncer fica completa e definitivamente curado da doença.

Com isso, aumenta o número de pessoas que tentam retomar suas atividades e voltar a gozar de uma vida normal. O médico Auro del Giglo, conhecido e respeitado por vários paraenses que já se internaram no Hospital Albert Einstein de São Paulo, adverte que o tratamento oncológico pode causar complicações agudas como a obesidade que é um problema comum em mulheres que trataram um câncer de mama. E adverte mais que uma dieta sem a supervisão de um nutricionista pode ser desatrosa.

A propósito ainda de câncer, recebo uma dramática mensagem de uma bioquímica uruguaia. Ela acha que se deve distinguir entre desodorante e antitranspirante. Desodorante não tem contra-indicação. Pode ser usado livremente. Mas antitranspirante pode provocar câncer de mama. É que o antitranspirante, como o nome já indica, não deixa a pessoa suar e é pelo suor que as pessoas eliminam as toxinas que invadem o seu organismo. Se não há suor, elas não podem ser eliminadas e por isso ficam depositadas nas glândulas linfáticas debaixo dos braços. A maioria dos tumores cancerígenos do seio ocorre nesse quadrante superior da área da mama. Os homens estão menos sujeitos a essa ação cancerígena porque eles não aplicam diretamente sobre a pele mais sobre os pêlos axiais, ao contrário das mulheres que antes raspam e depilam as axilas para depois aplicarem os antitranspirantes. A depilação aumenta o risco porque sempre deixa pequenas feridas ou irritações por onde os componentes nocivos penetram mais rapidamente no organismo.

Chamado a opinar sobre a revelação da bioquímica uruguaia, o assessor especial da página recusou-se a usar termos como axilas e pêlos e traduziu para a linguagem popular. Ei-la: Não raspe nunca o cabelo do suvaco. Ele é a sua proteção!

CENSO

A SEMEC foi convidada pelo Ministério da Educação, através do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), para participar de seminário nacional sobre "Censo da Educação Básica" a ser realizado em Aracajú no próximo mês de dezembro.

A temática é importante porque, pelas leis em vigor, a distribuição de verbas para a educação depende da contagem anual dos alunos mantidos por meio de cada secretaria de educação.

Hoje, o sistema de censo escolar, com uso de modernas técnicas propiciadas pela informática, estabelece que os alunos de todas as escolas do país tenham suas informações cadastrais remetidas a Brasília de forma a compor um banco de dados nacional e único.

Há um detalhe que valoriza Belém. A nossa capital foi um dos primeiros municípios brasileiros a aderir a versão mais avançada do "Censo da Educação Básica" onde a remessa anual de dados é feita por uma conexão entre o sistema próprio de Belém e o sistema nacional do INEP. Muitos governos estaduais e prefeituras municipais do país ainda não alcançaram o estágio mais avançado de Belém porque não dispõem de sistemas próprios de informática que preencham os pré-requisitos para a migração automática dos dados até Brasília.

Outro detalhe. Quem não tem sistema próprio fica no maior corre-corre para prestar informações anuais a Brasília ou, então, perde as verbas. Belém se antecipou ao adotar uma solução tecnológica eficiente e não passa mais por esse sufoco.

Hip! Hurrah! Para a Prefeitura de Belém com a sua SEMEC e a sua CINBESA!

MANIÇOBA

Ao final desta quinzena com muita maniçoba, alguém se queixa para seu médico.

– Doutor, não consigo emagrecer. E não parei de tomar o remédio. Acho que o moderador de apetite que o senhor me receitou não está mais fazendo efeito...

A reclamante respira fundo e complementa.

– Será que o remédio está saindo pela urina? Se não sai pelo xixi, sai pelo xenical... Xis por xis, parece que dá no mesmo. O que é que eu faço?!

ÁRVORE

Comentário de quem gosta de passear de carro pela cidade e observar placas, propagandas e outdoors.

– Esta árvore que serve de logomarca para o IDEFLOR parece a árvore da logomarca do Dudu na Prefeitura! Reparem!

Para quem não sabe, informa-se que o IDEFLOR é o Instituto de Florestas do Pará, órgão implantado na gestão da governadora Ana Júlia. A placa que suscitou o comentário do desconfiado passante é a do prédio localizado na Boaventura da Silva no bairro do Umarizal. Opinião de quem ouviu a observação: – Será que a governadora quis homenagear o prefeito da sua capital?

GREVE

Para um observador, a greve nacional dos bancários foi um fracasso total.

É que os caixas eletrônicos e as agências lotéricas quebraram o galho na hora da emergência maior. Os bancos não fizeram muita falta.

Fica a lição: greve de bancários com agências lotéricas funcionando e caixas eletrônicos quebrando o galho até mil reais diários, cai de podre.

QUADRANGULAR

No próximo dia 16 de novembro, a Igreja do Evangelho Quadrangular completa 35 anos no Pará e, na véspera dia 15, vai proceder a cerimônia de batismo de dez mil novos membros. Será no Outeiro. A meta da Quadrangular é até o fim do ano batizar 40 mil novos membros no Pará e 100 mil em todo o Brasil.

O pastor Mário Oliveira, presidente nacional da Igreja, já se encontra em Belém para participar das comemorações. Ele também está anunciando uma reunião extraordinária da Igreja em São Paulo com a finalidade de mudanças nos estatutos da Igreja.

De Belém irá uma caravana de 150 pessoas.

TRANSPARÊNCIA

O Tribunal de Contas dos Municípios está promovendo uma série de ações voltadas à transparência e ao controle social como a publicação de informações, no formato de gibi, para ajudar na fiscalização dos gastos dos dinheiros públicos.

Esse material será distribuído nas escolas públicas e particulares durante palestras ministradas por técnicos do TCM que visam à formação de uma consciência de cidadania junto aos estudantes.

AMULETO

Felipe Massa, que tem chances de ganhar a temporada automobilística de 2008, já escolheu o amuleto para ajudar a conquistar o título da F 1 no Brasil.

Acha que sua cueca lhe dá muita sorte e vai vesti-la até o dia da corrida.

Só não deixou claro se vai lavar diariamente a peça íntima ou se vai usá-la sem esse detalhe higiênico.

PREVENÇÃO

Com exemplar do jornal na mão, passageiro de ônibus comenta com o vizinho: – Você viu, meu amigo? Esse pai da desventurada Eloá, assassinada pelo seqüestrador em São Paulo, é uma boa bisca. Admitiu que já matou uns quinze mas se justificou: “Se eu não matasse antes, eles me matariam”. Eu sempre ouvi falar de prisão preventiva mas agora vejo também assassinato preventivo...

SONHO

– Esse Chico Buarque é mesmo um craque nas letras de suas canções, – dizia aquele ouvinte de rádio para o seu companheiro que ouvia a mesma música.

E chamava a atenção: – Olhe ele aí imaginando um sonho de coisas impossíveis. “Sonhei que o fogo gelava, sonhei que a neve fervia”. E no embalo: “Sonhei que a polícia já não batia”. Parece tolice mas eu acho genial meter a polícia numa canção romântica...

25

Já contei uma vez e agora repito.

Como prefeito, também impliquei com o ziguezague da pista da 25 de Setembro. Anunciei que iria alterar o traçado para torná-lo igual aos de todas as outras avenidas. Os moradores protestaram. Queriam que o ziguezague fosse mantido. Cedi. Mantive o ziguezague, mas avisei que não renovaria a pavimentação. Se os moradores acham que são donos também da rua, que cuidem dela. E não repavimentei.

Um dia, querendo saber quais os moradores mais fiéis e pontuais no pagamento dos impostos municipais, recebi um mapa. Em Belém, nenhuma outra rua ou avenida era tão pontual e fiel como os moradores da 25.

Não tive a menor hesitação. Mandei recapear toda a avenida.

P. S.

– Deus me livre, doutor Hélio, Deus me livre de falar na Semana Cultural da Academia Paraense de Letras sobre a “Memória Política de Alenquer” como sua página informou domingo passado, – me diz aflito o alenquerense Luiz Ismaelino Valente que complementa o pensamento: – Seria pau puro, do começo ao fim, e meu negócio é mais ameno. A convite do seu colega Júlio Victor Moura, vou falar no dia 4 sobre o Memorial Poético de Alenquer, um trabalho que comecei há dois anos e estou finalizando. Já tenho 400 páginas digitalizadas.

Ismaelino esclarece que o seu trabalho “é uma tentativa de resgatar, para a atual e futuras gerações, alguns nomes de obras e pessoas – não só os alenquerenses – que contaram ou se ligaram em versos a Alenquer”. A começar por Francisco Gomes de Amorim, poeta lusitano do século XIX que morou durante cinco anos, ainda muito jovem, no Lago Curumú onde, segundo suas memórias, “se descobriu poeta”. Amorim imortalizou a paisagem desse lago fazendo dela o cenário de sua peça teatral “O Cedro Vermelho” encenada em Portugal em 1856.

No seu bilhete, Ismaelino faz referência a outros nomes ilustres ligados à poesia de Alenquer, “como Raymundo Peres, que morreu tão jovem aos 22 anos, e Oscar de Paula Guimarães, um gênio da raça que escolheu Alenquer para exercer a medicina e lá encontrou a morte aos 45 anos de idade”, mencionando também o amazonense Padre Manuel Albuquerque que, num soneto, descreveu Alenquer como “um sorriso de Deus feito cidade”.

Ao final Ismaelino confessou: “Depois de tantas decepções, doutor Hélio, acho que a melhor coisa que fiz na vida foi trocar a ‘política’ pela ‘poética alenquerense’. O senhor não concorda?”. Em termos, Ismaelino, em termos. Tudo na vida tem seu tempo.








19/10/2008 - 18:45:11
ANALFABETO EM BELÉM SÓ O NOSSO SOFRIDO IRMÃO QUE FOGE PARA CÁ PARA NÃO MORRER DE FOME LÁ



Durante a semana, a mídia colocou seu foco na educação e fiquei sabendo de várias homenagens aos professores. Tudo por causa da comemoração do “Dia do Professor” – e também da Professora – em 15 de outubro. Como sou casado com uma professora, que é a Secretária Municipal de Educação, procurei saber a situação atual desses dedicados servidores da rede de Belém. A partir de quadros em seu poder, Therezinha Gueiros me informa que a SEMEC tem 2.612 funcionários do chamado “Grupo Magistério”. Quanto aos rendimentos, a tabela mínima assegura R$936,26 mensais para o professor de 1ª à 4ª série, sem nível superior, com quatro horas diárias de trabalho de segunda à sexta. Se o professor com essa escolaridade tem duas turmas e trabalha oito horas por dia, o valor cresce para R$1.851,02. No entanto, se o professor tem nível superior, os vencimentos mudam: R$1.139,54 e R$2.257,58, respectivamente para quatro e oito horas diárias. Mais: para os professores de 5ª à 8ª série, obrigatoriamente com nível superior, o rendimento é de R$2.487,82 para oito horas diárias. Mais ainda: professores da Escola Bosque “Eidorfe Moreira”, que é uma fundação municipal que engloba a sede em Caratateua e escolas em outras ilhas, têm vencimento mínimo de R$2.559,81 para seis horas diárias. Eles foram nomeados depois de concurso público realizado este ano. A Therezinha comenta que esses rendimentos correspondem aos mínimos, porque a eles devem ser acrescidas vantagens pessoais, que variam de servidor a servidor, de acordo com o tempo de serviço e também a partir da gratificação de incentivo ao aperfeiçoamento, de tal forma que professores com especialização ganham mais 25% sobre o básico, com mestrado mais 30%, com doutorado mais 35%. Atualmente, a SEMEC tem em seu quadro efetivo do magistério 1.265 especialistas, 72 mestres e 4 doutores. Therezinha ressalta ainda que, por iniciativa do prefeito Duciomar Costa, a lei 8.487, de 29/12/2005, beneficiou 620 profissionais da SEMEC que ingressaram no serviço público apenas com o nível médio e depois continuaram estudando e concluíram curso superior. Pela lei de 2005, essa graduação superior feita após a nomeação originou mais 40% de gratificação de incentivo. Entendo que os professores fizeram jus a esse tratamento concedido pela administração municipal, dentro dos limites intransponíveis dos cofres públicos, mas como um indiscutível sinal do reconhecimento da importância da educação para este terceiro milênio Para mim, salvo uma ou outra desonrosa exceção, os governos do Pará e de Belém sempre dispensaram atenção especial à escola pública e é por isso que é muito difícil, para não dizer impossível, encontrar um paraense analfabeto. Quem é analfabeto no Pará não é paraense de nascimento. São os nossos sofridos irmãos do Nordeste e do Brasil Central que são obrigados a vir para cá para não morrer de fome no seu Estado natal. MALVADEZA Segundo o IBGE, Belém é uma das 12 mais influentes cidades brasileiras e, pelo mesmo IBGE, está na frente de Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Goiânia. Ia mandar soltar foguete quando fui ver quem estava à nossa frente. E lá estava Manaus! A capital baré é a quarta, abaixo apenas de São Paulo, Rio e Brasília. Ficar atrás de Manaus, perdeu a graça. Não que eu não goste de Manaus, mas entre Manaus e Belém, torço mais por Belém como o amazonense torce mais por sua Manaus. É bom lembrar aos esquecidos que Belém sempre esteve à frente de Manaus, uma posição secular. Acontece que os líderes do Movimento de 1964 acharam que Belém estava muito adiantada e Manaus muito atrasada e por isso Belém deveria ficar marcando passo até Manaus chegar perto. E deram tudo para Manaus. Zona Franca, comandos militares, acabaram com a Spvea, criaram toda espécie de isenção de impostos e a Zona Franca, que tinha sido criada para durar trinta anos, virou princípio da Constituição Federal para durar para sempre. Resultado: Manaus alcançou não só o patamar de Belém mas ultrapassou e, agora, só perde para Rio, São Paulo e Brasília. Parece que a União deveria fazer alguma coisa para compensar a malvadeza que nos fez. Tenho a impressão que foi a primeira vez na história que um país decretou a estagnação de uma província sua para beneficiar a vizinha. NÚMEROS Folheio os resultados finais e oficiais da eleição em Belém. Mário Cardoso venceu em 5 bairros, Priante em 7 e Duciomar em 49. Valéria, Jordy, Marinor e João Moraes não venceram em nenhum bairro. A votação total de Duciomar foi 255.525. A de Priante, o segundo lugar, alcançou 136.379, ou seja, Duciomar arrecadou 31,15% e Priante 19,03% dos votantes. Mário Cardoso ficou com 18,11%, Valéria com 13,34%, Jordy 11,49%, Marinor 2,03% e João Moraes 0,86%. Foram contados em Belém 727.016 votos. Não dá para entender o comportamento do Ibope que 15 dias antes das eleições publicou uma pesquisa colocando a candidata Valéria na frente de todos. Valéria terminou em quarto. Na minha eleição para senador, o Ibope dava a vitória disparada para o senador Jarbas Passarinho. No Baixo Amazonas, o Ibope me deu um traço, ou seja, ninguém iria votar em mim. Na eleição, ganhei a eleição e quem me deu a diferença para vencer foi o Baixo Amazonas. AMÉRICA No portão celestial, recebendo os recém-chegados, São Pedro pergunta ao próximo da fila: – Você quem é e o que fez na terra? – Sou Barack Obama e fui o primeiro presidente dos Estados Unidos. São Pedro se espanta: – Um presidente negro eleito nos Estados Unidos... Quando foi isso? – Não faz nem meia hora, São Pedro... CRISE Em rodada na Assembléia Paraense – o clube –, investidor paroara lamentava, para o grupo, as perdas decorrentes da crise do sistema financeiro mundial. – Nunca perdi tanto dinheiro! Meu patrimônio está liquidado! Que crise! E agora!? Na tentativa de tornar a conversa mais amena, um dos ouvintes resolveu fazer uma brincadeira para acalmar o queixoso. – Crise conjugal? O nervoso investidor não sorriu nem relaxou. – Crise conjugal? Não deixa de ser. É a pior crise da minha vida. Normalmente, uma crise conjugal é seguida de separação. Aí a gente acaba dividindo o patrimônio pela metade mas fica livre da mulher. Agora, além de perder meu patrimônio, continuo casado e a minha esposa continua lá em casa. Socorro! Encaminhe-se o assunto ao FMI. GENTE Informações dos jornais de segunda-feira passada sobre a Festa de Nossa Senhora Aparecida em São Paulo e o Círio de Nossa Senhora de Nazaré em Belém do Pará: O culto à Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, reuniu 45 mil fiéis. O Círio de Nazaré, Padroeira dos paraenses, reuniu 2 milhões de fiéis. O Brasil tem 180 milhões de habitantes. O Pará tem 6 milhões. Se a proporção do Círio de Nazaré fosse alcançada pela Padroeira do Brasil, a Festa de São Paulo deveria reunir 54 milhões de fiéis. CONVITE Recebo um convite do Presidente da República que tanto pode ser do Lula como do vice José Alencar que se revezam a toda hora no comando maior da nação. Transcrevo: O Presidente da República tem o prazer de convidar Vossa Excelência para a cerimônia comemorativa dos 20 Anos da Constituição Cidadã (para quem não se lembra, foi Ulisses Guimarães quem batizou a Constituição de 1988 de Constituição Cidadã) a ser realizada no Palácio do Planalto às 15 horas do dia 21 de outubro de 2008. Convite intransferível. Apenso ao convite uma “errata”: Alteração da data e horário. Data: 22 de outubro de 2008. Horário: 11 horas. Não se pense que o convite presidencial seja uma deferência pessoal ao escriba provinciano. Nada disso. Simplesmente eu participei da Assembléia Constituinte que discutiu e votou a Carta Magna de 1988 e fui um subscritor dela. Mas fiquei honrado com o convite do Lula ou do José Alencar. CULTURA Pierre Beltrand vai falar no dia 3 de novembro na Academia Paraense de Letras. Ele abre a XII Semana Cultural da APL que este ano lembrará o centenário de nascimento dos acadêmicos Octávio Meira e Líbero Luxardo. “O colunismo social no Pará” será o tema da palestra de Pierre. No dia seguinte, dia 4, Ismaelino Valente dissertará sobre “A Memória Política de Alenquer”. No dia 5, o conferencista será o acadêmico João Carlos Pereira que às 16 horas estará falando sobre Octávio Meira enquanto às 18 horas Avertano Rocha abordará a universalidade do poeta Antônio Tavernard. A memória do cineasta e escritor Líbero Luxardo será focalizada pelo jornalista Dedé Mesquita para, no dia 7, Salomão Laredo encerrar a Semana com uma palestra sobre o escritor paraense dentro da cultura amazônica. Toda a programação será na sede da APL na João Diogo às 18 horas. Só na conferência de João Carlos Pereira o horário é antecipado para 16 horas. Edson Franco presidirá as reuniões e a entrada é franca. MENTE Há um presidente que mente, mente de corpo e alma, completa/mente. E mente de maneira tão pungente que a gente acha que ele mente sincera/mente, mas que mente, sobretudo, impune/mente. Indecente/mente. E mente tão nacional/mente, que acha que mentindo história afora, vai nos enganar eterna/mente. Colaboração de um internauta. O fraseado é um poema de Affonso Romano, o único Afonso no mundo que tem dois efes. JUÍZO Tenho o maior respeito pelo Poder Judiciário. Como governador e prefeito nunca deixei de cumprir imediatamente uma decisão da justiça, nunca me utilizando de qualquer expediente protelatório que alguns costumam usar para ganhar tempo enquanto conseguem uma liminar qualquer suspendendo a ordem do juiz singular. Agora fico em dúvida se cumpriria a determinação do Conselho Nacional de Magistratura sobre esse problema de nepotismo. Magistratura é para interpretar e aplicar a lei. Nunca criar ou inventar lei que é da competência exclusiva do Poder Legislativo. Judiciário não faz lei. Se tentar fazer, é uma impostura inconstitucional. A Constituição não amaldiçoa nem beneficia parente de ninguém. Todos são iguais perante a lei. Se ela não acolhe essa maldição contra parente, que o Poder Legislativo vote uma lei específica sobre o problema. Na atual legislação, nepotismo pode ser imoral, antiético, lamentável, mas não é inconstitucional. Enquanto não se votar uma lei no Congresso execrando o nepotismo, a magistratura não pode se arvorar a ser um superpoder, acima dos outros, e aplicar lei que não existe. E por que a maldição só até o terceiro grau? E por que não até o quarto grau? Ou por que não até o segundo grau? Isso é uma impostura inconveniente, tenebrosa, calamitosa. Juízo, senhores ministros! P. S. Como todos os outros 179.999.999 brasileiros, ninguém entende mais de futebol do que eu. Por isso digo: a pior seleção de futebol de todos os tempos – entenda-se de todos os tempos a partir da Copa do Mundo de 1934 –, nunca vi falar de uma seleção tão ruim como a atual. Ser tradicional freguesa da seleção argentina, é fato público e notório e, pela lei brasileira, não há necessidade de se provar fato público e notório. Mas não ganhar dentro de casa de seleções como a da Colômbia, que deitou e rolou no Maracanã, é o fim do fim da picada. Tão incrível quanto Lula gozar de uma popularidade inédita, quase unanimidade, nos 120 anos da República no Brasil, é a qualidade do futebol apresentado agora em campo. E o pior é que os jornalistas que são pagos para analisar e avaliar as exibições de nossa seleção consideraram um primor, o máximo, a exibição medíocre e quase vergonhosa do Brasil contra a Venezuela. Como hoje existe a televisão transmitindo tudo (o que eles viram eu também vi), por isso eles não me impingem mentiras como o cântico em prosa e verso saudando os quatro a zero sobre os venezuelanos. Se houvesse lógica e justiça no futebol, aquela partida não poderia passar do zero a zero e isso porque não tem escore menor. Pela minha avaliação, só dois escapam dos 16 ou 20 que têm atuado vestindo a camisa do Brasil. As duas exceções são o goleiro Júlio César e o zagueiro Lúcio, por sinal quase ignorados pelos sabidões que comentam os jogos. O resto dou um pelo outro e não quero troco. Sei que Robinho e Cacá sabem jogar mas suas exibições em campo pela seleção 2008 merecem ser esquecidas. Todo craque tem seu dia de “perna-de-pau”. É o caso. – E o Dunga? – pergunta alguém que acha que eu me esqueci dele. Não, não me esqueci. Se os jogadores estão cumprindo rigorosamente as instruções e recomendações do treinador, então ele não entende necas de petibiriba, ou seja, nada.







12/10/2008 - 11:25:09
VITÓRIA ELEITORAL SE GANHA NAS URNAS E NÃO NO TAPETÃO



Não sei em outras áreas, mas em política sempre se admitiu o direito de espernear dos derrotados nas urnas. Quem vence sempre permite ou tolera a lamúria dos que não tiveram condições de vitória nas urnas jogando sempre nas costas largas do vencedor o uso de métodos e procedimentos ilegais ou imorais.

Pensei que isso tudo já fosse coisa que o tempo levou, mas, agora pelo noticiário da mídia, vejo que os rejeitados pela maioria da população de Ananindeua querem ser os pioneiros na tentativa de voltar a justificar a derrota inapelável que lhes foi imposta pelas urnas por procedimentos incorretos do vencedor. E outra coisa: antes, os derrotados sempre apresentavam como indício de prova o resultado final muito apertado. Agora, em Ananindeua, os derrotados estão sendo pioneiros de se queixar de uma surra de dez mil votos – repito, dez mil votos – o que deve ser incomum. Aqui e ali surge contestação a uma vitória por uma ou duas dezenas de votos, mas essa do município vizinho foi por uma diferença de dez mil sufrágios, – repito, dez mil votos!

Parece que os impugnadores do resultado de Ananindeua não estão propriamente se queixando da derrota mas sim do escore dela. Se o placard final não chegasse a 10 mil goals na frente, não haveria bronca porque a oposição está convencida de que não pode suplantar a marca do vencedor, mas ficaria realizada e conformada com a simples ilusão do segundo turno.

Números são números e os derrotados não podem contestá-los nem duvidar deles. É meter a viola no saco e esperar quatro anos com dignidade pela oportunidade constitucional de 2012.

LETRA O governo decidiu intervir no tipo de letra impressa nos contratos de adesão apresentados aos consumidores pelas empresas concessionárias de serviço público. De agora em diante as letras têm de ser impressas em tipos que possam ser facilmente lidos pelo consumidor. Para aproveitar o embalo, o governo deveria, também, exigir que as bulas de remédio tenham um tipo de letra que os usuários possam ler mais facilmente. No momento, qualquer medicamento traz a bula escrita em letra tão miudinha que só quem tem vista muito boa e muita paciência consegue decifrar. Tenho a impressão que se o consumidor conseguir ler a bula, ele vai pensar duas vezes antes de ingerir a droga receitada. A bula avisa que a medicação faz mais mal do que bem. Por isso os laboratórios fazem tudo para que o doente não seja advertido dos riscos e perigos da medicação ingerida.

TÍTULOS Segundo estudos do Centro Estatístico da UFPa, os times do Botafogo, Fluminense, Vasco, Grêmio, Palmeiras, Real Madrid, Barcelona, Remo e outros considerados grandes, levariam cerca de 100 anos para chegar ao número de títulos que tem o Paysandu em quantidade, conquistados e reconhecidos pelas entidades competentes.

Somados até a última semana, o Paysandu possui: 3 títulos nacionais; 42 títulos estaduais; 1 título regional; 5.244 títulos protestados na Justiça do Trabalho; 922 títulos protestados na Justiça Civil; 735 títulos protestados na Justiça Federal; 14.643 títulos protestados nos Cartórios de Títulos e Documentos.

Totalizando, são muito mais de 21.000 títulos, ou seja, os outros clubes não passam nem perto. Colaboração de um internauta que me sugeriu que podia trocar o nome do Paysandu pelo Clube do Remo, que é a mesma coisa.

CULTURA De 3 a 7 de novembro próximo, a Academia Paraense de Letras realizará a XII Semana Cultural abrindo inscrições para quem dela desejar participar, o que poderá ser feito até o dia 24 de outubro. As inscrições serão gratuitas mas limitadas a 140 pessoas. As sessões serão às 18 horas com a APL visando homenagear em especial a memória dos “imortais” Octavio Meira e Líbero Luxardo cujo centenário de nascimento acontece este ano.

Recorde-se que na última sexta-feira, dia 10, a Academia fez sessão especial em homenagem ao centenário de nascimento de Antônio Tavernard que transcorre também neste 2008.

NORMA Norma de Azevedo Guilhon, viúva de Fernando Guilhon, veio do Rio de Janeiro (onde reside há 30 anos) para lançar em Belém o seu livro de contos intitulado “Fragmentos de Vida”. Será no próximo dia 15 (quarta-feira) na sede social da Assembléia Paraense à Avenida Presidente Vargas, a partir de 17h30. Cabe lembrar que, na década de oitenta, Norma recebeu premiação nacional do então Instituto Nacional do Livro pela sua pesquisa histórica denominada “Confederados em Santarém – Saga Americana na Amazônia”, realizada no Brasil e nos Estados Unidos. O livro resultante, com prefácio de Arthur Cezar Ferreira Reis e comentários elogiosos de Sílvio Meira, foi publicado e reeditado, especialmente para distribuição em prefeituras e órgãos públicos de todo o território nacional.

MEMÓRIA Começou na última quarta-feira e se estenderá até novembro a exposição do Arquivo Público do Estado do Pará denominada “História, Loucura e Memória”. A mostra está aberta ao público. O grande destaque é colocar à disposição dos médicos, pesquisadores e estudiosos interessados os prontuários detalhados (em microfilmes) do antigo Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira.

É louvável a iniciativa do Arquivo Público e da SECULT de organizar, higienizar, valorizar e, principalmente, disponibilizar a todos esse acervo médico que, na minha gestão como governador do Estado, foi microfilmado, com muita dedicação, pela PRODEPA.

A propósito, quando deixei o governo em 1991, o imponente prédio do Arquivo Público na Travessa Campos Sales foi entregue à população totalmente recuperado.

Este ano está sendo criada a Associação dos Amigos do Arquivo Público que, no seu manifesto inicial em busca de adesões, afirma que “é preciso conservar para historiar” porque “a História pode nos ajudar a lembrar mais”.

É. De acordo.

TEMPO O Presidente Bush II anunciou para os americanos e para o mundo que todas as medidas tomadas pelo seu governo para conter a marcha da crise nos Estados Unidos só vão começar a fazer efeito “daqui a duas semanas e meia”.

Esse “meia” aí é de lascar. Não são daqui a duas ou três semanas. São “daqui a duas semanas e meia”. Essa precisão na cronometragem do efeito das medidas não se consegue nem quando se toma purgante.

RENOVAÇÃO Dos 35 vereadores de Belém eleitos domingo passado, só 13 exercerão o mandato pela primeira vez. Os outros são veteranos.

Duas mulheres integram o novo time que o eleitorado de Belém escalou: a capitã Vanessa Vasconcelos, reeleita, e Tereza Coimbra. Raimundo Castro passa a ser o vereador com maior número de mandatos.

O nosso DIÁRIO publicou o retrato de quase todos os novos prefeitos no Pará. Olhei as fotos e verifiquei uma coisa: não há um velho. Tudo é jovem ou meia-idade. Há algum tempo li uma reportagem da revista americana “Time”, de circulação no mundo todo, sob o título “A Geração Indesejada”. Sabem quem é a “geração indesejada”? Os velhos.

Parece que o Pará, na eleição agora para a direção dos municípios, dá um recado para que os mais velhos abram espaço para os mais novos.

CONTAS O Tribunal de Contas dos Municípios vai convidar todos os prefeitos eleitos para uma reunião de 17 a 20 de dezembro em Belém com o objetivo de orientá-los no cumprimento de suas obrigações na prestação de contas com o TCM.

A conselheira e presidente Rosa Hage quer estender a reunião a todos os novos vereadores que têm a obrigação constitucional de também avaliarem e analisarem as contas dos prefeitos. É a primeira vez no Pará que o TCM oferecerá um curso rápido para preparo dos novos gestores com os técnicos e analistas do TCM ministrando esclarecimentos.

PORTUGAL O competente técnico Sérgio Martins Pandolfo, que sabe bem usar o bisturi no consultório e a pena no gabinete de estudos, acaba de imprimir o texto da conferência que pronunciou na sede do Grêmio Literário e Recreativo Português abordando a vinda e a presença de Dom João VI no Brasil no século 19.

O detalhe interessante no trabalho de Sérgio é que ele encontrou inspiração para contar em versos “a singular epopéia do traslado da Corte Portuguesa para o Brasil”. E publicou o seu poema à semelhança do “Lusíadas” de Camões que cantou em versos o nascimento de Portugal. Merece registro especial.

DROGA Em tom alarmante, recebo uma mensagem chamando a atenção pública para os riscos de uma nova droga, que tem o nome em inglês “Easy Date”.

Ela está chegando agora no Brasil e se apresenta em forma de um pó que dissolvido em qualquer líquido faz efeito em cinco a sete minutos. É branca mas adquire a cor da bebida na qual é dissolvida que tanto pode ser alcoólica como qualquer refrigerante.

Easy Date age ao nível do pré-consciente e transforma a pessoa que a toma num escravo perfeito e tem como efeito secundário apagar da memória tudo que a pessoa fez, disse ou sentiu durante o tempo de ação, que se prolonga por sete a oito horas. A droga separa a mente do corpo, deixando a pessoa sem controle dos movimentos voluntários do corpo mas executa qualquer ordem que lhe é dada, como tirar dinheiro em caixa eletrônico, passar cheques de qualquer valor e participar de orgias sexuais. A publicação aconselha que ninguém largue o seu copo para sair para dançar, não aceite garrafa de refrigerante já aberta, nem nunca aceite um copo de pessoa amiga ou desconhecida.

Os primeiros sintomas do efeito do Easy Date são suores e vermelhidão no rosto. Se alguém tiver esses sintomas, vá para o hospital imediatamente.

Divulgo a alarmante advertência.

P. S.

Desculpem a ignorância aqui do macaco, mas não consigo entender como a impontualidade dos norte-americanos no cumprimento de suas obrigações junto aos BNHs de lá tem força para abalar as finanças de todos os países do mundo. Todos, sem exceção. Pode estar pras bandas da China, do Japão, como para os lados da Austrália, da Índia, das Américas ou da Oceania, ninguém escapa. Americano dá calote no pagamento de suas prestações no setor imobiliário e arrasa o mundo inteiro!

Outra coisa que o meu bestunto não entende. Como é que em um dia as bolsas chegam a perder dez, vinte por cento, e no dia seguinte essas mesmas bolsas sobem dez, vinte por cento! Ou ao meio-dia estão dando lucro e às duas da tarde sofrem prejuízos arrasadores!

Sei que conspícuos e imperturbáveis doutores na ciência das finanças vão ficar escandalizados com a ignorância aqui do macaco. Um fenômeno tão simples, tão racional, e o macaco não entende!

Mais uma coisa que o macaco não entende. Para tentar acabar com a crise, os Estados Unidos resolvem baixar a taxa de juros bancários para um e meio por cento ao ano. Para conter a mesma desgraça no Brasil, o governo eleva a taxa de juros para treze por cento ao ano! Eras!...

Ah! sim. E outra que me desconcertou. O jornalista Hélio Fernandes comentou no seu jornal que “as ações de cigarros e de bebidas não caíram um centavo que seja”. Mas as da Petrobras e da Vale caíram.

Será que a nossa salvação é o vício?!

P. S. do P. S.

Um Bom Círio para todas as minhas leitoras e meus leitores, tanto os habituais como os eventuais, todos igualmente queridos.

Neste dia, primeiro a devoção com suas ações de graças e preces. Depois a confraternização familiar ao redor de uma mesa onde o pato pode ser o preferido mas qualquer outro prato pode ser servido em meio às alegrias e emoções que a data provoca no coração de todo paraense.

Um Bom Círio neste outubro de 2008 que não está sendo tão bom para o mundo.








05/10/2008 - 11:59:10
Campanha e debate na televisão têm algum efeito sobre eleição?



A campanha eleitoral tem influência para que o eleitor decida o destino do seu voto? A eleitora e o eleitor, que me dão a honra de reservar algum do seu precioso tempo para passar a vista sobre esta página, mudaram ou alteraram a cédula que já depositaram ou vão depositar nas urnas? O nome que pensaram escolher no início da campanha é o mesmo nome, ou melhor, o mesmo número, colocado hoje dentro da urna? Ou depositou ou vai depositar nome completamente diverso daquele que inicialmente pensaram sufragar?

Tenho minhas dúvidas a respeito da eficácia da campanha eleitoral. Não vou dizer que elas não têm o seu valor. Têm e são necessárias e imprescindíveis nas democracias. Não se pode imaginar eleições livres e democráticas se elas não se caracterizarem através de uma campanha popular que garanta a todos oportunidade para expor suas idéias e defender suas soluções.

Mas gostaria de saber se alguém mudou de voto por causa da campanha. No decorrer dela, arrependeu-se da escolha prévia e por isso alterou o nome de sua cédula? Ou será que a campanha só fez alicerçar mais a sua posição de antes da campanha? Não se desviou do que já decidira antes dela?

Acho, contudo, que a campanha, se não muda o voto do eleitor em favor do candidato que se esgoela na TV, pode levá-lo a trocá-lo por causa de alguma mancada na TV do candidato inicialmente preferido. Campanha pode não ajudar a subir, mas com certeza pode derrubar por uma eventual mancada no horário eleitoral. E mais: com relação à campanha terminada quinta-feira, em Belém não houve nenhum programa ruim. Todos os candidatos apresentaram muito bem os seus quadros.

Isto posto e exposto, mantenho minha posição. Debate na televisão não prejudicou nenhum candidato. Nenhum tiro disparado pelos candidatos saiu pela culatra nem entrou pelo cano, a não ser uma vacilada do competente Jordy que se deixou perturbar com a correção deita por Duciomar a um percentual equivocado usado pelo seu concorrente.

Mas, no Brasil, estatísticas e números manipulados pelo governo podem ser fajutos.

OBRIGATORIEDADE

Para algum freqüentador das sextas-feiras da Assembléia Paraense, o clube, o ministro Ayres de Brito, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, está errado quando prega que o voto do eleitor brasileiro não deva ser obrigatório. Para o egrégio magistrado, o voto deve ser facultativo e só deve ir votar quem quiser votar. Quem não quiser, não vá e isso não deve merecer castigo.

– Vocês me desculpem, – dizia ele dirigindo-se a dois fumantes do grupo que ouvia sua conversa – mas, por favor, joguem a baforada do cigarro para bem longe daqui porque os médicos garantem que a baforada do fumante é tão nociva para os viciados como para quem esteja do seu lado. Obrigado. Mas, como ia dizendo, o voto no Brasil tem de ser obrigatório. Pode até entrar na cabine e votar em branco ou anular o seu próprio voto, mas tem de ir. É seu dever cívico.

Prosseguiu na sua argumentação: – Olhem, muito mais pesada que a obrigação do voto, é a obrigação do brasileiro de ser reservista, tendo de passar um ano dentro da caserna para obter o imprescindível certificado. Só se ele não tiver saúde ou não tiver um “pistolão”, é que poderá ser dispensado da obrigação de servir à nossa pátria amada, idolatrada, salve, salve!

Foi aplaudido discretamente por todos os seus ouvintes devendo se frisar que a iniciativa das palmas partiu dos dois fumantes que jogavam suas baforadas em direção ao conversador.

AVISO

Não digo que o impossível acontece mas às vezes me deparo com casos surpreendentes. Li nos jornais retificação de um aviso fúnebre publicado antes. A retificação era da data do nascimento do morto e a data exata do seu falecimento. Em vez de nascido em 05.08.14 e falecido em 04.09.08, o morto nasceu em 17.11.1980 e fechou os olhos para sempre em 01.09.2008. Quer dizer, em vez de 94 anos de idade, o extinto tinha só 28 anos. Em vez de ter falecido no dia 4 de setembro, ele morreu no dia primeiro de setembro, 3 dias antes.

COR

O IBGE acaba de revelar a constituição das raças do povo brasileiro. Pelos números encontrados pelo Instituto dividem-se assim os segmentos da população:

Pardos = 69,4%

Brancos = 23,6 %

Negros = 6,2%

Amarelos = 0,5 %

Interessante. Quando estudei na escola aprendi que eram três as raças humanas: brancos, negros e amarelos. Nunca ouvi falar nessa raça parda. Agora, neste ano de 2008, o IBGE certifica que a maioria esmagadora da população brasileira é parda.

A gente aprende quando criança uma coisa e, mais tarde, vai aprender que aprendeu errado... E pior: na infância e adolescência nunca ouvi falar de raça parda. Agora fico sabendo que a grande maioria dos brasileiros é da cor parda, que inexistia no século passado.

DICIONÁRIO

Adolar: puxar o saco dos americanos.

Charme: isso que se diz que as criaturas têm quando não têm nenhuma outra qualidade visível.

Destroços: uma dezena de troços.

Disse-me-disse: a verdadeira imprensa falada.

Maratona: à superfície do oceano.

Perfume: a verdadeira arte abstrata.

Pérola: a doença mais cara do mundo.

Sensualidade: aquilo que antigamente havia no ato sexual.

Palavras pescadas na rede da internet. O dicionário completo está no site do Millôr Fernandes.

PRÊMIO

Sylvia Helena Tocantins, imortal da Academia Paraense de Letras, ganha agora um prêmio mineiro.

Seu livro “A lenda do amor eterno” foi o vencedor do Concurso Nacional de Obras Publicadas, que teve o patrocínio da Academia de Letras e Ciências de São Lourenço. Primeiro lugar com louvor e medalha de ouro.

CHURRASCO

O que é fazer um churrasco?

Resposta de uma mulher: O churrasco é a única coisa que um homem se propõe a realizá-la. Eis a cadeia dos acontecimentos:

1) A mulher vai ao supermercado comprar o que é necessário;

2) A mulher prepara a salada, arroz, farofa, vinagrete e a sobremesa; 3) A mulher tempera a carne e a coloca numa bandeja com os talheres necessários enquanto o homem está deitado próximo à churrasqueira bebendo uma cerveja bem geladinha;

4) O homem coloca a carne no fogo;

5) A mulher vai para dentro de casa preparar a mesa e verificar o cozimento dos legumes;

6) A mulher diz ao marido que a carne está queimando;

7) O homem tira a carne do fogo;

8) A mulher arranja os pratos e os põe na mesa;

9) Após a refeição, a mulher traz a sobremesa e lava a louça;

10) O homem pergunta à mulher se ela apreciou não ter que cozinhar e, diante do ar aborrecido da madame, conclui que elas nunca estão satisfeitas.

PRUDÊNCIA

As emissoras de televisão de Belém foram precavidas e prudentes quando importaram de outros centros os moderadores para os debates públicos com os candidatos a prefeito. Acharam que isso garantiria mais a sua imparcialidade na condução do debate e fizeram bem.

Mas, aqui pra nós, o que eles fizeram que, por exemplo, o Mauro Bonna e o Guilherme Augusto, não soubessem ou não pudessem fazer?

Nada.

MOMENTOS

Do alto de sua inata sabedoria, Lula disparou: – Crise mundial não impacta o Brasil. Estamos blindados.

24 horas depois, Lula, com sua inata habilidade de se desdizer: – O Brasil, se não abrir o olho, vai para o beleléu com essa crise mundial.

Seu ministro Carlos Minc, quando contestado em suas análises e previsões sombrias por um próprio colega de ministério, disparou: – Mas eu nem li antes as “minhas” declarações... Quando estava lendo é que estava tomando conhecimento delas...

A coisa tá braba.

DIPLOMAS

Semana passada os jornais de Belém publicaram publicidade de uma instituição de ensino superior.

A grande vantagem de se estudar nela é que o aluno, com dois semestres, ganha um título; com 4 semestres, ganha outro título e com 6 semestres tem o seu diploma final.

Três títulos em uma só faculdade fazendo só um curso.

ENSAIO

– É morrendo e sempre aprendendo, meu amigo...

– Por que você está dizendo isso?

– Olha, acabo de ler na mídia que os bancários paralisaram por 24 horas suas atividades em todo o Brasil.

– Com certeza porque estão reivindicando aumento nos seus salários, o que é justo, tanto mais quando os bancos no Brasil estão publicando balanços com lucros espetaculares.

– Mas o de segunda ou terça-feira não foi ainda por causa de aumento salarial. Sabe por que aconteceu? Simplesmente porque o comando da futura greve resolveu fazer um “ensaio geral” antes da decretação da greve... Eu sabia de ensaio geral para as escolas de samba, para os desfiles cívicos, mas ensaio geral para greve nunca tinha visto ou ouvido falar... É por isto que eu repito: é morrendo e ainda aprendendo...

VITÓRIA

Mais um escritor paraense vence o prêmio de uma competição nacional. Trata-se de Salomão Laredo que, com o seu livro “Sarrabalho – a lenda da Cobra Norato” vem de ganhar o “Prêmio Monteiro Lobato” outorgado pela União Brasileira de Escritores.

Laredo, que teve seu umbigo cortado na Vila do Carmo em Cametá, pretende ir receber o merecido prêmio no Rio, em solenidade na Academia Brasileira de Letras marcada para o próximo dia 31 de outubro.

Nas letras, nas artes, na política, na administração, etc, etc, etc, o Pará se destaca. Mas no futebol, Remo e Paysandu, que tantas alegrias deram ao torcedor paraense, agora só dão decepção e tristeza.

Mas não se percam as esperanças. O nosso novo dia vai chegar. Parabéns, Laredo!

P. S.

Com exemplar de jornal nas mãos, passageiro de ônibus com destino a Icoaracy comenta com seu vizinho de banco: – Olhe aqui, companheiro, a reportagem apurou que o servidor público, seja da União, Estado ou Município, ganha muito mais do que um trabalhador da empresa privada. É por isso que todo mundo quer ser funcionário público: para ganhar mais. Você concorda?

– Não vou dizer que o funcionário público ganhe menos do que o empregado no comércio e na indústria, – responde o interrogado. – Mas não acho que seja só por isso que todo mundo quer ser funcionário público.

O primeiro arrisca: – É porque tem mais “status” do que o operário?

– Nada disso, – explica o vizinho. – Claro que o servidor público ganha mais. Mas, para mim, sabe qual é a grande atração da carreira do servidor público? É que ele, além de ganhar mais, não precisa trabalhar. Se ele quiser ir trabalhar, vai e o governo lhe paga. Se ele não for trabalhar, não tem problema, o governo paga tudo, não desconta nada. Vê se essa folga existe para o que trabalha na indústria e no comércio... O empregado no comércio, na indústria, se não comparecer e logo no início do seu turno de trabalho, não recebe e está acabado.

Outra observação do passageiro que iniciou a conversa: – Você diz que o funcionário recebe mesmo sem ir trabalhar. Mas ele é obrigado a assinar o “ponto”. E como ele assina se não for lá.?

– Hoje em dia, meu caro, o “ponto” é eletrônico. É só um cartão que o funcionário empurra na máquina e pronto: sua presença está registrada para o que der e vier. Mas nem sempre é o próprio que faz o registro na máquina. Qualquer colega pode fazer as vezes do faltoso. E ele para todos os efeitos tem presença registrada.

Passageiro volta a se ajeitar na cadeira para continuar a leitura do seu jornal mas antes respondeu à observação do seu vizinho sobre a operação para registro do “ponto”: – É, meu amigo, ninguém segura este Brasil do Lulinha que já está com 80% de aprovação popular. Quer apostar como ele vai chegar aos 100%?...

O outro não aceitou a proposta. Não se deve duvidar nada do Lula.








29/09/2008 - 08:21:26
Rejeição do nome para o TC pode enfraquecer ou fortalecer



Votação secreta envolve sempre alguns riscos e surpresas. – Mas, olhem, – comentava um habitual freqüentador de noitadas na Assembléia Paraense, o clube – não achei que a derrota do candidato governista para uma vaga no Tribunal de Contas e a conseqüente vitória do candidato de oposição, que é minoria, tenha sido um espanto. Para mim, foi um resultado que, se não foi previsto, poderia ter sido facilmente previsível.

– Mas pera aí, companheiro, – foi logo aparteando um ouvinte – o deputado Luiz Cunha, reeleito já por três ou quatro vezes, integrante fiel e exemplar da bancada governista, jamais poderia esperar que na hora do voto seu nome fosse trocado. E pior, trocado por um deputado da oposição e da minoria. Me explica, quero ouvir...

O freqüentador habitual, que era o único fumante do ambiente, tirando uma baforada, não se fez de rogado: – Explico, meu amigo. Quase toda semana, a governadora perde eleição no plenário da Casa.

Não foi uma, nem duas, nem três vezes. A derrubada quase sistemática de votos da governadora deveria tê-la alertado para ser mais cuidadosa no trato com os seus deputados. A coisa mais rara do mundo é a governadora receber deputados em audiência. Não recebe nem promete recebê-los. Ela pra lá e os deputados para cá... Os mal-amados ou desgostosos com a governadora aproveitaram a votação de uma matéria que desperta mais atenção, – uma espécie de sinecura para um felizardo que já está tendo dificuldades eleitorais, – e rejeitaram o nome preferido pela governadora.

– Quem comandou no plenário o movimento para derrubar o nome de Luiz Cunha? – quis saber um participante da conversa.

Recebeu a resposta: – Olha, no plenário não apareceu ninguém articulando às claras a rejeição de Luiz Cunha e a substituição pelo nome de César Colares. Mas uma presença foi constante nos dias que antecederam a votação. O senador Mário Couto aproveitou o recesso parlamentar em Brasília, veio para Belém e praticamente se instalou na Assembléia Legislativa onde ele, de fato, se sente em casa porque foi presidente da Assembléia e conhece bem as influências e as mumunhas do Poder. Se não comandou, colaborou decisivamente para a derrota do preferido da governadora.

– Você acha que a derrota do nome de Luiz Cunha deixará seqüelas no seio da bancada que apóia o governo? – foi outra pergunta dirigida ao expositor que pontificou: – Todo fato político tem conseqüência. Pode provocar um toque de sentido para as forças governistas como pode significar um toque de debandada. O risco é o mesmo, tanto pode unir e reunir como pode dividir e desunir ainda mais. É a velha história: o risco que corre o pau, corre o machado...

PESQUISA

Quando fui governador do Estado, modernizei órgãos estaduais através da ação da PRODEPA, que executou importantes serviços de informática e de tratamento de documentos por meio da microfilmagem.

No relatório do final do meu governo, encontro alguns números sobre documentos microfilmados:

513.000 referentes a Diários Oficiais, 865.000 papéis do cadastro de servidores, 126.000 documentos do ITERPA, 1.100.000 da JUCEPA, 1.100.000 prontuários médicos dos hospitais estaduais.

Estou recordando esses números porque fiquei sabendo pela Stella Pessôa – foi presidente da PRODEPA no meu governo – da grande utilidade atual do acervo de microfilmes relativo ao antigo Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira – que no começo se chamava Hospício. É usado para importantes pesquisas médicas sobre saúde mental que são desenvolvidas hoje no Pará e no Brasil. Os prontuários médicos, com minúcias e detalhes, foram todos tratados e microfilmados. São mais de 475.000 instrumentos de pesquisa distribuídos em quase 200 rolos de microfilmes, arquivo valiosíssimo da coleção do Arquivo Público do Estado do Pará.

Minha gestão como governador do Pará deixou essa contribuição para médicos, estudiosos e pesquisadores deste terceiro milênio. Um detalhe: o relatório do final do meu governo em 1991 recebeu o nome de “Pará. Caminhos para o futuro.” Parece que, no caso, o futuro é agora e esse título – quase profético ou premonitório – cai mesmo como uma luva. Outro detalhe: sou informado que, no meu tempo e também agora, os serviços de microfilmagem da PRODEPA tiveram e têm a competência da dedicada bibliotecária Léa Vânia de Oliveira Macedo. Honra ao seu mérito.

GINCANA

Este ano, fez parte da programação da Feira Pan-Amazônica do Livro uma gincana literária, coordenada por SEDUC e SECULT. Convidada, a escritora Sylvia Helena Tocantins – imortal da Academia de Letras – participou do evento que contou com a presença de alunos das escolas públicas e incluiu sarau, desfile, exposição de prêmios e medalhas. Ao final, minha amiga Sylvia ganhou a premiação máxima e foi declarada a grande vencedora da gincana com 1.750 pontos, bem mais do que os outros escritores concorrentes.

Como Sylvia sofreu um acidente antes da premiação, foi representada nessa cerimônia de encerramento pela também escritora Edy-Lamar Oliveira que é grande conhecedora da obra literária da imortal.

Sylvia já passa bem, depois do susto.

AURÉLIO

No mesmo palácio onde tomou posse no governo do Estado, no mesmo palácio de onde saiu quando teve seu mandato cassado pelo movimento de 1964, Aurélio do Carmo volta 44 anos depois para lançar seu livro de memórias contando a história de quem cedo perdeu o pai mas encontrou na mãe viúva o sustentáculo para levá-lo à culminância do poder, ela tendo apenas uma velha e convencional máquina de costura da qual tinha de tirar o pão de cada dia e os limitados recursos para educar o filho.

Dias, semanas, meses e anos se debruçou sobre a velha máquina mas conseguiu a realização do seu sonho de preparar o órfão para enfrentar e vencer os desafios difíceis da vida até chegar a sentar-se na cadeira da mais alta autoridade do Pará.

Na capa do livro, Aurélio, que usou a experiência jornalística de Linomar Bahia para narrar a sua história, avisa que “são as lembranças que valem a pena lembrar e uma contribuição à História do Pará”.

O lançamento do livro acontecerá na próxima quinta-feira, dia 2 de outubro, às 18:30 horas, no antigo Palácio Lauro Sodré, que hoje se chama Museu do Estado do Pará, no mesmo local – diz Aurélio – de onde governei o Pará.

MAGO

O livro “O Mago”, biografia de Paulo Coelho, escrita pelo jornalista Fernando Morais que, por sinal, está hoje em Belém participando da Feira do Livro no “Hangar”, registra as últimas férias passadas em Belém na adolescência do escritor.

O pai de Paulo Coelho é Pedro Coelho de Souza, paraense que foi para o Rio de Janeiro cursar Engenharia e lá casou e se radicou. Mas a cada dois anos vinha a Belém visitar os pais trazendo mulher e filhos que se hospedavam na casa do professor Daniel Coelho de Souza, pai do Frederico Coelho de Souza.

Daí nasceu a camaradagem de Paulo Coelho com o seu primo paraense Frederico. Fernando Morais narra os folguedos normais e naturais da dupla de adolescentes e também o episódio da morte do avô no começo dos anos 60. Com a morte do avô, Paulo não voltou mais para passar férias em Belém, onde veio a perder a inocência, uma maneira decorosa de registrar que o adolescente Paulo teve aqui a sua primeira experiência sexual que contou também com a participação de Frederico. Mas cada um na sua.

Também foi em Belém que Paulo Coelho teve o seu primeiro contacto com a morte, tema recorrente em sua obra.

Hoje Paulo Coelho tem nome e fama no mundo inteiro. Mas vale lembrar que, no começo de tudo, Belém marcou sua vida.

XIXI

Leitora cativa desta página manda dizer que está hospedando em casa um sobrinho que é arquiteto e professor em São Paulo mas está fazendo uma especialização aqui em Belém.

Em conversa, o hóspede paulista se mostrou surpreso com a quantidade de pessoas que urinam em via pública em nossa cidade. Achei exagerado o comentário mas, em seguida, ao passar pela Tupinambás, esquina da Mundurucus, vi um senhor, exatamente às 11:30 horas, urinando de frente para a rua, sem camuflar ou disfarçar a satisfação da necessidade em público.

A leitora pergunta: o que está faltando aos homens de Belém? Pudor ou banheiros públicos? Parece que as duas coisas, minha amiga.

LIVRO

Nelson Tembra concluiu e já está imprimindo o seu livro que tem um nome singular: “O Machado e o Pênis”, para ser lançado na XII Feira Pan-Amazônica do Livro.

Manda-me a reprodução da capa do livro e o texto de um provérbio árabe: A árvore, quando está sendo cortada, observa com tristeza que o cabo do machado é de madeira.

Tenho certeza que vale a pena lê-lo.

SABEDORIA

Em uma reunião beneficente, uma amiga se queixa para a outra:

– O meu marido é o fazendeiro, mas o trabalho duro fica comigo.

– Com assim? Diz a amiga. Cuidas dos bois? Fazes as compras das fazendas?

– Não! Não! Nada disso, interveio a mulher do fazendeiro. É que eu tenho de resolver os problemas familiares das pessoas que lá trabalham. Olha só esta: A mulher do gerente de uma das fazendas veio comigo e chorava sem parar. Quase não conseguia falar, engasgava o tempo todo. Dei um copo d’água e pedi para ela me contar devagar o que se passara.

– E aí?

– Ela se acalmou e me disse que havia pegado – no flagra – o marido dela e a mulher do vaqueiro, que arruma a casa da gerência, na cama. Eu, com toda habilidade, perguntei: Ele é bom? Paga as tuas contas? Te trata bem? Como todas as respostas foram afirmativas, eu a mandei perdoar e ficar com ele.

– Ela aceitou? – indagou a amiga.

– Ela disse que o problema foi que, enquanto o marido pulava da cama e se vestia, a mulher do vaqueiro berrava sem se mover: – Ele é teu marido, mas ama é ieuu... Ama é ieuu... E haja a mulher do gerente, inconsolada, a chorar.

– Como resolveste o caso?

– Me deu um estalo – finalizou a fazendeira – mandei o vaqueiro e a sua mulher para a outra fazenda, longe do gerente e da esposa.

CRISE

Um preocupado investidor paraense, que acompanha com interesse a crise mundial gerada pelo não pagamento dos empréstimos na compra de casa nos Estados Unidos que abalou a bolsa de Wall Street e as do resto do mundo, pois não acredita – como o presidente Lula – que não sobre para o Brasil, comenta com um amigo:

– Eu não entendo como esse Henry Paulson Jr., Secretário do Tesouro Americano – uma espécie de Ministro da Fazenda –, pode ir ao Congresso Americano pedir um empréstimo de 700 bilhões de dólares para salvar apenas os dois maiores bancos de investimentos.

– Por quê? – diz intrigado o amigo.

– Ora, esse senhor, antes de ser Secretário do Tesouro, foi presidente e diretor executivo do Goldman Sachs, maior banco de investimento dos Estados Unidos, que está afundando. Quer dizer, além de não fiscalizar nada, ele sabia de tudo que estava acontecendo, deixou três bancos de investimentos irem para o beleléu, interveio na Seguradora AIG – o que é um crime lesa-pátria para o Partido Republicano do presidente Bush – e requer agora a liberação, na maior cara de pau, de 700 bilhões de dólares, sem qualquer fiscalização, para honrar somente os débitos dos bancos de investimentos que sobraram. Por pura coincidência, o Goldman Sachs possui, cálculo do imaculado e santo Mercado, cerca de 873 bilhões de dólares de ativos sob sua gestão.

– Eras – se lembra o amigo – e eu que pensei que aquele caso, no governo FHC, de criarem o PROER para socorro dos bancos falidos, pois o filho do presidente estava casado com a dona do Banco Nacional, só existiu porque era Brasil. Eu estava redondamente enganado. O mundo inteiro é igual. O lucro é sempre dos mais poderosos, o prejuízo sempre socializado, para o bem do país, claro.

P. S.

Terça-feira passada, recebo pela internet uma mensagem: – Lembre-se desta data 23.09.1985 – Trombetas – PP EUI – Comandante Líbio Costa.

Como não vou me lembrar, meu inesquecido comandante Líbio ?! Eram quase 6 horas da tarde quando decolamos do aeroporto de Trombetas onde a Vale tinha o seu porto de exportação de bauxita, em direção a cidade de Oriximiná, distante 10 minutos de vôo no bi-motor em que viajávamos. O outro avião da comitiva havia decolado há uns 5 minutos levando parte do grupo quando o nosso PP alcançou vôo. A pista de decolagem terminava em cima do rio e o nosso aviãozinho não tinha alcançado a altura do vôo para Oriximiná quando, inesperadamente, um motor parou e o que restou não tinha força para empurrar para cima a aeronave. Só teve condições de permanecer no ar mas, ainda assim, com a temperatura subindo assustadoramente com risco de explosão. Nessa hora, a aparelhagem do avião começa a apitar para alertar que a situação estava caótica, incontrolável. Com perícia e sangue frio, o comandante ficava fazendo círculos sobre o leito do rio evitando sobrevoar a floresta com o cume das árvores quase roçando o corpo da aeronave. O círculo só podia ser feito para o lado do motor em funcionamento porque, se fosse manobrado para o lado do motor parado, a aeronave perderia o frágil equilíbrio e despencaria para o chão. A única chance de salvação seria tentar voltar à pista do aeroporto Trombetas. Mas como? Se na altura em que se encontrava, o piloto não conseguia nem enxergar a pista? Escurecia.

O comandante, que era o Líbio Costa, arriscou um contacto pelo rádio com o avião que saiu na frente.

O contacto só seria possível se o primeiro avião não tivesse desligado os motores na pista de Oriximiná. Não tinha. O milagre estava começando. Líbio pediu que o seu colega voasse de volta ao Trombetas para guiá-lo até a pista. O avião-socorro voaria por cima do nosso e Líbio por baixo dele iria tentar enxergar e chegar à pista.

O plano funcionou e o PP-EUI encontrou a pista para aterrissar com seus passageiros são e salvos. Na hora da maior agonia, Fernando Ribeiro que ia sentado ao lado do Jader, dizia para ele: – Jader, manda o Líbio jogar o avião dentro da água do rio porque aí a gente pode tentar se salvar nadando. – Menos eu, – aparteei Fernando – porque não sei nadar... Depois me disseram que o Líbio também não sabia nadar. O avião pousou mas já no chão outro susto. O aparelho se desviou um pouco do leito da pista e foi parar já fora dela, dentro de uma vala. A asa direita mergulhou um pouco na vala e ficou meio atolada. Mas o lado direito era o do motor parado e não houve piores conseqüências, a não ser mais um susto e, com certeza, mas uma ajudazinha do Lá de Cima que usou a competência, a perícia e o imperturbável sangue frio e tranqüilidade do Líbio para um final feliz.

Como esquecer, Líbio? Como esquecer?

Na minha vida, você é um dos meus heróis.








22/09/2008 - 08:17:20
Belém já cumpriu desde ano passado meta do MEC para 2009



As escolas municipais de Belém já cumpriram desde o ano passado (2007) as metas estabelecidas pelo Ministério da Educação para 2009.

Quem assiste à televisão em Belém vê aparecer no vídeo uma propaganda institucional do governo mostrando uma professora subindo os patamares de um tablado informando que a escalada simbolizava o esforço especial que se está fazendo para mudar os baixos índices de aprendizagem das escolas brasileiras – públicas e provadas – na Educação Básica, quando se fala em média de aproveitamento.

O INEP - Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos – estabeleceu metas anuais de qualificação da Educação Básica para cada um dos municípios brasileiros até o ano de 2021, não pó acaso o ano anterior ao bicentenário da Independência do Brasil. Para isso, de 2 em 2 anos, há uma avaliação nacional das quartas séries das escolas públicas e privadas, resultando um índice chamado IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – apurando o aproveitamento também das séries anteriores.

Pois bem. Não foi propriamente uma grande surpresa mas uma grande alegria para a professora Therezinha Gueiros a constatação de que as escolas públicas municipais de Belém já alcançaram desde 2007 as metas do IDEB para 2009. O esforço materializado através de um trabalho inovador, aliás já premiado nacionalmente, de formação continuada dos seus professores alfabetizadores, o ECOAR , começa a render bons frutos.

Ufa! Até que enfim uma boa notícia numa área em que a ligeireza e até a leviandade costumam ter trânsito livre. A Semec na administração Duciomar tem menos papo e mais ação competente e comprometida com o presente e o futuro das novas gerações.

ESTATÍSTICA

– Há dois tipos de estatísticas, – me comenta o atento Luiz Rijo a propósito do tópico da página sobre o tema. Ele classifica e define: Existe a estatística mentirosa e a proba. A primeira, usada pelo governo, é a arte de torturar números. Uma frase célebre de Einstein é “Deus não joga dados” se referindo à Mecânica Quântica”, que é uma ciência probabilística.

Rijo avança: “Einstein estava errado (gênios também erram!). A Mecânica Quântica é a estatística proba. A prova disso, são as maravilhas tecnológicas que nos rodeiam, sem falar na contribuição na área da saúde com as novas descobertas tecnológicas de biologia molecular, fundamentos nessa ciência. E isto é só o começo!”

Não quero ser desmancha prazer, mas como Rijo garante que as descobertas e invenções maravilhosas estão só começando, transmito a opinião ou previsão de um cientista japonês na televisão, falando em inglês, com legenda em português, para quem, de fato, coisas incríveis e maravilhosas ainda vão ser inventadas, mas ele dá um limite. Tudo de sensacional ou incrível será descoberto ou inventado dentro de vinte anos improrrogáveis. Depois de vinte anos, em 2028 o mundo civilizado vai ficar esclerosado, emperrado, não vai descobrir ou inventar mais nada. O mundo vai dar marcha ré, só haverá recuos e fracassos e mergulhará numa era de treva e retrocesso.

O japona não disse por que fazia a profecia boa com prazo certo para terminar. Mas não marcou tempo para o fim dos tempos maus. Acho que a humanidade vai se valer da sabedoria popular. Para ela, não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe.

Ainda bem, viu, seu japona!

PRESTÍGIO

A parada escolar do Dia da Pátria e a Parada Militar de 7 de Setembro este ano tiveram de ser transferidas para o fim da linha da Pedreira porque nos locais tradicionais dos Setembros passados provocariam muita confusão no centro da cidade.

Já a chamada parada “gay” que, segundo a imprensa reuniu mais de 40 mil pessoas entre praticantes e simpatizantes, aconteceu domingo passado no coração de Belém, - Praça da República e adjacências. Parece incrível mas nestes tempos de Lula, mala e grampos, o veadismo tem mais força do que o patriotismo.

INOVAÇÃO

– O meu Remo está sempre inovando, – comentava aquele torcedor para o outro que ainda está perplexo com o rebaixamento de seu time de futebol para a categoria que ainda nem foi criada.

O outro replica: – Mas inovando em quê, companheiro? Entramos pelo cano e não tem jeito...

O primeiro reafirma a observação: – Está inovando sim, companheiro. Até então todo time de futebol no Brasil, e no Pará, quando se via derrotado num beco sem saída, não hesitava: dava bilhete azul para o treinador. O nosso Remo está botando para rua o presidente azulino!...

SUJEIRA

Numa roda formada em cartório no Fórum de Belém, um advogado comentava com colegas a chamada lista negra organizada por setores da justiça eleitoral indicando (e amaldiçoando) candidatos que estão respondendo a processos penais. Basta a denúncia e ele já deve ficar inelegível ou pelo menos “invotável”.

– Respeito e admiro o zelo dos dedicados membros do Ministério Público do Pará mas não posso concordar com essa ação contra o prefeito Duciomar Costa, candidato à reeleição, – disse um participante da conversa.

Um dos ouvintes aparteou: – Que foi? Algum caso de improbidade administrativa?

– Não, meus amigos, - respondeu o advogado. – Duciomar está sendo denunciado pelo Ministério Público por que o Diário Oficial de Belém publicou uma fotografia dele. Quer a sua inelegibilidade por causa de um clichê em jornal...

É... Parece que a ação é um exagero.

PERIGOS

Na sede da Assembléia Paraense, o clube, aconteceu semana passada uma muito concorrida e animada festa para celebrar os quinze anos de uma filha de um casal de associados da agremiação.

Várias rodas de conversa foram formadas ao longo da noitada com todos conversando sobre tudo. Numa delas, o conversador mais destacado, recém chegado de uma viagem a São Paulo, contava que teve oportunidade de participar de um jantar no qual estava presente o banqueiro Olavo Setúbal, fundador e dono do Banco Itaú.

No meio da conversa alguém perguntou a Setúbal qual o segredo ou fórmula segura de se vencer na vida. Setúbal não se fez de rogado: - Olhem, meus amigos, não tenho fórmulas especiais para se vencer mas tenho experiência para aconselhar o quê não se deve fazer. Não se meta em jogo de qualquer espécie inclusive a loteria que só vai lhe dar prejuízo. Não se meta, também, em empresa de aviação porque, com certeza, você terminará sendo derrubado. E, em terceiro lugar, jamais se meta com uma amante argentina.

Essa de amante argentina ser tão ou mais perigosa do que jogo e empresa de aviação foi desconcertante tanto mais quando um participante de um grupo se despediu: Buenas noches, hermanos, yo já me voy... E no serviço do som do clube tocava o tango de abertura da telenovela “A Favorita”. Simples coincidências?

Seja lá como for, aceite-se o conselho de Setúbal, que viveu e venceu na vida. Não se deve ter amante porque é pecado e ilegal. Mas se não puder resistir, peque e se incrimine com um produto nacional.

ENIGMA

Do Recife, onde está passando uns dias, Ribamar me manda dizer “que aqui há um candidato a vereador que se chama Berlamino. Ele é médico proctologista e no horário da televisão aparece de jaleco e com as mãos vestidas com luvas cirúrgicas, o dedo indicador em riste, durão, e diz: você me conhece! Portanto pode confiar em mim.”

Ribamar confessa que não entendeu a mensagem e pede o parecer da assessoria desta página sobre o significado da propaganda na televisão pernambucana. Ei-lo: Parece-me, conspícuo mestre, que o esculápio recifense acha que se ele já tem a confiança de seu cliente para meter o dedo enluvado em suas intimidades, ele deve ter também sua confiança para receber seu voto. Salvo pior juízo, conspícuo mestre.

Encaminho o parecer à consideração do Ribamar.

REPÚDIO

Da tribuna da Assembléia Legislativa, sede do poder, o deputado Miriquinho Batista do PT fez um veemente e indignado protesto contra a declaração do candidato Barack Obama que acha que a Amazônia é um recurso global e não apenas brasileiro. O parlamentar sugere a criação de uma Frente Parlamentar destinada a opor-se à tese do moreninho.

No plenário um deputado que ouvia com muita atenção o Miriquinho comentou com seu vizinho: - Olha, Barack vai ficar muito preocupado com o discurso do Miriquinho...

PORTAL

Amanhã, dia 22, às 10 horas a presidente do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará, conselheira Rosa Hage, instalará o Portal Nacional dos tribunais de contas do Brasil que facilitará as informações a qualquer momento sobre os processos em curso em todos os TCs do Brasil. O Portal funcionará no 1º andar do TCM em Belém e estará à disposição de qualquer cidadão.

PARA-PAN

Criança de cinco anos, à vista do grande apelo de marketing dos Jogos Panamericanos e dos Jogos Olímpicos, pergunta para o pai: - Papai, o que são Para-Olímpíadas?

O pai, com habilidade, responde à filha: - Assim como tivemos o Pan e o Para-Pan, teremos as Olimpíadas e as Para-Olimpíadas. As Para-Olimpíadas como o Para-Pan são para os atletas especiais, com deficiência física e mental, entendeu, filha?

– Ah, papai, entendi. Por isso é que teve eleição Para-Presidente e o Lula ganhou, né?

CRISE

O analista econômico que semana passada reclamava da desculpa esfarrapada usada pelo governo de - toda vez que aumenta os juros - culpar a inflação, achou mais honesta a ata divulgada agora pelo Copom :

– Pelo menos dessa vez, pela primeira vez, foi admitida que a crise financeira internacional é responsável pelo aumento de juros no Brasil. O problema – diz o economista – é que nosso presidente acha que estamos blindados e a coisa não é bem assim. Duvido que nossos bancos não tenham papeis podres norte-americanos. Daí essa tentativa de aumentar a liquidez dos bancos aqui no Brasil. Não faz sentido os bancos do mundo inteiro possuírem esses títulos e os brasileiros não. Só na cabeça do Lula.

E mais essa história de que, no capitalismo norte-americano, o mercado não sofre interferência, o tratamento é o mesmo para o grande e o pequeno, é conversa para boi dormir. O governo Bush estatizou a AIG (American International Group), uma das maiores seguradoras do mundo e patrocinadora do clube de futebol Manchester United, pela bagatela de 85 bilhões de dólares.

Quando a crise é por lá – finaliza o economista – as recomendações e os procedimentos do FMI e de outras instituições financeiras globais não valem nada.

DESCONFIANÇA

O marido comenta para a mulher:

– Querida, nossa simpática vizinha, que acabei de encontrar, disse que te reconheceu semana passada antes de viajares para a nossa fazenda.

– É, devolve a mulher de maneira ríspida. Então, estás proibido de falar com ela. – Mas por quê, querida? Ela é tão simpática.

– Só se for contigo. Eu também a vi, mas ela fingiu que não me viu. Aí eu segui em frente. Além do mais ela já tentou roubar minha empregada, coisa que não se faz.

– Querida, acho que estás exagerando...

– Não! Corta a mulher. Se ela tem a ousadia de querer roubar a minha empregada quanto mais o meu marido. Ainda por cima ela é separada. Pode deixar de prosa com essa sirigaita.

O marido não mais insistiu.

CULTURA

De um comentarista esportivo erudito para explicar o pequeno afluxo de torcedores de um time suíço no jogo contra o Milan:

– “Em Zurich existem dois times: um é da elite, o outro é do povão. Como na Suíça existe mais elite, este time, que é do povão, possui menos torcedores.”

Sem comentário.

PESQUISA

Um amigo comenta com outro:

– Eras! Eu ando por aí e, com as pessoas que falo, não consigo ver esses números divulgados pelas pesquisas que medem a intenção de voto para prefeito.

– Pode ser que as pessoas não falem a verdade para ti – diz o outro.

– É, pode ser. Mas eu vi na coluna do Informe JB, no Diário do Pará, que um candidato de São Paulo encomendou uma pesquisa séria para um ex-presidente do IBGE e o resultado não bateu com o que vem sendo divulgado.

- Bem, se em São Paulo as coisas estão assim, imagina por aqui...

P. S.

Por acaso assisti pela televisão ao depoimento do ministro da Defesa Nelson Jobim a uma CPI do congresso Nacional sobre esse problema de conversas telefônicas grampeadas.

Confesso que não tenho boa vontade com o desempenho do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal agora no exercício de uma função no Poder Executivo mas surpreendentemente tive boa impressão de sua atuação na CPI. Jobim me deu a impressão de que sabe muito bem o que faz e o que não faz qualquer setor do seu ministério. Tem controle e comando sobre tudo.

Estranhei no dia seguinte a cobertura discreta, rotineira, burocrática da imprensa, o que não correspondia à importância e segurança da exposição oral de Jobim. Por que isso? – Perguntei aos meus botões que não sabem falar mas sempre dão um jeito para me responder. As declarações de Jobim na CPI não tiveram a merecida repercussão na impressa porque elas atingiram a cretina pretensão de alguns dos chamados grandes jornais do país de serem não o quarto poder (os outros são Executivo, Legislativo e Judiciário) como se costuma equiparar, mas o superpoder perante os poderes constitucionais executivo, legislativo e judiciário tem de se render, tem de se curvar. Como Jobim deu a entender que não aceita essa impostura, a chamada grande imprensa fez tudo para não dar qualquer realce ao seu depoimento. Afinal, a opinião pública é formada ou influenciada pelo que sai na mídia. Não tem jeito.

No Brasil, de modo geral, político que costuma enfrentar executivo, legislativo e judiciário, não é muito chegado a ficar contra a impostura da imprensa.

Não sei se isso leva o Brasil para frente. É mais provável que o empurre para trás.











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